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Desfazer o bom governo

Há momentos na história que a sociedade desanda. Criam-se conflitos, aparecem oportunistas, surgem especulações para concentrar a grana e aumentar a desigualdade. Significam momentos tensos e fatalmente violentos.O mau governo se torna uma doença. Não faltam alianças políticas mesquinhas e burlas nos negócios públicos. Não é raro o desgoverno que se agudiza com planejamentos feitos para o luxo de poucos e a miséria da maioria. A história se livrou da harmonia ou do ideal de paraíso. As contradições permanecem arruinando,às vezes, sutilmente, trazendo o inferno para o planeta terra.

A história do Brasil está repleta de contrapontos e de aliciamentos.Quem não se lembra que fomos colonizados e perdemos a autonomia até hoje? A escravidão ainda é comum, com seu disfarces. Paga-se o mínimo, para explorar o máximo. As ruas se enchem de crianças que tomam conta de carros, para tentar alguma coisa. As artimanhas capitalista são frequentes se renovam. Analise a intromissão dos países mais poderosos. Os Estados Unidos não perdem sua volúpia e promovem saques mascarados em ajudas generosas.

O bom governo exige fraternidade. Mas os comportamentos fascistas empurram a censura e as milícias. O autoritarismo nunca abandonou as tramas que marcaram nossas organizações políticas. Há brechas, algumas medidas que sacodem os mais solidários. Não se engane.As manobras colonizadoras persistem. O mundo se despedaça inventando vitrines que alojam mentiras. As revoluções ameaçam, porém existem idas e vindas. Quem não se recorda de Stalin, Franco, Pinochet, Salazar?

As relações sociais se esfarrapam com as manipulações que vendem ingenuidades. A fraternidade não chegou, passa por perto de alguns. Passamos um longo sendo oprimidos por Portugal. As ditaduras militares não evitaram as corrupções.Jair debocha, pois nada sabe sobre o bom governo. Estamos cercados, minados pelo chamado crime organizado.A sociedade tonta não consegue segurar sonhos. Vemos buracos multiplicados e desencontros que simulam um possível bem estar. O sinal fechado alimenta tropeços e desvios frios e mortais.

A nudez da história: possibilidades

Conta-se a vida, mas não dá para se esticar nos detalhes. Vive-se. Há tantas coisas que a confusão tumultua nossa lucidez. Mas como é possível se omitir, fugir dos eventos, evitar os encontros, calar-se? O movimento da história se nutre de complexidades.A grande questão é decifrá-las e estabelecer o reino da verdade. Os desafios são permanentes, não cessam de incomodar as patias e refazer as estradas envelhecidas. As soberania falecem quando tudo parecia firme.

Não faltam mirabolantes lendas ou disfarces para esconder falcatruas. As vestimentas existem e cobrem descobertas que poderiam inquietar a sociedade. Portanto, o contador de histórias dissimula, corre das perguntas, inventa necessidades. A história nunca estará nua.É preciso visualizar o tamanho do seu circo, observar as acrobacias e não cair no abismo das tolices. Os palhaços não dispensam risos, estimulam memórias. Lembra-se das aventuras das infâncias ou dos escritos de Benjamim?

Gramsci disse que todo homem é um filósofo. Há valores, concepções de mundo. Quem se nega a imaginar? A verdade está sempre se balançando.Possui seu lugar e seu tempo. Como Kant construiu seus desejos diante das metafísicas passadas? O desejo sacode os encontros da vida, traz dúvidas, mas embala sonhos. Alguém não se enganou? A história foi sempre uma luta de classes? Quem apagou os desejos ou pretender redefinir cada fase dos acontecimentos? Cuidado com as metáforas!

Teorias não faltam. Não esqueça dos abalos sofistas. Há governantes que se especializam em fabricar progressos. O futuro será luminoso, se sociedade mergulhar no coletivo e desmontar as ambições egocêntricas. A nudez é palavra forte, um ponto para não desprezar a reflexão. Porém, os labirintos criam suas entradas e fantasia segredos. O silêncio não é eterno, o absoluto se fragmenta.Não existe ousadia que se mantenha perene. Contar faz parte das máscaras da nudez. Um dia, a casa se pinta com cores inesperadas.

O historiador faz sua história

Quem imagina um mundo de harmonias plenas terá decepções. Os desencontros são constantes, apesar dos sonhos e das utopias. Não vamos deixá-las isoladas.É importante saber que há desigualdade e exploração, mas que é preciso não desistir.Nem todos cultivam violências e malícias. As experiências são diferentes, surpreendem, colocam incertezas. Dispensar a ambiguidade é erro, porém saber dos seus segredos é uma sabedoria.

