Latest Publications

Afetos mortos

     Desatravesse as curvas de um passado distante.

Não negue que o tempo tem definição pronta

e olhe o outro no espelho da vida que atiça.

O mundo se enche de acumulações vazias,

de mentiras que castigam inocentes e vadios.

Não aposte no futuro desencontrado

e conte o avesso  dos preconceitos medonhos.

Desmanche a história que se abraça com a culpa.

 

Share

Neymar e Chico: as vitrines traiçoeiras

A sociedade curte uma diversidade incrível de fantasias. Ela gosta de ídolos, inventa deuses, adora imagens. Diverte-se. A vida é dura, mas não custa procurar saídas e não morrer na desilusão. O capitalismo não descansa. Estamos vivendo períodos de intensas tensões e brincadeiras. A globalização não garantiu segurança. Existem muitas fronteiras armadas e uma farmácia em cada esquina. Cuidado para não entrar numa boca de fumo. Lá moram figuras espertas e alguns policiais conhecem as cartografias do lugar. O comércio está ágil, a comunicação é veloz. Os tempos estão nublados, pois a desconfiança ocupa territórios amplos.

No Brasil, só há ordem e progresso na bandeira. Ninguém se entende. Não esqueça que a lavagem de dinheiro ganhou um espaço monumental no universo das notas. Veja quanto custou Neymar? O futebol fez amizade com máfias bem administradas. Há grana que dá para encher qualquer palácio. Aparecem figuras que negociam com especializações sutis. Quem pode adivinhar o sentido das suas manipulações? A imprensa delira. As notícias correm o mundo, chegam nos desertos, dobram nos barracos das favelas, se deitam nas areias da praia. A França jogou fora memórias iluministas. Deixou Descartes tristonho, toma Revotril.

Não se aflija. O mundo se movimenta, ninguém se estabiliza e o amanhã talvez seja tenebroso ou mesmo maravilhoso para quem cultiva a mediocridade. Bolsonaro tem admiradores. Temer gasta seu estoque de Viagra e há doutores que julgam as delações premiadas a salvação do Brasil. Celebram a figura do Moro, criam altares, desconhecem a crítica. O fanatismo não cessa. Vivemos num messianismo que alcança distâncias imensas. Ele tem cores políticas misturadas, traz novas curvas de convivências, vibram com as mentiras. Quem  é culpado: Lula, Chico, Cunha, Maia, Neves? É um jogo de apostas  e raivas no coração.

Chico está sendo fulminado. Há quem o detone sem medo de enganos. Virou um machista desenganado ou um petralha que se encanta com Paris. Pouca atenção é dada às suas obras. Sumiram? É uma época de lavar tudo. Não é à toa que surgem negociatas, que a política investe na falcatrua. Quem se mostra descontente sofre torpedos. A lógica capitalista se insere até no afeto. Concentrações de riquezas, de invejas, de vaidades poluem o mundo. Neymar estreia com festa, torna-se um herói, representa a majestade. Cada um escolhe sua fortuna, sua alegria, seu analgésico. A loja de máscaras lucra, vende comprimidos de cinismo. Não nego: Neymar é craque e Chico, o poeta. Não tenho nada contra eles. São, profundamente, diferentes, mas inventores de magias Você quer ser mágico?

Share

No meio do mundo: as verdades e as mentiras

Há insistência na busca de verdade, desde o início da história.Existem os contrapontos. Não há uma verdade absoluta, embora muitos cantem o eterno. As suspeitas não desaparecem. As concepções de mundo se transformam de forma veloz, sobretudo no tempo que vivemos. Há dúvidas e subterrâneos  inundados por fantasias. A quantidade de meios de informações cria guerra invisíveis que tumultuam iludem. A política fala de uma democracia que não se firma nunca. A fragmentação se constrói e assusta. Como evitar os pesadelos iluminados pelo sul?

Um mundo homogêneo não tem tamanho. Há sempre conflitos e desacertos. As crenças religiosas se abraçam com  salvacionismos. No entanto, não esqueçamos das mercadorias. A força do capitalismo é avassaladora. Como pensar  em mudar a lógica da acumulação? Há pertencimentos estranhos, bandidagem sofisticadas. Não são novidades. As manipulações constantes fermentam desconfianças. As redes sociais agilizam emboscadas e boatas. As ciências vendem fórmulas e os assaltos aos cofres públicos desmontam planejamentos.

