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Desmoronamentos de astúcias programadas

 

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A sociedade gosta de ídolos. Quem não quer a salvação? Quando se encontra frágil busca mitos representativos das angústias. Há momento de adoração, de biografia encantadoras ,de sorrisos gratuitos.Moro apareceu como um soldado da moral. Tinha leis poderosas. Prometia inibir um figura que, para muitos, continua perigosa. Fez sua missão com aplausos. Colocou Lula na prisão, tornou-se um festejado senhor da ética. Houve controvérsias, o processo ganhava contestações pelos seus vazios, mas Moro não hesitou. Desenhou espaços especiais. O fanatismo ampliou-se.

As ações de Moro facilitaram a eleição de Jair. Não se deseja negar os desencontros petistas e os possíveis escorregões do acusado ex-presidente. No entanto, os exageros devem se lembrados.A questão política evidenciava intenções nada saudáveis. Moro ocupou colunas sociais, recebeu honras da imprensa, fixou-se numa vitrine imensa.  A história, porém, possui curvas. Há abismos inesperados, situações traiçoeiras, armadilhas articulados. Moro foi na conversa de Jair. Muitos elogios e lá está num ministério. O discurso moralista se atiça e inquieta os políticos. Moro era inabalável? Navegava na vaidade?  Desmontou-se?

Tudo era luz ou existiam sombras? Os prestígios não são eternos, há frustrações, ninguém é absoluto.Moro não era tão herói como se esperava. Jair manobrou, trouxe segredos, exibiu acordos. Moro seria nomeado para o Suprem. Surgem as questões. Morou trocou sua dignidade pelo cargo?  Poluição na honestidade? Os procuradores se sentiram abalados. O poder judiciário não cansa de produzir ambiguidades. Não conhecia as espertezas de Jair? Moro anda na corda bamba. Ofuscou-se ou prepara uma saída? Gagueja, não é aquele cidadão tão cheio de virtudes. Discute-se  até o conteúdo da sua sapiência intelectual.

O jogo da política não cessa. Não há como apagar as contradições , nem descartar que a situação se veste de limites. Há medos, agonias, expectativas. Os adeptos de Jair não se afastam de vez. Há tensões, contrapontos, desmoronamentos. Atiçaram rebeldias e grupos de oposição buscam fortalecer críticas.As indignações se acendem até no famoso Jornal Nacional. Outros ministros não se afirmam. Guedes é histérico. Não se conecta com a solidariedade, só pensa nas reformas de trilhões. As suspeições estão nas páginas dos jornais. Por que as milícias construíram tantas parcerias? Como entender tanta celebração de violências? E o vocabulário tosco do presidente? A história não sossega. A  inquietação  está nos  espelhos de Brasília.

Construir as histórias, inventar as culturas, costurar a dignidade

 

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A memória nos traz o movimento da vida. Pode reforçar nostalgias, desencontrar-se com acontecimentos. Ela é seletiva, não se seduz pela linearidade. Lembra e esquece. Não é simples e ajuda a construir sentimentos. Portanto, não há como pensar  a história sem a companhia da memória. Temos que olhar o fazer, o desmontar,o desconstruir. Apaga o ânimo da vida quem adormece em repetições e nunca acena para futuro. Morre em projetos  cheios de poeria do passado. Tudo isso arquiteta culturas, fundamenta valores, desafia as ousadias.  Como reinventar e não cair nos abismos? Como propagar a crítica e não se sentir inútil?

Quando o passado se mostra, ampliamos a compreensão do presente e  superamos certas incertezas.Há perturbações recentes que apenas reproduzem ressentimentos. Há quem tenha silenciado, mas mantido seus preconceitos e seus ódios. O momento atual revela que existem polarizações que não se foram, idiotizam, desqualificam. As culturas se multiplicaram,  no entanto as permanências avisam que incômodos não se anularam, estão escondidos. O ser humano é indefinível. Não é à toa que o inesperado tome conte das notícias.É difícil prever, atiçar o novo, quando as dualidades seguram seus lugares nos poderes. O vício da fragmentação se estica e as falas tortas empurram para o pântano.

