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A sociedade dos disfarces:histórias

A dificuldades de formular verdades penetra-se nas relações humanas. Como estabelecer regras, confiar, controlar, se diferenças circulam? Não sem razão que surgem teorias contraditórias.Desde os tempos das primeiras filosofias as andanças se confundem.Não se deve anular as reflexões de Heráclito, mas também sabemos que elas divergem de Kant. Os exemplos são múltiplos. A sociedade não vive sem disfarces. Inventa o lúdico, pois nem tudo se veste de agonia, mas os contrastes persistem.A complexidade não se vai e compõe os ritmos da história.

Observe como as sociedades buscam uma ordem. Observe como as ordens mudam. Na época das monarquias absolutistas existiam leis que deixaram de existir quando repercutiram as ideias do iluminismo. Portanto, não se encante com exatidões, pense que as escravidões ainda permanecem, massacrando os corpos. Tantos discursos democráticos, generosidades religiosas, encantos estéticos deslumbrantes. No entanto, nada garante que o progresso é sinal de controles das desigualdades.Tudo produz um confuso ânimo. Muitos esperam revoluções, outros curtem um absurdo fascismo.

O historiador traça sua pesquisa, consulta fontes, organiza metodologias.A história se vive e conta. Então, o espaço dos disfarces se apresentam, os sofistas tinham suas razões. ‘O homem é medida de todas as coisas”. Analisando o mundo globalizado esperava-se mais encontros, preconceitos destruídos, tecnologias salvadoras. As máscaras não se foram, a política junta promessas e justifica devaneios. Basta imaginar as manobras dos governantes mais recentes. Como manipulam de forma\ especializada e preparam genocídios?

As aventuras da colonização se mantêm. As misérias empurram culturas para labirintos. O historiador sente-se na obrigação de estruturar verdades, persegue as mentiras, porém como assegurar que é o defensor d equilíbrio? As lutas sociais sociais não param e as fraternidades prometidas não chegam. A história desenha sombra e luzes.Não esqueça de Nietzsche e de Kafka. As incertezas inquietam, acelera instantes. Não há como fazer da história felicidade plenas.Somos senhores de certezas que não cessam de escorregarem. Que fazer?

Imagens permanentes

PICASSO

Se tudo foi construído partir de um modelo, seria problemático pensar a multiplicidade. Não se tem certezas, pois a ideia de começo é tênue, pois o universo conversa complexidades. As curiosidades científicas trazem esclarecimentos, porém a fluidez do universo não se fixa. Pitágoras tentou resumir a complexidade, foi na profundidade dos números. Suas teses continuam impressionando. É importante imaginar que nada está extinto. Os modelos mudam, há comportamentos apavorantes, no entanto não esqueça das permanências.

Marx duvidou do capitalismo e suas contradições massacrantes. Ele leu os antigos, não deixou as tragédias de lado, nem ignorou as metáforas. Freud não se escondeu das tantas reflexões do mundo antigo em pleno modernismo. Suas teorias provocam intrigantes. O ser humano possui muitas obscuridades, transforma valores e se lança no desenho da felicidade e não consegue anular a imagem do paraíso. Permanências míticas são comuns, embora as trevas tentem sacudir as possibilidades de retomar convivências despidas de violência.

Não se trata de uma história que pretenda decifrar enigmas na sua totalidade. Os enigmas se movimentam e ajudam a movimentar a história. Se não há dúvida, a sociedade ganha apatias.Mas se as dúvidas se aceleram o perigo da violência aparece.É a busca da soberania, mesmo que não seja absoluta.Ela está na história, como estão a servidão e a vaidade. Portanto, não trace uma cronograma para todos os tempos. Há quem crie pesadelos, para afastar as simplicidades cotidianas e aumentar o peso da desigualdade.

Escute-se com vozes diferentes. Há medos, astúcias, covardias. As diferenças brincam e confundem. O animal humano estabelece missões.Tudo com cores e sons. Nada é mudo. O silêncio fala, conta segredos, espia a desconfiança dos inimigos. As vias das vidas possuem permanências e mudanças. A lucidez também escorrega. Há os labirintos das cidade antigas. Não desista de iluminá-los.Eles guardam alguma coisa desafiadora. Imagine-a.