O ofício do historiador tem uma fundamental abertura para buscar relacionar vidas e não esmorecer com os desenganos.Escrever é uma conexão que traz possibilidade para reinventar os caminhos a percorrer. Cabe ao historiador não apenas fabricar cronologias, ficar perdido no meio de papéis. Seu ofício é uma investigação que poder reconstituir o que parecia findo. Portanto, nada de viajar pelo mediocridade e cantar a mesmice.

Conhecer os tempos e as relações sociais indicam complexidades. Elas se transformam. O historiador não deve se fixar na homogeneidade. As perplexidades tocam em passados distantes. A novidade talvez seja uma armadilha. Há sempre como reescrever, perguntar, analisar, para que o mundo respire e não sucumba.Os labirintos possuem saídas e travessias cheias de multiplicidade.

O historiador faz a história, nunca é o mesmo nas suas conclusões precárias. Os significados mudam e os muros são derrubados para que a liberdade suspire. Não há uma história fechada no cofre e inatingível. Ser historiador é correr riscos, ousar traçar metodologias para além de um cotidiano comum. O compromisso com a sociedade se completa com as narrativas. Não é uma questão de verdade definitiva.A história voa e o historiador é o seu beija-flor.

A morte não é um número

Muitos mistérios cercam a vida. Não haverá tempos transparentes. Sempre as dúvidas sacudirão os mais ingênuos. Nascemos, andamos, corremos, morremos.Há distrações, impasses, loucuras, cavernas, moradias descontruídas. O fim chega e derrota o desejo de inquietação. Em tempos de crises, alguns não ligam para morte e acionam as estatísticas. Há especialistas em fazê-las sofisticadas. As dores são apagadas por informes nada dignos de elogios.

Cada morte anuncia muitas dores e saudades fluentes. Mas querem dados e dispensam os sentimentos. Basta ler os jornais para observar as estratégias tortas daqueles que assassinam cinicamente. Parecem contar piadas, quando as lágrimas inundam ou e o coração bate lento. Existem governantes que jogam para fora todas as extremas dificuldades e se mostram como comediantes em busca da ascensão. Ofendem os comediantes, empurram a sociedade para o caos, ornamentam a desigualdade.

A complexidade da vida provoca idas e vindas, não é fácil de continuar acreditar em revoluções mágicas. Há quem lute e tente evitar os desenganos. No entanto, quem pode esquecer as guerras, as pandemias, os fascistas debochados. A contabilidade fria é criminosa, disfarça destruições, transforma a sociedade com rituais apáticos.A morte está passando por todos os tempos e possui significados, para além das intrigas e dos fanáticos, superam expectativas que afirmam ser sagradas..

Inventar esconderijos para sentimentos é desfazer afetos. A coisificação é uma condenação e uma manipulação para desviar a história para formalidades. Não à toa que a política submerge.Ela se fascina pela grana e justifica o genocídio, consolida patrocínios. Não se trata de drama. A história não se estende sem a multiplicidade. É preciso elucidá-la e não forçar a censura com dogmas com poeira da hipocrisia. Há brechas no muro do autoritarismo.Olhe com atenção.

O perdão de cada dia

Escuto ruídos de um mundo acidentado,

há dores inusitadas nos lamentos e nas raivas,

e mistérios pesados na sua aflição.

Não testemunho a permanência de um

pessimismo cinza e ultrapassado,

mas desconsagro desculpas de quem não mora na solidariedade.

Poderia viver as aventuras fantasiosas de Ulisses,

sem me desfazer das ondas violentas e das

sereias enfeitiçadas pelas luzes azuis.

(Re)conte a mesma história antes esquecida,

remonte as clarividência do primeiro inventor,

e o silêncio se tatuará nas sombras e nas luzes

das cores de uma maçã abandonada pelo pecado.

As impaciências históricas

Acumular ou desconfiar?

A história se tornou uma ciência, mas não deixou de conviver com as incertezas. Não poderia ser diferente.Analisar as relações sociais é compromisso de complexidade extrema. Como comparar as filosofias de Platão e Kant? Quem conseguiu colonizar os índios e provocar a escravidão sem praticar a violência? Há os que justificam os desmandos e traçam narrativas repletas de desigualdades colhendo provas, juntando documentos. Naturalizam, não se lançam no confronto das metodologias e consolidam a voz do poder. Esquecem-se das ambiguidades.

A história é uma pássaro que voa com dificuldade para encontrar seu ninho. As guerras aparecem de forma assassina com a ajuda de quem domina a riqueza. É preciso cuidado para articular cada verdade. Não há dogmas. As revoluções do século XX são marcadas por autoritarismos que confundem os projetos de governo. A burguesia prometia liberdade, queria outro mundo e terminou sofisticando o capitalismo e testemunhando a concentração de bens materiais. A lucidez existe ou se esconde nos cinismos fascistas?

