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O cais sempre flutuante dos sentimentos

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Quem sobrevive admitindo certezas pode escorregar na próxima esquina. É preciso fazer a leitura da vida, com cuidado, e observar a força do inesperado. Não é a toa que verdades se balançam e agonias perturbam silêncios aparentemente congelados. Há um medo que o acaso tome conta da ações e os sustos se sucedam desencantando o mundo. Para tudo, existe uma narrativa. Ela é uma interpretação do que foi visto, ela não esgota detalhes, ela gosta de mascarar objetivos. Mesmo a história, dita acadêmica, sofre seus desconfortos. A dificuldade de firmar desenhos do que aconteceu nunca foge da narrativa. Anuncia mudanças frequentes de imagens. Relativiza e atiça imaginações.

Inventou-se a ciência, criticou-se a religião, fortaleceu-se o positivismo. No entanto, os caminhos se entrelaçam em momentos imprevistos. Profetizar é um perigo. Não adianta fechar a gaveta da subjetividade. É um engano eleger um saber invulnerável. Sua chave é falsa e suas armadilhas descontinuadas. Portanto, não renegue a surpresa, não acuse os loucos de tumultuar o mundo. Analise seu cotidiano. As janelas deixam entrar o que você não percebe e trazem códigos que você ignora. Ficar perplexo não é delírio, mas sentir que as possibilidades nunca se encerram e que o ponto final é complexo e traiçoeiro. Talvez, nem exista.

Não abandone as especulações, nem vigie as batidas do coração. Desconfie dos destinos traçados e imutáveis. O não surge quando o sim se tornava soberano. As travessias  das narrativas indicam multiplicidades, pois procuram territórios sem quantificar o esgotamento de tempos. Tudo exige uma definição, porém não sinalize  o eterno, vestido de reflexões indiscutíveis. Saiba que a partida não significa a morte. O movimento traz inquietação, reconfigura o sentimento, garante que as energias possuem espantos e puxam as embarcações para ouvir o canto das sereias.A psicanálise ajuda a compreender as aventuras dos sentimentos. Não anula as crises,nem se considera a soberana que destrói os desacertos.

Freud debateu com seus sonhos, mostrou a fragilidade, as pulsões de vida e de morte. Não se foi entendendo todas as idas e as vindas de cada história. Não dispensou, porém,hermenêuticas. Hoje, a psicanálise ocupa espaços importantes, se digladia com as jogadas da indústria farmacêutica, enfrenta o ruído intenso das depressões. Sempre o futuro intrigando os sossegos e o presente envolvido por novidades que se transformam em mercadorias.Os sentimentos se refazem sem justificar certos silêncios e se sufocam com as regras tradicionais da vida engessadas. Ninguém apaga os deslocamentos dos sentimentos registrados na memória, nem anula as ousadias que mudam as histórias. Ritmos se compõem sem avisos num cais que se reinventa.

Não apague as nostalgias

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Ninguém consegue apagar os sonhos.Eles adoecem, denunciam fraqueza, mas a sociedade não pode ser escrava do lugar comum. O tumulto está globalizado, pois a luta é imensa para manutenção dos valores solidários. A soberania do cinismo faz ameaças constantes. No entanto, há buracos, abismos, pântanos. O invulnerável tem seus ataques e se desmonta. Por detrás de arrogâncias, existem manobras corruptas que tentam iludir e produzir ingenuidades. Lamenta-se que a modernidade das utopias, do século XIX, se fragmente. Não há esquecimento absolutos, nem mitos destinados a uma fim eterno. O vaivém da história nos ajuda a esclarecer incompletudes e imaginários sociais coletivos.

Nem sei se os segredos conseguem se perpetuar. A visita do inesperado traz transtornos para quem se julgava senhor de imensos territórios. A complexidade atual permite especulações. As escolhas mostram que os valores se balançam, são construídos, portanto cedem diante de vulcões e tempestades. Nota-se que as espionagens se renovaram, as denúncias podem sacudir poeiras antigas. A massificação não consolidou a mesmice. As brechas abrem espaços para retomar possibilidades e enfrentar espertezas disfarçadas.  1968 sobrevive.

