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Histórias: A praça é do povo e moradia das carências

 

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Pode parecer estranho, mas nem tudo permanece com era antes.  Os ritmos se distanciam. São as famosas mudanças que inquietam e trazem expectativas. Fala-se que o movimento da história é progressivo. É a navegação no mar das mentiras. Conto porque vi. Tomei um susto, mesmo sabendo que não falta miséria na nossa pátria amada. Passava apressado por uma praça bela. Um lugar que provoca encanto. Durante o dia, recebe muitas pessoas, animais domésticos e serve de estacionamento de carros. Antes, era tranquila, hoje ponto de drogas e conversas suspeitas. Não perde, no entanto, o seu charme. Merece cuidado. A história a pune de forma arbitrária.

Seguia. Era noite e observei os bancos da praça. Fiquei surpreso. Estavam todos ocupados. As pessoas dormiam ou tentavam se conciliar com a escassez de sonhos. O sombrio prevalecia, as lâmpadas vacilavam. Na nudez das lacunas sociais, tudo ganha outro sentido. Haja criatividade. Criam-se moradias. Improvisa-se. Não há como fugir de tantos desamparos, apesar das promessas dos políticos. A cidade é também moradia de ruínas, mostra que há desmantelos e cidadania cheia de buracos. O cinismo engorda, nem ousa fazer dietas. Escute as dissonância, não fique mudo.

Lamenta-se a irresponsabilidade dos governantes. Não basta a praça. o quadro é assustador. Não vou além. Lembro-me que brincava com minhas meninas  mais velhas, sem problemas e aproveitando a vegetação. Burle Max tremeria com o desprezo que existe. O que era lugar para esticar as pernas, dialogar, soltar fofocas, virou um laboratório de melancolias. Sigo apressado. Não tenho medo.Sei que a barra pesa e não há como estabelecer equilíbrio numa desordem que favorece privilégios. Não é incomum.As minorias curtem suas acumulações e a maioria busca sobreviver. Até quando?

A cidade  forma um cartografia de desajustes. Assombra quem se recolhe em casa, para meditar sobre os desencontros da vida. Guarda-se. Cada dia uma violência, um descaso, um sofrimento, um risco na utopia. A sociedade estraga-se, porque o capitalismo quer se revitalizar. Passa por desafios. Sobram máscaras. Há quem arquitete revoluções fantasiosas, quem intensifique o comércio de armas, quem se vista de generosidade. As multidões andam nas ruas como zumbis. O ônibus demora, as escolas têm grades, a polícia pede aumento, os médicos entram  em greve. A praça é do povo ou o povo é da praça? Na esquina uma farmácia concentra luzes.

Você conhece Hitler?

 

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A história possui um movimento que desafia. Há contradições, lamentos, dissidências. Mas somos sujeitos da história. Há quem fuja, se diga neutro e busque navegar em riqueza individualista. Não podemos querer uniformidades. Existem escolhas. O importante é não perder as memórias das violências que retornam e ameaçam o cotidiano. Viver o aqui e agora é fundamental. No entanto, os tempos dialogam. Ficar isolado cria estranhezas. Portanto, a cultura é construída com aventuras. As complexidades pedem envolvimento e não, ausências. A política é responsabilidade e não, apatia. Não adianta usar máscaras e cantar orações.

Os momentos políticos inquietam, quando sacodem questões inesperadas. Estamos abraçados pelos extremos. As eleições se aproximam e a perplexidade aumenta. Hoje, as pesquisa balançam corações. Soltam-se denúncias e os ressentimentos voam. Ninguém sabe como caminharemos depois de tanta tempestade. A política possui ninho de surpresas. Analise o passado. Napoleão tornou-se imperador, Vargas era um ídolo autoritário. Fidel conseguiu derrotar Batista. Porém, não deixem de lado a figura de Hitler.

