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A Vale: a vida desfeita e o capital soberano?

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Há apreensões com as inseguranças cotidianas. A vida é uma aventura, ninguém nega. Na história, há lutas imensas para se evitar danos e reerguer ruínas. Tudo convive com negligências. Cada época possui seus contrapontos. Quem não se lembra das vinganças divinas descritas na Bíblia? Sacudir as bombas atômicas assassinando pessoas e devastando paisagens é crime. Não é recente tanto descontrole e falta de generosidade. Montam-se armadilhas sofisticadas que acabam com o futuro e provocam depressões intermináveis. Contemple Guernica de Picasso. É uma denúncia que marca e inquieta. A imagem do paraíso se esvai como se o inferno definisse  a vida.

Existem falas em defesa da Vale como grande patrimônio do povo brasileiro. O cinismo cria travessias acidentadas. A Vale se torna uma vítima em nome das travessuras perversas do capital. Nota-se como a justiça navega afirmando vacilações. Muitos são presos porque  estavam com fome e se arriscaram a burlar a vigilância de um supermercado. Quantos já morreram nas guerras ou intoxicados por poluições insistentes? As desigualdades não só atingem as misérias mais comuns, elas desenham hierarquias opressoras para salvar quem monopolizar os assaltos legalizados. A ausência de solidariedade não é nada extra.

Os contrapontos da história assustam e nos mobilizam. Permanecem as pedras no meio do caminho. A memória se atiça, traz genocídios, terrorismo, berlindas. Quem determina a culpa? A política continua sendo um jogo cruel. um território repleto de pântanos. Tiros, drogas, corrupções, fugas, desgovernos. A história surpreende, pois deveríamos zelar pela sociabilidade. No entanto, a destruição não é novidade da era digital. Os sonhos se desmancham, com anúncios de deboche e infantilidades chocantes. Há teorias para tudo invadindo os momentos mais tensos. É o reino da pulsão de morte instantânea ou labirinto dos delírios psicóticos?

Quando se fala na pós-verdade, muita gente não entende. A manipulação se estende e derruba éticas. O riso parece acompanhar cenas de horrores. Há quem se vista do fácil para cultivar demagogias e acelerar os enganos. O esquema funciona e o passado não foi revisto. Alguns desejam eliminar os vestígios das sujeiras e negar nazismos e ditaduras. Celebram figuras medonhas: Franco, Hitler, Pinochet entre outras. A amargura de Guernica assinala vestígios terríveis.Picasso foi soberano na sua arte. Não festejou sofrimentos, nem consagrou tiranias. A dubiedade merece atenção. As tecnologias visitam as torturas, facilitam as comunicações, divertem. Quem se deixa levar pelo pesadelo naturalizando os crimes?

Quem dialoga com a morte?

 

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A morte de Bibi deixou uma saudade imensa. Traz aquelas perguntas que abalam o coração, Bibi era uma figura indefinível, bela e sedutora Entrou na história com uma dignidade suprema. Soube ser sonho e arcanjo. Mas a morte nos deixa sempre inquietos.Toca lá dentro, transforma expectativas, nos enche de dúvidas. Ela acompanha a vida e não tem  data marcada. Pode ser um suspiro, um acidente, uma queda, uma agonia. Tudo indescritível para quem sente a dor se veste com pessimismo. Não dá para esconder as amarguras e agitar memória. Desmonta.

O mundo se agiganta com o crescimento populacional. Muita gente, poucas moradias, intrigas, desconfianças, desistências. A complexidade da história forma um  desenho misterioso. Definimos teorias, observamos experiências, recorremos aos poetas, porém as incertezas atravessam estradas e nos atropelam. Quem cultiva divindades não se afasta das suas medidas de salvação. E as guerras entre aqueles que oram,que prometem generosidades, que condenam os pecados e as injustiças? A perplexidade nos habita sem cerimônia.