Se a igualdade é um desejo, não sejamos cerimoniosos. Não custa colocá-la na ordem do dia, sentindo que o perfume da nostalgia está solto. É claro que os paraísos são mitificados, que certos anseios apressam decisões, que certos grupos constroem saudades de etnocentrismo. A sociedade alargou suas alternativas, mas não eliminou os fantasmas. O tempo aponta para direções diversas. O passado tem suas sepulturas sempre violadas. Ele inspira saltos futuros, lembra queda de totalitarismos e guerras mal resolvidas. A imaginação cuida de assanhar as apatias, sem se desfazer de limites irremovíveis.

Quando tudo parece definido, sustos riscam paredes e espelhos entortam imagens. A história anuncia que o trapézio se mantém no circo e os malabarismos não se foram do picadeiro. Por mais que religiões criem messias, as suspeições não escondem que há pesadelos. A vida corre atrelada a relações de poder e ilusões. Ninguém sabe qual a narrativa do capítulo final. Frustrações e ressentimentos indicam que as polarizações promove confusas análises. Conheço teimosias e perversões que não sossegam. Os adivinhos se guardam em gavetas eletrônicas com medo que aprisionem suas profecias. Quais as novas embarcações dos perdidos nos golpes? Qual a carta mágica  da vez?

A sociedade nutre escândalos ou busca éticas?

 

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A velocidade anuncia inquietações frequentes. Muitas notícias e interesses causam escândalos. Há uma proximidade com intrigas e falta de solidariedade. As  intrigas ajudam a mobilizar ressentimentos e fragilizar as ambições de equilíbrio social. Quem vence? O ruído do sucesso elege mitos que podem ser destruídos rapidamente. Surgem inseguranças, pois as leis também não se mostram consistentes.Uns atacam com deboches, outros se defendem querendo saídas, porém sobram incertezas. A imprensa mantém sua venda de manchetes debatendo ou sacudindo emoções tortas, Lá se vão Moro, Temer, Lula, Jair para análises complexas e ansiosas. Quem testemunha a liberdade de fixar a coragem?

Não existe estabilidade. Se todos correm e se escondem, alguma coisa derruba sossegos e desejos de sonhos limpos. Muitas acusações mostram que as armadilhas se mudam ou que o esquecimento se quebra. Há escutas, códigos, internacionalização das concepções de mundo, desastres de tradições, refugiados na miséria. O pessimismo contamina, cenas de violência assustam e as utopias sofrem agonias. Tanta tecnologia, promessas de  cura, redes de trocas de saberes, porém as perguntas continuam e os labirintos se firmam em cada esquina. Quem se arrisca a desenhar sua história? O tribunal funciona cotidianamente. Traz assombrações e desmoronamentos.

Será que Sartre tinha razão? Ou devemos louvar as afirmações de Freud? Tudo levanta descontroles. O agir crítico é pesado, porque sempre se constroem expectativas marcadas por dúvidas. O tempo passa nos relógios digitais e nas conversas nos celulares. As rupturas acontecem ou prosseguem as lutas pelo poder? O difícil é buscar éticas que solidifiquem a alegria cotidiana. O desamparo se veste de cores nefastas e roupas esfarrapadas. Lembro-me de Protágoras e seu relativismo. Os sofistas tinham suas razões e a Grécia ouviu sábias lições. Hoje, as informações circulam disputando verdades, especulando sobre as ilusões, num ritmo delirante e intempestivo.

