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A ligação no BBB

 

 

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Todo ano o espetáculo invade casas, mentes, sonhos. Não há como deixar de lado. A população gosta de saber da vida privada. Os boatos circulam, pois a sociedade não consegue superar seus vazios. Portanto, o negócio é viver a vida dos outros, soltar-se de si e tentar consagrar afetos alheios. Torna-se uma necessidade. A televisão fatura, as leituras são abandonadas e a espionagem sentimental se propaga. Quem ganha, quem vai para o paredão, quem brinca de amar? O sossego é coisa inexistente.

Mesmo que a política ferva, não custa sair do cotidiano tenso, para observar os anseios dos dramas BBB.  Isso acontece nos berços da globalização. Não é o Brasil, apenas, que alimenta o olhar curioso. Talvez, aqui, a torcida seja mais organizada. É um alívio, para muitos,  a garantia de que a aventura do outro tem estilo que cabe nas suas neuroses. Quem assiste se foca em desprezos, prazeres, futuros. É um intervalo na mediocridade do dia, no trabalho sem graça, nas aulas repetitivas, nos namoros perdidos.

A sociedade não perde suas caminhadas de consumo. Se tudo virou mercadoria, os sentimentos conseguem suas vitrines. Deixa Aécio no Supremo, ele se resolve, tem bons amigos, está cansado, sem o charme dos atores do BBB. A  disputa política é repleta de misturas e partidos sem expressão. Os deputados pensam nas eleições, não querem reformas, muitos deles são estimuladas pelas grandes empresas. Não esqueça que a democracia está no céu,

A história é uma campo de pecado segundo dizem as religiões. O BBB traz uma transcendência especial, reúne dispersões, ajudar a saborear cervejas e cortar insônias. O divertimento não abandona a vida. O pior é que eles trazem raras sabedorias, idiotizam, provocam delírios. O tempo passa, as estratégias de persuasão se renovam. as aflições consolidam hábitos. Há um relógio que dispara desejos. Nem percebemos que a programação possui interesses e jogam om os corações. Traz assuntos para as redes sociais e notícias para os jornais.

A vida não deve ser um calvário. Basta os desacertos dos governos, os crimes encomendados, a saúde arruinado. O que temo é a escassez progressiva de reflexão. Há uma falta de vontade que corta até as saídas de casa. O que se deve buscar? Por que tantas cores e excesso de melancolias? Muita gente recusa sorrir, constrói um mundo artificial. A comunicação é mínima, apesar de tantos celulares. A rede do absurdo está estendida sem metafísica. O corpo nu não saber o que pedir, prefere se fixar no espelhos da imagens noturnas. o final é sempre desmontante.

Aécio sem ingenuidades: o vasto mundo

 

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A situação tornou-se bem incômoda para o PSDB. Será que os peixes grandes estão na rede? Lula foi preso, mas ficou muito coisa no ar. Aécio tem culpas estabelecidas . Gostava do papel de ingênuo. Suas travessuras são antigas. O governo de Minas deixou marcas de muitas suspeitas. Ele queria ser presidente. Armou confusões, mostrou-se vítima, se escondeu na melancolia. Não houve como escapar. Se a denúncia vale, não há como deixá-la de lado. Sobram corrupções e delatores.Haverá continuidade nas acusações? E os réus fazem parte de que grupo?

Os caminhos da história nunca são lineares. Ainda não me convenci que a operação Lava a Jato dará conta da sua missão propalada. Isso não me impede de desejar que a sociedade empurre os senhores juízes para detonar quem se vestiu com o dinheiro público. Há figuras badaladas, envolvidas nas obras do metrô de São Paulo, que merecem atenção. As lentidões colocam dúvidas, porém as relações de poder mudam e os desmoronamentos acontecem e ferem quem parecia inexpugnável.No meio dos blocos festivos, a apatia também se compõe e provoca.

Todo vaivém teve atmosferas nebulosas. Aparecem Cunha e Temer como salvadores, o Congresso encena farsas, não respeita a mínima dignidade, inventa golpes sutis. Ninguém adivinha se existe presença de um esquema amplo ou se e trata de querela interna. Tenho intuições que a política norte-americana não fecha os olhos. A  eleição de Trump significa algum desfazer no contexto internacional, afetou acordo e trocas comerciais. Surpreendeu muita gente, embora não se possa esperar  a multiplicação da quietude nos Estados Unidos. A globalização ferve, apesar da miséria que sobrevive num mundo de sofisticadas tecnologias e insensibilidades permanentes.

