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Trump is Trump

Não se engane. Os governantes manipulam bem seus discursos e adoram criar situações para mostrar seu poderio. A política tem se viciado em farsas.Surgem palavras com dimensões imensas que confundem. Quem não fica perplexo com o significado de terrorismo? Ele se multiplica e serve aos senhores que querem intimidar o mundo. Trump é um deles.Assessora-se com armadilhas preparados por espertos e perversos intelectuais. Portanto, o cuidado na leitura das notícia é detalhe fundamental.

As riquezas são disputadas de forma bélica. Montam-se estratégias, criam -se drones, derrubam-se aviões e todos querem ser inocentes. A tensão é geral, agita o capitalismo, provoca dissidências. O imperialismo não se foi. As intrigas religiosas escondem alicerces monetários. Não é toa que a inquietação deixa a opinião pública atônita. Há terrorismos em todos os cantos. Quem pode negar que a miséria não acede mesquinharia e violência? Quem pode negar que capitalismo se consolida salvando os privilégios da minoria?

Nada afirma que a paz chegará e a comunhão guardará afetos. Desfilam manchetes pesadas no jornais, misturam-se os anseios ditos de direita e esquerda com orações. Os fanatismo se firmam e buscam justificativas. Elegem-se razões, quando existe um aflorar permanente de questões colonialistas. A turbulência nem produz estranhamentos e a indústria fatura inventando perigos e espalhando medos.É a contabilidade pragmática que renega as possibilidades de reduzir as desigualdades e celebra a acumulação.A banalização da morte se estende como uma imagem fatal.

Trump não é o único a dançar no baile das farsas. O cinismo mora nas relações internacionais, finge e transforma o cotidiano num conjunto de abismos. Os Estados Unidos nunca renunciaram a prepotência. Já sofreram perdas, porém seguem abalando interesses e formando parcerias. Por aqui, há quem se entusiasme com o espetáculo da sofisticação bélica. Fecham-se os olhos para a naturalização das violências. Muitos não observam que as fragmentações e os ressentimentos entorpecem e reproduzem infernos. Desandam-se as relações sociais como se tudo se resolvesse com uma bala e as mentiras nas redes sociais..

Os dez mandamentos!

1- Desconfie dos deuses que inventaram paraísos e assumiram o peso do pecado original para justificar regras e punições.

2-O próximo só existe se o abraço do afeto se estende e as intriga se anulam no cotidiano,

3. Não acredite na acumulação, nem festeje todos saberes inusitados da tecnologia com simulações de messianismos científicos.

4-Desmonte as cores que estão nas vitrines para estimular e criar as disputas pelas riquezas do individualismo.

5. Não acredite em governantes repletos de planejamentos, mas longe de intenções para esvaziar a desigualdade e combater o narcisismo.

6- Nunca esqueça dos genocídios, das epidemias, dos discursos especializados em promessas nada estimulantes para trazer a paz definitiva.

7.Não sepulte a memória, nem sacuda as lembranças de ressentimentos que insistem em reforçar as violência do fascismo e dos imperialismos permanentes.

8.Reinvente as imaginações dos mitos que ensinam a conviver com a incompletude e retomam as ações desafiadores de Prometeu.

9. Não despreze os abalos das reflexões de Marx, Nietzsche, Freud, Darwin que revelarem contradições e anseios complexos do ser humano.

10. Encante-se com os escritos mágicos de Paul Auster, Guimarães Rosa, Mia Couto, Carlos Fuentes, Octavio Paz e adormeça na música de Mahler, Chico, Milton, Vivaldi, Piazzola. Dance e jogue-se no trapézio da escrita, sem medo.

Infinitudes ansiosas

O espaço do universo é o desafio do infinito.

Indefine cores, inventa arquiteturas, celebra o inesgotável.

O espaço da vida é o tempo da história.

Desfia cronologias, despe acontecimentos, festeja utopias.

Não é a exatidão que consegue exprimir as acrobacias do do universo e da história.

A palavra nomeia e aproxima, mas as tergiversações mostram a complexidade de se pensar o início e o fim.

A fantasia deixa que as teorias voem e a história e o universo se estiquem nas incertezas.

A tua narrativa toca na minha narrativa, sem sossegar a velocidade involuntária dos acasos.

Somos e estamos, anônimos e ansiosos, grávidos dos malabarismos inesperados.

As hienas não dormem

Há inúmeras formas de praticar a violência, Elas se tornam sutis com o desenvolvimento da tecnologia, Não há neutralidade. As relações sociais são relações políticas, trazem incômodos e intrigas e desenham tensões. A ciência não se organizou para definir uma história de paz. Muitos paradigmas anunciaram mudanças.Houve euforias, cantam o progresso, mas os colonialismos prosseguiram e as frustrações trouxeram desencantos. A secularização plena era um delírio. Como descartar os deuses e os demônios depois de tantas aventuras, impérios, armas fatais?