A sociedade humana não cessa de fabricar desejos e inventar armadilhas. As surpresas se esticam.As pandemias montam estragos na modernidade e globalizam os desastres ecológicos. As reflexões variam e as lutas possuem cores. Marx anunciou a montagem das classes sociais, Hitler perseguiu os judeus, Franco fez aliança com o catolicismo. Não surgiu uma sociedade que espalhasse harmonia e desfizesse as violências. A ordem armada invade as culturas de forma constante.Pergunta-se então como compreender a história? Existe um choque de concepções.

Freud salientou as pulsões de vida de de morte. Nietzsche não perdoou os valores que circulavam na sua época. Stálin não abandonou suas ambições e foi cruel com os inimigos. Cantam a felicidade, mas ela se transformou num mercado.Os objetos atraem e a fraternidade se fragiliza.Nem por isso, o historiador desapareceu. Conhecer as contradições, desnudar as mentiras, aprofundar as relações do saber com o poder e analisá-las.Nem tudo pode ser decifrado.porém pensar, sentir, entrar nas perplexidades é necessidade urgente.

Tereza, a estrela das cores

O tempo volta.Fico em recordações. Começava minha vida de professor na UFPE. Muito jovem, no meio de uma turma de pessoas experientes. Grande aprendizagem. Estava caminhando, nas primeiras astúcias. Faz, 37 anos.Tereza estava na turma, sempre afetiva e curtia as aulas. Havia uma convivência de passados e de lutas. A marca da ditadura regia a memória. As censuras militares empurravam para o abismo com sua violência todos que gritavam pela liberdade.Mas a opressão haveria de cair.

Tereza gostava de refletir sobre as suas aventuras de coragem e estética. Tinha a companhia da política e da arte. Uma estrela que visitava os segredos do mundo. Seu quadros são inesquecíveis. Hoje, ela se foi, surpreendida pelos acasos da vida. Sinto saudades. O tempo passou, me encontrei alguma vezes com Tereza. Era uma alegria que enchia Olinda de imensos voos de geometrias encantadoras.

A arte traz o múltiplo. Talvez. seja uma deusa com moradia nos corações mais audazes. Brincar com as cores, Tereza sabia como poucos. Não se acanhava com as ousadias.Quem apreciava suas pinturas não perdia a fascinação. Ela fica, emociona,ensina cada detalhe das cores e das linhas. A artista não morreu, nos deu um susto, pois buscou outras estradas e está firme na nossa lembrança, não se desfará.

A tristeza toca, o silêncio avisa que é hora de celebrar os malabarismos da vida.É importante não esquecer que os pássaros fogem das gaiolas e os cínicos não merecem perdão. A artista abençoa, deixa imagens inusitadas. A beleza é um sonho e não tem forma definida. Nietzsche e Todorov escreveram textos preciosos sobre a luz e a sombra que enfeitiçavam a arte. Que Tereza descanse num colo que guarde seu desejo de renascer sempre.

Conte as estrelas e as lágrimas

O tempo passa.Imaginavam-se grandes mudanças. Talvez uma estrada para perfeição. Mas as permanências desviam aqueles sonhos de eliminar os desgovernos. As corrupções se sucedem, a luta pela riqueza não desaparece, o progresso se fixa numa ficção tola. O tempo arrastando memórias e nostalgias. Nem tudo volta para remover sentimentos carregados. As lágrimas limpam dores e marcam rostos. Podem simbolizar alegrias.É a sinuosidade da história de cada um que transforma o que parecia sedimentado.

Conte sem se envergonhar dos sustos e dos escorregões. Deixe de lado as escatologias políticas e religiosas. Como adivinhar o futuro se as estrelas morrem e os momentos se traçam com amarguras e promessas de felicidade?Aprender que a vida é um destino, enterrado num livro sagrado desmancha os malabarismos que assustam as aventuras. Não se intimide com os acasos. Já me disseram que os anjos salvariam os pecadores e redesenhariam o mundo.Tudo sacode fantasias. O destino está na contramão da história.

O capitalismo não se acanha. Gerencia armadilhas e empurra multidões para o exílio. Como narrar a história se os pertencimentos se esgotam, se nem tenho tempo de conta as estrelas ou transcender o lugar comum. Abra as prisões, as gaiolas e a sociedade se comunicaria com uma revolução não prevista ou conheceria o lado obscuro escondido nas lágrimas dos masoquistas. Não é possível a construção do absoluto, porém a teimosia pede paraísos.

Cada um inventa suas saídas, desvia seu corpo dos acidentes, fragmenta-se para não possuir uma única identidade.Faz da política o encanto do renascimento das teorias libertárias. No entanto, as durezas não se apagam e os cinismos são valorizados. A história não é uma linha que cobre a cabeça do planeta terra.Ela é assaltada por um mal estar que nos inibe e nos empurra para uma ação que confunde. Não abandone as narrativas. É preciso compreender que nada sabemos sobre o início e o fim. É estranho olhar a história.Arrepia.

