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O trabalho: a exploração desmonta a vida

 

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O trabalho ajuda a animar a vida. Envolve-se com a cultura. Nada como inventar o cotidiano, desfazer impasses, conversar com as descobertas. Restam dúvidas. O mundo não é o território do absoluto e as ilusões da carnaval trazem alegrias fugazes.Não adianta construir paraísos em lugares que armadilhas são criadas. O trabalho está, hoje, submisso às manobras do capital. Não está fácil imaginar sonhos, pois se acirram as disputas e as instituições financeiras ajustam suas manobras. Preste atenção. Mais uma se prepara, com a chamada reforma da previdência.

A sociedade mudou. Seu ritmo busca outras regulações. O trabalho está ligado a circulação da grana, a luta pela sobrevivência. Desconfie. O mercado é um cenário nada neutro. Quem controla o poder? Quem elogia as medidas tomadas pelo governo? As enganações são muitas e os banqueiros vibram. Observe como anda o Chile. Pense nas possibilidades futuras. A tecnologia transformou as necessidades. As máquinas resolvem impasses antigos. Mas e a qualidade de vida? Com quem dialoga sobre as suas aflições? Qual é valor da vida?

O mito da felicidade é perigoso. Alimenta anúncios, inquieta expectativas, apagar dificuldades. Quem controla os meios de produção dita as normas. Não é à toa que a sociedade passa por conflitos. A  globalização não desfez diferenças. Assegurou a força das grande corporações, aumentou o número de refugiados, fortaleceu o monopólio. O capitalismo se rearruma. No Brasil, as experiências políticas recentes envolvem debates e consolida ressentimentos. A complexidade assalta as tomadas de decisões e a profissionalização crescente da política é algo cercado de jogos predatórios. Já se fala em acordos no Congresso, promessas de cargos e milhões…

A sociedade se movimenta, a história não se congela. Não custa visualizar a memória, visitar o passado. O trabalho já enfrentou escravidões. Elas nem se foram de vez. Mascaram-se .O negócio é feito para a satisfação das minorias. Se a exploração marca a ordem social, nada será construído com generosidade. Houve eleições, vitórias, escolhas. Tudo virou um espetáculo que as imagens comandam. Há quem não se toque e nem acredite em conchavos. Estimulam vinganças, se desligam da dignidade. Quem domina não quer perder centavos, Coloca cores onde a palidez escondida mostra tempos perdidos e desamparos profundos.

Não despreze o fetiche da mercadoria

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Há muita sedução. Não somos distantes dos encantamentos.Eles ganham formas históricas, voam, se projetam no infinito. Seria cruel cultivar apenas aridez. As lamentações nos atacam, mas também partem. A vida se desloca com rapidez quando a sociedade se enche de ilusões. No mundo atual, não faltam novidades e deslumbramentos. Muitas tecnologias, mensagens rápidas, impulsos atravessados por celebrações contínuas. O capitalismo se move, precisa de acumular e não deixa que o superficial morra. Poucos conseguem compreender que as manipulações envolvem e derrubam reflexões.

Muitas mercadorias, trocas agilizadas, exploração das redes socais, modas cativantes. O fetiche insiste em se aprimorar. Seus espaços são amplos. Invade os jornais, corrompe saberes, enaltece o vazio. Há teoria para argumentar e multiplicar as necessidades. Portanto, fugir do fetiche é uma façanha. Ele possui disfarces complexos, faz festas consagrarem marcas e ditos. Somos senhores de quê? A propaganda se infiltra no desejo e sacode o que parecia sepultado. A memória balança diante de nostalgias fabricadas. Globaliza-se a insensatez.

Se no futuro haverá mudanças não se pode adivinhar. O fetiche é poderoso, a grana tem magia, as armadilhas não cessam. Armados de tantas enganações, vemos os afetos se transformarem em coisas. O Eros entre no colapso cotidiano. As ousadias do último modelo do celular inquieta o cartão de crédito. Somos vitrines ambulantes, estimulamos os simulacros, nem nos lembramos das desigualdades, do lixo que corrói as avenidas, das intrigas dos vizinhos arrogante. Marx não errou quando alertou para os feitiços. Eles acompanham a história.