Assumiu-se uma ideologia progressista que não consegue ir adiante. Engana e mascara planejamentos antigos, escravizantes. Não se vive sem utopias. Volta-se sempre para celebrar a democracia. É o reino do pragmatismo, pois a desigualdade se espalha e os conflitos são cotidianos. Como pensar em consensos? Como desarmar as vinganças? As  mortes consagram armadilhas. A suspeição se  apresenta, sem querer pacto com o sossego. Num mundo repleto de tecnologias e indústrias poderosas, as tensões  parecem reviver guerras superadas. Há sociabilidades ameaçadas pela  certezas de que a grana salvará o mundo. Maquiavel ressuscita como auxiliar de governantes atordoados.

Fala-se do medieval, denuncia-se os dissabores da colonizações modernas, massacram-se saberes.Mas como está a vida contemporânea? Há instrumento de pacificação ou registra-se um desfazer de culturas?  E as hostilidades, o culto à violência, as disputas religiosas? Será que a história tem o caminho da salvação? Os mecanismo de manipulação continuam ativos e sofisticados. Muitas imagens, divertimentos alienantes, seriados para esticar a insônia. Não  é lucido nomear épocas de paraísos. As contradições se afirmam, apesar das terapias e dos protestos.Silenciar não deixa de ser um perigo. Há elegias  e recitais em cada esquina e multidões pisando no asfalto incendiário.Não adianta conhece o resumo das idiotices soltas. Eles deprimem,

 

 

A luta anarquista, a desigualdade histórica, o livro de Hans Magnus

 

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O anarquismo não conseguiu as vitórias que imaginava. Possui, ainda, uma visão otimista das possibilidades de superar os impasses sociais. Mas nada garante mudanças. As travessias da história  não fogem da exploração. Muita violência, competições sofisticadas,  dureza nos negócios. O espaço para igualdade diminui, em  alguns aspectos,apesar das manipulações feitas para naturalizar preconceitos e agressividades. A sociedade é cenário de lutas. Não há sossego. O anarquismo defende uma utopia: a igualdade. Outros também quiseram transformar o social, jogar fora o lixo das sociabilidades perversas. O mesquinho anda solto e as convivências tensas persistem. Há quem acredite que enganar é vital. Cogitam a democracia criando um espetáculo sem ponto definido.

Hans Magnus escreveu um livro fundamental: O curto verão da anarquia.  Talvez, um romance ou quem sabe um relato das astúcias que regem o humano. Localiza-se na Espanha, passando pela Guerra Civil e os escorregões dos desequilíbrios dos anos 1930. Hans inova na escrita, traz reflexões insperadas, toca na sensibilidade. É uma obra que atrai e inquieta. Até onde se constrói a possibilidade de desfazer os ressentimentos e sepultar as disputas cotidianas? É preciso ter cuidado. Não basta sonhar para evitar os desmantelos que nos angustiam. Há dramas no conviver e labirintos desocupados com esfinges espertas.  Sobram incertezas em desertos quase infinitos.Hans navega na diversidade, multiplica fontes, dialoga com o leitor. Desmascara, fere, desvenda.

É impossível analisar o anarquismo sem observar o limites das condições humanas. Hans lembra-me Camus. Já leu o Mito de Sífiso?Arquitetar paraísos não é nada estranho. Porém, a história mostra assaltos, desconfortos e crueldades constantes.Eles são inesperadas? Há permanências ou as revoluções sacudirão as sujeiras e reinventarão o sentimentos? O livro nos coloca agonias existenciais. Quem pensa que a história é apenas o desfilar de cronologias e a celebração de acontecimentos? As teorias dançam nas profecias ou simbolizam regras salvadoras?  Quem ilumina as bipolaridades de Narciso ou as rebeldias de Prometeu?Os anarquistas queriam desmontar as injustiças, maldiziam os poderes, enfrentavam oposições até mesmo dos comunistas. Eles nunca se articularam bem. Detestavam-se, na surdina.Discordavam-se nas estratégias de dominação e nas armadilhas da violência.

