Latest Publications

A sociedade do desempenho: solidão, desamparo, deboche

 

 

Resultado de imagem para consumo

 

O  capital pede trabalho, mas tende a desqualificá-lo. Busca-se uma alternativa para que tudo funcione sem abalar a situação dos que ganham muito. Há planos, desmentidos, jogos de peças inesperadas. A sociedade pode ser vista com várias cores, não há como olhar o mundo e submetê-lo a restrições imutáveis. Um caminhada pelas ruas mostra que a diversidade é grande. Observe quem mora nas calçadas, o buzinar dos carros brilhantes, as idas e vindas das loucuras espertas. Não faltam linguagens diferentes, nem tensões misturadas com deboches. As crise nunca deixaram  de existir, no entanto podem se aprofundar e inquietar de forma radical. Fragmentar e desesperar.

Nota-se que a solidão permanece incomodando, enchendo as farmácias em busca de alívios. Há muita gente e não se consegue diálogo. A solidão não é um mal. Ela é estigmatizada. Não se deve esquecer que é fundamental criar conversas com o subjetivo. Se tudo permanece vazio, algo merece atenção. Tenho que imaginar, refletir, criticar, conhecer. Se nada me estimula, a solidão pesa. Então, o abismo se amplia, o afeto se esfarrapa. O que se amplia é o desamparo. A sociedade dominante quer compras e não sacudir as crenças que idiotizam as relações. Portanto, a solidariedade se esconde ou vira filantropia. A violência sistêmica firma seus propósitos e expande seus poderes.

O mercado exige flutuações. Internacionaliza-se. Formam-se pactos com objetivos definidos e mesquinhos. Há quem festeje as mentiras de Trump ou fique distante de compromissos de cidadania. Espera que os chefes coordenem suas ações. Decreta-se a ansiedade pelas novidades, um cronograma de lazer nada emocionante, garantido pela banalização. Segura-se o emprego como um tesouro, pois a competição é feroz. Se portas se fecham para se desconfiar das manobras instituídas pelas instituições conservadoras, os valores tremem e a dificuldade de encontrar com sua imagem é um drama. As imperfeições circulam porque o desejo está sempre perdido quando se mira na ambição de quem se maltrata. O perigo é o outro e não a fome que o outro sente.

O tempo apressado do relógio dita o desempenho. Sobram minutos para sorrisos rápidos. A curtição é sacudir as redes sociais, colocar seus impasses, esperar possíveis celebrações, se tornar quase invisível. Isso fortalece o desamparo. Elejo quantias e desprezo sentimentos. Procuro medidas nos desenhos avulsos. Eles me atiçam, as mágoas aparecem e nem pergunto se elas afirmam carências. Exibir-se está na crista da onda. Os meios de comunicação se renovam para convencer e controlar quem não ousa. A história se compõe com ambiguidades. Mas não custa contemplá-las e alterar as apatias. Se o facebook possui armadilhas não significa que ele é o juízo final. Conhece a plenitude? Ela morou em alguma sociedade?

A política vacila: armas, palavras, desenganos

Resultado de imagem para ideologia

 

Voltou-se a falar na morte das ideologias. Muitos desconhecem o conceito, mas se tornou um charme traçar seus males e destroçar seus possíveis significados. Um percurso globalizado e ativo que não se restringe aos fatos brasileiros. Bolsonaro assume com ruídos que alimentam delírios de Frota e fogo nas relações internacionais. Isso era esperado. Sai do exército para entrar na história. Entusiasmou-se Não esqueça de suas peripécias  e desfazeres anteriores. Ganhou idolatrias e está emocionado. Ele faz parte de algum movimento secreto ou é o combate às ideologias consagradas pelas esquerdas? Não está só. Seus fãs acreditam em mudanças milagrosas. Sorriem e debocham. Seus inimigos se irritam, desacreditam, salientam as tolices.As dúvidas circulam com desmontes e petulâncias.