Nota-se a dissonância. O fascismo reaparece incentivando o corporativismo. Sobra espaço para violência e falta controle, ordem, regras que possam ser discutidas.  Não entre no trem que não respeita as fronteiras, porque os desenhos do apocalipse transcendem fronteiras diplomáticas. Portanto, as perguntas dizem do medo e não ouvem respostas. Diante da multiplicidade da cultura a globalização é frustante e não celebra a paz. As discordâncias crescem e empurram os fantasmas da instabilidade.

Não se trata, aqui, de forjar cenas bélicas com palavras vazias. A história prometeu revoluções, os socialismos queriam igualdade e a ciência alimentar o fim dos preconceitos. Infelizmente, os profetas, às vezes, acertam. Leiam o que Marx escreveu sobre o capitalismo, o que Darwin elaborou sobre a evolução das espécies, as teses de Freud sobre o desejo e sonho. Aquela racionalidade encantadora se perde com os golpe cotidiano que pouco explicam. Será possível esconder o animal que persegue e se vinga? Sera que Nietzsche conhecia a loucura?

O mundo dividido esperneia, grita, busca soluções. Muita gente sem moradia, andando pelas ruas, fugindo dos desertos, preparando terrorismo. Difícil é apontar o equilíbrio tão elogiado pelos gregos. Talvez, um dia, as palavras possam assumir outros significados e verdade e mentira não provoquem assédios ao poder. O que está na vitrine é a incerteza, o massacre das informações, as astúcias dos cínicos. Porém, o silêncio incomoda. As reflexões inquietam. As rachaduras do mundo já estavam abertas no paraíso. Adão e Eva não se enganaram. Escreveram a história.

Share

O descanso de Deus e a corrupção disparada

 

O assunto se repete com muitos escândalos. Todos jornais se armam de notícias de delação. Os procuradores buscam novidades, colocam intrigas, mexem com as leis. Nada novo com a corrupção e seu percurso na história. Não sei se existe uma natureza humana. Isso é discutível. Mas não há períodos sem desacertos. Hoje, vivemos um mundo de multidões. Pessoas se espalham por territórios imensos, querem qualidade de vida. A luta é grande e os ensinamentos de Maquiavel ressuscitam. A política traz pactos e sinistros. A perplexidade não tem sossego e nós esperamos o pior ou as mudanças ocorreram depois das inquietações?

Nem todos são corruptos, porém o crescimento da capitalismo facilitou manipulações e desigualdades. Há hierarquias bem articuladas e especialistas em promover emboscadas. No Brasil, as explosões de vingança metem medo. Fala-se num modo petista de governar que destravou tudo. O sistema se azeitou e disparou a fuga de milhões. Não vejo um único culpado. O sistema funciona com alianças. Está também nas grandes potências. Observe os Estados Unidos, nem todos são ingênuos. A concentração de riqueza derruba maiorias, cria tempestades e misérias. Intelectuais nublados não sabem que ônibus pegar.

Há uma guerra no campo das informações. Elas são rápidas, vestem-se de urgências. Mentiras bem elaboradas assnham debates. A sociedade dividida parte para intolerância. A agressividade ganha espaço, os enganos ferem, muitos se sentem excluídos. Quem são os culpados? Moro é mesmo o símbolo da justiça? Como Lula se organizou no meio de tantas tramas? O que quer Temer com sua turma? Muitas perguntas surgem e as alternativas não deixam de formular inquietudes. Os demônios e os cínicos se expandem como figuras comuns. Há os apavorados com o rompimento de direitos e deveres.

Quem cogita o fim do mundo talvez desconheça a memória. Esquece do fascismo , das guerras mundiais, da época de Vargas, dos governos militares, da máfias políticas. Os exemplos não se esgotam. A corrupção animava grupos, não era propriedade de um único senhor. Houve uma sofisticação. Golpes se renovam e estratégias tecnológicas ultrapassam hábitos tradicionais. Estamos num mundo confuso, com referências esfarrapadas. As acusações não cessam, pois a insegurança e o desamparo oprimem. Os pesadelos aumentam, porém os lugares do sonho lutam contra a escassez. Há fôlego, não custa combater a apatia. A complexidade exige olhar atento. Até Deus descansou no sétimo dia.