O susto assume posições caóticas. A pressa não admite reflexões demoradas. Uma grande maratona toma conta dos pesadelos das novidades soltas e temidas. Inventam-se teorias, porém se pode compreender as astúcias perversas de forma transparente? O importante é não se envolver com apatias. As dubiedades ganham espaço, mexem com neutralidades fabricadas. Prever o amanhã é tarefa inacabada de especialistas espertos. Eles moram em algum abismo ou viajam em saberes mágicos? Fico perplexo, procurando configurar os minutos que fogem. Há saídas ou o desencanto confirma sua soberania? Há quem consagre mitos tentando se desfazer de frustrações. Nem tudo se resume ao penso logo existo. Não é sem razão que a sociedade se polariza e destila raivas e rancores.

As informações moram nas ordens dos poderes

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Não é possível derrubar todos os diálogos. É importante decifrar mensagens e agitar a reflexão. Somos animais sociais, apesar das divergências e dos conflitos violentos. O jogo da vida exige controle, porém não faltam excessos. A história é o inesperado que acorda sossegos e promete sacudir memórias. As redes de comunicação existem e são necessárias. Há tensões, escritas agressivas, plateias excitadas. Corre o narcisismo, com textos que pedem aplausos e  se sentem senhores da verdade. Quem pode negar a força da propaganda, um lugar  singular que garanta bons negócios, os abraços que estimam amizades passageiras?Para que se aplaude o fluxo do capital? E as conversas mascaradas prometem o juízo final?

As polêmicas frequentes não tiram o mérito dos apelos múltiplos e, por vezes, obscuros. Alguns adotam concepções de mundo ditas renovadoras, outros acham que o óbvio é um encanto. A sociedade não se cansa de inventar aventuras e as transformações acompanham grupos conspiradores. Quem  analisa as andanças dos tempos não deixa de olhar as contradições. Muitos fazem ruídos, afirmam opiniões extravagantes, se valem de sapiências jurídicas. Consultar o espelho envolve as tarefas do cotidiano, elege escolhas e fermenta narcisismos. O uso da tecnologia atiça ambiguidades velozes e traiçoeiras. Não há carência de sustos.

Nunca houve a consolidação de homogeneidades. As diferenças persistem e o circo se anima com as fantasias. Há espaço para o riso e para a irritação. A complexidade abraça as lutas sociais e mostra a dificuldade de serenar as rebeldias. Fugas, atritos, arrogâncias. A  sede de poder invadiu espaços profanos e escraviza desejos. Isso é visível. Os danos são inegáveis. No entanto, há deboches na comunicação, descobertas inusitadas de segredos intrigantes. Julgar traz suspenses e mostra que a sociabilidade brinca de se esconder. Não é fácil definir valores e montar alternativas sadias. O trapézio balança com informações globalizadas e mentiras programadas nas moradias arquitetadas por doutores.

O testemunho inesperado se costura e alerta para o caos. Não esqueça que as manipulações não apagam as nostalgias fascistas, porém diminui as  astúcias da transformação. Não existe o absoluto. Os celulares tocam, os facebooks tremem, os piratas não adormecem nos mares pós-modernos. Acertar nas profecias  é o maior desafio. Diante de tantas idas e vindas, os fantasmas se espalham. Há os salvadores, os tenebrosos, os cultivadores de inovações. Definir regras fixas talvez seja uma ingenuidade imensa. Não se pode subestimar desmanches. Expulsar a vaidade das configurações humanas é uma missão impossível. Viver lamentando o fracasso dói e atormenta. Mas como negar que o desamparo se consolida diante de privilégios opressores?

O amor mora no incomum e se distrai no encantamento anônimo

 

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Mempo Giardinelli escreveu belos livros. Argentino, perseguido pelos militares, soube colocar suas dores na escrita. Conheci sua obra no século passado, por volta de 1980. Li seu apaixonante O Céu em minhas mãos. Fique extasiado. O coração batia com o ruído da travessia contada pelo autor. A escrita de Mempo é livre, com uma fluidez sedutora. Seu erotismo estonteante, inquieta, coloca nostalgia de tesões inesquecíveis. Narra os trapézios do amor que tem todas a cores e formas, mas maltrata e pergunta, não sossega e atrai controvérsias sobre o azul da vida.  Portanto, o fôlego é grande e desconfiado. Aurora, a musa incomum, termina me conquistando como uma esfinge rara.