O reino do capital não assumirá apatias ou recessos que o prejudique. Seus desenhos fixam valores que se assanham nas mercadorias. É esperto.Qual a cor mais esfuziante? Conhece o restaurante da esquina? Compareceu ao lançamento do novo automóvel da Fiat? Não faltam apelos. Há quem resista, se esconda lendo um bom romance de Auster. Outros não perdem as ondas. Se a inutilidade se propaga é uma questão de escolha. A sociedade preenche-se se vestindo com as mercadorias de destaque. O ter é forte, possui conteúdos, consolidam disputas. Todos querem ganhar. Daí, a complexidade que assusta e recomenda uma terapia profunda. Não se recuse, porém, a olhar a sua imagem.

A memória não se aquieta

 

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Fico pensando nas coisas que aparecem e depois se vão. Há teorias efêmeras, outras fazem sucesso e se fixam como decifradores das histórias. Portanto, a moda acompanha as trajetórias. Nem sempre é a qualidade que dita os rumos. Tudo tem uma complexidade que só aumenta. Muitas culturas se confrontando, muitas tradições sendo ameaçadas pela globalização. O debate sobre a memória assume um lugar especial. Quem lê, sabe que a memória está presente em quase todas as páginas. Na academia, é assunto polêmico, mas, curtido. Surgem as perguntas, as travessias intelectuais, as rivalidades. Quem vou citar: Rancière, Foucault, Castoriadis, Freud?

Na vida, as lembranças nos colocam nostalgias incríveis. Uma conversa traz tempos que pareciam perdidos. Uma aventura de idas e vindas assustadoras e lúdicas. O passado é muito misturado. Há relações escondidas e um inconsciente misterioso. De repente, as cores se desbotam e uma carnaval ,de paixão antiga, se desmancha. A memória brinca, seleciona, distrai. Esquecer tudo é impossível. Há relações nada animadores que se mantêm. Sou avisado sobre escorregões que levei. E os amores que se esgotaram? E as tristezas que não se foram?

O eu se inquieta. Muitas acrobacias atiçam cada sentimento da vida. Os objetos são tocados, mostram vestígios. Ficam marcas, pois os afetos não são simples. Aquela camisa vermelha, aquela romance de Mia Couto, aquela menina travessa. Conceituar a memória não resolve. Quem escreve assume perigo quando formula saídas para definir situações. Há quem confunda, há quem estique sua fantasia, há quem apenas festeje as intrigas mais famosas. Não existem certezas absolutas, porém sem memória a história se arruína. Qual a estrada? Qual a encruzilhada? Qual o corpo? Qual a fascinação? Quem delira? E o perfume que se instalou no lenço azul?

Escuto quem se lança nas recordações. Sei que há  terras para desenhar labirintos. Observo que a lucidez também é um jogo. As regras estão no mundo.Posso simplificar: a memória é uma dança que envolve o esquecer e o lembrar. Quando ela se veste para viver o drama de uma tango?Deixar as perguntas flutuarem movimenta os projetos. Será que eles se impõem? Cultivar o vazio é renunciar as andanças necessárias para inventar o mundo. As palavras ajudam a multiplicar os significados. Por que se afogar nas aflições?O ponto final incomoda. Mas o cais está iluminado, há barcos quebrados, velas rasgadas, ruídos vibrantes A memória é uma navegação abraçada ao passado?

 

As opressões: a vida desfeita e o capital soberano?

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Há apreensões com as inseguranças cotidianas. A vida é uma aventura, ninguém nega. Na história, há lutas imensas para se evitar danos e reerguer ruínas. Tudo convive com negligências. Cada época possui seus contrapontos. Quem não se lembra das vinganças divinas descritas na Bíblia? Sacudir as bombas atômicas assassinando pessoas e devastando paisagens é crime. Não é recente tanto descontrole e falta de generosidade. Montam-se armadilhas sofisticadas que acabam com o futuro e provocam depressões intermináveis. Contemple Guernica de Picasso. É uma denúncia que marca e inquieta. A imagem do paraíso se esvai como se o inferno definisse  a vida.

Existem falas em defesa da Vale como grande patrimônio do povo brasileiro. O cinismo cria travessias acidentadas. A Vale se torna uma vítima em nome das travessuras perversas do capital. Nota-se como a justiça navega afirmando vacilações. Muitos são presos porque  estavam com fome e se arriscaram a burlar a vigilância de um supermercado. Quantos já morreram nas guerras ou intoxicados por poluições insistentes? As desigualdades não só atingem as misérias mais comuns, elas desenham hierarquias opressoras para salvar quem monopolizar os assaltos legalizados. A ausência de solidariedade não é nada extra.