Foi escolhido para salvar a Alemanha das depressões quase absolutas. Surgiu do nada, com dizem alguns. Tinha muitas pretensões. Não era tolo. Pensava, tinha uma assessoria atuante. Imperialista e cheio de argumentos, convenceu muita gente. Admirava Paris, gostava de arte, proclamava o valor da ciência. Provocou entusiasmos. Era militarista, não poupou os países invadidos. Causou estragos impressionantes. Não estava só. Dialogou com Mussolini, com Stalin, espalhou ideias pelo mundo. Quem não se lembra dos integralistas? Nada de muito simples em sociedades desencontradas pelas misérias.

Na história, nem tudo vai para a lata do lixo. Houve genocídios. Hitler não ficou nas especulações. Como as permanências existem e incomodam! Há grupos de neonazistas retomando seus gritos e ódios. No Brasil, há quem siga as trilhas preconceituosas e reclame contra o excesso de paz. Prometem vinganças. Nem conhecem direito como o nazismo desfez culturas e cortou sonhos. O perigo é o apoio coletivo, a massificação, a mídia vacilante, a falta de reflexão. É preciso se olhar no espelho do tempo. Somos frágeis e desiguais numa sociedade repleta de ambiguidades. Quem se omite se entrega a uma covardia feroz.

O descaso com a história

 

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Há um certo desprezo pelo história. Sente-se uma preguiça , um desconforto em falar de suas próprias histórias. Os meios de comunicação gostam de escândalos e denúncias. Não aprofundam. Promovem viagens curtas que não dialogam com a memória. É preciso criar contrapontos. Quando se deixa o passado de lado e vive-se o agora com muito entusiasmo, existe algo de torto no mundo. O imediato não deve ser sacralizado. Apagar as tradições é um erro. Elas merecem debates e conexões com os acontecimentos recentes.

Portanto, a história pede reflexão. Não é uma acumulação de fatos. Quem não a conhece, corre o risco de cair num abismo escuro e ficar fora das compreensões que ajudam a mudar o mundo. O excesso de tecnologia encanta, fermenta o consumo. Não seria importante saber a razão de tantos louvores aos celulares, computadores, carros? Seguir a trilha construída traz esclarecimento, modifica a sensibilidade, descongela teorias. O historiador desconfia, busca confrontos entre as fontes, socializa caminhos, aumenta a capacidade de visualizar o múltiplo.

Quando se esconde alguma coisa, a política se tensiona. A história não é neutra. As relações poder atuam, articulam controvérsias. Não é necessário ser  acadêmico para contar a história. Assista ao filme de Tim Burton, Peixe Grande,  e observe as fantasias, os sonhos, os movimentos dos afetos. Tudo isso é história. Não fique paralisado. Inútil é a apatia, a falta de motivação, a escolha por um pessimismo avassalador. Nunca teremos um paraíso. Evitar certos descontroles é possível. Nascemos incompletos, porém inventamos a cultura e a rebeldia.

Apagar a história é uma tragédia. Há exemplos práticos na imprensa, nas universidades, nos confrontos familiares. A história nos acompanha. Somos seres que desejam, que se enganam, que perdem a lucidez, contudo cada ato tem sua forma de se apresentar. Ninguém escapa das diferenças. Não aposte numa melancolia sem saída. Quem conta sua história inquieta os outros, assombra quem se nega a esticar suas aspirações.Afastar-se de si mesmo é uma renúncia perigosa.

Não se assuste com a Globo

 

 

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As informações correm o mundo com novidades e pânicos. Estamos longe de viver uma globalização democrática. A luta é por mercados lucrativos. Sem mídia esclarecedora, oportunismos e enganações prevalecem. A hegemonia política precisa de discursos e imagens poderosas. Ela transforma opiniões, quer massificar com charme, escondendo violências e triturando as críticas. A Globo se esquematiza de forma avassaladora. Possui especialistas. Constrói agressividades. Aproveita-se da superficialidade de muitos para vender seu produto. Esnoba.