A sociedade convive com  refugiados. Não há paraísos, mas desamparos e depressões que intimidam e esticam as desesperanças. Com tantas armas, com intelectuais defensores da desigualdade, governantes tolos e cínico, a história se ressente de fôlego. Nem sempre, o amanhã  pinta o azul. Há tempestades, rebeliões da natureza, estragos contínuos tramados por senhores da riqueza. O tempo da lamentação existe com aceleração que assusta. cada dia acumula notícias, o fugaz impera, as vitrines enganam consumidores infantilizados. Estreita-se o espaço da ousadia, pois o sadismo faz vítimas e estimula vinganças.

Perguntas inadiáveis, porém inúteis. Inventamos saberes, buscamos gramáticas, copiamos desejos da imaginação. Restam palavras para traduzir sentimentos. É o que fazemos: compreender e traduzir sentimento. Para alguns basta simular alegrias e guardar as frustrações para depois. Não conseguem analisar o mínimo, nem olhar o sofrimento que atinge os outros. O ser humano é uma grande assombração. Canta belezas. comete atrocidades, balança-se em trapézios esquisitos. Não há como abrir as portas e esperar que as luzes ocupem todos os lugares. É impossível espantar as sombras e expulsar o absurdo. Quem dialoga com quem?

Quem se envolve com o avesso do avesso?

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As palavras não viajam soltas como pipas. Elas pesam, desenham, ajudam, falecem. Não esqueça dos dizeres da Bíblia. Deus era o soberano do verbo, Fez o mundo, estabeleceu mandamento, condenou pecadores. Quem já não ouviu os evangelhos, os ensinamentos generosos ou o lado avesso, descontrolado e feiticeira? Alguns donos de religiões querem acenar para maldições. Fazem negócios com as palavras, vendem toda malícia para os ingênuos desamparados. Não faltam mensageiros do obscuro. O governo atua com ajuda de muitos que parecem desenganados, mas possuem alvos perigosos, com armas engatilhadas.

Morre Boechat e a tristeza nos vista com força. Não custa lembrar as orações de Malafaias e os crentes que o veneram. Chegamos a certos limites, porém a história vai e volta, não há como negar tantas tragédias e piratarias que assombram o cotidiano. O lugar do sagrado está abalado. Prometem espionar as ações da Igreja Católica. Jair se recupera mandando mensagens, não consegue estender o discurso, a complexidade. Joga,Deveria  acumular um pingo de sensibilidade. A dor não o toca? Tudo é um grande fanatsma? Estamos perdidos ou o destino nos tira da solidariedade? A rebeldia desabitou-se?

As lamentações ocupam conversas e ferem páginas. As máscaras se valorizam com a chegada do carnaval. A sucessão de desastres apagar o fogo da mudança. Será que o reino do mal se apresenta vestido de memórias de genocídios passados? Não há homogeneidades. Nem todos se conformam e entram na dança do mesmo e do vazio. Mas choca que a celebração constante de preconceitos, a violência vestindo as palavras, o capitalismo formando profetas e expulsando seus inimigos de forma feroz. O gatilho não relaxa. Os assassinatos comandam as manobras da milícias e Moro acena com a destruição do crime e a ruína de corrupção.

Quem não entende que o capitalismo sobrevive riscando possibilidade de montar sonhos e acelerando reformas nada generosas? A política não é um tecido branco sem manchas. Os confrontos se alastram, se transformam, porém não se cansam da história. É impossível conviver com utopias , se o mundo está nu, cruel, irado. As intolerâncias crescem, porque o diálogo não se firmar. Muitos exercitam a agressividade como terapia. Estranho. Boechat buscava desmentir, mostrar os desequilíbrios, afirmar a dignidade. No entanto, nem sempre há que os que torcem pelas saídas e gritam  ordens nefastas O peso da palavra não se foi e o balanço está próximo do abismo.