É importante observar que o Brasil possui riquezas que fascinam os grandes impérios. Eles não desistem de mandar no mundo, não se negam a montar estratégias e acender a fogueira. No entanto, não produzamos esquizofrenias. O Brasil não está em 1964, nem Lula se parece com Jango. O socialismo tem sofrido bastante desfavores e a Rússia segue um personagem cheio de espertezas: Putin. O capitalismo não se cansa de atiçar grupos mafiosos. Chegaram ao futebol com sede de vitória. Não faltam escândalos e fugas para Miami. as redefinições circulam trazendo incertezas.

Vivemos sob o sufoco de um  grupos de privilegiados, concentrados em riquezas e preconceitos. Isso é histórico. Proclamar períodos de redemocratização é uma isca para pescar que não compreende a história. Os abismos do autoritarismo foram frequentes e não  estão distantes. Não há um convencimento que a prisão acolherá os principais atores do drama recente. A população dividida se engraça com fascismo, sem saber o que ele significa. Todos sonham com uma salvação e a política treme no vazio. Mas é preciso inquietação e propostas para que a sociedade se ultrapasse.

 

 

O homem rebelde, o deus aflito

 

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Compreender a vida nos deixa atônitos. A imaginação flutua em busca de justificativas. Podemos mesmo entrar no reino das fantasias. Lembro-me do filme O labirinto do fauno, de Ofélia aflita tentando afirmar a magia e o invisível. Penso, logo existo, dizia Descartes. mas tudo é muito pouco para ser testemunha de que a vida não é um absurdo, Deus salva e pune, é uma invenção ou uma criatura sábia? Nem conto quantas perguntas poderia fazer para não tornar o texto enfadonho. Talvez, o aprofundamento da tecnologia nos leve para caminhos mais abertos.

Entre luzes e sombras, a história rememora figuras desafiantes. Hércules mostrou força física, Prometeu profetizou desgraças para os deuses. Os homens vivem escolhendo narrativas, desfazem tradições, desejam respirar para além das orações.O cristianismo quis acabar com as desgraças da alma ou arquitetou templos de submissão? Há o homem rebelde que não se conforma com rituais. Está agoniado com tantos mistérios.Denuncia, rompe com as apatias, deixa as divindades sufocadas. A terra se veste de enganos sutis.

Não esqueça das experiências de Darwin. O encantamento festivo não é a saída. A construção da cultura nunca foi linear e traz desencontros dolorosos. Não aposte no amor que derramou lágrimas. Tudo é fugaz,pois a instabilidade agita o coração. As razões sacodem teorias, Aristóteles revelou paradigmas que, ainda, habitam o o mundo ocidental. Ninguém permanece quieto, mesmo que as drogas acenem com outras percepções. Desenhe o mito de Sisifo no seu corpo, sinta seu cansaço, o peso do suicídios dos pássaros sem asas.

Todos temos o que cogitar. Não falta tempo para que o homem pós-orgânico se afirme. As inteligências provocam arrepios, não se escondem das máquinas, mostram que os dados estão lançados, que o infinito habita no fundo do abismo, que a solidão não é propriedade privada. Se cada medida valida geometrias surpreendentes, não há como considerar tudo definido. Não cesse de questionar,não se arrependa de condenar o pecado. Não existe um espelho original. Surgimos e ,aqui, estamos brincando de adivinhar o impossível.

Quando houver um desprezo pelo acaso, os homens irão para um deserto com uma brancura transcendental. O mapa astral não é uma esfinge. Ele revela traçados e cala dúvidas.O deus que pede justiça desconhece o poder dos astros. Por isso,as cartas dos baralhos parecem com uma leitura de algum destino. Não se desfaça. A história é o registro maior que assombra e distrai, as pedras não estão no meio dos caminhos, os azares se assemelham com as sortes. Somos metáforas, Octavio Paz não mentiu, apenas soltou-se das correntes dos mistérios.