Não é exagero afirmar que as hienas não dormem. Talvez, uma metáfora ousada, porém as significações dos tempos são confusas e passado, presente e futuro não formam fronteiras equilibradas. Há misturas, voltas, aparências, armadilhas, sinfonias inacabadas.As hienas não dormem, porque a história vive no inesperado, investe em sonhos, sem contudo sacudir fora os pesadelos. Portanto, não há uma cartografia exata, nem geometrias prontas.Os acasos tiram o sossego de quem se sentia dono do mundo. As hienas sabem disso. São acrobatas.

Existem teorias importantes que permitem a leitura dos valores compartilhados. Não há, contudo, um consenso. Lembre-se de Voltaire, Saint-Simon, Sartre, Deleuze. Mergulhem nas suas reflexões.Ora elas se tocam, ora elas se estranham. Observe toda a esperteza de Hitler que se utilizou de invenções científicas para dizimar populações. As épocas históricas merecem olhar cuidadoso, até mesmo na maneira como suas fantasias são articuladas. Ficar no dualismo não resolve.A multiplicidade não é contemporânea, ela mora na história e se estica sem cerimônia.

As profecias falam de juízos finais, promete-se habitação em outros planetas, distribuem-se fingimentos, organizam-se vitrines deslumbrantes. Por isso, as hienas não dormem.Elas conhecem a incompletude humana, elas desconfiam do mito do paraíso, elas se inquietam com as memórias de guerras. Não é o inferno, porém a sociedade não é unidimensional, embora se tente fechar todas as brechas para transformação. A história se balança e nós somos trapezistas. Voamos, entre agonias e estrelas, sempre perguntando se a dúvida um dia se extingue.

O limite e a história abraçam a vida

Quem acredita no destino, muitas vezes, se entrega às fatalidades. Não consegue conviver com surpresas, sente-se numa história programada e visualiza juízos finais. Cria-se uma cronologia de datas marcadas por acontecimentos inevitáveis. O fato é o fato e não a interpretação do fato. A história se torna um canto de repetição, lugar de desertos extensos e idas e vindas distante de qualquer acaso

Se o indeterminado assume o desenho da vida, também assume o desenho da história. Não um desenho sem limites, porém com curvas que desafiam as geometrias monótonas. Pensar a vida como sucessão de esperas fechadas, moradias abandonadas, assombrações constantes envolve cada momento na superficialidade e se desfaz das descontinuidades que reanimam a história no seu diálogo constante com as permanências e as transformações.

O limite dá o tom. Mas qual seria o maior limite? A questão é que a fragilidades muda de espaço, o corpo passa por dores inesperadas e os sonho anunciam que os abraços recuperam energias. Há teorias e especulações. As profecias nunca deixaram de existir. Há longas durações e minutos que frustram desejos costurados na ansiedade. A complexidade se mostra, nem sempre aceita ou subestimada.

Escrever as aventuras da vida é um encontro com a história. Contar é uma forma de estar no mundo e se ligar nas sociabilidades. Viver e contar. Os limites se estranham, aparecem repentinamente, removem ondas calmas, desmontam seguranças. Não há como esgotar nada. O ponto final se localiza em todos os cantos com uma tentativa de suavizar as penas. Talvez seja um descanso para respiração, nunca , uma porta fechada para que a narrativa não cesse de arquitetar sua imaginação.

Fundações da vida andante

A curta distância dos olhos da memória permanente

deixa vadiar o sentimento pelos esquecimentos tardios.

Não faço conta dos dias,  tampouco dos sonhos.

As madrugadas perdidas parecem fantasmas parceiros do medo.

Não projete o amor que não sabe nada sobre o sagrado,

nem adore deuses que se escondem dos perdões cotidianos.

Há na história  nuvens de tempos desconhecidos, disformes.

Nada me diz que o fim anuncia a morte, mas a dúvida distrai a fome e o desejo,

carrego a imaginação que não interrompe o fôlego de fugir do mistério

e o vasto deserto de figuras inquietas e fundadoras do mundo.

O delírio da felicidade comprada

A história corre por muitos caminhos. As desconexões inquietam, mas restam expectativas de tudo poder ser ultrapassado e o mundo se livrar de seus lixos. Nunca o pessimismo foi absoluto, A sociedades trouxe sofisticações. Entusiasmou quem festeja o narcisismo. Se a tecnologia difundisse saberes e riqueza, as relações passariam por transformações significativas. Talvez, o lado obscuro se fragilizasse e acertaríamos nossas contas com o males do passado. Não faltaram turbulências.

No entanto, a complexidade não se destroça.Ela é um desafio, Se os saberes aumentam suas astúcias, também a quem se aproveite para expandir seus medos dos outros, seus ressentimentos e minar os impulsos de solidariedade. Não adiantaram as ideologias revolucionárias agitando as cabeças com a luz da felicidade? O capitalismo consolida-se, amplia o modo de produzir das mercadorias e vende máscaras das mais diversas cores. Globaliza-se sem remorsos. Mas há brechas.

Não se entende como um dito animal racional, animador de socializações inesperadas, cultiva perversidades, inventa armas de destruição anuncia guerras com etnocídios gigantescos. A ciência busca ultrapassar limites, porém as dependências do mercado gera monopólios. A questão não é a cura, multiplicar o acesso das populações à saúde como direto fundamental. Criam-se redes de interesses que se curvam às estratégias do mundo dos valores de troca que abastecem a virulência da mais-valia.