O político profissional e as celebrações do cinismo

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O ano começou fervendo. Sofrimentos com as tragédias alertam que o desgoverno é grande. Não é recente o abismo. Falta base para que as relações se modifiquem e se pense em alguma coisa parecida com democracia. Não se surpreenda com as jogadas. Elas fazem parte de uma estrutura carcomida, mas que se lança como nova. Os deputados e os senadores costumam fortalecer suas espertezas. Justificam suas ausências no Congresso, correm dos debates e vão curtir os privilégios. O alvo é o poder mais próximo de Jair. Não se importam com crenças, com os absurdos da Vale e subestimam seus eleitores. Disfarçam-se com uma habilidade carnavalesca.

A folia é profissional para quem se firma em Brasília. Fazer negócios, garantir a cadeira, tomar cafezinho e participar de banquetes. Tudo se vende, dizem alguns. A manobra não é feita sem astúcias e especializações. Os políticos possuem assessorias montadas com esmero, não estão desprovidos de artifícios tecnológicos, viajam para o exterior, afirmam apoios aos seus prediletos nas maracutaias. Há uns poucos que se salvam. Existem desafios, críticas ao deboche, promessas de mudanças. Porém, a maioria se entrelaça com planos conservadores. tripudiam.

É interessante como a repetição não se cansa, como a mentira voa sem pudor. Os preconceitos tomam seus lugares. Uns escondem os compromissos com a milícias, outros desqualificam os trabalhadores. Há quem mude de religião, apaixone-se pelas orações mais esquisitas. A  atmosfera é nebulosa. Por isso, o desânimo se torna um lugar comum. Como acreditar em exercer a representação querendo concentrar seus privilégios? A conversa é pessoal e mesquinha, num mercado que apronta vícios nas escolhas e produtos dignos de aposentadoria. Cria-se o caos para enganar os ingênuos e justificar as falcatruas. O novo tem uma capa cinzenta e suja.

Imaginar uma outra forma de consagrar as relações políticas é uma ousadia. Os gritos de rebeldias são silenciados, embora os inconformismos se apresentam. Nem tudo é simulação. Há quem sinta a necessidade de reforçar a coletividade, de mostrar os desequilíbrios e afastar dos conchavos cotidianos. O pior é que a imprensa depende financiamentos e os mais combatentes se perdem oprimidos pela flata de recursos.  As instituições se corrompem com facilidade. Observe como as mineradoras se mantêm impunes e a ameaça ao meio ambiente destruidora e cruel. Não se acanhe de se desfazer da timidez. Desconfie dos seus ídolos e da sua fé. Eles moram no exibicionismo dos espelhos pálidos. Lamente as perdas que ensinam coragem.

 

Meninos do Flamengo, meninos e meninas do Brasil

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Uma série de tragédias vem dominando o cenário de 2019. Tudo muito pesado: Brumadinho, tempestade no Rio, intrigas políticas vazias. Há uma mostra cruel da desigualdade que nos acompanha. A gravidade é indiscutível. No entanto, o sensacionalismo ganha espaço, emociona, passa. Tudo é frágil e fugaz. Os lamentos revelam sinceridades, desesperos, falta de cuidado, desgovernos. A sociedade padece de contradições que ferem e intimidam. Elas se alastram, se repetem, denunciam monopólios. Não se trata de divertimento para estimular imagens coloridas. O desgaste nos coloca no fundo do poço,desanima.

O incêndio no CT do Flamengo assustou e acelerou o peso negativo de um ano desconcertante. Mortes de jovens que buscavam um lugar no mundo tão repleto de precariedades. Os milhões atraem e são repentinos. Correr o risco significa abandonar  a vida familiar e tentar ir para a magia dos euros, voar no sonho, fabricar suspenses. O entusiasmo está claro e possui suas razões, porém há descaminhos. Como os empresários se aproveitam dos talentos que surgem? As escritas da imprensa esportiva analisam esse mercado de exploração? Há modelos, delírios, sacrifícios: Quem os estimula?