O fascismo não desiste

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Não fique parado na história. Mussolini existiu,mas já se foi. Hitler foi um sedutor, mesmo com toda vontade de poder. Muitos desfilaram com um autorismo feroz. Não esqueça de Salazar, Franco, Pinochet. No mundo cabem figuras sombrias. A sujeira não desaparece e as utopias , apenas, assanham os sonhos. Há quem confunda capitalismo com democracia, sinta saudade de Stalin e recuse qualquer leitura dos ensaios de Rosa Luxemburgo. A morte de Deus, decretada por Nietzsche, trouxe incômodos, porém restam valores medíocres e religiões que se misturam com a de troca de propinas indignas..

Leia os poemas de Rimbaud e sinta as ambiguidades andarilhas da modernidade. A rebeldia possui muitas formas. O homem se revolta, culpa os outros amigos, chora por falta de coragem. A história segue e discute mudanças. As permanências se seguram. Na construção do imaginário social, o novo e o velho se entrelaçam. A modernidade não acabou o sagrado. Os negócios invadem todos os territórios. A busca por liberdade continua, atiça ideias. Caem certos preconceitos. Estamos muito distantes de qualquer paraíso. Não diga amém, pois o labirinto não fecha a porta e anuncia que os anjos estão presos com tornozeleiras, por ordens de tribunais confusos.

Se a intolerância se mantém, os espaços para a vingança são grandes. Nega-se que haja disputas sociais. Mas há olhares insuportáveis, em lugares que se tornam propriedades privadas.Observe como os privilegiados renegam os mais pobres na sala do aeroporto. Todos se animam com a possibilidade de balançar um cartão de crédito. Isso acontece no Brasil, criou barreiras políticas sinistras. O buraco é pantanoso e as hierarquias traçam perigos. Há algo estranho como o vírus que gera ódio e interpretações estranhas da justiça. Talvez, um circo de horrores manipulados.

Não espere que os oásis se firmem nos desertos. A atmosfera chama desmantelos. O fascismo resiste, vestiu-se com roupas diferentes. Sempre gostou do capitalismo. Não deseja igualdade, sente falta da violência. Hannah Arendt escreveu belos ensaios sobre o totalitarismo. A grana necessita de se reproduzir, encontra dificuldade repentina, recorre aos dramas e mentiras costumeiras. Há os debochados, os militantes mercenários, os convictos de que o fascismo limpará a sociedade. A multiplicidade não abandona a história, Estimula-se um debate interessante, mas que pode ser traiçoeiro. Não triture as reflexões. O cuidado vale e o cinismo é chocante.

O poder é uma mercadoria?

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Lula está preso , cercado de restrições. Fala-se de uma aceleração da lava jato. Fico no meio de incertezas. Observei que desmontaram o PT. Existe um ódio feroz contra o chamado lulismo. O jogo é pesado. Há quem lamente a falta de ousadia de Lula. Queria que ele transformasse tudo numa turbulência violenta  Apostar numa rebelião popular radical e transformador é a crença de alguns. Outros lamentam a destruição dos partidos, clamam pelos militares, consideram Jair uma figura exemplar. Trata-se de uma época de opiniões soltas, tradições pulverizadas e um oportunismo amplo. Uma oração é feita, pelos mais cínicos, em nome da santidade. E  Francisco o que proclama?

Tudo envolvido por uma sociedade que se diverte com o consumo. Esquecem que há fome, escravidão, precariedade na saúde, falta se sonhos inquietos. As notícias geram conversas, mas nunca ações radicais. Lembro-me de Hannah, da sua indignação diante do totalitarismo, da sua leitura afetiva dos transtornos históricos. Hoje, um pragmatismo se instala na educação. Levar vantagem, competir, deixar a ética na lata do lixo.Assume-se um controvertido neoliberalismo. Muitos negam o passado e abraçam-se com as consultoria capitalista. Ressaltam o poder da gestão,

Vejo que uma necessidade de espetáculo e de suspense se agiganta. Vivemos novelas cotidianas, pouco olhamos para o outros com desejo de firmar o coletivo. Criam-se inimizades crescentes, onde antes existia solidariedade. Há uma grande aposta. Quem será o vencedor? A arrogância do negócio toma conta da política, para que o mercado afie suas garras, O ponto final é um desafio e acabamos desconhecendo figuras que pareciam comprometidas com a derrota da exploração. O saber refinado e a vaidade se espalham para argumentar em defesa da minoria.