A felicidade é a palavra de ordem das propagandas com imagens delirantes. Prêmios na loteria, programas nas tardes de domingo, possibilidade de curtir os salários com investimentos, fingimentos nas redes sociais, uma aprendizagem cheia de curvas e escorregões. Construímos um dicionário com exaltações dúbias de materialização, desenhadas com cinismo que lembra a felicidade associada a lazeres, espertezas, teorias especializadas em atropelar o espaço de qualquer transparência. Comprar é um verbo que fascina e adormece a lucidez.

Os homens sem sonhos

Os homens sem sonhos sacudiram suas ilusões para dentro do abismo,

não sabem o que fazer com a insônia persistente e o revotril amargo.

Os homens sem sonhos adormecem temendo as luzes das estrelas,

fogem de qualquer cor que negue o azul e fecha a porta da moradia frágil.

Os homens sem sonho gritam assombrados por medos passageiros.

nem sabem o tamanho dos deuses que inventaram o mundo e o acaso.

Os homens sem sonhos atravessam estradas áridas e detestam sorrisos ,

cantam maldições anunciadas nos infernos escondidos de Ulisses.

Os homens sem sonhos apenas olham os pedaços de corpos feridos,

não conseguem escapar dos limites , nem entende que o encanto é dádiva.

Sentem que há mistérios fixos, no cerne das cartografias indecifráveis.

O deserto é o disfarce?

Abandonaram os paraísos perdidos na farsa do pecado original.

A insegurança da invenção do mundo trouxe disfarces e máscaras,

cantou um absoluto vacilante e consolidou o medo de não amar o outro.

Há uma cartografia de cada momento, das arquiteturas estranhas e o mover de sentimentos de culpa assustadores.

O território da incerteza se expande como deserto sem oásis, brancos e áridos, habitados por deuses sem destinos.

Vivemos apostando em teorias, religiões e desejamos vestir o mundo de anseios surpreendentes, com utopias esfarrapadas e envelhecidas.

O desemparo se mistura com as possibilidades de magia e futuro totalmente alheios ao parecia harmônico e encantador.

Não há como construir o sonho quando os fantasmas se ocupam de cada canto e as estradas se enchem de pedras agudas e hostis.

A denúncia do cansaço exige um olhar para reinvenção das palavras sagradas e voo sobre o caminho que levam aos abismos.

O tratado do medo

Não sei se o medo tem um rosto delineado. Prefiro não cair em certeza e apostar que tudo tem forma indefinida. Escolhemos as palavras, sentimos as suas extensões. Mas será que há geometrias fixas? O que é o medo para quem perdeu a família ou para quem vive no meio de polícias agressivas? Como imaginar as milícias nazistas assustando seus ditos rivais? E as agressões que se sucedem em ambientes tensos e obscuros? O medo tem cor?A cultura revela a multiplicidade, nos assemelha, nos torna estranhos, brinca, foge, desmancha. Portanto, escrever um tratado sobre um sentimento tão presente é mesmo uma tentativa de vacilar e arquitetar imaginações surpreendentes. Uma ousadia sem limites.

É preciso não se deixar levar pela determinações comuns. Por detrás, de um riso amargo mora um medo que alguns conseguem identificar. A história está repleta de espantos, de comportamentos espertos nos seus disfarces para despistar as dificuldades e desequilibrar quem se julga senhor de todos os territórios. Quem pensou as utopias, as justificou, está projetado um outro mundo ou apenas sacudindo no lixo seus medos mais primários? E as religiões? Ela não param de inventar perdões e simular graças nas oferendas aos deuses. A incompletude humana é complexa e balança-se em cálculos incertos. Vivemos a raridade de exatidão, a permanência frequente das ansiedades dos outros.

O inesperado descontrola e atordoa. De repente, coisas desparecem, a harmonia era um engano, os amores eram fantasias nada saudáveis. A indefinição move os ritmos das palavras, exige atenção e distrai o cuidado.O poeta escreve, porém sabe que as figuras nem sempre consolidam o paraíso que o livraria do pecado original. Insiste, para não perder o fôlego e continua a mover a roda da fortuna. Não se preocupe em mergulhar em ironias e dialogar com Prometeu. Observe que as fronteiras são escassas e que a magia existe para confundir e inquietar a estima. O mundo nunca seria espelho de si mesmo.Ele não se conhece.

Temos medo. Os traços dos rostos não garantem uma forma absoluta, mas o coração bate anunciando que a coragem está sufocada. Não há como expulsar o medo da história, nem compreender as relações socais sem constatar as diversas manipulações que afligem e incomodam as fragilidades. O inacabado atiça voos e não admira respostas prontas.Um tratado do medo não teria um tamanho pequeno, seria assustador e visitaria todos os encontros que atravessam as histórias. Talvez, uma obra inútil. Não adianta teorias inesgotáveis. O suspense faz parta das ambiguidade cotidianos. As aparências enganam. O poder de articular desejos sem conviver com frustrações é uma máscara perigosa.