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O inferno são os outros?

 

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A convivência é fundamental. Alimenta a  história, traz aprendizagens.Seria impossível haver uma solidão inatacável. A inquietude nos torna seres humanos envolvidos  por aventuras. Ficar escondido mostra que a covardia impede a invenção e o ânimo de criar as sociabilidades. Não dá para apagar os espelhos. Como deixar de olhar para os olhos dos outros? Como naufragar sem gritar por socorro e receber ajuda? A convivência não existe sem as dúvidas. Surgem as as dissonâncias, pois os conflitos e as diferenças não abandonaram a construção de cada época. Não é sem razão que existem inseguranças. Já se viu sem a embriaguez e dominado pela apatia?

As suspeições avisam que não somos seres acabados. Buscamos. Profetizamos. Desfazemos. A história não é resignação a destinos malditos. Sem o desejo de transformar, a desconfiança ganharia todos os espaços. Os outros nos ameaçam e podem nos expulsar de seus territórios. Mas a multiplicidades nos acena para as curvas, os abismos, as calmarias, os desapegos. Portanto, nomear tudo é impossível. A ambiguidade está presente, não é apenas um maniqueísmo tolo que nos sustenta. Acusamos, mostramos violências. Elas intimidam. Ficam na memória. Quem esquece dos deuses do Olimpo? As intrigas viajam, estão guardadas nas memórias.

Os outros possuem seus projetos. Por que negar as discordâncias? A cultura sofistica, transcende, porém não elimina comportamentos que habilitam invejas. Os fracassos se abraçam com as culpas e as identidades flutuam perdidas. Não é fácil arquitetar uma geometria sossegada, com visibilidade plena. Observe como Picasso desenhou, imaginou figuras, dançou com as cores e as formas. A convivência pede movimentos, apresenta pesadelos, daí os mitos, as fantasias, os infernos, os deuses enlouquecidos. Você sabe o que salvará o mundo?

Talvez, tudo seja um grande delírio. As lacunas não param de nos assombrar. Há quem desista de elaborar respostas e morram na agonia das perguntas. Temos que navegar. As idas e as vindas surpreendem. Nada está definido. O sempre é uma palavra que evita certos resgastes. O tempo é desafio. Treme, mascara-se, atiça. Os outros nos contemplam ou nos detestam? Parece estranho tantos quebra-cabeças. Lembre que as reações não são homogêneas. Imagine a sua ficção, o seu outro, seu abraço mais acolhedor. O caos e o cais formam um par eterno. Compreendê-lo é uma ousadia.

O fogo é do mundo?

 

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A perplexidade assusta cotidianamente.  Circulam coisas doloridas e perversas. O sensacionalismo corta , muitas vezes, a crítica e a solidariedade. A miséria habita regiões imensas. Come-se barro, as epidemias  vão e voltam. A mídia, porém, seleciona as notícias com preciosismo que dê retorno aos investimentos. Os  jornais não estão numa situação agradável. Há falências e descontroles. Portanto, se aproveitam da internacionalização dos espetáculos. Numa sociedade repleta de desenganos, as armadilhas são constantes. Explorar  aquilo que mexe com os privilegiados é uma conquistas nas vendas. Criam-se amarguras e apagam os desastres que acontecem no Haiti, em Angola, em Moçambique.É preciso valorizar o charme industrializado.

São apostas na ingenuidade ou esperteza dos negócios? As perdas culturais não devem ser desprezadas. O que aconteceu em Notre-Dame representa  desgraças e desenganos. Não há como menosprezar. Ainda existem incêndios que desmontam feitos de tantos séculos! Cadê a tecnologia? No entanto, não se pode esconder os desequilíbrios. As desigualdades são jogadas no lixo. A educação se concentra em quem se enche de grana? Por que não imaginar saídas para quem vive empurrões da fome e das violências políticas? O capitalismo atrai. Não faltam defensores. E os excessos não  atingem as maiorias? Quem ganha?

Parece que a sociedade não cuida das rebeldias e não analisa a expansão dos desgovernos. O cinismo virou uma prática.  Há soberanias tortas que roubam qualquer possibilidade de diálogo. É um incêndio que queima as liberdades e aumenta as esquizofrenias sociais. Insistir que o mundo das mercadorias é duma crueldade sem limites revela que é preciso sair do sufoco. Como alimentam-se absurdos e cultivar apatias! As sociabilidades se desmancham quando os afetos tem preços. As relações de poder denunciam uma escassez na forma de olhar o outro e de procurar as portas abertas dos labirintos.