Revi Mempo. Dessa vez, socializado na sala de aula da pós-graduação, depois de uma árdua leitura anterior sobre depressão. Tratamento de choque. O curso se centrava nas conversa sobre o afeto e o belo. Todos e todas se desenhavam nas suas imaginações. Valeu a multiplicidade e o empenho em fugir do cansaço acadêmico das estrelas organizadas e ditas produtivas. Convivemos com Todorov, Calvino, Maria Rita, Visconti.. Desvendamos algumas profecias e mergulhamos nos sentimento de cada instante. Nada de querer pesos, nem amostrações tão presentes nos territória da universidade.

Mempo trouxe surpresas e decretou ataque em amores de leitores agoniados. Adorei meu reencontro. Procurei curtir, sem preconceitos cada suspiro da narrativa. Não menosprezei as fantasias e embarquei nos delírios de suas buscas. Não sacudi fora a emoção. Lembrei-me de damas e fossas agarradas nas memória. Perdões, poeiras, desagravos, desejo ardentes, fragilidades flutuantes. Para que assumir a palidez e descrever a vida como algo desmobilizador? A palavra ajuda a esquentar o corpo, denuncia arrepios e frustrações. Mempo enfeitiçou, sem deixar e contar amarguras e tolices do seu tempo,

É sempre uma viagem para além da mediocridade das redes socais vazias que muitos cultivam para esconder a solidão. O ritmo de cada um se entrega a alucinações. Há silêncios que compõem sonhos e imaginações que nos empurram para visões do paraíso. As ilusões não se afastam da cultura e inventam salvações inusitadas. Tocar o céu com as mãos, com afirmou Mempo, não garante a  eternidade do prazer, porém leva para subjetividades diferentes e labirintos com arquitetura e espelhos deslumbrantes, Sou grato a Mempo. Na tesão e na tensão há riscos. As lacunas não saem das histórias. Quem me perdeu ou quem perdi possui moradia nas minhas divagações. Nua ou vestida, acima do lugar banal, a vida não cede aos desvarios programados. Ela se despertence  nas fugas ousadas.

Os ídolos e as famas são de barro?

 

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Não se vive sem escândalos. Celebram-se notícias que anunciam quebra de valores e colocam pessoas sob suspeitas. Não há como negar que agitações sociais contam com divulgações nada inocentes. Não vou defender estabilidades e sociedades homogêneas. Até as religiões inquietam com suas pregações proféticas. Mas a história nunca foi uma linha reta. Busca-se um paraíso e se encontra inferno. Tudo virou um arsenal de mercadorias, os preços definem fama e as vitrines se  enchem de artigos. A ética sofre, pois a grana não cessa de aprontar e puxar parceiros totalmente embriagados pelo sucesso.

O brilhante mundo dos  divertimentos garante sensacionalismo. As entrevistas revelam corrupções ou amores íntimos que derrubam reputações. Fazem parte do cotidiano, desfilam manchetes, se apossam das redes sociais. Quem aparece corre perigo. Observe como Newmar se derrete. Uma vaidade desmesurada tem consequências. Ele não se toca ou sua assessoria acha tudo normal. Há quem pense por ele. No mercado dos escândalos possui lugar especial. Prometia ser uma estrela com talento forte, porém se enfraquece com tantas fofocas ou ilusões. Desmanche-se no meio de produtos e artimanhas inesperadas. Não se escuta.