A política é um grande mercado. Cunha manipulou fortemente. Está solitário, longe de seus companheiros. Será que eles passarão pela história sem manchas penais? Não consigo me livrar da desconfiança. Moro não me traz segurança, nem certos procuradores e ministros. Estou longe de achar que pode haver uma política totalmente pura num país capitalista Tenho curtido frustrações, analiso pessoas desfilarem com suas máscaras,nos cafés, com verdades definidas. Gostaria de viver noutra sociedade, mas temo que a incompletude humana não se vá. A pretensão de arquitetar uma cultura de deuses é um fuga para fora do coração.A sensibilidade  empalidece.

Odisseia política:LULA

 

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Não me espanto com os inesperados da história. Lamento  humanidade não firmar valores , nem investir na solidariedade. O individualismo, a falta de tolerância, a violência atuam durante séculos. Nada parece que, efetivamente, mudou. Não estou falando de tecnologias, redes de comunicação, vacinas contra gripes. Não posso negar que se iluminou mistérios. Mas a guerra continua, a luta é feroz, as inimizades são dolorosas, as hipocrisias engordam. Ordem e progresso é um lema que satisfaz as minorias. Elas se defendem, concentram-se, subornam.

A caminhada de Lula é curva. Meteu-se em muitas aventuras. É trágico ver o desfecho de muitos ódios. Sempre votei  em Lula, não fecho olhos para seus erros, perdemos oportunidades de fazer mudanças. Não sou um ingênuo que busca um Messias, nem um cínico que nega o passado e abre a porta para a grana. Ninguém se sustenta sem a articulação do saber com o poder. Não é à toa que vemos o desfile assombroso. Não existe identidade fixa. O que me assusta é a justificativa, o chamego com o capitalismo, as ligações com as empresas, a dissimulação, o apego a uma liberalismo cruel. Como não tenho ídolos, observo que a sobrevivência é danosa para alguns.

As torcidas organizadas tocam a política. A justiça vacila, porque há uma corrupção que não é punida. Tudo se transforma com argumentos, mídia irônica. Não há perspectiva de se pensar a divisão, o diálogo. Lula se tornou um alvo. Criou-se um drama ou um espetáculo que agita. Há compromissos em jogo, perdas que querem recompensas, cristãos abandonados e esquecidos de suas orações milagrosas. Governar o Brasil é quebra-cabeça. As alianças políticas são doentias, todos se sentem ameaçados e a rebeldia não mostrar ansiedades utópicas. a escravidão ainda habita nossas terras.

Estamos contaminados. Não há bom dia, porém sucessivos boatos e estragos.O sentimento de culpa continua desde os tempos de Adão e Eva. Ensino história, converso com os amigos, ouço as diversas gerações. O ruído é grande, no entanto o desencontro é uma epidemia. As pessoas estão desconfiadas, algumas apáticas, outras desconhecem o que o público e o privado. Talvez, seja arriscado tomar conta da responsabilidade.As lamentações são amplas e as prisões moram dentro da alma. Será que estamos esperando o juízo? Não sei. Sinto que um cansaço casado com o desespero, mas a história segue com muitos lugares e ocupações.

O amor maltratado:trocas programadas

 

Mãe e filho

 

Todos se acendem com a política e as manchetes continuam provocando intrigas. Escolheram um caminho para o mundo de forma opressiva. A sociedade de consumo se afirma, quer adeptos, engana, sufoca. O outro é também uma mercadoria. Os preços explodem como vulcão solto. Tudo se resume a um interesse. Há quem se salve, porém não escapa das desconfianças. O amor é uma sentimento que não foge dos esquemas. Estamos na era efêmera dos chocolates, nada baratos. Expressam afetos disfarçados.O abandono bate na porta com violência.

O amor líquido tornou-se uma epidemia. Os sociólogos teorizam, buscam soluções, vendem saídas, ficam estremecidos. A troca é veloz. Quase não se olha para as pessoas. Elas parecem manequins que se movimentam. Mas quem se olha? Todos jogam na pressa. O que poderia mudar a sociedade se transforma em moda. É tudo que as datas programadas desejam e incentivam. Falta comemorar o dia da desistência, pois a fragmentação frustra e corrói. A sociedade chora para monitorar presentes e passear no shopping. Desmonta-se.