Sempre as incertezas retomam seus lugares.A história possui curvas e estradas acidentadas. Inventaram luzes, salvações, paraísos, porém as incompletudes permanecem. O disfarce dita presenta. O engano é constituinte das manipulações. Joga-se com habilidade. Existem técnicas e especializações sofisticados. A escravização não se transformou. Continua. A complexidade social nos coloca no limite. Muitas notícias, crescentes interesses narcísicos. O fogo nos aquece e nos consome.Faltam respostas, sobram desalentos. As  dores não desistem de firmar seus lugares.

As memórias assanham dores ou escondem trapaças?

 

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As interpretações históricas atiçam reflexões. Não são uniformes.  Multiplicam as fantasias ou requerem cuidados com a objetividade. Um debate complexo que nos remete a muitas armadilhas. Quem consegue abraçar os sentimentos que andam pelos nossos corações? Quem critica as ações totalitárias? Quem celebra as rebeldias como encantamentos superiores? Não há como definir as certezas e congelá-las. A busca da verdade incomoda, merece análise, inquieta e sacode a experiência. Hoje, vivemos cercados de dúvidas, porém mecanismos de manipulação existem, de forma quase opressiva. Produzem perplexidades, confundem lembranças, refazem enganos.

Atravessar a história sem observar as ambiguidades é um grande escorregão. Nada indica que houve sossegos perenes e dádivas indiscutíveis. Freud assustou-se com a violência humana, Marcuse tentou saídas para nos livrar da unidimensionalidade e Adorno se frustrou com os genocídios arrasadores. As mudanças esperadas não aconteceram,  facharam as portas da liberdade e inventaram censuras abrangentes. Fica a angústia de não compreender as razões de cinismos tão frequentes. Consulta-se a memória. As dores se formam e os pesadelos convergem para as distopias.

A história continua, com balas e governos de privilégios. Não há expectativa de desarrumar as violências, acabar com a miséria ou refazer as aventuras tristes dos refugiados. Temos que manter os afetos próximos, conversar, imaginar . Entregar-se ao desespero não resolve. O absurdo não se apaga.  Ha quem justifique a ação das milícias e quem se ache dono de poderes inacabáveis. Para isso, os disfarces sempre se ampliam. Observem como a imprensa se comporta, desfaçam os sensacionalismos e não apaguem a forca dos interesses. Há enigmas treinados e mesquinhos. Os desejos são múltiplos, nunca serão decifrados de forma absoluta. A incompletude é ninho que desampara.

O jogo da memória é ousado. Quem o domina não deixa vazio para criar argumentos que empurram para um abismo sofisticado. Mesmo que a obscuridade permaneça, quem domina sabe da importância de controlar as emoções. O sistema de propaganda e anúncios é gigantesco, adoece as memórias. Chegam as depressões, as bipolaridades, o medo de enfrentar uma noite na rua. Refletir não significa que a moradia da história é um lixo, mas lançar suspeitas, não fixar regras inabaláveis. Perpetuar espertezas? Fragilizar sonhos? Nunca se atrapalhe, pois as perguntas não cessam. A construção da história é inquieta como a rebeldia de Prometeu. Não anula as esquizofrenias soltas no mundo.

A sensibilidade encurralada

 

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Tudo se explica.  Muitas informações correm soltas, trazendo novidades. Não importa o que elas conseguem dizer. As conversas inquietam, mas mostram pouco afeição pela solidariedade. Portanto, os argumentos vazio nos deixam perplexos, quando reagimos diante de tantos desenganos. Mas é preciso não sacudir tudo em cima de pessoas. Temos que  construir uma leitura da sociedade que nos mostre as relações. Há clara intenções de perturbar a lucidez. Por que, então, se divertir com o sensacionalismos? As armas matam e servem aos desmandos fascistas. Reproduzem atmosferas milicianas.

As relações sociais estão contaminadas pela desigualdade. Somos diferentes, nem todos gostam do azul.A questão é que há fome, desemprego, salários infames. No entanto, os especialistas no mercado nem olham para o coletivo. Gostam de cálculos objetivos, criam ilusões que silenciam até os desfavorecidos. Parece uma ficção mal escrita. Dê uma olhada olhada no facebook. Há apelos, lamentações, tristeza.Seja cuidadoso. Há falas autoritárias que lembram Pinochet e riem dos sofrimentos alheios. Há os treinados em provocar escândalos, para ocultar dissabores.