Há riquezas, visivelmente, concentradas. Nem todos chegam ao cume do sucesso. Muitos se escondem em times inexpressivos. São poucos os que materializam suas ambições. O mercado é obscuro, traz menções de lavagem de dinheiro,  sacrifica e brinca com espertezas. Circulam patrocínios, festas gigantescas, charmes inesperados. Newmar tornou-se um ídolo. Esnoba, não se acanha com as críticas. A polêmica inquieta, pois a sociedade ,cheia de carência, convive com misérias profundas. No caso, a fuga lotérica enebria e gera celebrações perigosas.Os meninos e as meninas do Brasil estão cercados por dificuldades. Apostam. Os escorregões desenganam e os que devem ser punidos se afastam com cinismo de suas responsabilidades. Desculpam-se com máscaras prontas,

O futebol já foi um espetáculo mais solto, hoje obedece a um esquema de fortes interesses e corrupções lamentáveis. Os investimentos produzem disputas, o Brasil perde seus talentos, entra no leilão. Nada é feito com amadorismo ou ingenuidade. É importante levantar questões, não ficar no prazer das jogadas ensaiadas. As mortes provocam dores e  a  situação é de limites ferozes. A sociedade está na lama. Seus territórios minados pela pobreza. Parece que alguém ver o suicídio na janela do seu barraco e não se dá  conta que as saídas são, muitas vezes, armadilhas. Não se liga no passado, e deixa a memória se arruinar. O drama se espalha, avassalador.

Ler o mundo sem descuido

 

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Os livros ajudam a decifrar mistérios. No entanto, o importante é se centrar no cotidiano. Observar que o desequilíbrio contínuo se prolonga. Não há como se divertir com tantas tragédias e os descuidos do poder prevalecem. Estamos encurralados, cheios de medo, aflitos com a insegurança generalizada. Existem assaltos violentos, notícias, enganações políticas, milícias organizadas, Não faltam denúncias. Parece que há uma trama para arruinar as cidades, sacudir poeiras tóxicas , afugentar populações, consolidar desesperos. Alguém se responsabiliza?

O pior é a forma de justificar os desmandos ou as displicências: As verbas são escassas, a natureza é impiedosa. E o luxo dos tribunais, a curtição do cafezinho no Congresso, a corrupção solta que libera a licença para ajudar nas burlas?. Muitos se iludem, suplicam a graça divina e entram nas orações dos pastores milionários. A dominação é esperta. Organiza-se para vender e abastecer o cofre das instituições financeiras. Os juros mostram quem fica com a maior parte e você na torcida pelos parceiros do Big Brother, colocando suas máscaras nas madrugadas televisivas.

A leitura do mundo exige atenção. Há lutas sofisticadas pelo domínio das narrativas. Voltam os dizeres nazistas, elege-se figuras toscas, preocupadas em zelar pela sua mediocridade. Ser vítima não resolve. A sociedade representa os anseios de uma coletividade. A maioria ajuda, muitas vezes, a consagrar privilégios que não são seus, pedem desculpas, depois que os alicerces estão arruinados. Passam pelos conflitos sociais querendo usufruir do melhor beneficio, homenageando mitos, punindo quem não entra na sua toca. Portanto, o reino da ambiguidade se instala.

Tudo isso é agravado pela velocidade. Há tempo para olhar as vitrines, porém como formular a críticas, inquietar, remontar os estragos? A história não cultiva sossego. Os desafios crescem, as multidões andam de cabeça baixa, desconhecem os mapas dos territórios que habitam. Transformam os sonos em intervalos nada saudáveis. Preferem sonhar acordadas com as peripécias do carnaval. A alegria move sentimentos .Cabe vivê-los com autonomia e não embrigado contando as latinhas de cerveja, festejando patrocínios sonegadores. Quem se embala, apenas, com o som dos outros não é porta-bandeira da sua própria aventura. A folia distrai, mas tragédia sepulta. Cuidar faz bem.

