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A história narra a possibilidade assustada

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Os impasses estão no mundo. Os muros são derrubados, mas não falta quem os busquem outros lugares e sonhem com arquiteturas opressoras. No meio da multiplicidade, a história flui  sem firmar garantias. Mudam-se expectativas e as políticas erguem incertezas constantes. Certo dia, se tramava contra os petistas, agora alguns se frustram diante de Jair. É incrível. Será oportunismo ou necessidade? Os mecanismos de controle não conseguem ser absolutos. Há  portas entreabertas e possibilidade de renegar a fatalidade. Cabe narrar as controvérsias, cuidar das instabilidades e desconfiar de imposições.Fabricam-se  labirintos e não estradas lineares. Os nomes flutuam:Temer, Gilmar, Aécio, Eduardo, Ernesto…

Os tiroteios são incessantes e ousados. Possuem formas satânicas. Parece que  se treina para subestimar o outro ou exercer loucuras epidêmicas.Há  fúrias, destruições,  anseios  nada coletivos. As relações sociais não fogem das tensões. Observem o que acontece. Não se trata, apenas, de misérias econômicas, de fake news. Os preconceitos e as armas se sofisticam. Por que o ódio? Ninguém compreende que há escassez de afeto justificada pela busca de condições de  riqueza?  Portanto, sobram teorias, porém o cotidiano traz  surpresas, as imagens assassinas invadem as telas e as redes sociais se enchem de mensagens. A violência mora na história, desmonta qualquer sensatez.

Contando a história, saindo da subjetividade, analisamos confrontos em nações que se afirmam defensoras da liberdade. Quem está atento não deixa de olhar que o desejo de colonizar não é recente. O comportamento dos animais não abandona as perseguições e nós nos consideramos animais racionais. Qual a medida do pensar na aridez imperialista  dos saberes? As solidariedades encontram dificuldades. Querem colocar a sociedade numa corda bamba contínua, impulsionando a produção de bens, ampliando os caminhos  da vaidade, inventando jogos de matar.  O espelho  é o mesmo do quarto de Trump.

O terror quebra as possibilidades e mistura-se com cores. O perigo está em toda parte, no silêncio do templo, nas brincadeiras de criança na praça pública. Alguém narra sua perversão numa velocidade desmedida. Sua pulsão de morte incendeia sua agonia como se estivesse alertando apocalipses repentinos. Será que o anônimo encontra o delírio do sucesso? Será uma resposta a algum incômodo infantil? Se a  dita evolução não mostra o fim das fúrias esquisitas, a história não  esconde que divindades afastadas desistem  de ouvir apelos. Há muita coisa podre e risos cínicos soltos como fantasmas.  A fragilidade do humano talvez os empurre para um juízo final.

A sociedade não foge das divisões

 

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A intriga não é novidade, nem a bala perdida no asfalto uma boa diversão. Elas estão no cotidiano. A sociedade vive temerosa de novas  tempestades. São aflições doentias. Há um crescimento populacional que assusta. Não se divide os recursos materiais, não se tenta dá conta da miséria dos refugiados, mas se busca, nos governos, soluções para manter a concentração de riquezas. Pouco se ousar em  analisar com profundidade as reformas. Elas são vistas como urgentes. Portanto, os debates ficam restritos ao jogo político. Explica-se com propagandas, imagens confusas e apelos messiânicos.

As utopias nos lembram que há sonhos. Muitas revoluções lutaram pela igualdade social. Porém, o fracasso contamina projetos que cuidam de redefinir as relações sociais. As revoluções não seguem seus impulsos e  caem no lugar comum. Não à toa que as utopias se abalem. Nas redes sociais, as palavras estão soltas, reforçam maniqueísmos, armam argumentos que bestializam muita gente. As discordâncias animam a existência de certas brechas. Não estamos no reino do mal, nem afundamos de vez. A história  não tem fim e parece persistir.

Há mistérios. Por que  o mito do paraíso? Por que  há quem se sinta dono da verdade e se proclame mestre  do equilíbrio? Se a desigualdade não se afasta, se os argumentos  fascistas atraem, torna-se  complexo compreender  o lado que defende a solidariedade e a denuncia  as manipulações. Um olhar nas andanças do passado visualiza que as disputas não são recentes. Os terrorismos aliam-se com fundamentalismos. A ciência não destruiu o dogma, a generosidade, na prática, não cumpriu os mandamentos das religiões. As ambiguidades se fixaram e não desistem.