A razão é instrumentalizada. Justifica desastres ecológicos, desfazares dos governantes, interesses predatórios dos políticos. Há quem se empolgue e grite que a vida é  mesmo ambiguidades. Chegam a elogiar racismos ou curtir preconceito antigos. Lembrem-se da lutas civis nos Estados Unidos e dos sonhos de 68. Há brechas, imaginações coloridas. A sociedade busca organizações opressoras.Encurrala a sensibilidade. Não se trata de ignorâncias. Existem doutores que formulam teorias que mereciam desconfianças gerais..

O mundo polarizado sofre e convive com delírios. Esquizofrenias andantes e assustadoras. Um abraço pode ser um assédio, a fragmentação arruína a solidariedade. Sempre, insisto que a sedução pela quantidade esvazia o sentimento. Quem é o outro? É possível um paixão ou o oportunismo dos negócios garante ganhos na bolsa? A travessia complica-se, pois o massacre das informações é tirana. Não há fôlego para animação e muita covardia se esconde por reclamações, aparentemente, afetivas. Os compromissos estão num ar poluídos. Somos imprudentemente arquitetos de relações que celebram dores, em nome dos certificados de competência. E você já tomou seu cafezinho ou curte falar do vizinho que veste um velha camisa vermelha?

As escritas das histórias, os ritmos do impossível

 

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A escrita tem um ritmo. Não pense que a palavra não dança. Imagine. Ela está sempre viva, depende  dos diálogos de quem a lê. É preciso  não celebrar apatias quando as histórias estão sendo contadas. Quem se esconde, apaga o fogo da palavra. Portanto, é um erro desprezar seu movimento coletivo. Visitar Calvino, Mia, Paz, Drummond  ajuda a compor seus ritmos. Um texto linear arruína o ânimo. A escrita se expande quando seu sentido coletivo cria recepções constantes. As leituras nunca devem ser únicas e solitárias.São incansáveis quando as palavras testemunham o inesperado da vida e a abertura da porta anuncia a possibilidade de não desfazer a coragem.

Cada desenho da escrita revela as saídas possíveis dos labirintos. Cabem escolhas  para que as portas se abram. Os labirintos não possuem desenhos comuns. Lembram impasses, escuridões, mas as luzes podem aparecer. Nada é definitivo, as adivinhações espantam monotonias. O ritmo pede, às vezes, pressa. Há tristezas, olhares  atentos. As palavras são múltiplas nos seus significados. Nem todos conseguem compreendê-las. Muitos se perdem, menosprezas as ficções. Ditam exatidões que amortecem o desejo de ampliar espaços e viajar em tapetes mágicos

Quem silencia nem sempre está ausente da escrita. Ela também faz suas moradias em lugares imprevisíveis. Nos sonhos , as escritas se reinventam, se vestem com alegorias. Ficam dúvidas. Não há escrita que esgote as história da vida. Surgem mundos que pareciam terminados ou mortos. Quem sente que as palavras não abandonam suas ousadias, transforma-se. Cada minuto diz alguma coisa diferente e o passado não sepultou todas suas lembranças. Não há quem decrete o juízo final com certezas. As instabilidades são grandes, elas movem fatalidades e empurram o lixo para os abismos.

As brincadeiras retomam os mitos. Há sempre uma origem cogitada, um inconformismo que inquieta. Não é sem razão que as religiões não cessam de buscar o sagrado. Estão tontas diante de tecnologias que emudecem lendas e destronam deuses. A arte também sofre com as manipulações do mercado. Tudo se vende e se destroça. As escritas contabilizam números, inutilizam encantos, caem num ritmo mecânico. Não esqueça, porém, das brechas. Somos aventureiros do absoluto, com fragilidades inesgotáveis. Não sonegue o sangue que corre nas veias e se abraça com as palavras. Assim, a escrita foge dos pântanos e seus bordados arquitetarão os desenhos do circo que não se afundou para homenagear as alegrias. A metáfora torna a vida uma ilusão inexplicável.

As disputas acirradas: tensões e deboches

 

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Quem acenava com uma sociedade organizada com cuidados solidários, deve estar frustrado. Aqueles ideais iluministas, aquelas críticas aos genocídios, as utopias tão cantadas  por suas generosidades se encontram em estágio terminal. Os elogios ao desenvolvimento tecnológico não compensam os desencontros e os deboches permanentes. Planeja-se o desmanche. A abertura  para o diálogo é mínimo. A referência é o desgaste dos argumentos e a eficácia dos ruídos. Há descompromisso visível que coloca todos e todas nas moradias da perplexidade.  O medo dá ritmo a sons enfeitiçados.