Os contrapontos da história assustam e nos mobilizam. Permanecem as pedras no meio do caminho. A memória se atiça, traz genocídios, terrorismo, berlindas. Quem determina a culpa? A política continua sendo um jogo cruel. um território repleto de pântanos. Tiros, drogas, corrupções, fugas, desgovernos. A história surpreende, pois deveríamos zelar pela sociabilidade. No entanto, a destruição não é novidade da era digital. Os sonhos se desmancham, com anúncios de deboche e infantilidades chocantes. Há teorias para tudo invadindo os momentos mais tensos. É o reino da pulsão de morte instantânea ou labirinto dos delírios psicóticos?

Quando se fala na pós-verdade, muita gente não entende. A manipulação se estende e derruba éticas. O riso parece acompanhar cenas de horrores. Há quem se vista do fácil para cultivar demagogias e acelerar os enganos. O esquema funciona e o passado não foi revisto. Alguns desejam eliminar os vestígios das sujeiras e negar nazismos e ditaduras. Celebram figuras medonhas: Franco, Hitler, Pinochet entre outras. A amargura de Guernica assinala vestígios terríveis.Picasso foi soberano na sua arte. Não festejou sofrimentos, nem consagrou tiranias. A dubiedade merece atenção. As tecnologias visitam as torturas, facilitam as comunicações, divertem. Quem se deixa levar pelo pesadelo naturalizando os crimes?

Quem dialoga com a morte?

 

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A morte de Bibi deixou uma saudade imensa. Traz aquelas perguntas que abalam o coração, Bibi era uma figura indefinível, bela e sedutora Entrou na história com uma dignidade suprema. Soube ser sonho e arcanjo. Mas a morte nos deixa sempre inquietos.Toca lá dentro, transforma expectativas, nos enche de dúvidas. Ela acompanha a vida e não tem  data marcada. Pode ser um suspiro, um acidente, uma queda, uma agonia. Tudo indescritível para quem sente a dor se veste com pessimismo. Não dá para esconder as amarguras e agitar memória. Desmonta.

O mundo se agiganta com o crescimento populacional. Muita gente, poucas moradias, intrigas, desconfianças, desistências. A complexidade da história forma um  desenho misterioso. Definimos teorias, observamos experiências, recorremos aos poetas, porém as incertezas atravessam estradas e nos atropelam. Quem cultiva divindades não se afasta das suas medidas de salvação. E as guerras entre aqueles que oram,que prometem generosidades, que condenam os pecados e as injustiças? A perplexidade nos habita sem cerimônia.

A sociedade convive com  refugiados. Não há paraísos, mas desamparos e depressões que intimidam e esticam as desesperanças. Com tantas armas, com intelectuais defensores da desigualdade, governantes tolos e cínico, a história se ressente de fôlego. Nem sempre, o amanhã  pinta o azul. Há tempestades, rebeliões da natureza, estragos contínuos tramados por senhores da riqueza. O tempo da lamentação existe com aceleração que assusta. cada dia acumula notícias, o fugaz impera, as vitrines enganam consumidores infantilizados. Estreita-se o espaço da ousadia, pois o sadismo faz vítimas e estimula vinganças.

Perguntas inadiáveis, porém inúteis. Inventamos saberes, buscamos gramáticas, copiamos desejos da imaginação. Restam palavras para traduzir sentimentos. É o que fazemos: compreender e traduzir sentimento. Para alguns basta simular alegrias e guardar as frustrações para depois. Não conseguem analisar o mínimo, nem olhar o sofrimento que atinge os outros. O ser humano é uma grande assombração. Canta belezas. comete atrocidades, balança-se em trapézios esquisitos. Não há como abrir as portas e esperar que as luzes ocupem todos os lugares. É impossível espantar as sombras e expulsar o absurdo. Quem dialoga com quem?

Quem se envolve com o avesso do avesso?