A multiplicidade não é  uma fantasia.  Por que não compreendê-la como espaço  do diálogo? Mas a agressividade é fortalecida com inquietações de quem segura o poder com ferocidades. Fecham-se portas para evitar que as luzes  iluminem a imaginação. Há quem mude  suas reflexões  justificando  posturas objetivas e maduras. Ganham idolatrias e explodem no fanatismo dos zaps da vida. Já se afirmou  que próximo merece amor. Foi uma atitude de coragem. As crucificações, no entanto, continuam. As indústrias  produzem mercadorias que danificam o corpo e a sociedade observa que o lixo se amplia com omissões  mascaradas. E  as apatias  como andam?

 

Tempos:os extremos nos cercam

 

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Muitos não observam que a tensão  está no cotidiano. Um mundo com tantas misérias não poderia ter sossego. Não se trata apenas do uso de armas. As   relações  sociais estão  contaminadas por disputas. As intrigas fervem, atiçadas por preconceitos. Portanto, os racismos se acirram sem  cerimônia. Deixaram as máscaras. Agora,  há quem se sinta honrado em ser fascista. Preparam-se discursos nada otimistas. O que vale é concentrar poderes, promover escândalos e empurrar a maioria para o abismo. Os genocídios procuram justificativas, atacam os refugiados, fazem apologia de quem é branco e expandem o ódio.

Sempre lembro que a calmaria nunca ocupou absolutamente o mar da  história. É impossível quantificar os números de guerras, as astúcias criminosas dos governantes, os desesperos de chefes religiosos arruinados. Mas a história segue, nem tudo pode ser aceito com o coração aberto. Nem todos se acostumam com as turbulências, outros buscam se dar bem. Não há querer absoluto, uma sociedade homogênea, solidária. Desde o paraíso que os horrores se mostram. Não esqueçam que Caim matou Abel e existiram deuses vingativos.São mitos permanentes  no imaginário social.  Negá-los é fechar cortinas  de palcos  importantes e eleger generosidades inexistentes.

As relações sociais se vestem de muitas cores. As clarezas nem sempre persistem e a aridez quebra sonhos rapidamente. Tenho receio da aceleração do tempo.Tudo é fugaz de forma  radical.Não há  como aprofundar, localizar os pontos  principais, soltar-se . As ficções  tentam adivinhar o futuro, mas termino visitando o passado. Quanta imaginação nos saberes do século XIX ! Recordem-se das utopias, do iluminismo freudiano, das críticas de Marx, das aventuras e  das criatividades românticas. Já falavam em decadência, ruínas estavam presentes  como os ataques colonialistas violentos. Portanto, a diversidade se fixava, com ideologias cercadas pelo progresso e manobras capitalistas assombrando o planeta.

Se a história não consegue marcar sua data final, desencontros se armam com tecnologias sofisticadas. a paz é reclamada, porém cresce o desamparo no meio de multidões enganadas por espetáculos ambíguos. Quanto vale o divertimento? O sorriso  tem um preço, a dor chega cedo, o sono não foge do pesadelo. A escrita não registra  detalhes perversos, apenas especula. É uma forma  de ressuscitar diálogos, reinventar brechas, não sucumbir diante da melancolia. Ninguém destroça  memórias sem acumular culpas. Os salvacionismos iludem.Trazem fantoches. a sociedade, contudo pede crenças e ainda acredita nas orações sagradas. Há um voo cego e torto  que desalenta.

Pisando nas armadilhas minadas

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Faz tempo que a violência se tornou manchete principal. Falo da violência física. Há também escravidão, preconceitos, cinismo. As críticas existem e ninguém gosta de se sentir ameaçados. Os ruídos se espalham, assumem redes sociais. No entanto, não exagere. Há quem argumente e coloque a violência como um mal necessário. Ninguém é ingênuo quando percorre a história. Houve muitas guerras, militarismo. As  utopias trouxeram alentos, revoluções, possibilidades. Mas e as bombas, as armas sofisticadas, os discursos das lideranças? Quem aposta num mundo sossegado? A desigualdade atemoriza e a grana atrai. Há tensão constante.