As histórias possuem  lugares e tempos. João amava Maria que se sentia atraída por Antonio. Batia um sentimento de culpa. A dúvidas cimentavam possíveis vazios. A identidade masculina ampliava o poderio machista Havia hipocrisias bem articulados. As mulheres se encolhiam e exaltavam a maternidade. Na Grécia, a homoafetividade tinha espaço, não era pecado. Na Idade Média, o catolicismo queimava e torturava. Mas o que acontecia mesmo na vida dos religiosos? E a pedofilia é coisa de hoje? A história vive também de permanências e ilusões.

O desamparo e a solidão crescem no mundo dos amigos secretos. Um abraço vale quanto? Com quem posso conversar sobre as minhas fragilidades? Quanta custa a droga que me alivia? Para que serve comprar  dez livros e só ler um? As perguntas nos deixam perplexos? A escolha sexual deve ser múltipla? Quem sustenta uma relação? Quem se sente comovido pela família? Os rostos trazem olhos, porém para quê? A beleza não é um produto? A insegurança não rouba a tranquilidade? Cria-se um mundo de armadilhas e cinismos espantosos. Perde-se o sentimento, calcula-se o golpe, assalta-se a ingenuidade.

O capitalismo plantou projetos danosos. Muitos se esquecem que a afetividade é um alimento precioso. Nos Estados Unidos há fanáticos por armas. Mata-se como se fosse uma brincadeira de tiro ao alvo. Freud apontava os perigos da infantilização. Ela produz ambiguidades e jogamos as responsabilidade para os outros. O mergulho na ausência de estímulo gera uma apatia cruel. Não é à toa que a luta pelos pontos de droga existe. Muitos viajam, se assombram com a vida, cultivam a melancolia, são vítimas que não querem salvação. Com amar sem se vestir da coragem cotidiana, manipulando o outro e adormecendo na tela da TV? Assuste-se, contudo não fuja d auto-estima.

A dança das opiniões: desconfortos

 

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A sociedade organiza julgamentos. Existem juízes, mas ele se cuida. Possui suas opiniões, não deixa de assimilar certas mudanças. Nessas fases de instabilidade, aparecem as memórias escondidas ou gente que já foi comunista, cristão, liberal e vai seguindo uma dança esquisita. Santifica-se. O oportunismo é algo presente no jogo dos interesses. Aplaudem Moro, sem censuras, porém se sentem bem junto de quem tem cargos. Procura curtir privilégios com sutileza. Mostra que acusou o capitalismo, que foi perseguido com o golpe de 1964. Quer salvar o que resta. No entanto, continua administrando suas ambiguidades com servidores e plateias articuladas. Espertezas.

São os caminhos da história. O ontem sobrevive e para alguns é preciso fantasiá-lo. Buscar equilíbrios generosos ou mergulhar nas neuroses cotidianas? A sociedade acolhe fragmentos, admite cinismos, imagina que haverá salvações. O moralismo é agudo, religioso, avassalador. Vamos punir os culpados, todos os culpados, sem cultivar ressentimentos. Não sejamos tolos. Não há capitalismo sem descontrole e desigualdade social. Há um silêncio em torno disso. Ainda celebram a democracia brasileira. Quando ela existiu? Sempre houve minorias concentradas nas granas.

O PT preparou um discurso de transformações, ousou chegar ao poder, teve atitudes combativas. Misturou-se com outras  forças políticas e tropeçou com alianças nada saudáveis. Frustrou uma grande maioria. Lula se tornou um alvo especial. O problema é amplo e não mora num único lugar. Não se muda com sorrisos falsificados, desprezando a educação e intimidando as rebeldias. Há um caminho longo que não pode sacudir fora a reflexão, nem se abastecer com o messianismo. Se o coletivo não deseja ultrapassar a ordem da minoria fica difícil. Ela se sente carente de auxílios menosprezando a grande maioria marginalizada.

Não faltam debates teóricos. Há quem se aproveite para se firmar como guru. Mas a violência não é  apenas numérica. Ela tem seu simbolismo. Nossas opiniões expressam  medos e  desistências, ninguém se solta no vazio só pára agradar amigos. Um dia desafio, hoje estou de joelhos. A incompletude humana fortalece a complexidade. Ela atravessa uma sociedade cheia de tecnologias que ajudam também a mentir. As utopias apontam soluções, porém o desconforto incomoda. Ao olhar o passado, não custa observar que a memória se faz com lembranças e esquecimentos. A fantasia não se rasga à toa.  O engano bate na porta dos covarde e dos profetas.