A coisificação da vida

Seria impossível contar as mercadorias que desfilam nas vitrines.Muitos ficam perplexos com suas formas. O capitalismo sedutor não perde a oportunidade. Sacode seu poder de venda e deixa sua marca de vaidade. Faz-se a confusão. As pessoas tornam-se coisas. Aproveitam-se para exibir suas mercadoria como conquistas. Não se acanham. Sonham com mais ambições, olham para os espelhos e se sentem vitoriosas. Parecem imperatrizes de um mundo invisível.

Nem todos se fascinam pelos vícios capitalistas. Os vícios se estendem, globalizam modas e empurram as intrigas para beira do abismo.Não é sem complexidade que a história se compõe. As diferenças não se apagam e elas garantem servidões. Há quem pense em mudar, se envolve com fraternidades. No entanto, o jogo político abre portas para corrupções e desmanches. Desfazem desejos de utopias, riem de quem solta pássaros e dos que procuram firmar solidariedade.

Há perdas, como existem caminhos esburacados e armadilhas. Vemos o lixo que alimenta a miséria e o luxo que fixa os senhores dos cofres. Tudo foi construído para esticar as companhias e ternuras ou valem as disputas? Quem ganha? Quem limpar as dores com lágrimas? A coisificação colabora com a objetividade. Tem vínculos com as manias mais perversas. Dançam com as bolsas de valores e chama governantes cínicos para multiplicar os lucros. Um voo de tapetes que inferniza os ingênuos.

É difícil acreditar em reviravoltas. Há cegueiras brutais. O tempo passa , mas a história se ressente de passados que diminuem a liberdade e justificam relações autoritárias. Somos humanos, confusos, esperamos paraísos. Nada feito. As culpas não se vão.A lucidez se desfia. A história não descansa. Seu ritmo é intenso. Quem define o humano? As escritas, apenas, anunciam as contradições, lamentam tantas discórdias, porém não provocam o fim do tilintar das moedas. Quando tudo terá um começo e um fim? Boa pergunta.

A palavra, a magia, o poeta

Não sei quem fez o mundo.É um mistério. Muitos acasos, teorias científicas, deuses galantes, demônios espertos. Sou um animal que aprecio o lúdico e o encanto. O mundo possui muita magia, mas perversões imensas. As religiões não se cansam de inventar milagres.Há sacerdotes curadores e comerciantes. O cinismo mora em alguns templos. Nem todos se inquietam com as desigualdades.Desmoralizam a generosidade. No entanto, existem os profetas ingênuos e os fugitivos da tristeza. A mistura nos traz perplexidade e pede aos malabarismos dos conceitos ajuda imediata.

Critico os astuciosos que afirmam apresentar saídas perfeitas. Prefiro os mágicos, as acrobacias, os mensageiros dos vagalumes. Jamais acreditei no absoluto, adormeço pensando nos poemas apaixonados de Neruda. Os poetas possuem uma sabedoria que lê a alma. Não me acanho com seus sonhos.O mundo está aí, com desvios, curvas, ruídos. Vivemos. Há desafetos e o amor é uma encontro embriagante.Portanto, a complexidade fica nas esquinas e as perguntas se escondem nas gavetas. Não há muito o que apagar, nem limpe o tempo com suas dores.

Imagino a beleza dos mágicos no circo. Como gostava! Um espetáculo maior que a invenção do mundo. Assusta, dá frio na barriga, solta emoções especiais. Imagino que o circo é a grande invenção humana. A síntese do profano, o riso do sagrado. Então, me desgarro das metafísicas e observo a ousadia dos trapezistas. O voo que se desenha em minutos. Lembra a paixão do beija-flor pela rosa vermelha. Merece a vibração do poeta que não esquece que há pedras no meio do caminho.Nascemos, morremos e a historia não desiste do movimento das verdades e das mentiras. Talvez, o mundo tenha sido dito, por alguém com poderes indecifráveis, artesão de palavras.