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As palavras não viajam soltas como pipas. Elas pesam, desenham, ajudam, falecem. Não esqueça dos dizeres da Bíblia. Deus era o soberano do verbo, Fez o mundo, estabeleceu mandamento, condenou pecadores. Quem já não ouviu os evangelhos, os ensinamentos generosos ou o lado avesso, descontrolado e feiticeira? Alguns donos de religiões querem acenar para maldições. Fazem negócios com as palavras, vendem toda malícia para os ingênuos desamparados. Não faltam mensageiros do obscuro. O governo atua com ajuda de muitos que parecem desenganados, mas possuem alvos perigosos, com armas engatilhadas.

Morre Boechat e a tristeza nos vista com força. Não custa lembrar as orações de Malafaias e os crentes que o veneram. Chegamos a certos limites, porém a história vai e volta, não há como negar tantas tragédias e piratarias que assombram o cotidiano. O lugar do sagrado está abalado. Prometem espionar as ações da Igreja Católica. Jair se recupera mandando mensagens, não consegue estender o discurso, a complexidade. Joga,Deveria  acumular um pingo de sensibilidade. A dor não o toca? Tudo é um grande fanatsma? Estamos perdidos ou o destino nos tira da solidariedade? A rebeldia desabitou-se?

As lamentações ocupam conversas e ferem páginas. As máscaras se valorizam com a chegada do carnaval. A sucessão de desastres apagar o fogo da mudança. Será que o reino do mal se apresenta vestido de memórias de genocídios passados? Não há homogeneidades. Nem todos se conformam e entram na dança do mesmo e do vazio. Mas choca que a celebração constante de preconceitos, a violência vestindo as palavras, o capitalismo formando profetas e expulsando seus inimigos de forma feroz. O gatilho não relaxa. Os assassinatos comandam as manobras da milícias e Moro acena com a destruição do crime e a ruína de corrupção.

Quem não entende que o capitalismo sobrevive riscando possibilidade de montar sonhos e acelerando reformas nada generosas? A política não é um tecido branco sem manchas. Os confrontos se alastram, se transformam, porém não se cansam da história. É impossível conviver com utopias , se o mundo está nu, cruel, irado. As intolerâncias crescem, porque o diálogo não se firmar. Muitos exercitam a agressividade como terapia. Estranho. Boechat buscava desmentir, mostrar os desequilíbrios, afirmar a dignidade. No entanto, nem sempre há que os que torcem pelas saídas e gritam  ordens nefastas O peso da palavra não se foi e o balanço está próximo do abismo.

O político profissional e as celebrações do cinismo

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O ano começou fervendo. Sofrimentos com as tragédias alertam que o desgoverno é grande. Não é recente o abismo. Falta base para que as relações se modifiquem e se pense em alguma coisa parecida com democracia. Não se surpreenda com as jogadas. Elas fazem parte de uma estrutura carcomida, mas que se lança como nova. Os deputados e os senadores costumam fortalecer suas espertezas. Justificam suas ausências no Congresso, correm dos debates e vão curtir os privilégios. O alvo é o poder mais próximo de Jair. Não se importam com crenças, com os absurdos da Vale e subestimam seus eleitores. Disfarçam-se com uma habilidade carnavalesca.

A folia é profissional para quem se firma em Brasília. Fazer negócios, garantir a cadeira, tomar cafezinho e participar de banquetes. Tudo se vende, dizem alguns. A manobra não é feita sem astúcias e especializações. Os políticos possuem assessorias montadas com esmero, não estão desprovidos de artifícios tecnológicos, viajam para o exterior, afirmam apoios aos seus prediletos nas maracutaias. Há uns poucos que se salvam. Existem desafios, críticas ao deboche, promessas de mudanças. Porém, a maioria se entrelaça com planos conservadores. tripudiam.

É interessante como a repetição não se cansa, como a mentira voa sem pudor. Os preconceitos tomam seus lugares. Uns escondem os compromissos com a milícias, outros desqualificam os trabalhadores. Há quem mude de religião, apaixone-se pelas orações mais esquisitas. A  atmosfera é nebulosa. Por isso, o desânimo se torna um lugar comum. Como acreditar em exercer a representação querendo concentrar seus privilégios? A conversa é pessoal e mesquinha, num mercado que apronta vícios nas escolhas e produtos dignos de aposentadoria. Cria-se o caos para enganar os ingênuos e justificar as falcatruas. O novo tem uma capa cinzenta e suja.