Há várias maneiras de se definir ideologia. A multiplicidade não está exilada. Uns afirmam que apenas a burguesia possui um discurso ideológico, pois ela omite as desgraças que traz com o capitalismo. Quer saber mais? Dê uma lida nos escritos de Marx ou mesmo em muitos artigos de Marilena Chauí. Gramsci, porém, entende a ideologia como uma concepção de mundo. Todos convivem com valores, tradições, projetos. Não há cabeça que não tenha imaginação. É claro que existem sofisticações, controvérsias acadêmicas, discussões raivosas. Uma sociedade sem especulações, desejos, raivas talvez nunca apareça.

O marxismo tem sofrido derrotas. Consegue ultrapassá-las ou  perde adeptos? Quem só ler manuais fica fora das animações mais recentes. Há quem não conheça Eagleton ou quem fique parado nas afirmações stalinistas. E os que deixaram as reflexões socialistas e estão amando o liberalismo? Observe ao seu redor. Veja quem se reserva a não mostrar o que pensa e elogia a neutralidade. Muitos se arrependeram e  prometem se livrar de todos os pecados políticos. Nunca tantos ressentimentos surgiram ou frustrações se fizeram presentes. As vaidades desfilam com as vestes da humildade. Uma olhada nas redes sociais nos traz vitrines coloridas. As culpas sempre ocupam lugares e um atiçamento nostálgico de perdas que se propunham a libertar o mundo.

Retomo as possibilidades de sonhar. Lembro-me da solidariedade, Quando ela poderá abrir espaços? O difícil é dividir. O mundo se transformará com a lógica capitalista? Com a concentração de riqueza e de poder a violência não se vai. As manipulações continuam sendo vendidas. Somos animais sociais, no entanto o afeto não é permanente. Derrubamos os outros, produzimos bombas, cultivamos ódios e preconceitos. As utopias existem, balançam futuros.  Estranhezas pintam quadros de terror ou de salvações? E as contradições dentro das histórias dos vencidos?  Quem foi que mais atacou o anarquismo no século passado? Por que as religiões se seguram na política? Será que viveremos sem crenças? Já ouviu os conselhos dos consultores que profetizam sobre seu futuro?

A droga mora na história

Imagem relacionada

 

O assunto é polêmico. Não foge de controvérsias incessantes.Mas há muita história que não deve ser esquecida, As sociedades nunca se recusaram às celebrações. Como viver sem festas, sem fantasias, sem ilusões? Quem gosta de mitologia observa como os mitos se assanham e curtem seus rituais. Não é recente o uso de drogas. Há uma carência que puxa a necessidade de fugir da mesmice e viajar por sonhos estimulados. Quem viveu a época intensa do LSD? Quem não se toca  com as disputas violentas, com as medidas tomadas pelos governos, com as jogadas de interesses brutais? Lembrem-se do que fizeram Reagan e Nixon? Fabricam-se muitas trapaças disfarçadas em boas intenções e propagandas financiadas. As dúvidas sobrevivem e possuem permanências.

Não faltam acusações. É a droga que provoca violência ou é a desigualdade social que se expande no meio de inúmeras tensões? O que estimula a competição entre as gangues são os chamados bandidos das favelas ou a participação de privilegiados bem nutridos se faz presente? Um sistema de repressão sofisticado busca punições, cria fantasmas, detona inocentes. A droga circula e tem patrocínio. Não mora apenas nas favelas. Reside em centros de luxo, não deixa de participar de comemorações midiáticas. As informações ganham espaço quando mostram momentos que incomodam as elites e surgem suspeitas que abalam os certos grupos.  O sensacionalismo move delírios.