Portanto, temos medo. As assombrações nos visitam. Somos animais predatórios e assimilamos traços obscuros. Muitos desamparos. elogios aos milicianos, mortes anônimas. A violência é parteira de uma história repleta de incêndios e neuroses. É claro que se usam fabricações de vitrines brilhantes. Não faltam ilusões. O capitalismo sabe se assessorar, possui especialistas, compra saberes, monopoliza a comunicação. Não é à toa que aparecem os adeptos, vendo a felicidade em cada esquina. Perplexidades para alguns que promovem a racionalidade iluminista, esquecendo o ódio ensinado até nas escolas, as antipatias que geram intrigas.

A contaminação do descontrole se globaliza. Os donos do poder não poupam ideias, se fazem de vítimas, convocam doutrinas religiosas. A mistura dificulta a luta contra os desmanches da ética. O perigo é controle cotidiano feito de for,a sistemática. A imprensa fermentou a queda de Dilma, agora tira o tapete de  Jair. A quem ela serve? No meio da tantas perversidades, a lucidez consegue permanências. O desespero vai e volta, porém os gritos não deixam que a hipocrisia se consolide de vez.  Mata-se como num jogo de computador. Delírio.

Moramos cercados de armadilhas. Vacilamos quando a rua se enche de carros e apitos. Como se distrair? Como sentir a solidariedade? Com acolher quem se lança na loucura? A história ensina. É uma mestra, com muitas lacunas. É preciso construir a autonomia, duvidar das promessas religiosas, observar as  mentiras assassinas. Se o diálogo se resume ao teclado de celular, a doença aumenta, os psicotrópicos disparam, a lama invade qualquer espaço. O poder tem cultos articulados e se infiltram até nos espelhos dos banheiros. Cuide-se e cuidado com o individualismo. A inocência não se vende em mercados. Os sustos interrompem o sossego e intimidam.

Você conhece sua história?

 

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A velocidade manipula notícias, destrocando verdades e  inventando fantasias. A confusão se globaliza. Já se espalha como uma brincadeira que assombra redes sociais. Faz parte do cotidiano. A política, então, se desmonta. Quem quer mesmo mudar, refazer a solidariedade, denunciar os  grupos mafiosos? Há suspeitas imensas e cinismo elaborados com sofisticação. A  quantidade de informações mostra a superficialidade. Ela atinge a reflexão, inquieta. E a sua vida, a suas memórias, as possibilidades de voo? Cada um dentro da sua história se esconde  de forma nada lúcida. O outro passa a ser o alvo.

Não custa ir adiante, voltar ao passado, se lembrar das conversas longas. Compare com a  rapidez do zap. Não há cuidado. Vale a propaganda, a exaltação ao charme, a dubiedade sempre presente. A história se mistura com a memória que interessa aos dominantes. Foca-se no comportamento  embriagado.  Retoma-se trivialidades. Você termina se desconhecendo, não entende certos isolamentos,se acha estranho. Não é à toa, portanto, que a sociedade se sinta no meio de tantas controvérsias. A  Venezuela é artigo do dia, a grana pública serve a minorias, a  China amplia seus poderes, as milícias ditam normas agressivas.

Você se  olha no espelho. Sente a pressa. Como imaginar o futuro ou ousar? A repetição consegue prevalecer, embora use cores plastificadas. A   chama do poder arde, as academias buscam decifrar desenganos, sem  observar que  as máscaras  garantem sucessos  surpreendentes. Não é que as utopias  se apagaram  de vez, que estamos num meio de niilismo absoluto. Existem sonhos, porém a coisificação elege o mercado, o outro é empurrado. Tornou-se comum o deboche. Não pense que as transformações técnicas garantem a superação dos impasses.

O tempo para contar sua história é curto. Você se perde nas mensagens fugazes e  posta  suas fotos para uma plateia. De repente, nem você sabe  se as  lembranças da infância  ajudam  a  construir seu afeto. O negócio puxa, artificializa.   Como  avaliar  seus alicerces? O salário é instável, o vizinho mal humorado.Tudo fica transtornado, num cotidiano que se firma nos desencontros sociais. A  sua história se perde. Seus esquecimentos se vestem de neuroses. As  terapias enchem as farmácias de clientes atordoados. Há quem nem se envolva com o mundo, cultive o descompromisso. Para quê?  A tempestade é parceira  do juízo final.