É jogo da contemporaneidade. Ninguém escapa. O escorregão sempre é uma ameaça, sacode serenidades, pune com o ostracismo. No entanto, esquemas protetores não deixam de existir. A família Bolsonaro consegue sobreviver aos ataques. Aécio desaparece dos processos, mostra-se ingênuo. Seu prestígio, porém, caiu de forma avassaladora. Ele não se vai, espera milagres. O vaivém da sociedade surpreende. É preciso não esquecer que a cultura não é a imaginação de sonho absoluto.Os seres humanos fantasiam, deixam de lado sofrimentos contínuos, acreditando em messianismos estranhos. Newmar não visita complexidades, não se descola dos espelhos e se arrisca nas condenações.É mais um…

Não adianta esperar que tudo ganhe espaços harmônicos. Desde os tempos de Adão e Eva que os abalos permanecem. A maçã não apodreceu. Os mitos retornam, as infantilizações se congelam e as perdas acontecem. A instabilidade acompanha a história. Muitos abandonam suas esperanças, outros se metem em depressões assustadoras. Tudo isso, não apagou a fabricação de ídolos. Mortais, inseguros, intransigentes. A sociedade gira, as mudanças trazem novidades, porém as certezas adoecem e causam epidemias de tolices. Não se dá conta das histórias sem se analisar os infortúnios. Os deuses também sucumbem e os enganos se multiplicam. Alguns choram, outros brincam  e as agonias se misturam com a novelas. O mundo gira apressado.

 

As andanças políticas nada renovadoras

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Quem votou, escolheu e ainda  curte sandices em demasia. Ninguém estava fora da sociedade, visitando Vênus. Jair não deixou de enfiar promessas agressivas que muitos celebraram como a salvação. Cercou-se de ministros confusos e vocações nada saudáveis. O ridículo ganhou um espaço impressionante. Mas restam fanáticos e interesses que cativam os mais radicais. Fico perplexo com a polarização, Nas passeatas, nota-se uma clima de guerra pós-verdade. As  notícias se espalham com informações obscuras, com a grande intromissão de jornalista e atores. O jogo é complexo. O governo se atiça  e investe em formular ataques.

A educação virou um alvo predileto. Cortam verbas, desqualificam profissionais, armam um circo para premiar deboches. A  tensão se forma, as ofensas persistem e a sociedade não se mostra muito organizada para enfrentar tantas perturbações. Os jovens se articularam como nunca. Estão na ruas, lutam e se agregam aos protestos generalizados. Fico emocionado. O Brasil está saturado de falta de projetos e de oportunismo. Alguns se dizem neutros, não gostam do PT, condenam Jair, preferem desfilar nas redes sociais formando o bloco das simulações. Surgem aquelas análises bastantes sinuosas ou há quem firme inquietações, mas senhores de verdades que considero desanimadoras.

Jair segue, desfazendo pactos e inventando que se  encontra num labirinto sem fim. Sorrir, faz caretas, glorifica a família. Possui um carisma para grupos que não desfazem apoios às posições iniciais. Os milicianos continuam assanhando seus comércios, porém os estudantes são chamados de vândalos. Ninguém esclarece corrupções, nem Moro se destaca como antes. É esperto nas suas intenções. Observo que conserva uma mediocridade risível, sem contudo fugir da cena. Será que o treinaram para ser a distração poderosa da corte? Perguntas sobram, enigmas fecham as cabeças idiotizadas pelas “piadas” de Damares.

A concepção de instituir uma nova política submerge. Há uma enganação geral. Não estamos nos Estados Unidos, nem Trump mora em Brasília. O nacionalismo dos militares parece ter voado para Lua. Mourão tenta segurar as danações dos desgovernos, busca alternativas, contudo se insere nos limites. Seu charme é exercitar a língua inglesa e fazer o contraste com a sabedoria esquista do articulador da diplomacia. Mundo estranho. O cotidiano se abala, as pessoas vestem lógicas que não funcionam e as críticas se perdem no delírio das surpresas perversas. Talvez, Freud se sentisse numa atmosfera de psicopatias para lá do seu tempo.