Instituem-se leis de proibição e seleções políticas. Não se comunica, por exemplo,  a trajetória histórica da maconha e sua utilidade. As condenações causam medo, as polícias se armam, mas as guerras econômicas alimentam-se de motivos nada humanitários e discursos cínicos . Cabem perguntas: O que representa a indústria farmacêutica? Quando se elabora uma lista de perseguições os critérios se justificam pela salvação da saúde pública? Será que os psicotrópicos e o álcool não produzem estragos imensos omitidos pelos órgãos públicos? As notícias são controladas e se constrói uma drogaria em cada esquina. Quem segura esse esquema? Quem desenha as angústias? Quem lucra com a vendas de angústias e melancolias?

A sociedade doente, marcada pelos anseios de consumo, pelas depressões, síndromes de pânico, desamores mostra que precisa de respostas para curar seus males. Joga-se nas drogas fermentando alívios e enganos ou vestindo alegrias com datas marcadas.Uma análise histórica esclareceria medos e angústias ou descreveria os lugares poucos comentados. A questão não é contemporânea. Atiça necessidades biológicas, inquieta mercados ambiciosos, traça linguagens simbólicas. Os interesses anunciam que a violência registra modos de viver desde os tempos de Adão e Eva. Não é à toa que o racismo continua, que a opressão não cede. Os especialistas da persuasão também,atuam como uma cortina de fumaça. O espaço da ingenuidade é amargo e traiçoeiro.

J.M. Coetzee e a despoetização do mundo da mesmice

Resultado de imagem para coetzee

 

Há muitas história soltas. A vida sempre pede narrativas. Não há como limitá-las. A imaginação corre solta e o mundo contemporâneo sofre de peripécias desafiantes. Portanto, é preciso que surjam escritores, que as palavras não se inibam e que as aventuras tenham marcas. Coetzee é um viajante das existências inusitadas. Sacode reflexões e metáforas que desnudam as angústias  cotidianas. Não entra no romantismo, mas propõe longos diálogos com a subjetividade. Ganhou prêmios, espalhou suas fantasias pelo mundo, festeja o lugar comum dos infantilizados..

Impressionou-me sua aridez. Não esconde as dores. Inquieta e não se refugia . Parece que a sociedade é definitivamente excludente. Os espaços são restritos, os escolhidos são poucos. Mesmo assim há quem sonhe, poetize o deserto e ame as mulheres impossíveis. Fico perplexo. O afeto se perde nas decepções enfadonhas. No entanto, a sociedade constrói turbulências, luta-se para fugir das mesmices, embora ela seja persistente. As esperanças ficam presas em absurdos ou injustiças que geram lamentos. Talvez, a paixão disfarce  uma aventurade nada estimulante.

No seu livro, Juventude, mostra que somos atormentados. Moramos em cubículos, quanto, muitas vezes, pensamos em conquistar territórios imensos. Não há sossego e a depressão arma suas surpresas, derruba verdades, desvenda o mesquinho. As disputas não cessam, pois a grana dita normas, se torna a deusa do mundo. Coetzee não mascara as crueldades. Joga como fracasso, com a velhice precoce, como os desejos totalmente traiçoeiros. Alguém se imagina poeta num mundo sem traços de beleza que consiga alcançar e se enlaça com incertezas constantes. A incompletude não é uma invenção qualquer, está infiltrada no absurdo do viver.

O desemparo é uma visita permanente. Existem as ilusões. Ninguém pode desmontá-las de repente. Viver talvez seja sobreviver. Tudo se assemelha a um destino de labirintos sombrios. Será que as transcendências são feitiços? Será que os lugares não dispensam as indiferenças? John é uma apaixonado pela literatura, mas confessa seus escorregões. Não se define, nem arquiteta seus encontros mais profundos. Risca, não compõe a sinfonia, sente-se estranho ou inimigo do que desenhou para ultrapassar seus limites. Sabe-se amargo e anda como um corpo mal programado. Quem consegue afastar os fantasmas de o autor estimula? Na confusão, o eu nem sabe que o outro e vazio e frágil.

A memória manipulada: a perda do amanhã?