Consegue sucesso. Governa.  Seus admiradores vibram com Faustão, novelas, artistas pré-fabricados. Para alguns, ela é o símbolo do mal. Nada é absoluto. Nem todos na Globo são frutos de sacanagens tecnológicas. Há sobrevivências, lutas internas, armadilhas. A Globo não perde tempo. Recebe pauladas, faz alianças, protege ideias conservadoras e apresenta imagens deslumbrantes. Não foge das conversas. Quer vitrine e sabe organizá-las. Não perde de vista as estratégias da servidão voluntária. Curte os índices de audiência.

O espetáculo é centralizado no poder. Não interessa a crueldade e a manipulação. Traz bombas para as cabeças tontas e alienadas. Não é inocente. Atravessa oceanos, provoca invejas, grita pelos famintos, polemiza. A confusão é seu mérito. Dizem que tem dívidas imensas, mas se sustenta. Balança o esqueleto de Temer, elogia a privatização, conta fofocas disfarçadas. Não podemos negar que sua travessia é rica em semear golpes. Gosta de modas e comportamentos bestializados. Seus comentaristas políticos não conhecem história. São histéricos e pragmáticos.

Resta denunciar. Não entrar na onda das cores, das meninas e dos meninos enfeitiçados para gerar publicidades nada saudáveis. Não abandone a reflexão. O Jornal  Nacional narra um presente que ajuda as minorias. Não se assuste com as mentiras ou as verdades cheias de gráficos. Tudo significa relação de poder, num mundo que se anuncia caotizado, porém cínico. Numa sociedade competitiva, não espere generosidades. Há astúcias bem elaboradas. A grana seduz, desfaz confianças, coloca impasses para quem busca a solidariedade. Não se despreze. Os limites não desparecerão. Talvez, a Globo  decrete o fim das utopias, para se salvar dos ataques.

A história move ideias: as mulheres na inquietação

 

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Fala-se de tudo. Contam-se muitas histórias. Os homens aparecem promotores de grandes movimentos. Eles parecem ter o domínio da história. Aliás, deus é um substantivo masculino. Não é à toa. As mudanças, geralmente, querem trazer certas rupturas. A palavra revolução ganha espaço na modernidade. Um conceito que inquietou, trouxe salvacionismos, não deixou de sacudir utopias. Mas os tempos passam, a cultura se reinventa. Reforçam-se necessidades de pensar comportamentos, diluir machismos, respirar outros perfumes.

As lutas se multiplicam. Não bastam armas. É preciso afeto, discutir mesmices, duvidar de soberanias. Complexidades surgem de forma diferente do século XIX. A cidadania se amplia, a sexualidade coloca questões, Marcuse retoma Eros,Simone quebra verdades tradicionais. Isso sacode o mundo. As mulheres não desistem de agitar a política. Vivemos um período em que arriscar é fundamental. Descentralizar as ordens sociais, criar possibilidades de diálogos, amassar discursos opressores.

Bolsonaro quer desfazer conquistas. Merece ser combatido. Ele destila vinganças, brinca com ameaças. As mulheres marcam posição, denunciam. Mais um movimento que reúne pessoas para transcender o lugar comum das políticas. As contaminações são grandes, porém a clareza não deve fugir de tudo. O simbolismo do protesto fere os apáticos e conformados. Se há um sonho, não se deve punir quem sonha. A vida pede sensibilidade e não apenas gritos de partidos ou lideranças messiânicas.

Portanto, vamos adiante, sem desconsiderar a memória, atiçando desejos. A mudez pode punir quem se afasta do inconformismo e adota práticas fascistas sem compreender os danos que causam. As curvas da história são perigosas. Adotar a linearidade é não sentir os abalos. Não há rupturas velozes. Os ritmos dançam conformes os interesses e a sociedade capitalista é cruel. Olhe o passado. Imagine. Busque entender as diferenças. Não despreze quem critica e fortalece a socialização. Não apague sua imagem no espelho.