No livro, a figura mítica de Durruti compõe ruídos avassaladores. Todos sabem que os franquistas  venceram seus opositores com ajuda de Hitler e vacilações de outros grupos que poderiam fortalecer a luta dos anarquistas. A escrita de Hans nos leva a um território povoado de incertezas. A cerimônia da morte de Durruti, anarquista radical, é um anúncio  de que há contradições e que o poder produz descontroles frequentes. Forma-se um complexo imaginário. Não há história sem pedras no meio do caminho, nem os poetas sabem o que fazer com elas. Desenho, sepulturas, horizontes? As pedras são espelhos. Olhem-se nas páginas do livro, na precariedade dos sonhos que subestimam as impossibilidades. O humano é ousadia anônima. Para quê? Para bordar a pedra nos seus delírios inconsistentes.

Jair e as dúvidas:, os descaminhos permanentes, os risos macabros

 

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Muitas imaginações navegaram séculos para  tentar  livrar a sociedade das incompletudes. Não são apenas as localizadas na modernidade. Sempre se lutou contra as desigualdades, mas também não houve mudanças que nos afastasse das lutas sociais em busca se superar as hierarquias de poder. As ampliações do saber trouxeram alternativas. Combateram-se tradições, preconceitos, colonialismos. Ninguém esquece a forças das revoluções, os projetos democráticos, as rebeldias. No entanto, há violências estimuladas, governos estimulando o usos de armas, milícias controlando o capital, refugiando  perdido por território inóspitos.

Não é negativo soltar a imaginação, arquitetar saídas. As relações poderiam estar mais ainda deterioradas. Há ânimos se contraponto há niilismo. Sobram, porém, servilismos, medos de instigar críticas e  desconfiar de práticas messiânicas. No Brasil, as eleições anunciaram que sociedade  passaria por tempos pesados.As polarizações continuam mobilizando grupos e criando grupos agressivos. Joga-se a política com deboche e chocolates. As lideranças se mostram atordoados.Tudo parece um grande festival de palavras e de planos  mesquinhos. Nada que ultrapasse as desigualdades. Apenas, simulações de verdades e destruições de argumentos visando apagar passados.

Multiplicou-se um ressentimento estratégico. Por aqui, o inimigo era o PT, com suas reformas. O investimento, para sabotá-lo, foi imenso com a ajuda da imprensa e muitos intelectuais. Na hora de votar em Jair, alguns se sentiram constrangidos, mas não deixaram de olhar, segundo os profetas do apocalipse, para ameaças maiores. Havia  mudanças sociais que incomodavam privilégios, então tudo era  feito para não correr riscos. Fermentavam outras visões de mundo. Apostou-se no medonho, apagaram-se luzes, impediram debates e fecharam as portas da imaginação. Nada de quebrar poderes e valores cheios de opressões.

Jair conseguiu o inesperado. Articulou-se. Montou uma equipe  estranha. Não seduziu, somente, as elites, Tornou-se o mito. Mais espaços para polarizações, ataques aos educadores, gurus nada simpáticos, confusões nas redes sociais. O governo segue provocando perplexidades internacionais. Muitos  elogiam suas medidas, gostam dos ensaios cômicos dos ministros. Não se ligam no abismo. Celebram. As dúvidas são imensas. Há quem preveja os esfacelamentos das instituições e a morte da aventuras de Jair. Há tensões, porém muitas sombras dificultam que imaginação sobreviva.Os risos esquisitos não se foram, são disparados por metralhadoras assassinas.

Sua afetividade está doente?