Resultado de imagem para história

 

Não há como negar que, no mundo das informações, as notícias se multiplicam de forma assustadora. Desfilam versões que defendem astúcias armadas ou se inventam ídolos programados. O conceito de verdade, aliás, se estraga. Vale o sensacionalismo. Há assuntos que atraem e investem na possível nudez da vida privada. O compromisso com as provas não aparece, pois o espetáculo cultiva o efêmero. O importante é criar uma atmosfera que sustente novidades. Os jornais passam por um situação difícil e se comportam como desgastados partidos políticos, tentando fugir de uma falência anunciada.

Tudo fica confuso, pois a memória é desmontada. Não é sem razão. Muitos afirmam que Hitler era um socialista e Franco um grande defensor dos valores democráticos. A mistura não se esgota fácil. Os crimes religiosos são esquecidos, santificam-se figuras que mentem com habilidade. A sociedade se agita e nem se preocupa em se responsabilidade com a canalhice. Quer o dinheiro solto, apesar das denúncias e do repúdio dos rebeldes. A história é crucificada e Cristo se torna um astro. Mas o que foi que ele trouxe para o debate histórico: o luxo ou a luta?

Entra ano, sai ano. O ritmo dos calendários gostam de burocracia. Continua a violências, surgem políticos trapalhões, os Estados Unidos assanham suas ordens, a violência enche o cofre das milícias, os fogo assumem brilhos estonteantes. Existem solidariedades, arrecadam-se objetos, roupas, alimentos. No entanto, não se toca na estrutura e os refugiados seguem suas aventuras nada dignas. Arruinar a memória é não observar que há lixos e eles estão podres. Você acham que as revoluções só sinalizaram com generosidades? O que significa se congelar no agora? Cabe respirar para não se sufocar no pessimismo e consagrar a tragédia que se arrasta desde os tempos mais remotos.

O capital  possui poder de sedução. Seus admiradores ficam perplexos com tantas especializações e correm para  consumir. Quem ganha é uma minoria. Os monopólios não se vão e teorias justificam as desigualdades. Portanto, os dominantes reforçam seus lugares, desprezem certos problemas, usam artimanhas sem limites. conseguem o riso das hienas eletrônicas. A história não tem sentido determinado. É uma invenção humana. Seu peso depende dos projetos elaborados, das ousadias e dos interesses. Tudo passa pelo coletivo se ele buscar contrapontos e se descolar da aflição. Será que amanhã não será outro dia? Depende de quem sacudir fora a principal máscara. Os esqueletos também se movem e dançam com os ruídos resistentes.

A afetividade confronta-se com a mercadoria

Resultado de imagem para afetos

Tempo veloz. Não sei o que as pessoas pensam da corrida no final de ano. O festival de compras e presentes se estende até pelas calçadas. Poucos ficam indiferentes. É preciso acionar o desejo, juntar o ânimo e celebrar o que a sociedade dominante ordena. Nada de muitas especulações, pois a figura de Jesus está em todas as partes. Ele confunde-se com Papai Noel para o delírio das crianças. Há quem esqueça que o mundo das mercadorias se atiça e afetividade tem um custo e um beneficio. É melhor um CD ou uma caixa de chocolates? Que tal uma cerveja artesanal acompanhada de pizza vegetariana? O charme vale nos pedidos e nos anseios.

Um grande teatro abre suas cortinas, pinta seus cenários. Não precisa mergulhar em esnobações. O camelô tem lembranças interessantes que superam as ousadias dos magazines sofisticados. Se  vale a quantidade talvez seja danoso para o afeto que se diz distribuir. As mercadorias são soberanas, inquietam os que buscam a grana solta para exibir seus dotes. Tudo passa e cansa. As euforias não são permanentes e as carências registram que o abandono é uma marca cruel. Mas é preciso comemorar o badalo dos sinos artificiais . Seu vizinho chegou com pacotes imensos. E você está depressivo? Esqueça, deixe a dor dentro do armário.