Os diálogos do tempo: o imprevisível

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Todos buscam dominar as correrias do tempo. É uma ousadia. Ele, também, vive lentidões, brinca com a inquietude. Há minutos quase intransponíveis. O tempo traz um fluxo de imaginação incrível, A sua marca está presente nos corpos, nos objetos, na natureza. Contam-se os dias. os segundos, os séculos. Mas as dúvidas continuam. A história não pode dispensar o calendário. Ele existe nas culturas com significados múltiplos. O antigo e o moderno se entrelaçam nas discussões teóricas. São símbolos inesgotáveis de um imaginário sem limites.

O imprevisível não se vai. Há momentos em que o barco não afunda, nem se estraga. Ficamos olhando as ondas do mar, as tempestades que anunciam. Não há como traçar uma linha reta, uma profecia. Os deuses lutavam para aprisionar o tempo. A eternidade se veste de inúmeras fantasias. Está nos mitos gregos, na onipotência do deus cristão. As tecnologias desafiam e prometem vencer o desafio da morte. É uma conversa que sacode os grandes laboratórios científicos, desfaz verdades, cria expectativas.

E a subjetividade devastada pelas ansiedades? O tempo das emoções, do medo, dos desamores não pode ter a medida das conquistas econômicas e da produção de mercadorias. Portanto, a mistura nos provoca. Não é só uma polêmicas de números e fórmulas. Tudo muda repentinamente. As surpresas invadem instantes que parecia definidos. É um equívoco se falar num tempo homogêneo. Ele quebra e se quebra, destrói e procura não se esquivar das ruínas. A memória não o joga fora, depende das suas aventuras.

No livro Cem anos de solidão, Gabriel descreveu situações de tempos mágicos. Observe como cada um traçava seus encontros, compreendia suas dores, não conseguia ultrapassa seus limites. Na agitação contemporânea, o tempo dialoga com os ruídos urbanos. Eles se ligam em velocidades antes incomuns. Olhamos o passado, revemos o possível, mas o incômodo do acaso não é uma fantasia. O tempo fragmentado desenha uma multidão de acontecimentos que nos deixa perdidos. As singularidades dos tempos pertencem a um espanto sem nome.

 

Quem aposta na política?

 

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Se o escândalo ganha espaço no mundo, a história se torna parceira do inesperado. As instituições criam regras, mostra que existem limites. No entanto, há agonias marcantes. O movimento não dispensa as transgressões. A cultura busca equilíbrios. Eles são passageiros. Como fica o medo do inesperado? Vivemos a política numa sociedade que fermenta disputas. Ela não se livra da violência, tolera preconceitos e gosta de consumir. Portanto, cultiva novidades, ganha o território da superficialidade, brinca de sacudir a responsabilidade no lixo.

A política se envolveu com corrupções imensas. Prisões, julgamentos, acusações , surpresas. Muita irritação, divisões e falta de projetos. Não conseguimos visualizar diálogos, soluções, encontros. A tensão está presente em tudo. Tentaram matar Bolosonaro que havia, antes, falado de armas e torturas. O perfil do possível assassino é incrível. Parece que tudo acontece sob o efeito de um feitiço. Não esqueçamos que a violência não está . apenas, na política. Ela apodrece possibilidades e ameaça esperanças, invade moradias e planejamentos.

A sociedade consumista atiça performances. A sua mídia é extravagante,Tudo se transfere para uma competição sofisticada. As obscuridades arruínam reflexões. Como debater ideias, traçar planos, mover sentimentos? Ganham o interesse e a grana. Quem está a serviço de quem? Muitos desacreditam que haja saídas. Preferem carregar no pessimismo. Muitos desempregado ouvem o desespero tumultuar sua loucura. Portanto, as inimizades prosperam junto com as hipocrisias. O retorno é a suspeita. A mesquinharia empurra para desconfiança. A imagem é a sedução.