 

O jogo do poder é malicioso

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A política se despediu da ética, faz tempo. Procura servir a senhores privilegiados. Não se assuste com os projetos contraditórios. Muitos negam princípios constitucionais e consagram desmandos. Não imagine que a violência se extinguirá com uma reflexão de Moro. O sistema continua marcado por desigualdades. A fome existe de forma radical.  Brumadinho  parece um evento de uma passado longínquo. As instituições se balançam, querem conservar, manter preconceitos. A covardia celebra a punição da maioria, trama a concentração da riqueza e alimenta conchavos dos empresários. Pune-se com ressentimento e seletividade articulada. A imagem da justiça causa sustos inesperados.

A desconfiança merece atuar, como também a rebeldia. As promessas de campanha trazem suspeitas. Há simulação de intrigas, brigas resolvidas com risadas em gabinetes. Infelizmente, Maquiavel tinha suas razões. Quem controla o poder espalha medo e felicidade programada. Não se nega a necessidade de mudar as regras da aposentadoria. ninguém é ingênuo, porém as distorções devem ser denunciadas. Que significa a capitalização? Por que a bolsa se empolga com as manobras do governo? O que querem os donos do capitalismo? Qual o enquadramento da segurança no país das milícias que contaminam a política?

Perguntar não cansa. O mundo se veste de armadilhas. O ser humano cultiva esconderijos para cercar os mais incautos. Não se trata de pessimismo. Quem acha que a exploração é invisível? Basta uma caminhado pela ruas, um olhar crítico nas manchetes dos jornais, uma análise do último discurso do presidente do Congresso. As conspirações acontecem nas madrugadas ou mesmo nas mesas dos restaurantes. Portanto, está tudo solto, com sofisticações bem conduzidas pelas verdades nada consistentes. Tudo respira, agitando os interesses.A suspeita se encontra em qualquer esquina. Não habita, apenas, nas sentenças que atrofiaram a liberdade de Lula. Ela se fixa nas relações sociais.

Não é de hoje que as utopia adoeceram, que a mediocridade banaliza o cotidiano. O mundo tem seus desfazes e cada época seus tropeços. Recorde-se das ditaduras de Videla e Pinochet, da fúria contra os refugiados, da escravidão nas empresas multinacionais, das agressões feitas pelos países imperialistas. A história não é voo num tapete mágico. Jair soube ocupar o espaço, usou  boatos e conseguiu simpatias. Mas as indas e vindas atingem planejamentos, nada é definitivo. As mercadorias desfilam preenchendo o desejo de quem se organiza para obtê-las. As vacilações funcionam como novelas trágicas. A história desafia quem a resume numa profecia. A lama sobrevive como um velório traiçoeiro. É o avesso girando sobre as nossas cabeças.

O jogo no Senado: a reflexão desfeita e esvaziada

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A reconceituação faz parte da luta dos saberes. Ela é vitrine política e não uma geometria carregada de neutralidades. Hoje, discute-se a violência das manobras stalinistas. Antes, ele era visto como grande exemplo de prática marxista. Há quem o defenda, pois muitos se salvam na agressividade e no ressentimento. As leituras se multiplicam e Marx era teórico que valorizava a criatividade do trabalho. Surgem outras metodologias. É precioso ampliar aquelas visões estreitas. Os diálogos mostram que as obras não se fazem sozinhas. Os saberes devem estimular diálogos, não negando seus princípios. As revisões acontecem, sufocam valores , no passado, inquestionáveis.

Estamos na história. Os congelamentos são simulações e as intrigas sacodem os apáticos, porém também inquietam violências extremadas. Portanto, as palavras mudam seus significados, sem desprezar as ambiguidades. Na sociedade atual, a velocidade das informações elege a novidade como base dos debates. Como aprofundar se a notícia é negócio? A imprensa navega no superficial, promove o espetáculo. O que dá audiência? Os danos para a verdade são enormes. O teatro do absurdo ganha lugar privilegiado. Quem escreveria um conto sobre as irritações republicanas numa tarde de sábado?