Share

A palavra escondida, o engano fatal

Não conto histórias com palavras transparentes,

a linguagem não vive sem enganos, se veste de máscaras e

as aventuras sempre gostam de brincar com os abismos.

O mundo anunciado não é verdadeiro, nem contém o absoluto,

apenas viajamos como exilados sem rumos definidos, tontos e vadios

Não defina significados, despreze o tempo exato, finja coragem,

seja ator no circo de Charles  Chaplin e ria muito sem pudor.

Os sábios não fogem dos tropeços, nem entram em academias,

santificar o humano é querer eternizar o que não se completa,

buscar a vitrine dos que se exibem para desenhar corpos fragilizados.

Conto o que sei do pecado original e das especulações dos deuses.

Share

A violência de cada dia

Falam que a guerra civil se estrutura, aos poucos, e surpreende. Ela produz uma inquietação agressiva. O medo se expande quando os assassinatos acontecem e oferecem um espetáculo nada agradável. Por detrás dela, existem golpes políticos, corrupções programadas, vinganças objetivas.O Rio de Janeiro assusta. Seu cotidiano ganhou sangue covarde, explodiu cofres, intimidou policiais. Não é aquela guerra civil tradicional. Os tempos são outros, porque a sociedade mudou sua formas de reagir e a droga avança fabricando dependentes e um comércio veloz.

O Rio de Janeiros sofreu vários assaltos. A gangue de Cabral terminou de acelerar as falências, se encheu de jóias, traçou bilhões com suas astuciosas tramas. Não é a única. Foi competitiva, usufruiu de esquemas públicos, mostrou-se articulado.  O Brasil vive um festival de gangues sofisticadas que internacionalizam suas ações. Parece que não há como exterminá-las. As ruas ficam sendo cenários de emboscadas. Falta grana para funcionários públicos, sobram armas nos morros, nos pontos ativos de drogas. Os hospitais fecham, as escolas se arruínam, os ruídos enervam.

A morte acompanha a violência, o Rio é um espelho débil, a desconfiança esvazia a política. Quem se lembra da euforia fabricada pela Copa do Mundo? E os monumentais investimentos destacados pelos governos? Era uma celebração cínica, ajudada pela gangue chefiado por Ricardo da CBF. Nem todos entraram nas histórias falaciosas. A rede era grande, gastava verbas imensas, com a ilusão que curtíamos as coisas do primeiro mundo . O Brasil do luxo escondia a infâmia, as vergonhas, os desacertos. Perdeu para Alemanha e se inventaram boatos, fantasias, escândalos.

O Rio assombra, tem um lugar especial na mídia. A desigualdade social treme, faz vítimas, desafia quem inventa planos para fragilizá-la. Há conflitos em todos es espaços possíveis. Os posseiros querem acumular terras, os discursos se chocam nas mentiras, os partidos costuram alianças escandalosos, Temer continuar tomando doses extraordinárias de Viagra para seduzir o PSDB. É impossível quebrar um circuito que usa máscaras especializadas. Quem era santo virou demônio ou o inferno se consolida na avenida central?

O corpo corre, quer esconderijo.Acolhemos, feridos, sustos. Não dá para distinguir o futuro. Será que tudo se repete, que os ciclos são infinitos? Os arautos do desenvolvimento não param de se lamentar. Procura-se o culpado maior. Lula reclama. Os impostos aumentam. Renan consegue se salvar. Janot se balança. A justiça não tira sua venda. Os mais fracos e encurralados lançam Messias redentores. Os dízimos batem na portas dos templos.Tudo está confuso e árido. A sociedade não pode aclamar maravilhas. Ela mergulhou num pântano repleto de animais predadores. O território da perda une as dores contínuas.