Quem tatua suas aventuras no seu próprio corpo? Nada como sacudir ilusões, desejar sossego, desmanchar escravidões. Não conheço o eixo das coisas, nem entro nas fantasias do pecado original. Adão e Eva são desafiantes. Compõem uma tragédia sem igual. A questão é não aprisionar as palavras. Converse sozinho, invente uma princesa, chame os três porquinhos. Nunca brincou? Cuidado com as mesquinharias e não abandone as máscaras coloridas. Desconfie das tensões e não se banhe nos pântanos. Por detrás da porta, existe uma vassoura. Quer abraçá-la? Ou opta por entregá-la à bruxa que perseguia Branca de Neve?

A sociedade e as desconexões

Lembro-me quando adolescente de profecias maravilhosas. Afirmavam que a tecnologia mudaria radicalmente o mundo.Teríamos dias de descanso, sem preocupações com o trabalho e as guerras seriam inibidas pelas amizades internacionais. Mas não me esqueço que havia ditaduras militares e desigualdades sociais permanentes.Portanto, a desconfiança me invadia. Já avistava ambiguidades e ambições que consolidavam o capitalismo. Gostaria que as harmonias acontecessem, porém como firmar futuros?

Hoje, escuto ruídos constantes. As insatisfações são grandes e não se espera sossegos. Mascara-se o rosto com cores escuras. Parece que a ficção mais tenebrosa quer sacudir o cotidiano. Muitos desencontros, mente-se com fôlego, formam-se milícias. Há quem defenda armas e critique generosidades. Há governos genocidas e retornos aos fascismos com trevas violentas. Não sei se cabem sonhos, embora não se possa jogar a sociedade nos abismos medonhos. Somos seres cercados por instabilidades e relações tensas. Tudo embaralhado e os medos atiçam insônias e exclamações.

A memória não deixa que o passado se apague. Ela seleciona e inquieta. As épocas históricas se entrelaçam, não há como fixar fantasias progressivas e esperar a animação de máquinas companheiras. Os objetos são inventados para suprir lacunas, trazem imagens inesperadas e podem esvaziar sentimentos, Se o tempo se lança e desafia, a história celebra possibilidade de dias homogêneos e desejos que se completam.Se tempo se desfia, o desconhecido incomoda e a vida se esconde na intriga justificada.

Não adianta ter uma escrita sintonizada. Ela deve seguir curvas. O homogêneo significa fraternidade e não a morte das diferenças. Não há medidas determinadas. Por isso que surgem desertos, mares com ilhas estranhas, narrativas soltas. Pense nas viagens de Ulisses, pense numa embarcação sem cais iluminado, pense na nostalgia. A literatura se encerraria sem a despedida. Ela existe , porque as desconexões são fortes. Como não citar as tatuagens invisíveis e estimular a construção de outras estradas sem as travessuras dos poetas?

As buscas e as histórias

Não há destinos determinados rigidamente. Poderia dizer que não existem destinos, mas criamos histórias com invenções e toques nas convivências cotidianas. Acordar significa que os acasos se acendem e as proximidades anunciam possíveis encontros. Busca-se. O controle sobre a vida é precário, no entanto o movimento nos leva para o mundo.Quem não quer construir sua história? Quem não escuta o lamento do outro, o ruído das alegrias que entram pelas janelas? A imaginação nos inquieta, conta as estrelas sem temer as mentiras, sem deixar de curtir o desejo.

Os significados de cada ato empurram o tempo. Há memórias apagadas, mas há lembranças que trazem notícias sublimes do passado. Não pense que existe um ponto final para as buscas. Entre o nascer e o morrer multiplicam-se arquiteturas, as histórias se afirmam ou mesmo sentem que os outros precisam de profecias para aguentar as incertezas. Quem adivinha seu calendário? Quem desconhece a culpa e sacode as dores para esquecer os desencontros?

Sempre, insisti que a história se faz aproveitando as brechas, derrubando muros, olhando para paisagens verdes e pássaros rebeldes. As contradições não se vão. O esforço para compreendê-las, atordoa. Somos marcados por sociabilidades que atravessam tempos. Como comparar as reflexões de Sartre com as criações de Picasso? As diferenças se alargam, na medida que a complexidade se firma. Difícil assimilar culturas que surgem anulando afetividades. Há uma sedução pela tecnologia, como havia adorações por deuses no passado. Será que a transformação da sociedade consolidará a solidão e a fragilidade do coletivo?