O contágio familiar

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As polêmicas correm soltas e apreciam moradias nas redes sociais. Notícias rápidas, escândalos, intrigas. Não faltam mentiras, invejas, exageros políticos, laranjas artificiais. A família de Jair é veloz, Deveria possuir uma agência de publicidades. Está deslumbrada ou brinca com a própria sorte? Tenho dificuldades de responder. Não nego que há fantoches políticos. Seria ingenuidade defender verdades totalmente pálidas. Os atordoados gostam de perturbar, porém escorregam traçando contrapontos nada saudáveis. Lembre-se das derrotas de Hitler, dos excessos de Pinochet, do discurso ufanista de Franco. A   atmosfera  é sombria, cheia de perfumes vencidos.

Lamento que as utopias passem por crises radicais. Isso traz melancolia, apaga luzes, incentiva o pragmatismo. Não é sem razão que o deboche assume lugares e destrói reflexões. Se afirmam que Jair é um mito, é porque as confusões nos valores crescem e existem pessoas querendo proteções extras. Nunca esqueço Freud. Há quem curta se mostrar inocente, mas se esconde em profecias tenebrosas, arquitetam pesadelos. Os atos falhos não deixam de invadir as conversas. Conheço quem condena aquilo que adora só para firmar posições e exibir sabedorias.Sobram hipocrisias.

Jair fortalece moralismos. É dono de artimanhas perversas. Consagra crenças, exalta a família, celebra a pátria. Há grandes disfarces ou distúrbios frequentes. No entanto, ele é o governante, deveria dar exemplos, consolidar coerências, fugir de qualquer corrupção. Frustra seus fans. Tudo está mesmo num abismo sem fim.  Ele conta com assessorias afetivas e festeja-se. Não sei no que aposta. Saiu cedo das forças armadas. Exerce o poder com a ajuda de generais. Mourão faz uma sombra divertida ou prepara surpresas?  As perguntas circulam no meio dos boatos.

A perplexidade é imensa. Cria asas e pousa na imprensa internacional. Jair tem adeptos fanáticos. É um fundamentalista, seguidor de princípios conservadores. Quer soltar a economia e  auxiliar a concentração de riqueza, porém não deixa de se queixar da educação e ameaçar os artistas. É ambíguo ao extremo. Não há esperança de que  mude o Brasil e limpe a sujeira. Estamos vivendo impasses perigosos. A população se rebela no carnaval, grita, canta, ironiza. As insatisfações se ampliam. Jair se segura, simula ser dono de pureza inatacável. Não é um anjo que se acolhe em solidariedades. Manipula sem desprezar seus afetos familiares.  A corda é bamba. Cuide-se.

Quem se frustra na sociedade delirante?

 

 

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A velocidade da comunicação atinge quem fica imaginando que o mundo está lúcido. Há muitos jogos e buscas de sensacionalismos. É difícil verificar quem se abraça com a verdade. As palavras mudam de sentido e a balança da justiça desconhece o equilíbrio. As  redes sociais deliram com a possibilidade da esculhambação. talvez, seja deselegante usar certos termos. Porém, existem regras ou o exibicionismo é uma epidemia? O carnaval traz novidades, rebeldias, ironias que circulam com rapidez. Nunca foi uma festa de comportamentos controlados. No entanto, soltaram-se todas as medidas e os choques se ampliam. A noite sente falta das estrelas.

Poucos analisam a sociedade com paciência. Mesmo no cotidiano do trabalho, há agressividades ou deboches contínuos. A tensão está nos mínimos detalhes. O clima de suspeição veste as pessoas. A lógica da competição não dá folga. O negócio derruba valores, desmonta solidariedades, justifica desmandos. O governo brasileiro virou perplexidade ou loucura? Quem não vê os absurdos que desfilam nos jornais? Sempre há delírios, porém as desconfianças acendem as luzes que revelam um conservadorismo cruel. Brinca-se de ser mal, com a ajuda das milícias. Cai a credibilidade da política e da representação institucional. Atolam-se os pés no pântano da dúvida.

Notam-se disputas por milhões para simular caminhos salvadores. O buraco cresce. O canto da renovação é pura farsa.Não mudou o desejo de sacudir a poeira, de rever o passado, lutar por práticas longe do mesquinho. Falo das artimanhas do Congresso Nacional. Moro se desgasta, procura alianças. afirma ambiguidades. Era a grande figura dos que se colocavam contra corrupção e se abusavam com  o passado petista. É claro que houve escorregões, obscuridades. No entanto, a história não é apenas espelho de messias ensandecido. Um dia, a casa treme, a lama se infiltra,o discurso se esvai com tolices imensas.