Parece que a opção por uma populismo messiânico vingou. Não se comenta com discernimentos.O objetivo é o riso solto, as ruínas escancaradas, as propostas sempre patrocinadas. Muitas denúncias, pouca ação para desvendar tantas corrupções. Criam-se fantasias ou a sociedade está se afundando? Com meios de comunicação acelerados as disputas  se acirram com manchetes sensacionalistas. O pior: os desmentidos desfazem o que se mostrava verdadeiro e as razões se escondem no primeiro abismo.

Nenhuma ficção previu as agonias atuais. Kafka descreveu absurdos burocráticos, Camus exaltou as dificuldade de se fugir do absurdo, mas as relações sociais se globalizam produzindo tensões inesperadas. Se no Brasil se busca uma reforma favorável ao capital, na Europa está difícil acordos e o número de refugiados aumenta. As contradições explodem. O inesperado assusta. Uns querem a volta da monarquia, simpatizam com o holocausto, outros escolhem salvadores, messias iluminados. Não faltam análises que denunciem a lucidez fragilizada, porém o descompromisso ganha espaço.

O tempo histórico se contrai  e se estica com fugacidade. Quem fica encantando com narcisismos consumistas? Quem deseja a volta de costumes preconceituosos? Quem acredita que os investimentos na educação são vazios? As ambiguidades não assombrosas, pois se aposta num caos. Como será o futuro? E as sobrevivências? A desigualdade se multiplica, a violência fabrica sutilezas, propõe-se uma revisão sombria da história. O descontrole é soberano. Tudo solto, com profetas totalmente tomados  pelos ressentimentos. Celebra-se a possibilidade de  oprimir o outro. As portas se fecham, pois a suspeição anda nos cantos mais remotos de cada estrada.

História:A narrativa escorregadia do afeto

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A historia  possui suas tradições seculares. Ela é contada seguindo certas regras que satisfazem os vencedores e distraem. Destacam-se as grande figuras, cheias de pompas e despreza o cotidiano. Assim se vestem os chamados livros didáticos. É claro que há exceções, porém os privilegiados são contemplados com elogios. Perdem-se momentos de rebeldia e se escondem lutas contra preconceitos. Portanto, a narrativa histórica não é neutra. Compõe tradições, busca apagar quem se sente aflito e deseja reinventar a sociabilidade. Congela e cultiva a palidez, porém deveria assombrar e promover dissonância.

Muitos ignoram os debates, ressaltam o pragmatismo, resistem às mudanças. Sabem do poder do convencimento. Não se domina, apenas, com armas. É importante desenhar situações e mostrar que minorias espertas querem ser donas da vida social.Interpretações são justificadas. Mas o interesse maior é o controle político. A narrativa funciona, então, como uma regra, se nega a eleger transformações. Existe para celebrar fatos que mantêm preconceitos. Até os espaços da violência ganham páginas especiais, desde que descrevam perseguições e genocídios nada solidários. Rememoram os imperialismos e colocam os lixos no canto dos quartos de dormir. A narrativa pesa. Esfumaça-se.

O sentimento nem é pensado. Tudo se monta em cima da produção e da quantidade. A narrativa não existe à toa, nem é uma ficção inútil para anular a vida. Ela dá respostas a uma ordem, materializa, omite, desmancha. Por isso, as narrativas não dispensam lacunas e disfarces. A sociedade se despedaça com  frustrações e desamparos, porém aparecem as reformas econômicas como senhoras salvadoras do apocalipse. Ambiguidades. O choque de ambições se revela e poderosos meios de comunicação reforçam quem já se encontra no centro da devaneio política.O trabalho  não liberta e a grana multiplica confortos, para escurecer  os vazios. O circo é de horrores e não, de risos.A morte do poeta é perda da beleza que redime e solta o ânimo.

As promessas de felicidade são vendidas. A narrativa da propaganda, das informações enganosas, as notícias falsificadas não desistem de impor suas versões. Para tudo, se formam especialistas, pois o desenvolvimento possui argumentos perversos que precisam ser fantasiados. O velho livro didático continua exaltando guerras, governos  ditatoriais, revoluções mambembes. Poucos percebem que naufragamos em valores que isolam a maioria e reproduzem comportamentos opressivos.  Olhar os esconderijos, desnudar  os vícios da dominação representam fôlego para que os afetos se estiquem e a sociedade não se afunde na acumulação de riquezas mesquinhas. Estamos doentes e batemos palmas. Alguém já imaginou as acrobacias da sua narrativa? Será que  palavra  se desfez  na  prisão das abreviaturas?