A sociedade não consegue decifrar esfinges

 

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O futuro se distancia. Não trata de distâncias físicas. Morrem sonhos, o presente vive tormentos e voltam  valores nada solidários. Não se mire apenas no Brasil. Temos figuras deploráveis ditando normas. As instituições que pareciam sólidas caem no jogo dos disfarces e as milícias afirmam espaços de violências assustadoras. As  passeatas revelam que há ressentimentos perenes. Sente-se  que a raiva é cotidiana espremida pelo desemprego da grande maioria. O histerismo não cede. Guedes ameaça sair do país, Jair adora  caneta bic, as religiões se desenganam com o poder. As esfinges querem um messias, lembram-se das aventuras de Édipo, mergulhados em tragédias contínua. os faraós estão vivos?

As intrigas se multiplicam. A Argentina se assombra com falências econômicas. Cai, enquanto em outros países os políticos tentam se perpetuar no poder. Acompanhe a Bolívia. Quem não conhece os anos 1960 não consegue observar as diferenças históricas e adormece nas  nostalgias de holocaustos tenebrosos. A infantilização faz tremer a autonomia. Busca-se proteção nas tecnologias, no  divertimento que sufoca reflexões e possibilidades de redesenhar a sociedade contemporânea. Aposta-se na opressão programada por minorias que retomam racismos. As guerras se ativam para não diminuir a vende de armas.

A modernidade elegeu  projetos e confiou nas suas realizações. Seus atores dominantes esqueceram-se de que a luta política está longe de qualquer neutralidade. A burguesia se firmou impondo colonialismo, encobrindo crimes culturais, fortalecendo seus mecanismos  de exploração. Ela controla a dança do capital, coloca ritmos  que assanham rivalidades. Analise  como a China se movimenta, como a Europa se digladia, como os alemães se angustiam com retornos nazistas. O lado obscuro da história continua inquietando. Não foi abandonado, pois a ambiguidade manifesta-se sem cerimônias e atrai  quem festeja acumulações e promove desamparos.

O futuro  se veste de sombras e estica-se na extensão da aridez dos desertos. Amplia-se  a ordem  da minoria. Ela quer ser concreta em cada detalhe e importunar quem desobedece. Portanto, autoritarismo convoca esfinges nada metafóricas. Ele imprime a massificação e testemunha ruídos ofensivos  à desigualdade  existente. O espetáculo reserva horrores sofisticados, toma cuidado com suas imagens, mascara os inseguros encostados no desemparo. A  quem pedir? Há convivências amistosas no asfalto das avenidas?  Os pertencimentos  renegam os afetos e as tradições?  Pergunte ou se intimide. Será que os olhares se animam apenas com as novas formas e cores do celulares? O tempo se dana pelas travessias e se encosta na beira dos abismos.

O relativismo e as andanças da verdade

 

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A modernidade  quebrou  tradições seculares. Aquelas hierarquias feudais se foram, para que a sociedade de classes se instalasse e as revoluções se tornassem animadores. Havia expectativas de transformações radicais. Não como há negar que a sociedade passou por mudanças importantes. Cada cultura incorporou valores com possibilidades de viver liberdades e duvidar de preconceitos. A história, porém, não é lugar de seguranças definitivas e de sonhos absolutos. As permanências incomodam, fazem frustrações, deixam de lado promessas, ameaçam congelar sentimentos.

O mundo atual vive contrapontos gigantescos. Há quem aposte na volta do fascismo. As teorias retomam princípios conservadores e os desenganos acontecem cotidianamente. A anunciada autonomia não se concretizou da forma esperada. Muitas culturas não fugiram de paradigmas passados e houve desconfianças com relação às provocações da modernidade. As verdades se multiplicaram, entrelaçando tempos, formalizando guerras. As religiões se abalaram, mas a morte de deus criou possibilidade para embates filosóficos que se arrastam pelas culturas. Nietzsche ainda é lembrado com irritações inimigas e elogios de seguidores fanáticos.

As homogeneidades não se fixaram. Não adiante buscar o fim do servilismo, se a verdade capitalista não se cansa de fazer vítimas. A queda das experiências socialistas inquietaram, pois parecia que um destino de exploração se sedimentava. Os debates continuam e as guerras não se ausentaram. Se a modernidade lançou agitações, rebeldias, discussões avassaladoras, o mais tradicionais não se intimidaram. Jogaram suas fichas na celebração da tecnologia, disfarçaram suas forças de dominação, derrubaram fantasias, festejam a quantidade de mercadorias luxuosas. a revolução se tornou um mito, o desamparo ganha espaço  e a instabilidade expulsa otimismos.