Imaginar uma outra forma de consagrar as relações políticas é uma ousadia. Os gritos de rebeldias são silenciados, embora os inconformismos se apresentam. Nem tudo é simulação. Há quem sinta a necessidade de reforçar a coletividade, de mostrar os desequilíbrios e afastar dos conchavos cotidianos. O pior é que a imprensa depende financiamentos e os mais combatentes se perdem oprimidos pela flata de recursos.  As instituições se corrompem com facilidade. Observe como as mineradoras se mantêm impunes e a ameaça ao meio ambiente destruidora e cruel. Não se acanhe de se desfazer da timidez. Desconfie dos seus ídolos e da sua fé. Eles moram no exibicionismo dos espelhos pálidos. Lamente as perdas que ensinam coragem.

 

Meninos do Flamengo, meninos e meninas do Brasil

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Uma série de tragédias vem dominando o cenário de 2019. Tudo muito pesado: Brumadinho, tempestade no Rio, intrigas políticas vazias. Há uma mostra cruel da desigualdade que nos acompanha. A gravidade é indiscutível. No entanto, o sensacionalismo ganha espaço, emociona, passa. Tudo é frágil e fugaz. Os lamentos revelam sinceridades, desesperos, falta de cuidado, desgovernos. A sociedade padece de contradições que ferem e intimidam. Elas se alastram, se repetem, denunciam monopólios. Não se trata de divertimento para estimular imagens coloridas. O desgaste nos coloca no fundo do poço,desanima.

O incêndio no CT do Flamengo assustou e acelerou o peso negativo de um ano desconcertante. Mortes de jovens que buscavam um lugar no mundo tão repleto de precariedades. Os milhões atraem e são repentinos. Correr o risco significa abandonar  a vida familiar e tentar ir para a magia dos euros, voar no sonho, fabricar suspenses. O entusiasmo está claro e possui suas razões, porém há descaminhos. Como os empresários se aproveitam dos talentos que surgem? As escritas da imprensa esportiva analisam esse mercado de exploração? Há modelos, delírios, sacrifícios: Quem os estimula?

Há riquezas, visivelmente, concentradas. Nem todos chegam ao cume do sucesso. Muitos se escondem em times inexpressivos. São poucos os que materializam suas ambições. O mercado é obscuro, traz menções de lavagem de dinheiro,  sacrifica e brinca com espertezas. Circulam patrocínios, festas gigantescas, charmes inesperados. Newmar tornou-se um ídolo. Esnoba, não se acanha com as críticas. A polêmica inquieta, pois a sociedade ,cheia de carência, convive com misérias profundas. No caso, a fuga lotérica enebria e gera celebrações perigosas.Os meninos e as meninas do Brasil estão cercados por dificuldades. Apostam. Os escorregões desenganam e os que devem ser punidos se afastam com cinismo de suas responsabilidades. Desculpam-se com máscaras prontas,

O futebol já foi um espetáculo mais solto, hoje obedece a um esquema de fortes interesses e corrupções lamentáveis. Os investimentos produzem disputas, o Brasil perde seus talentos, entra no leilão. Nada é feito com amadorismo ou ingenuidade. É importante levantar questões, não ficar no prazer das jogadas ensaiadas. As mortes provocam dores e  a  situação é de limites ferozes. A sociedade está na lama. Seus territórios minados pela pobreza. Parece que alguém ver o suicídio na janela do seu barraco e não se dá  conta que as saídas são, muitas vezes, armadilhas. Não se liga no passado, e deixa a memória se arruinar. O drama se espalha, avassalador.

Ler o mundo sem descuido

 

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Os livros ajudam a decifrar mistérios. No entanto, o importante é se centrar no cotidiano. Observar que o desequilíbrio contínuo se prolonga. Não há como se divertir com tantas tragédias e os descuidos do poder prevalecem. Estamos encurralados, cheios de medo, aflitos com a insegurança generalizada. Existem assaltos violentos, notícias, enganações políticas, milícias organizadas, Não faltam denúncias. Parece que há uma trama para arruinar as cidades, sacudir poeiras tóxicas , afugentar populações, consolidar desesperos. Alguém se responsabiliza?