Talvez, a solidão se espalhe, cada um se comunique com meios virtuais. Tudo passa rápido, nem sei o que acontecerá nos próximos anos. A questão dos enigmas causa dúvidas. Sinto que a busca não é vazia. Existem choques, voltam mitos do passado, porém as vacilações dão suspenses as narrativas. O ontem inspira, não está apodrecido. A imagem do paraíso na história provoca e estimula. Ela teria um começo de paisagens ousadas? O pecado original é um disfarce? Quem sabe se amanhã será um outro dia? Cabe ao poeta a ousadia de dialogar com o que parecia tristemente abandonado.

Os amores desenham histórias

Conviver é uma busca de afeto. Nem todos conseguem parceiros que garantam solidariedade. A sociedade se multiplica rapidamente. Não faltam instituições confusas e tecnologias renovadoras.Mas nada consolida, para sempre, proximidades que provoquem alegrias e tragam generosidade. Nem tudo está cinza. Não se deve apagar as marcas da memória. Há lacunas imensas que inquietam. A história vai e vem, promete e nos agita. É uma convivência de tempos que surpreendem e atiçam a imaginação.

Quem ama se integra. O amor não é efêmero. Ele pede sossego, intimidade, luz. Reforça as possibilidades de sair para o mundo, distrai, encanta. Há dissonâncias. A homogeneidade não é absoluta. As invenções surgem para que o afeto se solte e não se aprisione. Amar é abrir gaiolas, sentir o cheiro da natureza, não ritmar o medonho, nem curtir egolatrias. Existem culturas diversas, ambições, narcisismos, pois o capitalismo caminha espalhando explorações. Porém, é sufocado por polêmicas, se envolve com crises e cinismos. A geometria possui avessos e contrapontos.

O amor se desintegra, quando se transforma em mercadoria.Tudo é presente, tudo é compra, tudo é vaidade. Não é fácil riscar os desconfortos daqueles que estimulam intrigas. O poder atrai, corrói os sentimentos. Nada se eterniza.As figuras dos deuses enchem templos, exigem crenças, porém não firmam tempos inatacáveis. Conviver é narrar histórias e aprender com elas. A fantasia espanta o pessimismo e o afeto tatua o azul que visita o horizonte.O planeta terra não cessa de girar, suspeitando da linha reta.

Se as histórias tentam a completude, mas falham, não se assuste. Não há como fixar a perfeição. O mito do pecado original está relacionado com a culpa. Freud analisou com profundidade nossas pulsões. As guerras nos fragilizam, as pandemias massacram a esperança, a respiração é fundamental para esticar as transcendências. As mentiras circulam, os amores desenham verdades, possuem lágrimas, descansam para desfiar os descasos dos tormentos. Não fique apático.Olhe a janela aberta e o sol banhando seu desejo.

Lembranças leves de Descartes

Longe de mim, pretensões filosóficas ou reflexões metafísicas mais apuradas. Mas não custa viajar, lembrar-se das contradições da vida e das soberanias humanas.O homem é um animal racional, para alguns, pensa, inventa, gosta de malabarismos, sacode sentimentos, desfia. Animal complexo que interpreta tradições, refaz mitologias, não deixa de balançar a imaginação e ser surpreendido pela história. Séculos de devaneios, quem pode esquecer de Rousseau, Voltaire, Ésquilo, Salomão, Nero? E os pensadores como Marx, Freud, Darwin, Sartre, Marcuse, Simone de Beauvoir, Susan Sontag e assim vamos.

Tive excelentes aulas de filosofia que trouxeram muitas luzes. Recordo-me dos gregos bem comportados e apreciava os sofistas com sua irreverências. Muitas descobertas, tentativas de entender o mundo. Platão dialogava com elegância, decifrava magias, ainda consegue impressionar e criar polêmicas. As diferenças inquietavam, as religiões desenhavam deuses esquistos ou projetavam salvações. Os saberes flutuavam e as dúvidas não sossegavam. Descartes não calou. Pensar e existir, não se esconder das metodologias que assegurem um caminhar histórico. As vacilações não podem ser apagadas. Há idas e vindas e Descartes não negava.