As últimas eleições, no Senado, provocaram o inesperado. O jogo foi radicalizado. O ruído debochado da renovação guardava manipulações frequentes. Renan era o velho, carcomido. Muitos se exibiam como a novidade, a política que traria abalos. A disputa se deu, teve transmissões para o público. Não faltaram cenas de embates escancarados e de ironias teatrais. Denúncias, espertezas, vazios. O ambiente era conservador, porém as simulações evitavam revelar a face dos interesses. Renan perdeu ou abandonou a luta? Quem adivinha o que vai acontecer? Jair simpatiza com o resultado? E Flávio arma planos?

Frustrações, lamentos, celebrações. Nada que representassem rebeldia e satisfação para trazer perspectivas diferentes. Tudo se parecia, mas o importante era fabricar as diferenças. Os jornalistas descreviam as cenas, assustados ou aparentemente assustados.Nada que refletisse sobre o evento de forma mais densa. Bastariam as imagens. Renan é astucioso, mas não é dono de todo poder. Como se darão as relações políticas no Senado? Haverá benefícios para quem? Ganham os desgovernos de sempre. Quem é espectador termina se ferrando. Já pensou considerar o DEM como símbolo de travessias para o futuro?Trata-se de um neoliberalismo ou de um cinismo elaborado por especialistas? Há muitos gritos parados no ar.

 

O encanto e o desencontro: a sociedade ambígua

 

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O crescimento da tecnologia animou o capitalismo. A multiplicidade de invenções modifica hábitos. O mundo se abria para um consumo. No entanto, as desigualdade não se foram. O uso de armas atômicas continua assustando e promovendo choque violentos. As guerras são cotidianas atiçando perplexidades. Compra-se e, ainda, existe euforia. Muitos perguntam se a felicidade é uma dádiva, uma articulação das estratégias do capitalismo. Há quem acredite e nem observa que a exploração permanece globalizada. Fabricaram-se vacinas, antibióticos, vitaminas. Celebram a beleza do corpo. E os vazios? Será que haverá o surgimento de paraísos e a morte das hierarquias?

Quando as tragédias  assassinam, a gritaria é geral. As denúncias frequentes criam tensões. Muita saudade, perdas irreparáveis, porém há quem quem defenda as grande empresas. É preciso assinalar que o capitalismo contribui para fragilizar os valores de solidariedade. Se a disputa toma conta do mercado, como segurar a desconfiança? A riqueza se concentra nas mãos de uma minoria. Ela mantém seu poder político. Alicia, forma quadros especializados e seduz antigos adversários. Não se pode fechar o olhos e admitir que houve falhas superficiais, desprezando as perdas dos outros, destilando arrogância, indiferente aos descontroles dos governos.Há milícias espalhadas com limites tênues.

A história não é uma sucessão de misérias absolutas. Há ações que trazem renascimentos, indicam gratidões, desejos de firmar utopias. O importante é decifrar as ambiguidades, sentir que as manipulações garantem supremacias perversas. As idas e vindas mostram a complexidade das relações sociais. As religiões geram expectativas de salvação, se enche de promessas, apelam para a humildade. No entanto, surpreendem quando se aliam a projetos políticos nada generosas. Há traições constantes e mergulhos em fantasias que empurram para frustração. O sagrado se mistura com o profano e as mídias religiosas entram no fascínio do sucesso. O peso dos interesses desconecta as balanças e emudece a justiça. Vale o que vale.

Não adianta tecnologias sofisticadas, sem uma crítica aos valores que ela estimula. A história não é abstração. Ela construída por pessoas. Há regras e compromissos. Se o tilintar das moedas atrai é porque há privilégios sendo preservados e corrupções consumadas. Na política, as argumentos podem trazer desenganos e mascarar intenções. A riqueza não é coletiva, repartida em benefício de todos. Portanto, insistir na denúncia não é pecado capital, é escolher saídas, no meio de multiplicidade de opiniões que consagram o movimento das bolsas e as valorizações das ações. Quem simpatiza com capitalismo está adotando concepções de mundo muito longe de um projeto coletivo. Há outras alternativas para a história ou a convivência social possui a marca do individualismo?