O pior é a forma de justificar os desmandos ou as displicências: As verbas são escassas, a natureza é impiedosa. E o luxo dos tribunais, a curtição do cafezinho no Congresso, a corrupção solta que libera a licença para ajudar nas burlas?. Muitos se iludem, suplicam a graça divina e entram nas orações dos pastores milionários. A dominação é esperta. Organiza-se para vender e abastecer o cofre das instituições financeiras. Os juros mostram quem fica com a maior parte e você na torcida pelos parceiros do Big Brother, colocando suas máscaras nas madrugadas televisivas.

A leitura do mundo exige atenção. Há lutas sofisticadas pelo domínio das narrativas. Voltam os dizeres nazistas, elege-se figuras toscas, preocupadas em zelar pela sua mediocridade. Ser vítima não resolve. A sociedade representa os anseios de uma coletividade. A maioria ajuda, muitas vezes, a consagrar privilégios que não são seus, pedem desculpas, depois que os alicerces estão arruinados. Passam pelos conflitos sociais querendo usufruir do melhor beneficio, homenageando mitos, punindo quem não entra na sua toca. Portanto, o reino da ambiguidade se instala.

Tudo isso é agravado pela velocidade. Há tempo para olhar as vitrines, porém como formular a críticas, inquietar, remontar os estragos? A história não cultiva sossego. Os desafios crescem, as multidões andam de cabeça baixa, desconhecem os mapas dos territórios que habitam. Transformam os sonos em intervalos nada saudáveis. Preferem sonhar acordadas com as peripécias do carnaval. A alegria move sentimentos .Cabe vivê-los com autonomia e não embrigado contando as latinhas de cerveja, festejando patrocínios sonegadores. Quem se embala, apenas, com o som dos outros não é porta-bandeira da sua própria aventura. A folia distrai, mas tragédia sepulta. Cuidar faz bem.

 

O jogo do poder é malicioso

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A política se despediu da ética, faz tempo. Procura servir a senhores privilegiados. Não se assuste com os projetos contraditórios. Muitos negam princípios constitucionais e consagram desmandos. Não imagine que a violência se extinguirá com uma reflexão de Moro. O sistema continua marcado por desigualdades. A fome existe de forma radical.  Brumadinho  parece um evento de uma passado longínquo. As instituições se balançam, querem conservar, manter preconceitos. A covardia celebra a punição da maioria, trama a concentração da riqueza e alimenta conchavos dos empresários. Pune-se com ressentimento e seletividade articulada. A imagem da justiça causa sustos inesperados.

A desconfiança merece atuar, como também a rebeldia. As promessas de campanha trazem suspeitas. Há simulação de intrigas, brigas resolvidas com risadas em gabinetes. Infelizmente, Maquiavel tinha suas razões. Quem controla o poder espalha medo e felicidade programada. Não se nega a necessidade de mudar as regras da aposentadoria. ninguém é ingênuo, porém as distorções devem ser denunciadas. Que significa a capitalização? Por que a bolsa se empolga com as manobras do governo? O que querem os donos do capitalismo? Qual o enquadramento da segurança no país das milícias que contaminam a política?

Perguntar não cansa. O mundo se veste de armadilhas. O ser humano cultiva esconderijos para cercar os mais incautos. Não se trata de pessimismo. Quem acha que a exploração é invisível? Basta uma caminhado pela ruas, um olhar crítico nas manchetes dos jornais, uma análise do último discurso do presidente do Congresso. As conspirações acontecem nas madrugadas ou mesmo nas mesas dos restaurantes. Portanto, está tudo solto, com sofisticações bem conduzidas pelas verdades nada consistentes. Tudo respira, agitando os interesses.A suspeita se encontra em qualquer esquina. Não habita, apenas, nas sentenças que atrofiaram a liberdade de Lula. Ela se fixa nas relações sociais.

Não é de hoje que as utopia adoeceram, que a mediocridade banaliza o cotidiano. O mundo tem seus desfazes e cada época seus tropeços. Recorde-se das ditaduras de Videla e Pinochet, da fúria contra os refugiados, da escravidão nas empresas multinacionais, das agressões feitas pelos países imperialistas. A história não é voo num tapete mágico. Jair soube ocupar o espaço, usou  boatos e conseguiu simpatias. Mas as indas e vindas atingem planejamentos, nada é definitivo. As mercadorias desfilam preenchendo o desejo de quem se organiza para obtê-las. As vacilações funcionam como novelas trágicas. A história desafia quem a resume numa profecia. A lama sobrevive como um velório traiçoeiro. É o avesso girando sobre as nossas cabeças.