Os olhares ernestianos: quem se habilita?

 

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O mundo contemporâneo produziu diversidades incríveis. O século XX foi pesado, pois a modernidade não abriu a porta para as utopias. Pensou o absoluto sombrio, não dispensou o totalitarismo. Lá estavam Stalin e Hitler, o genocídio atingindo milhões. Houve guerras e tenologias traiçoeiras.Foi um desencanto, apesar de 68, do movimento hippie, das teorias frankfurtianas com os olhares de Marcuse. Quebraram-se preconceitos, porém a capitalismo fortaleceu ditaduras e as possibilidades de democracia se enfraqueceram diante da grana monopolizadora e das articulações fascistas. Os senhores da censura se fizeram presentes com astúcias criminosas.

Há quem sinta saudade das violências. Nota-se uma constante desconstrução do passado. Querem sufocar memórias, colocar prisões nas rebeldias. Portanto, inventa-se. Arrumaram um lugar honroso para  o fascismo. Dizem que ele é de esquerda, deixando muita gente irritada. Giram as apostas de quem ocupa-se da política para pintar vitrines. Ernesto faz pronunciamentos, insiste em afirmar um caminho estranho para  os totalitarismos. Defende os militares de 1964, parece um seguidor servil de Bolsonaro. Não sei qual seu objetivo, como se inquieta sua reflexão. A sociedade se enche de psicopatas de cores pálidas, mas ativos e fatais.

Quem não sabe das atrocidade cometidas pelas armadilhas do autoritarismo? Como negar a existência dos campos de concentração? Hitler e Mussoloni tinham planos satânicos. Foram feitos bombardeios na Espanha  e fabricaram uma tecnologia de morte. Muito sofrimentos, para que agora se negue a ferocidade de quem imagina a derrota todas as resistências. O fascismo é uma celebração do imperialismo, fecha o espaço do diálogo, conta com intelectuais pragmáticos, controladores de  experiências opressoras. Quem silencia diante de tantas ruínas?

A democracia ainda não conseguiu se firmar.Restam vozes articuladas e ressentidas que gritam contra  a solidariedade. Na crise atual, os delírios são imensos. Usa-se a distorção, criam-se líderes apaixonados pelas imagens bélicas. Ernesto se encontra com a política como um guru desatinado. Talvez, desconheça a ironia e perca na vulgaridade do deboche. Ofende para conseguir ser notícia.Contraria, mesmo que se isole. Conta com a escuta de outras figuras estranhas, acredita que receberá prêmios futuros. Em que profecia aposta seu nacionalismo? Os debates animam frustrações escondidos. Há quem o aplauda. Ele é um missionário do evangelho de Jair.

Todorov: o toque da beleza e da transcendência

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Todorov enfrentou um desafio. Quis, talvez, procurar o sentido das suas experiências e narrar o seu passado  entrelaçado nas aventuras da arte. Contemplou o mundo com um cuidado precioso. Não elegeu o lugar comum, nem sacralizou a imaginação. Buscou-se em vários  espelhos, observou a diversidade e a relação forte com a vida de cada um. Visitou a beleza sem cerimônia. O sangue corre pelas veias. Ele sabe. Wilde sofreu. Rilke  era tímido. Marina  guardava uma singularidade indescritível. Há uma estética que os une e os distancia. Entre o céu e terra existem incertezas e deuses embriagados com a eternidade. Nada garante que os bordados dos anjos suprimam a inutilidade  de pesadelos, nem que a aridez seja apenas uma palavra,

Se a beleza salvará o mundo, não sei. Não custa pensar que o mundo pode ser salvo. É difícil transcender, escapar da incompletude. Todorov revela, na sua escrita, que está longe de qualquer ingenuidade. Há o gosto da amargura.As utopias fascinam, porém elas  prometem o impossível.Wilde ficou atordoado. Rilke não conseguiu se compreender. Marina me deixou alucinado. Será que Todorov desejava ser acolhido pelos  delírios de seus  leitores? Sua escrita é incansável e insinuante. Não hesita, nomeia como um poeta. Talvez, ela desvele suas dores e mostre  seus sentimentos mais incômodos. Não nutre simpatias pela dureza do totalitarismo. Esse é um registro importante.Traz histórias sem se omitir das complexidades. Compreende que há idas e vindas.