Os juízes do Supremos estão cheio de novidades para o próximo ano. Por que não pensar em perdoá-los? Quem sabe uma oração de fé jurídica? Com as compras acionadas, a bebida bem servida, pode ser que a política mude.Dizem que Jair desistiu de contratar motoristas e promete oferecer armas novas para família. Portanto, os ruídos silenciam e o Brasil ganha fôlego. Duvido. Vejo uma confusão grande e a transição para o pântano acelerada. Os desmantelos se acumulam e as milicias ativam sua acumulação de territórios. O cinismo se alastra e a plateia pede bis.

O deserto do afeto faz parte do mundo das mercadorias. Os risos enganam e o peso dos presentes nada contam das alegrias  profundas. O teatro não fecha  suas portas. Viverá escândalos  e cenas inesperadas. Os outros calendários não desfarão certos pessimismo. No entanto, não visite com amargura sua subjetividade. As mercadorias reinam nos espaços do capitalismo. Proteja sua intimidade e não se descuide. Jogue fora os disfarces.O importante é sentir a leveza do travesseiro. Sua embriaguez pode dispensar os cheiros das drogas ou vaidades exibicionistas. Acerte-se.

 

 

 

Quem desconfia da lucidez programada?

Resultado de imagem para poder

 

As relações de poder não podem ficar ausentes da sociedade. O paraíso é uma fantasia, pois as disputas  atiçam violências. Elas mudam suas formas. Marx destacava as lutas de classes, Mussolini queria corporações opressoras, a China busca espaços imperialistas. Quem define os limites dos poderes evitam certos descontroles. No mundo ,armado pelo autoritarismo, tensões são constantes. Prevalecem as minorias e as relações poder se envolvem com privilégios e negam solidariedades. Portanto, as perdas existem para as maiorias. O pior: elas se deixam levar por propagandas enganosas. As mentiras andam juntas com os senhores do mundo. Elas firmam confortos para alguns.

Na construção das relações não aparecem apenas as ações violentas. Muitos disfarces são usados. A complexidade da tecnologia ajuda a fabricar ilusões, desfaz críticas e arma labirintos. A quebra das fronteiras mais rígidas entre a religião e a políticas confundem o valor da cidadania. Volta a cultuar preconceitos e os salvadores ganham lugares especiais. Cada um no seu território. Observe os comportamentos de Jair, Macedo, Moro, Trump. Ocupam o imaginário político cm soberanias incríveis. Seus fãs ficam chateados com qualquer contestação. Tudo isso se amplia. O que não fez o famoso João de Deus? Tornou-se um ídolo, depois de tantas manobras nada santas,

Há mutos exemplos. A memória não deve nunca sera  desprezado. Salazar seduzia os portugueses com seus ares de santo. A Reforma trouxe princípios que sacralizaram a expansão capitalista. Nos países islâmicos, os ditadores abusam de proclamações religiosas e produzem argumentos para expandir ações terroristas. As relações de poder movimentam-se com teorias filosóficas ou com pragmatismos articulados com informações sensacionalistas. Ingenuidades são exploradas. Franco desfrutou da ajuda dos católicos e cantou santidades nas suas repressões.  Leias as notícias sobre a Polônia e Russia. Pinochet recebeu elogios de Eduardo Bolsonaro. Nada será como antes? Quem traça o  amanhã?

Não se assuste com os tempos atuais. As idas e vindas da história não representam novidades. O poder não é neutro e admite manipulações. Há quem se diga democrata e possua práticas fascistas. Milhões de pessoas procuram moradias. Os órgãos de proteção encontram-se no jogo das minorias com intenções de manter as distância entre ricos e pobres. Num mundo das mercadorias, o consumo é exaltado, pois vale o lucro. Existem ruínas, as sensibilidades se tocam e se rebelam. Não vivemos um deserto de silêncios e apatias. No entanto, a insegurança explora as covardias. O medo não se vai.  As relações de poder se consolidaram na sua perversidade. Fica o desengano?