O pensamento moderno lançava-se e a ciência se estruturava. As religiões não se soltavam do poder, falavam de crenças, entravam em choques e Descartes não se afastou de suas crenças. Pensar, porém o catolicismo se impunha com repressões e censuras. Quem não temia? O sofrimento de Bruno, as alianças dos monarcas com os papas, o gênio de Da Vinci. A matemática acendia o universo,o antropocentrismo traçava linguagens renovadoras e a estética se livrava das linhas retas. O sagrado se misturava com as cores do profano.

Era preciso pensar para existir. Duvidar para se aproximar das verdades. Criar metodologias, esclarecer sem deixar de lado as incompletudes, se encantar com a geometria.. Os medos das punições eram frequentes. Qual a verdade mais grandiosa? Cada um buscando suas aventuras, construindo sua moradias, arrumando estradas. Depois, sinto, logo existo. Talvez, sinto, existo, penso. O desgoverno é grande e a memória traz sonhos e ingenuidades. Sabemos, escorregamos. vemos o tempo passar e lá está Descartes, maltratado por uns ou consagrado por outros. Ele me tocou e compreendi melhor a sua época, sem contudo legitimar o absoluto. O planeta terra se vira com vírus pós-modernos e assombrações desesperadoras.

O incêndio das palavras

Não conte o que neutraliza a dor e valoriza a violência,

Corte a história narrada pela fuga do cinismo e do ódio

renasça, reinventando o tempo que fortalece a utopia.

Não deixe o sonho se apagar nas mentiras das milícias traficantes

surja no azul com as palavras que asseguram o encanto e

não desperdice a coragem, tampouco morra no deserto da apatia.

Cada dia se aproxima do fim da luz que acende a noite.

Despreze quem se amarra nas vitrines brilhantes e vazias

e descanse a ilusão que fez dançar todos os corpos do universo.

Estrague a vida enlouquecida pela mercadoria anônima e fugaz.

Desenhe sua pintura, componha sua sinfonia, firme a rebeldia

e voe com o incêndio que despertou o poema e a magia para o infinito..

Os fôlegos da história do eu

Estou meio tonto. Essa pandemia me tira de qualquer devaneio. Sei que o inesperado chega, não há história em linha reta. Reluto. Sinto agonias, vejo o céu azul chamando para o sossego, tergiverso. A complexidade imensa me faz mergulhar em visões tensas. Passei por momento instáveis, na saúde, que deixaram marcas. Não recuperei o fôlego.As oscilações me chateiam, não há encontros cartesianismos que me salvem. Portanto, corro, descanso, porém o movimento está desordenado.

Penso nas minhas questões. Julgo-me experiente, não tenho grandes sonhos, brinco com algumas narrativas. Não nego que a atmosfera carregada me empurra e me sufoca. Chegam risos, ironias, luzes. No entanto, cada dia se parece com outro dia, tenho que resolver certos impasses, a vida segue e a pandemia segura futuros nada ativos e esperançosos.Assim, sigo e converso, sem firmar novas expectativas. A lucidez sofre, usa máscaras. O que faria Ulisses?

Há dias de sol, há possibilidades de imaginara, mas as lonas doa circos se despedem. Os mais velhos estão também perplexos. As opiniões se juntam com as falcatruas e as milícias na capital do país. Os cínicos desfilam como soberanos. Quem adivinha que o messias surgirá com outras vestes para transcender e reinventar o mundo? Minha desconfiança permanece, minha aprendizagem talvez seja inútil. Diálogos mostram desconfortos gerais e as contabilidades subestimam a vida. Há quem curta o maligno prazerosamente, no reino das loucuras atordoantes.

Será que o juízo final arquitetará uma outra história? Isso é uma fantasia que alguns acreditam e que eu não incorporo. Respiro, o tempo não para, as mediocridades se espalham e o consumo é o artista principal. Lembre-se do holocausto. Lembre-se das afirmações de Marx. Lembre-se dos delírios de Nietzsche. A solidariedade fixa na memória de quem se envolve na dignidade.Não faltam esquizofrenias e os psicanalistas tentam compreender a extensão do desemparo. Respire. Lembre-se das brechas.