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A vida corre. Não dá ficar na janela contando as flores  ou estimulando a imaginação. Há pressa. O ritmo da grana puxa e excita. Muitos não conseguem se desligar da agitação dos mercados. Não há tempo para poesia, diz alguém. Portanto, se produz um solidão em cada corpo de forma paralisante. Olhar o outro tornou-se  um execício raro, pois a sociabilidades está marcada pelas regras da mais-valia. Se a quantidade toma conta da sociedade, quase nada sobra para a afetividade. Brinca-se de amigo secreto.As carências são materiais, mesmo que a depressão se estenda e escravize os desejo.  Os olhos se fecham para as famosas dores da alma.

Quando os apertos emocionais se agudizam ,transformações são pensadas. As reações se estruturam buscando  refazer afetos. As nostalgias mostram tempos que  lembram paraísos. Muitos esquecem que as degradações são constantes e Jair não contém todos os males do mundo. Localizar as exclusões dentro de uma dimensão histórica é fundamental. Há brechas, porém  elas exigem leituras para além da mesmice do cotidiano. O ressentimento se espalha. Como recuperar o afeto se ele foi desprezado  de forma sistemática?  Se antes a competição predominava, como ela se apresenta, hoje, num mundo de violências contínuas e transparentes?  Há ganhos para  ultrapassar os limites?

Pede-se perdão pelos pecados, no entanto se busca lideranças paternais. O peso da infantilização é  visível. Surge a oportunidade para um messianismo tosco mais eficiente.Estão aí Moro, Damares, a família Bolsonaro. Criam-se fanatismos  junto com deboches renovados. Em quem acreditar? O que vai ser destruído? A política não é uma sequência de desenganos? Quem votou com a fúria de detonar o PT procura sua razões outra vez e analisar até a cor da sua raiva. Questões afetivas voltam a encenar  empurrões para abismos nunca vistos. Pior do que a crise é a confusão provocada e a falta de lucidez para abrir a porta.

Os anarquistas sempre ressaltaram a igualdade, quebraram hierarquias, se engalhavam com as questões do poder. No capitalismo, é preciso que haja exploração e desconfiança. É um outro lado como uma sedução avassaladora, envolvida por imagens. A afetividade só existe, se toco nos  outros e consigo caminhar na mesma estrada. A sociedade contemporânea  se sente atraída  pelos vazio das vitrines.As coisas representam as pessoas. O avesso se firma. Com a permanência da exclusão não há como se desfazer dos  pântanos profundos. O conforto fácil nada garante para se largar numa aventura coletiva. Não basta gritar. O sufoco exige  outros valores, leituras que provoquem a sensibilidade. Excluir e não escutar se significam  o fim  das cores e a vitória da monotonia.

 

 

As utopias se arruínam ou se reinventam?

 

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A busca do progresso fermentou projetos  que prometiam felicidades eternizadas. Apostava, de forma articulada,  que a sociedade fugiria das desigualdades. Acreditava-se numa grande revolução tecnológica. Houve euforias. Mas a ideologia do progresso pareceu frágil. Um festival de ilusões passou a desfilar e as explorações continuaram acontecendo. As falsificações mantinham divulgações nada saudáveis. A sociedade  negava suas doenças mais agudas. As bombas atômicas alertaram para o peso de violência de uma crueldade assustadora. O stalinismo trouxe pânicos. Muitos marxistas ficaram perplexos com os crimes, as intolerância, a sede de poder. Muitos liberais acenaram para fim das utopias e cantaram o êxito da agilidade capitalista.Será que há lugar para mudanças bruscas, reformulação dos valores, paraísos de igualdades sublimes?