A pressa digita as aflições nos celulares

Resultado de imagem para celular

 

É comum o apego pelos celulares. Eles resolvem questões, são mágicos, provocam delírios. As crianças se divertem e manipulam suas fantasias. Não se pode destruir os sentidos de renovação. Quebra galhos imensos, torna idiotas gênios, ajuda a ganhar eleições e buscar amores perdidos. Quem não gosta de uma máquina tão astuciosa? E o outro lado não existe? O culto à velocidades, as informações abreviadas, o lúdico difundindo máquinas de guerra. Afetam também a postura corporal, inibem as escutas e apressam a vontade de consumir. Uma invenção que tumultua sentimentos e agita relações de poder esquizofrênicas.

Já observei pessoas se comunicando, numa mesma sala de aula pelo zap, com uma concentração imensa. Senti-me invisível. Talvez, seja o combate à solidão. As mãos são inquietas, tocam o celular com um erotismo instituinte. Haja fantasias, divagações, isolamentos, desamparos. Ninguém se escuta com entusiasmo, mas não abandona a tecla de celular. Aparecem repentinos rostos risonhos ou tristezas inesperada. A cabeça baixa é simbólica. Trata-se de um novo altar de uma arquitetura profana. Não entendo bem como a máquina funciona e acho que ela multiplica ansiedades. Segue sendo idolatradas. Fetiche.

Há consultórios de psicanalistas que recebem e tratam de pessoas ligadas nos manejos constantes de celulares. Não é exagero. Cria-se uma epidemia. As operadoras desenham modelos, inventam recursos sedutores e gastam uma grana em anúncios mirabolantes. Já perguntou aos próximos consumidores  se eles renegam a tecnologia atual? E a pergunta lhe trouxe aflições e agradou as suas neuras? Sair de casa sem um celular virou uma condenação. Que fazer? Como descobrir o roteiro dos restaurantes? Será que haverá algum encontro nos cafés? Como ver meu horóscopo? E a hora de tomar os remédios?

O desamparo registra manias trazidas pela pós-modernidade. Há sempre as doenças da moda. Muitos procuram justificar suas práticas, defendem suas intimidades, porém se anulam quando a conversa rola diretamente. Até na cama os casais esquecem seus desejos e computam suas últimas chamadas, No sonho, também não deixa de lado a velocidade que o atormenta.  Dormir sem o celular ao lado traz agonias para muitos Vida programada, tarja preta no bolso, negócios urgentes. É preciso cuidar bem de objetos tão arrasadores. É uma companhia. As notícias estão chegando e o sangue escorre pelas teclas. Uma questão de saúde pública assume lugar inesperado. Mais uma doença social e o delírio se ampliando.

A violência é histórica e expande-se

Resultado de imagem para violencia

 

Muitos mitos retratam violências fundantes. Nem sempre, significam uma renovação para derrubar preconceitos ou refazer práticas sociais generosas. A sociedade sonha com paraísos, mas convive com artimanhas imperiosas. Há fomes frequentes, desde os tempos mais remotos. Grupos disputam espaços como quadrilhas. Não há inocências angelicais predominando a história. Muitas religiões defendem vinganças, acumulam patrimônios, afirmam um amor que não praticam. Portanto, os instrumentos da violência não são os mesmos, se transformam e se sofisticam. Não estamos na época de Mussolini, nem da Inquisição medieval.

Não adianta querer esconder as lutas sociais ou mesmo o lado obscuro de nós mesmos. Há revolução que busca derrubar desigualdades e que, depois, optam pela censura e pela opressão. Os sentidos se multiplicam e dependem das ações humanas. Platão ressaltava uma inteligência que difere das reflexões de Adorno ou dos egocentrismos de Pinochet. A violência também forma valores, institui verdades ameaçadoras. Ela fere com seu autoritarismo. A história segue interpretações que não se consolidam. Há quem julgue visando perpetuar privilégios e outros busquem desmembrar injustiças.