Share

Os moradores de rua e a opressão

 

Morar. Estamos no mundo, procuramos abrigos, queremos atenção, olhamos os outros. Quando se pensava que as ideias iluministas iriam salvar a sociedade, a miséria continua fazendo vítimas e construindo desencantos. A razão cartesiana não deu conta de estimular as utopias. A desigualdade permanece, a concentração de riquezas não se vai, as indiferenças cortam o corpo. A lógica do lucro, dos negócios corruptos, ganha espaço. Sucumbimos. Vemos que as dificuldade trazem violências e desfaz possibilidades de reformas. A aflição se expande como uma epidemia.

As ruas estão cheias de gente. Ela passam, buscam, conversam. Mas há quem se encontre no limite. Conjuga o verbo morar com outro fôlego. Deita-se nas calçadas, veste-se com farrapos. A população dos moradores de rua cresce assustadoramente. Os lugares mostram que opressão é grande. A condição humana desce a ladeira. As drogas se multiplicam, a intolerância se fortalece e as pessoas criam raivas, se incomodam com aquelas figuras que denunciam o desgoverno. Há estranhamentos cotidianos e horizontes nublados.

Somos animais astuciosos, mas não cultivamos a solidariedade. Nem todos apreciam o mundo em que vivem. No entanto, existe uma pressa, uma ambição desmedida, uma carência vendida com mercadoria. A cidade se torna árida. Não acolhe, exclui. Há quem deseje uma assepsia geral. Nem observam que são cúmplices do desconforto. A coletividade heterogênea silencia, celebra seu individualismo doentio. Andamos, como se a cegueira usasse máscaras medonhas e assassinas. Quanta vezes nos lembramos das disparidades, das manobras obscuras, do outro?

A história não sobe degraus. Tropeça. Não tem um sentido perfeito, acabado. Os deuses transpiram, porque são criaturas. Inventamos tudo, porém não conseguimos superar a nossa incompletude. A sociabilidade não transcende os espaços da sujeira, do lixo, da solidão. Não é sem razão que a desconfiança se espalha. Não é preciso alargar o desespero. Ele existe e acende a luz da falta de diálogo. Moramos num mundo descontrolado. Transformamos o afeto numa utopia. As danças dos desabrigados é triste. Elas ouvem os gritos da insônias. Interiorizam-se. Os fantasmas se assustam com tanta apatia e palidez.

Share

Apocalipse desejado

Há na certeza do azul um horizonte que não magoa,

uma história que não tem medo do perdão.

Não é possível adivinhar o tamanho da sorte,

nem se intrigar com o brilho das estrelas.

Os amores cedem quando desmancham sonhos,

se esfumaçam quando se fixam num espelho.

Não pense na ultima forma do mundo,

conte as aventuras como se os anjos adormecidos

espantassem as visão do apocalipse desejado

Share

Pamuk: escritas do cotidiano, escritas desenhadas e estranhas

 

Os livros de Pamuk exigem fôlego. Leituras que movem dias e imaginações inesperadas. Já mergulhei em boa parte da sua obra. Vivei emoções incríveis quando li Istambul. Fiquei na transcendência com a sensibilidade que corri para escrever alguma coisa. Estava delirando. Há, às vezes, melancolias, descrições detalhadas, paixões amargas. Pamuk desenha as palavras com cuidado, sem perder a dimensão do humano. Não foge dos limites, nem esconde as ambiguidades. O cotidiano se espalha, ele não é mudo, arranha, reclama, cria hábitos. No seus livros, nos envolvemos com aprendizagens que dialogam com a história, sem perder de vista a estética. Sente que a tradição não desaparece, é aprisionada pela memória de cada cultura.

Sempre me lembro que a verdade é curva. Não sou admirador do que é linear. As surpresas agudizam desejos, encantam e desencantam. Quem escreve, com ânimo, não despreza a magia. As palavras possuem espertezas, inventam mundos. Pamuk não desconhece os limites, porém não se intimida. No Meu nome é vermelho mostra uma habilidade dos arcanjos. São muitas viagens, figuras fantásticas, cores deslumbrantes. O jogo da vida não é sereno. Há sangue nas veias instigando mudanças e desfazendo monotonias. A geometria do texto desfigura o tédio.