A história se parte e se cola

 

 

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Não há como chegar a uma conclusão. Se vou a Grécia de Aristóteles, observo o uso da escravidão. Quem analisa o século XX encontra uma sequência de violências traumatizantes. Cresce o uso de disfarce, para que a grana circule favorecendo a minoria. Os estudantes protestam em 1968, os Beatles sacodem os costumes musicais, mas os Estados Unidos não deixam de seguir sua rota imperialista. No Brasil, Getúlio namora com os fascistas e os militares gostam de golpes. A democracia mora no discurso de alguns como uma grande fantasia. É a geleia geral, secular e intrigante..

A história não para. Hoje, a confusão é maior. Aumentam as divergências, retomam-se práticas autoritárias, gasta-se a ética. Não há confiança. Tudo ganha a forma de espetáculo. A televisão mostra ministros enlouquecidos. Será que não existe um fingimento cruel? As pontes se partem ou tudo um cenário construídos para atormentar os ingênuos? Um apagão de referências que trucida as utopias e nos faz acreditar que o amanhã está congestionado. A festa nunca é celebrada.

O presidente do Peru renunciou, os escândalos tomam conta de governos europeus, a copa do mundo promete ser uma imensa lavagem de dinheiro. Não  Neymar busca aumentar sua renda e Trump não despreza a mídia. Não faltam acusações, no entanto as portas estão fechadas. A história se constrói com pedaços colados, debates acadêmicos, medo da miséria, disputas por territórios. Não faltam refugiados, nem gritos fascista renegando as diferenças. Os arquivos do Facebook bordam segredos preciosos e fico pensando na esquina da minha rua.

Fica impossível não evitar a pressa. A reflexão, então, se fragmenta. Os jovem se sentem desfigurados. Derrubam as tradições, querem e não sabem o que querem, pintam espelhos. A cultura possui uma diversidade veloz. A memória não consegue sustentar lembranças. Há quem se vista de saberes superiores, mas não conhecem Freud, nunca viram uma filme de Visconti, detestam costurar as permanências,se divertem comendo batatas fritas. Entregam-se ao imediato. Colam as partes da história. O quebra-cabeça multiplica suas peças. A novela da 9 é agora uma sessão do Supremo. Que surpresa! Tudo parece um telegrama. Será que Deus desistiu do juízo final?

A morte de Stephen: o poema do universo

 

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Nem sei se sou mesmo um historiador. Fico perplexo com aqueles que buscam firmar lugares. Acho tudo tão complexo, as perguntas tão profundas. Algumas coisas consigo compreender. Mais com o coração do que a razão. Duvido dos poderes da razão, pois observo que há utilitarismo científico acelerado. O capital dá as ordens. Infiltra-se nas pesquisas, cria mercados, solta propinas, ameaça a dignidade dos que resistem. Não se pode fechar os olhos. A tensão está correndo e derrubando vítimas. O sossego é raro.

Há figuras inesquecíveis. Não gosto de celebrar ídolos. Admiro alguns comportamentos e quem saem do lugar comum. O físico Stephen construiu um bela aventura. Sofreu como os limites dos corpo, as atrocidades da vida, mas não cedeu. Tornou-se um senhor do uni(verso). Sua história é um poema que toca radicalmente. Se a sociedade seguisse exemplos , ele mereceria todos os olhos. No entanto, as relações pesadas elegem os senhores da grana e esquecem os que se abraçam com dignidade.

Os mistérios estão voando. Será impossível esclarecer, mostrar caminhos que libertem a sociedade de uma escravidão sem fim. A esperteza pragmática define governos, intimida, reprime. Quem aponta para a leveza, termina sendo sequestrado pela objetividade de um planejamento burocrático. Stephen sobreviveu, transcendeu, não perdeu a generosidade. Não se desfez de um conhecimento generoso, ampliou as possibilidades de leituras do universo. Quem olha para o azul arquiteta poemas e sonha com as estrelas eternas e invisíveis.

A saudade faz parte do humano. Os sentimentos trazem respirações diferentes, aproximam, mas podem não ser aceitos quando torturam a alma. Temos que partir um dia. Todos possuem limites. Nasceram sem saber para quê e vão trilhando rotas acidentadas. Há quem invente tempos lineares, comemorem destinos, se vistam de privilégios. Não custa lembrar que existem territórios de solidariedade. Se eles estão na beira do abismo é um sinal que nós sufocamos a autonomia em nome da competição e da ferocidade.