Quem está com a verdade?  Ela flutua perdida nos artigos e nas imagens fabricadas pelos meios de comunicação. É preciso não subestimar. As leituras da história são, muitas vezes, ingênuas. Valorizam conquistas, anulam ambiguidades que persistem e atiçam dúvidas. Construir a sociedade sem disputa é um desafio. Difícil acabar com as concepções que acendem o aumento dos privilégios para poucos. O silêncio é perigoso. Nada como renunciar ao desejo de relativizar, de reinventar cada ação e observar as traições das verdades ditas salvadores. Não fique estimulando juízos finais. Expulsar as discordâncias da convivência é uma armadilha que pode nos sacudir num apatia perversa. Suspeite, sem se desfazer da sua autonomia.

Invente-se: A competição afasta e oprime

 

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A sociedade acelera suas demandas. Os deslocamentos são grandes e afugentam os acomodados.Eles pedem rapidez. Criam opressões, para aumentar corridas e estimular o apego ao sucesso. Portanto, o outro pode se tornar um obstáculo, numa estrutura de competições. Não se assuste com as ilusões de empregos maravilhosos. É o jogo para amortecer os danos da luta para punir quem se coloca como rival. Aquela festejada sociedade do ócio parece que se foi de vez. Era promessa que invadiu planejamentos e nostalgias. Sossegava quem se sentia massacrado pelo trabalho e buscava adormecer amarguras. Não se apaixone por quem desprezou o desejo de socializar a generosidade.

As quedas constantes das oportunidades, para superar impasses sociais, se multiplicam. Quem monopoliza não se cansa e distribui discursos para ampliar os territórios do capital.Fique alerta. Observe quem se guarda para sofisticar armadilhas, engrandecer o consumo das armas e enaltecer as drogas que inibem as rebeldias. É preciso considerar que o poder está concentrado.Há lacunas nas alternativas que tumultuam as hierarquias. A política se veste com o luxo de teorias especializadas em consolidar propagandas e desfazer ativismos. Daí o combate aos saberes inconformados com os números e provocadores de novas solidariedades. Há quem se torne parceiro das repressões.

Não é sem razão que os disfarces capitalistas se aproximam de paraísos. Mudam as imagens, porém mantêm a inibição, se articulam com espetáculos que domesticam multidões. Não pare, nem se entorpeça. Medite e  se estique. A rapidez mobiliza quando desconfia do que se repete. As depressões não visitam, apenas, os consultórios dos psiquiatras. Analise os grupos de convívio  e traga suspeitas para fermentar debates. Há marginalizações, intrigas, subornos afetivos. O mundo não gira se a acomodação filtrar transcendências e fixar o congelamento artificial das diferenças. As ambiguidades estão espertas sempre. Sono e sonho se entrelaçam com os efeitos dos psicotrópicos. No entanto, a velocidade dança com ousadias e fantasmas sedutores.

Estabelecer muros é uma forma de produzir afastamentos. Há muros invisíveis, perigosos, feitos para evitar que a sociedade substitua a lógica da acumulação. Pense que as celebrações são  constantes. As séries da Netflix causam espantos e fantasiam. Geram perplexidades incomuns.A miséria é escandalosa, mas a TV chama atenção para o celular vermelho que pertence a um ídolo de barro.Esqueceu de alguma coisa? Deixou o presente no banco da praça? Cuidado, pois os fiscais das alegrias e do afetos organizam regras e limitam a espontaneidade.  A cultura problematiza, atiça perguntas e incomoda os dinossauros. Nem sempre, ela desmonta artifícios de controle. A manipulação nunca é ingênua.Ela se localiza na vitrine mais próxima. Já abriu sua janela? Ilumine-se.