Marina é possuidora de magias, Rilke se enlaça com as cartas, Wilde se desenha dentro de um imaginário desértico. A vida é um espetáculo para quem a veste de atrações inusitadas. Mas como fugir dos seus escorregões? Há  um labirinto no fim de cada estrada.  Só o poeta conhece a saída, pois ele existiu antes do mundo, brincou com o barro primitivo. Os filtros se poluíram e Todorov aponta a lama que inunda a modernidade. As promessas não vingaram, a liberdade abandonou-se, Charles Baudelaire parecia consagrar os demônios. Charles era desconfiado e depressivo. Nunca sossegou no divã de Freud, nem navegou nos mares lacanianos. Havia, para ele, ressacas de outros fantasmas, amantes de vinhos sublimes, drogas repletas de abismos. Foi profeta num tempo de gritos de decadência.

O diálogo atiça a obra. Todorov não está na solidão. É imodesto nas suas fantasias. Quem não acredita nas transcendências não toca na beleza. Sacudir fora os desenganos esconde os delírios do ser humano. Há as tentativas, as vítimas, as culpabilidades. Não se necessita conhecer o inferno, para se esticar nas reflexões sobre a maldade. A luta não é uma ficção vazia e as vitrines nos mostram os exibicionismos neuróticos. Marina, Rilke e Wilde não publicaram dúvidas e  encantos nas redes sociais. O mundo era outro.Havia mensagens com geometrias  curvas e nuas. A pressa estava presa, pois o poema pedia uma inquietação descurtida e descompartilhada, mas profunda e enigmática.  Todorov se descobriu  pacientemente. Reafirmou certos passados com sensibilidade, nas travessias de citações relativizadas. Soltou pássaros e não historiografias arquivadas fora do coração. (Des)identificou-se sem desvarios.

1964:Nas polêmicas ditatoriais

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A memória é construção. Todos sabem? Alguns não. Surge um espaço para as invenções que contaminam a história. Há quem proponha rever os acontecimentos,apagar os erros e salvar ordens opressivas. Querem celebrar 1964? Parece que sim ou Jair deixou de lado sua audaciosa ideia? O golpe trouxe prejuízos políticos imensos, desorganizou instituições, empurrou o país para a indignidade da tortura.Existem muitas provas, depoimentos, vítimas. De repente, valem o oportunismo, as fabricações de mentiras, o sensacionalismo de quem vende notícias e desmonta a credibilidade. A confusão inquieta, desqualifica, desvaloriza rebeldias.

A ditadura não foi fácil. Acusou, destruiu famílias, criou ondas de perseguições. Cantou o desenvolvimentismo apoiando um nacionalismo militarista. Empurrou intelectuais para  o sombrio, desfez partidos, fechou sindicatos, impediu diálogos, beneficiou bajuladores. Não precisa muito esforço  para buscar as histórias de tantas agressividades. Quem desconhece as repressões da época de Médici? Nunca ouviram falar das mortes de lideranças políticas, dos exílios? Basta ler os jornais da época para observar a sucessão de arbitrariedades. Será  que tudo isso foi um nazismo de esquerda? As tolices desfilam na embriaguez do vazio  político.

O governo de Jair que refundar conceitos, destroçando recordações dolorosas, elogiando os Estados Unidos que tramaram para que o golpe ocorresse. Nega que houve reações e respostas violentas. Não se viveu o sossego, nem uma aventura de sonhos. A  ditadura se firmou por muitos anos, trazendo medos e fantasmas. Os fatos existiram,mas teimam em máscara-los. O jogo é de quem lança um silêncio desmobilizador, justifica revisões, inibe críticas, comete desmandos se utilizando da velocidade das redes sociais. Novas formas de dominação,nada saudáveis, com tecnologias espertas e abraçadas com um mercado cheio de disputas e traições. Impõe-se uma maneira predatória de dirigir o social.

A história tem idas e vindas. Quem consegue firmar interpretações se mostra vitorioso. As manipulações convencem, ajudam a se pensar no conservadorismo de uma sociedade pouco acostumada com a abertura para invenção. Há colonizados permanentes, entusiasmados com os bens materiais, sempre atentos às vantagens e aos  lucros. Quem se importa com a desigualdade? Muitos apossam-se também dos saberes, consagram impunidades. O que mais estarrece é que as mentiras não andam sozinhas. Elas se fecham numa articulação para promover os enganos e possuem aliados e fanáticos pelo autoritarismo. São inocentes ou expulsaram a consciência para os pântanos? Não é sem razão que  alguns exaltam a censura permanente.