A tecnologia atiçou estratégias de dominação. Trouxe animações nas ciências, mas ajudou a construir bombas, reproduzir lugares sombrios, testemunhar poderes mesquinhos. Observe o que você pode fazer usando um simples celular. Quantos boatos estão contidos nas armações políticas ensaiadas? A violência tem sutilezas, se expande articulando-se com ilusões. Não esqueça os disfarces, as falas de generais do serviço secretos, os pregadores do messianismo marcado pelas travessuras das ambições. Quem não se lembrar das guerras mais recentes e das ameaças da energia nuclear? O discurso do inevitável é feroz e intimida.

Com tanta solidão, a história caminha para os excessos depressivos e ansiedades agressivas. O mundo da droga sintética amplia lucros, promete remediar desencontros. Porém, as notícias se espalham denunciando assassinatos e os refugiando procuram auxílio. Há perplexidades imensas e sentimentos destroçados. Os significados se esvaziam, a competição se acelera o afetos se coisificam. Nota-se uma perturbação profunda. Não se trata apenas de disputas por cargos e ou mansões. Há desesperos atormentadores. A violência acende a destruição de corpos, alucinações, pulsões de  morte. Cria-se uma insegurança que se mistura com a apatia. Tudo tem um preço e uma manipulação.

As festas : inquietações, dúvidas, desfazeres

Resultado de imagem para festa

 

A sociedade não dispensa rituais. Alguns expressam tradições e provocam nostalgias. A vida precisa de novidades, não pode cair em armadilhas sombrias e definitivas, No tempo das tecnologias sofisticados, as festas também se apresentam e firmam rituais. O consumo comanda as alegrias mesmo que sejam passageiras. Há confraternizações que lembram momentos de afetos. Os restaurantes se enchem, as fábricas de chocolates se expandem, porém continuam os mendigos nas ruas, lembrando que estão marginalizados. O Natal impulsiona o movimento, diverte, anuncia jogos secretos, desenha risos ensaiados.

Nunca houve uma sociedade sem rituais. Fazem parte da cultura. Como deixar de periodizar a vida? Como negar o heterogêneo? As divindades gregas curtiam brincadeiras e aventuras. Hoje, se celebram missas, os perdões se exaltam e as lojas buscam lucros. Portanto, tudo seria maravilhoso para animar os amores e quebrar as melancolias. Porém, há desconfianças, ressacas, manipulações. Não sejamos absolutos. A sociedade é histórica, possui limites e cansaços. A questão maior é que alguns não aceitam os limites e se joga em eternidades.

Vivemos cercados de ilusões. Já diziam os nazistas que uma mentira muitas vezes repetida se torna uma verdade. Os totalitarismos usaram propagandas para manter suas forças. Isso não se foi. O esquema de imagens sedutoras ganha espaço na imprensa e agita saudades, ambições, delírios. Não fugimos do reino das ambiguidades. As drogas não são meros instrumentos de fuga. Elas compõem os rituais. Observe como o consumo se multiplica e faz a grana se alargar pelo mundo. As elites não se ausentam e se comportam como senhores do mundo. Cria-se uma ecologia especial.

Muitos se queixam das reflexões pessimistas. Não se trata disso. Não custa lembrar que o azul não é azul como se imagina. A desconfiança se veste de muitas cores e o afeto nem sempre é notado quando se fala nas explorações. A sociedade se balança, não é estática. Convive com permanências, sem deixar de lado sua vontade de cantar e celebrar as formas mais astuciosas de festejos. A história segue. O carnaval inquieta, o dia dos namorados toma conta das fossas e das casas comerciais, a criança recebe presentes descartáveis Lá se vai o desejo de inventar o mundo e salvar pecados assustadores. Quem se engana no meios de tantas assombrações festivas?