As eleições estão aprofundando uma dissonância que se espalha pela história. As ideias fascistas se consolidam em determinados grupos. A inquietude se firma e a insegurança se amplia. Não é à toa que as eleições se tornem um cenário de fantasmas e assombrações. Os acontecimentos agudizam os destroçamentos da reconstrução. O Brasil é sufocado por autoritarismos. Seu ídolo ,Vargas, fundou o Estado Novo. A censura não se foi e sinais evidentes de escravidões não abandonaram as relações de trabalho. Como respirar a dignidade poluída cotidianamente? Mais além do atentado, há tiros no ar, raivas reprimidas, curvas traiçoeiras.

O sentimento confunde, o tempo passa

 

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Há muitas perguntas. Fico perplexo com esse mundo grande e misterioso. Cada pessoa conversa, imaginando futuros, acabando com amores, sentindo-se no meio de controvérsias. Somos diferentes, mas precisamos dos outros. Gosto de conviver, curto admirar as coragens, quem sabe o caminho e atiça a alegria. Não é fácil. Misturar os sentimentos é um perigo. Buscar a leveza é uma dádiva. Inventar transtornos, dói. Porém, quem é dono de todos os seus atos? Basta ler Freud, observar a força do desejo, ler as astúcias do inconsciente. Como é longa a travessia de qualquer coisa!

Olho nos olhos. Uns brilham, não se acanham, são portas abertas. Outros fecham-se. Dissimulam. Criam-se problemas ou mesmo depende-se da animação do outro. Não adianta estimular a solidão, nem achar que na esquina a felicidade se veste de azul. O tempo passa. Nem sempre, ele acena com certeza. Há as encruzilhadas. Se a imaginação ajudar, tudo se vai. No entanto, as surpresa nos inquietam. Os sentimentos se envolvem com ilusões, as palavras não dão conta de tantas análises.As farmácias já estão repletas.

Assim, é a vida. O cuidado renasce e protegemos fragilidades. Nada garante nada. De repente, pinta depressões, o pânico assinala turbulências. A conversa traz novidades, alimentamos solidariedades. Mas como expulsar aquela solidão danosa que perturba e estica medos? No meio do mundo, há praças, bancos, flores, vadios, malucos, poetas. Como é trabalhoso ultrapassar a complexidade!  Na escrita, também procuro o outro, sinto que não sou parceiro do infinito. Os limites existem e são fortes. Eles corrigem pretensões e vaidades.

Talvez, o mapa da vida tenha desvios acabados. Não sou esperto nas descobertas. Olho nos meus próprios olhos. É saudável não desprezar o espelho. É uma invenção fabulosa. Andamos, porque há espelhos em todos os lugares e afetos cansados de não se espalhar, mudos e desconfiados. Não siga sem sacudir sua estima. As lacunas estão presentes. E daí? Ha quem conte suas histórias enfatizando os tormentos. Há quem busque uma infância em tudo. Os paraísos, também, se desfazem. Sossegue. Os sentimentos são múltiplos.

O fogo da memória, a memória do fogo

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A cultura não desparece como um cometa. Ela se guarda na memória. Sua força é incomensurável. São tradições que se tocam, anos vividos, solidariedades, tristezas, descuidos. Somos cultura. Nosso corpo possui registros dos anos passados. Não dá para riscar o tempo da história. Seria um absurdo, um suicídio. Por aqui, os incêndios são comuns. Há os que derrubam prédios, acabam vidas. E os simbólicos? Não quiseram derrubar os vestígios da escravidão? São podres os poderes que governam um Brasil tão extenuado.