As multiplicidades do mundo

Talvez, tenha havido um mundo de águas limpas, com pomares sedutores. Depois, apareceram deuses gananciosos em busca de tesouros. Queriam inventar um ser que surgisse com lucidez para se multiplicar e criar imagens contagiantes.Mas falam também de Adão e sua mania por frutas vermelhas. Quem saber se não era o sucessor dos deuses.E a culpa? E o pecado original? E as astúcias de Zeus? Tudo com espelhos, pendurados e brilhantes.

Não sei. Existem muitas lendas e fantasias.Difícil tornar transparente tanta complexidade. Se contemplo as avenidas, os passos apressados anunciam negócios. Não sei quem possui a verdade, qual a dimensão mais exata dessa palavra. Escrevo para imaginar ou refinar a imaginação. Estou longe das ambições dos poetas trapezistas. Voam com suas gramáticas carregadas de mitos. São senhores de nostalgias. Fico com a solidão e algumas visitas nas praças amarelas e vermelhas.

O desejo é múltiplo. Não pode deixar de acompanhar o mundo. No entanto, as fragilidades causam desencantos. Há governantes cínicos, espantos assassinos, espertezas soltas por maldades frequentes.Sempre a mistura para atordoar e desconfiar do coletivo anônimo. Vencem , nas intrigas, aqueles que usam armas sujas, perpetuando uma violência que lembra Caim. Quem se acanha, se distrai e se desliga das ousadias.

Muito se conta, muito se perde. A vida segue se jogando por noites tenebrosas ou acompanhando estrelas apaixonadas Pergunto o que mais me fascina ou quem deveria dominar o mundo? Resposta sem eco. Nada sei do que tudo sei. Confusas são horas de reflexão. Não curto a rapidez. O drama é gigantesco. Existem mundos passeando por um universo sem cor definida. Talvez, Prometeu se envolva com segredos essenciais e, um dia, limpe a poeira da dúvida. Siga em frente.

Sartre e Simone:A tristeza não se ausenta

A história está rodeada de sentimentos. Como somos carentes, lembrando de Simone de Beauvoir, falta alguma coisa para que se passe por todas as brechas. Não dá para firmar apatias, nem isolar o mundo das divergências e multiplicidades desejos. O outro é fundamental, sobretudo para fechar a porta das ausências. Não nascemos prontos, infalíveis. A cultura inventa comportamentos que mudam historicamente. Há sinais desconhecidos que avistamos cada dia. O amor se garante, quando cada um encontra sua cada uma.Mas não se empolgue com a eternidade.

Lembrando ainda Simone, a moral é ambígua, circulamos e somos trapezistas imperfeitos. Sartre e Simone eram parceiros de profundidade.Imagine que havia certos escorregões, ninguém deixar de olhar para o que existe ao redor. As relações procuram sobreviver, porém se desfazem quando a tristeza se estica e exige outras aventuras. Não esqueçamos que as dificuldades se encontram com os sonhos e atiçam desconstruções nos afetos, aparentemente, inatacáveis. Quem não se enfrenta com hesitações tão humanas? Quem não se assusta com as estreitas ambições dos narcisistas? É importante ver as curvas e apagar as retas.

O amor se solta pelas estradas.Depende do calor das moradias, da força da luz que entra pela janela e da recusa repentina em algum momento de desgoverno. Os voos existem para transformar os ares e escutar sons diferentes. Por isso, o amor muda de direção e bate em paredes refeitas.No amor, as dissonâncias não são uma mentira. Sarte e Simone refizeram caminhos, conheceram silêncios e segredos, reclamaram das injustiças e criaram espaços políticos inusitados.Foram cidadãos do mundo, dividiram sofrimentos e agonias coletivas, não fugindo da solidariedade. Eram fraternos. Não só a tristeza compõe as sinfonias inacabadas de alguns músicos frustrados. Surgem surpresas, paixões que se escondem nas primeiras esquinas.

Quem não vacilou? Sartre e Simone contribuíram para repensar as relações sociais, ocuparam lideranças, deixaram escritos importantes. Ler as peças teatrais de Sartre nos ajudam a compreender as situações limites. Simone lutou pela autonomia feminina, redefiniu conceitos já arcaicos. Quem é a mulher que entra nas cidades estranhas ou disfarça suas intenções afetivas? Tudo produzido num tempo de turbulências intelectuais, com memórias das guerras e as intimidades do coração.Jean-Paul e Simone não abandonaram as ruas, nem elogiaram a concentração de riquezas. Ousaram, foram próximos.Traçaram argumentos de igualdades, sem se desfazer da coragem da lucidez serena.