Negar que as melancolias assustem e tomem espaço, fugir da crítica é um suicídio. Ouvi pessoas defendendo as torturas, totalmente adoecidas, dói. A sensibilidade adormeceu, para muitos, e fundou-se um moralismo com modelo nas gracinhas de Trump. Não se sabe o tamanho das perdas quando o fanatismo se mistura com crenças e mercados nebulosos. Há inquietações. O futuro merece escutar profecias. Chegam pessimismos, criam-se autoritarismos, vendem-se honras, antes, indiscutíveis. A democracia agitou, atiçou utopias, prometeu ofuscar a desigualdade. O capitalismo não se foi, dita normas excludentes. A exploração não se apaga e tranca a porta da sala iluminada.

O mundo do exílio e da folia

 

 

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A festa é sempre uma pausa Pode aliviar lembranças pesadas e sacudir o coração para visitar a alegria. A celebração da multidão em busca do paraíso causa arrepios. Tudo passa rápido, mas a embriaguez não escapa da ressaca e  a  rebeldia surge com humor inusitado. O mundo gira, o salário chora, mas não há como se desfazer das máscaras. Não é difícil desenhar um sorriso sem negar que outros dias travarão sonhos. A complexidade da vida cabe nas latitudes do corpo. É uma travessia que segue pelas estradas. Não a imagine sem curvas. Assim a festa aparece porém seus arranhões escondem certas marcas inesquecíveis. Não é ingênua, se escancara.

Não adianta simular. As multidões se soltam, esquecem que na esquina há fantasmas. Enquanto o ritmo balança, a solidão não se congela. É preciso que as ilusões se misturem e que o exílio seja metáfora colorida. Deixe os enganos desabrocharem, pois as verdades fecham caminhos e apagam futuros. As festas não se vão para que o cansaço não se torne absoluto. O desemparo persiste no meio do som, mas traz alguma traço de algo que voa e desaparece. Portanto, as estranhezas são íntimas, o outro merece cuidado, embora os inimigos surjam no final de sonho que se abala com os ataques dos desprezos. Sobram questões mesmo no meio da folia.

Muitos se aproveitam das festas para fugir do poder. Agarram-se nos camarotes para ver a massa no seu delírio fugaz. A  cultura é produção de significados. Se as ruas se enchem de suor e cerveja, há quem prefira sabores estrangeiros e  se agradem com espaços escuros. Uns se arriscam, outros querem proteção. Tudo é uma aventura com limites acrobáticos. Não faltam surpresas, as brincadeiras disfarçam violências e os preconceitos e as ironias se  mostram nas nas cores. Tudo tem um preço. É a celebração da desigualdade com vestimentas de delírios. Luxo e lixo sem fronteiras e com acasos.

Se o ponto final anuncia que o  desmantelo é o mesmo e o desamor não se foi do mundo, não precisa bordar um pano como se arquiteta um labirinto. Impaciente-se, mas não se anule.Os seres humanos não conseguem segurar as utopias e trazê-las para o mundo cotidiano. Na sociedade do consumo, o efêmero possui moradia fixa. Não se desespere. A festa está envolvida por calendários. Não vai para o inferno, apenas tira férias e espalha epidemias. Os refúgios suavizam as saudades. Um dia, seu exílio adormece. Quem canta seus males espanta sem observar o eterno retorno que cerca a história.

O pântano da dor desmancha

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Ninguém conhece uma história sem sofrimentos. A linearidade é apenas uma ficção tola, pois o coração não bate sempre no mesmo ritmo. Podemos imaginar paraísos, mas não há como negar  os desencontros e os limites. Somos animais sociais, existem cooperações, solidariedades. Insisto,porém, que a lógica capitalista é destrutiva. Ela estimula a  vaidade e o desdém pelo outro. Isso transtorna e mistura os valores. O mundo atravessa por estradas cheias de pedras. Há desenganos ferozes, risos de hienas mascaradas, disputas que multiplicam o mesquinho. Valem:   discurso do sucesso, o excesso na competição, as palavras de um zap traiçoeiro.