O fogo indica transformação ou significa o juízo final? Ele pode ser manipulado ou resultado de desgovernos cínicos. O Museu Nacional sucumbiu. Faltou água. Faltou atenção. Faltou tudo. Sacudimos fora o que parecia inesgotável. O desastre não tem tamanho. Dói como um delírio inacabado. O Rio de Janeiro se sustenta no grito. Suporta maldições, serviu de moradia às espertezas de Cabral. Tudo está sob ameaça. Será que estão lembrados da Biblioteca Nacional? Há algum projeto para protegê-la?

No meio de um processo eleitoral esquisito, a sociedade é inundada por promessas. As dívidas serão quitadas? Os bancos estão lucrando menos? Como vão os hospitais? Mas o debate é ridículo, a mídia ganha dinheiro produzindo escândalo, abrindo espaços para agressões e fakes news. O fogo, aqui, não queima as impurezas, porém destrói as possibilidades dos sonhos. O sombrio Temer não se abala e o Supremo não deixa que a grana se esconda. Afundam os que pretendem salvar a ética. Brincam de acumular privilégios.

Fica raro ouvir notícias animadoras. O cotidiano surpreende de forma cruel. Padecemos de esquecimentos que destroçarão as utopias ou o direito a pensar na revolução. São os sustos,  sempre doentios. Fala-se de que o país tenta redemocratização. Mas quando houve momentos de ausência do autoritarismo? Os preconceitos são mínimos? Os sofrimentos da maioria se foram? É tolice cantar a democracia quando o capitalismo corrói até o desejo de ir à rua. Olha-se para a política, observa-se a hipocrisia, não se sabe se a travessia é curva. O fogo mata até o anônimo. Por dentro, a subjetividade pede ajuda para poder imaginar.

 

Você viveu numa ditadura?

 

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As construções históricas não se apagam de vez. Há sempre vestígios. A memória é inquieta e seletiva. Dança, faz acrobacias, se estica, conjuga o verbo esquecer e lembrar. Na vida cotidiana, a memória atua. Os livros contam episódios, as fotografias trazem acontecimentos, as pessoas conversam sobre a vida. Muitos se recordam de azares e fecham suas portas. Não é possível arquitetar tudo o que foi vivido. A complexidade do humano nos deixa atordoados, com as mentiras e as verdades. O que escolher? A solidariedade sobrevive? O movimento sacode a preguiça e a apatia.

O Brasil convive com autoritarismos constantes. O Estado Novo amedrontou muita gente e cantou a modernização. Vargas aparecia como ídolo, uma figura controvertida, cheia de discursos e manipulações. Continua sendo destacado, assim como Arraes, Brizola, Jânio e outros. Cada um tem seu admiradores. Há quem goste de populismos, exalte os trabalhadores, não anulam as lutas por melhores condições de vida. Há quem goste de censura, de controle, de rigidez moral. A falta de coragem justifica votos e omissões. Há quem é responsável e quem se diz estar em cima do muro?

Tudo isso se torna tema de debates. Não são relações do passado. A sociedade tropeça na escravidão mesmo nos tempos da modernidade. Os autoritarismo marcam presença, ocupam cenas familiares, criam juízos de valor, cercam desejos de liberdades. A última ditadura ainda está no horizonte. Promove irritações, porém existem os que morrem de saudades. Uma boa parte da população não sabe o que é ameça de tortura, polícia secreta, arrogância militar. A ordem se consolida como um limite para tudo. Há rebeldias que cortam eternidades e espalham críticas.

Não custa viajar pela história. Os fascismo não são recentes , nem a violência mora apenas na  contemporaneidade. As permanência também marcam as épocas, os amores mudam, as tristezas se reanimam, a história possui acrobacias. Portanto, contemple a memória,não fuja da ambiguidade. Nada como o diálogo para ritmar o fôlego. Ficar colecionando armas favorece às minoria. O grito de protesto merece sua vez. A política está envolvida com muitos interesses. Não à toa que as tensões esquentam. É preciso não eleger um silêncio absoluto.