Os farrapos da verdade e as máscaras ativadas: ” A Era Trump?”

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A política tem  frequentemente inquietado. O século XXI se apresenta com surpresas. A perplexidade traz desconsolo para muitos. No entanto, não custa buscar um olhar histórico e observar como as relações vão se constituindo. Trump não surgiu do nada, nem atende apenas aos delírios dos mais cínicos. Construiu uma figura que atende lacunas que se formaram nos Estados Unidos. Parece estar se divertindo. Não está. Responde a interesses. Seu país passou por dificuldades que minaram valores e encheram os corações de desperanças. A política ganhou outras expectativas e o deboche assumiu um lugar especial. Há quem escute Trump, o elogie, mesmo fora dos Estados Unidos. Quem se lembra das frustrações norte-americanas passadas? A guerra do Vietnã registrou perdas profundas. Os debates sobre o pós-modernismo sacudiram as universidades, transforam as elaborações culturais, criaram instabilidades. Os ruídos da subjetividade ampliaram seus territórios e as lutas promovem violências.

No Brasil, a onda antipetista pegou e a imprensa tocou fogo. Houve descuidos nas administrações e as mudanças se anunciaram para desmontar os  esquemas antigos. Ninguém esquece das tensões, das passeatas, do indefinível. Jair venceu. Seu discuso agressivo repercutiu, teve ajuda de quem se assusta com um socialismo que nunca existiu. O inesperado fechou seu campo, muita gente abraçou o liberalismo, embora haja confusões ideológicas e misturas emocionais. Falam-se de desencantos, as armas mostram-se, o salvacionismo atrai. Trump e Jair possuem semelhanças. É preciso, porém, assinalar que moram em nações diferentes, com poderes internacionais nada iguais. Valem os estímulos aos preconceitos e o jogo nas redes sociais. Outras linguagens se formam nu mundo da política.

A Europa vive também suas contradições. A Inglaterra não sabe o que escolher e o refugiados ocupam cidades. As vacilações são muitas. Na França, rebeldias indicam insatisfações. Qual o projeto social que consegue se consolidar? As dúvidas se expandem, pois as antigas utopias se sentem marginalizadas. As revoluções desistiram de insistir com seus contrapontos? Volta o racismo, condena-se a liberdade sexual, as religiões disputam mídias. Os ideais iluministas convivem com as ruínas e objetividade se ressente das desconfianças com a ciência. Não vamos fixar saudades dos tempos da neutralidade. Eles não existiram. Não dá para fazer a história escondido num labirinto sem saída. Há manipulações. As arrogâncias se mascaram, compram novas versões, se adaptam ao mercado das ilusões contemporâneas. As carências povoam velhos sonhos.

O capitalismo se reinventa, não tem pudores e gosta do tilintar da grana. Conseguiu fãs e desmontou mentes. Não é sem razão que surgem teorias reforçadas com análise lacanianas. Como decifrar tanta agonia e delírio?Há misturas, ecletismos, obscuras reflexões para os admiradores da dialética tão presente em outros tempos. O consumismo é gigante. A revolução industrial pertenceu a outras épocas. O capitalismo globalizado não perdoa. A Rússia firma estratégias de dominação e a China investe no futebol de forma avassaladoras. A solidariedade continua escassa, mas as milicias atuam e o crime organizado se especializa. Nem tudo são flores, pois há depressões, os bens materiais não representam garantias de felicidade. As lamas também ocupam os asfaltos e as intrigas estão na ordem do dia. Quem era progressista se incomoda. Não escutou que a compulsão a repetição não é uma ficção vazia. Os retornos acontecem com outras cores.