Seria interminável uma meditação sobre a obra de Pamuk. Quem desenha as palavras beija as eternidades. As aventuras que nos cercam não devem ser esquecidas. Traçar seus acidentes, suas misérias, seus ruídos abala quem pensa na incompletude. Istambul merece. Seus mistérios desafiam, misturam sentenças, anunciam paradoxos. As sensações estranhas são comuns, pois o medo assombra sem cerimônia. No seu último livro, o mestre traz o sonho e a intriga, os azares e as sortes. As ruas de Istambul não se calam, levantam arquiteturas. Por elas, as pessoas observam que não há consolidar como destinos e conter as epidemias.

A história, entrelaçada com a literatura, renova as concepções e redefine paradoxos. Os arquivos são importantes. Não basta, contudo, transcrevê-los. O historiador não deve ser o espelho do pesquisa. Quem lê Pamuk, Kafka, Guimarães, Auster, Baudelaire e tanto outros, visita mares com sereias e se reconhece nas teias de Scherezade. Superar certas regras apenas é possível com o poder da sedução. Não é a eleição absoluta do engano. A vida se distrai e não se escancara facilmente. Quem se cansa advinha a morte da fantasia, se entrega às malícias dos pesadelos. Veste-se apenas com luzes e desconhecer a trilha tortuosa da vida.

Pamuk borda instantes inesperados nas páginas dos seus livros. O escritor é maestro, embora não conheça todos os ritmos. Querer significar tudo é impossível. Os escorregões existem, o exílio balança as tradições, a sociedade não nega a heterogeneidade. Tudo tem um gosto de acaso, de origens pouco explicadas, de paraísos obscuros. Não há com abdicar das incertezas. Quem risca a linha reta e a torna definitiva, desimagina, inuda o vivido. Pamuk nos convida para repartir os olhares e se perfuma com a beleza. Não se afasta do labirinto, mas conhece alternativas. Configura a estranheza no grito que ecoa pelas ruas, anônimo e embriagante.

 

 

Share

As quadrilhas não vivem sem estratégias

 

Cada dia uma surpresa. Manobras que atingem o cerne da ética. Decepções gerais, mas muita gente rindo da manipulação constante. Derrubaram Dilma. A estratégia era ampla. Segue armando escorregões. Parece que não há como punir. A justiça tropeça. Ha opiniões múltiplas e uma mídia fragmentada. Diante das frustrações, a sociedade se desmantela. As necessidades básicas não são contempladas. Observe com está a educação. Tente ser atendida num hospital público. Não se engane que a quadrilha funciona com eficácia e sutileza. Ela é extensa, possui assessorias poderosas. Possui seus fanáticos, reverte expectativas.

É chocante o fluir das mentiras. Há provas para uns e outros são inocentes. Quem sabe o caminho de tantos desgovernos? Fala-se em democracia, em popularidade. Trocam-se políticos, discursam como se o mundo fosse o paraíso. É incrível. Uma sessão no Congresso supera qualquer comédia. Porém, traz consequências nefastas para a maioria. Vai se aposentar quando? Percebeu o rosto impassível de Temer? E a discutível sentença de Moro? Por que tantas parcialidades? Não existe crítica, inquietude? O pântano não desaparece?

Gostaria que houvesse uma limpeza. Não defendo inocências sacralizadas. Compreendo que existem várias quadrilhas. O que me incomoda é o cinismo, é a venda de ilusões, é grana acumulada nas mãos de poucos. O autoritarismo se disfarça. contudo os mecanismos de controle só aumentam. Jucá ironiza, as malas circulam, Aécio se julga um bom rapaz. O circo está sempre pronto, com um espetáculo deprimente. Os privilegiados se animam e a coletividade se destroça. As cenas desmoronam princípios básicos, arrastam limites, quebram sonhos, fecham o espetáculo de forma melancólica.

O que nos reserva o futuro? Como tudo terminará? As traições jogam com a sorte? A política se entrelaça com poderes que subordinam. Há suspenses e a história não é inabalável. Tudo se movimente. Há quedas, ações, indignidade. Quem se sustenta pode sofrer choques fatais. Os ferimentos são graves. O tempo rege a história e ele não é linear. Desfaz estratégias, inventa concepções, expulsa o medonho. A apatia é uma condição grave e covarde. Por isso, os ruídos devem crescer. O mundo não é espelho fixo, nós não somos seres congelados.A mistura distrai, suicida. Cuidado com as imagens fabricadas com silicone.

 

Share