Não se alcançou o que os iluministas profetizam. O mundo vive guerras, desenvolve ruínas, monta espetáculos perversos. Quem  não observa as  provocações, o  desprezo, o  deboche? Tudo no  espaço dos sentimentos mais íntimos. As  idades afetivas estão obscuras. Os filhos de Jair balançam maldades e   gostam de levar vantagem. Não possuem  o andar da dignidade. Não se trata de  jogos  políticos, de ambições por cargos. Eles   exercitam o desfazer, a falta de sensibilidade. Parece estranho, porém os noticiários não negam as chamadas pegadinhas  da família Bolsonaro. Elogios a ditadores e agressividades festivas compõem um quadro sem  luz para quem  proclama a honra das famílias. O que significa?

As surpresas mostram os limites da sociabilidade. Muitos não percebem que há  práticas que arruínam. Se o ódio se expande as  epidemias do medonho não cessam. Desmontar sentimentos, conseguir adeptos, atiçar vulcões. Fica a marca do vazio. Alguém não se toca com as  lágrimas, alguém se acha senhor das ações. Desconhece o inesperado, porque desconhece as idas e  as vindas da história . O que se pretende estimulando o ressentimento, desqualificando os outros no anonimato das redes sociais? Freud tinha razões para afirmar o inconsciente e a agressividade. Quantas relações  há guardadas e prontas para explodir o individualismo?

Se o limite nos acompanha, temos que não sucumbir diante das suas amarguras. O absoluto aparece nos sonhos, porém as dores não se vão das histórias e os afetos atraem contrapontos. Negar a ambiguidade é trazer o mito como espelho indiscutível do humano. Ele é uma narrativa dos escorregões e  das possibilidades. Consagrar armadilhas para afundar os outros é ampliar  os abismos e desmanchar futuros. Os sentimentos denunciam comportamentos. A  saciedade governada pelo  incentivo à desigualdade não escapa de mergulhar no pântano. Não há vacina para quem se banha com as atmosferas perversas. Amanhã será outro dia de qual calendário?

Kafka: as palavras desenham o vazio

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Reclamo das ambiguidades e dos cinismos que cortam o cotidiano. Não faltam denúncias. As tensões existem em todos os lugares.Mesmo com a folia trazendo delírios continuam os desfazeres. Será que a história nunca anulará a desigualdade? Penso que as utopias assanham nostalgias que nunca se concretizaram. Mas as ilusões entram nos desejos. Kafka pediu para que seus escritos fossem queimados. Não foram. Permanecem atuais. Lendo O Castelo, observo as tramas absurdas. As palavras vão e voltam. As pessoas sofrem pesadelos, se cobrem com desgraças, decifram enigmas agressivos, se cobram como  pecadoras desmontadas. não se decifram.

Não é o caos, porém há inutilidades frequentes. O poder fascina, nem os saberes conseguiram arruinar as ambições. Criaram-se expectativas, consagraram lideranças, inventaram leis ditas democráticas. As guerras não se foram, o petróleo atrai disputas e  as acusações fermentam intrigas. Apontam saídas e expandem violências. Sempre as grande riquezas subordinam, congelam rebeldes, entram na onda de discursos falsamente generosos. Os traços das armadilhas firmam escândalos transformados em espetáculos televisivos. Nada transcende.

Kafka envolve, sacode os cinismos da burocracia com uma sutileza singular. As relações humanas ainda conservam travessuras simbólicas opressoras. Procuram-se respostas. N’O Castelo, os fantasmas mudam de espaço, no entanto não abandonam o medo ou mergulham nas aflições. Kafka possui fôlego, não vacila. Arquiteta labirintos. O absurdo traz narrativas. As palavras tentam justificar a sociabilidade que explora exaustivamente. A sociedade não busca se reinventar? As aventuras do século passado inquietam as contradições de hoje? Um grande círculo fecha as portas e deixa as dúvidas torturarem.

Quem capta o movimento da história não foge de muitas mesmices. Kundera que o diga. As acelerações tecnológicas não anulam os paradoxos. Para que serve a energia atômica? Quem se abastece com as reformas? As religiões salvam ou se infiltram em jogos condenáveis? A escrita de  Kafka não se esgota na beleza e na densidade. Não desarrume a memória, imaginando as sagacidades renovadas. Quem se fixa no presentismo intimida e censura. Assassina-se a reflexão  para que as dominações preservem as minorias. Visite Kafka e não se engane com os espelhos dos negócios. Desconfie das acrobacias fabricadas nas vitrines.