Dúvidas refizeram teorias, minaram partidos políticos, intimidaram rebeldes. Faltam olhares para o passado e muitas profecias que encenam um futuro.As tecnologias ajudam o crescimento das riquezas concentradas. Não significam o reino do mal. Seria um erro destruir conquistas científicas, porém é preciso cuidados. O progresso manteve  desgovernos. Arquitetou enganos num meio de um sociedade repleta de fundamentalismo. Foge-se para o delírio das drogas, o desamparo se amplia, o velório dos sonhos ganha espaço junto com apocalipses radicais.  Portanto, estamos na berlinda, atravessados síndromes  mortais. Não subestime o que parece mínimo. As ousadias surpreendem a  quem se entregava ao fogo dos infernos.

Navegamos num barco de ruínas, sem mares parceiros, com estragos perversos e sereias que se foram para outros lugares. Não há, contudo,a morte da fantasia. Elas continuam. Certas utopias se enfraqueceram. Voltam preconceitos, armadilhas danosas, governantes idiotizados pelo poder. Não analisar o passado e um escorregão que distorce alternativas A crise não  é uma cria da contemporaneidade. Visitaram as guerras religiosas na Europa? Lembram-se dos colonialismos modernos? O militarismo romano não dizimou culturas? O iluminismo sacudiu pensamentos, o romantismo tocou na sensibilidade, os anarquistas celebraram a força da autonomia. Houve agonias e respostas. Não cessaram as ambiguidades , nem os trapézios astuciosos.

As reinvenções não desapareceram. Não há história sem buscas, mesmo que as intrigas inibam convivências amistosas e o terrorismo invada cotidianos. Permanências e mudanças devem  ser avaliadas. A história  não é uma travessia linear. Quem não se dá conta dos labirintos? Pinochet abalou a política que defendia o socialismo e lutava pela divisão das conquistas materiais. Não esqueçam de Freud, Picasso, Chaplin, Mia Couto… Se as crises inquietam e destronam otimismos, a capacidade de transcendê-las não desapareceu. O astral se encontra sobrevivendo, penosamente, e pulando abismos. Há ruínas.Elas não se firmam como absolutas. Há insatisfações e desejos. O desafio é suportar as contradições e compreender  o saber da solidariedade que não se desfaz. Há ilhas e necessidade de ocupá-las, desde que a intolerância sucumba.

A culpa inquieta e pune: descontroles

 

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O sociedade sobrevive, mas continua espalhando ressentimentos. Sempre a busca do culpado, a tradição de punir e olhar o outro com desconfiança. Não há medida para observar as construções históricas. Soltam-se descontroles e ansiedades para se ficar no poder dando ordens e oprimindo. Portanto, o desequilíbrio se agiganta.Elege-se um atordoado pecado capital. Antes era o comunismo que ferveu o mundo. As discussões geravam guerras, quando havia interesses econômicos escondidos nas generosidades proclamadas. A fome não se vai, porém as grandess potência não pensam em políticas internacionais solidárias. Vale o pragmatismo.

A Venezuela se desmancha, Moçambique se arruína, o capitalismo quer lucros e ampliar as intrigas para vender armas. O mundo não se aquieta. Há protestos, porém as fomas de combatê-los termina fechando as postas. Ficamos presos nos limites. Os tempos históricos são duros. Não esqueça que já existiram muitas crueldades e excessos de concentração de poderes. Não é novidade o cinismo, nem as religiões vendendo salvações. Hitler, Pinochet, Sade, Nero e tantos outros aprontaram seus feitos destrutivos. Somos animais astuciosos e marcados por práticas individualistas.

É difícil aceitar que a sociabilidade  supere os egoísmos. Vivemos no limite. Montamos saídas. Os sonhos não se firmam. Há idas e vindas, com violências e indústrias de armas ativas. As milícias se infiltram nos governos, ganham espaços, ameaçam. Insiste-se em nomear culpados com rostos de fantasmas. A imprensa divulga análises superficiais. Como justificar certas sentenças do judiciário? Por que as reformas satisfazem as minorias? As perguntas profundas são jogadas no lixo. Agora, tudo está relacionado com os  desfazeres do passado recente. Celebram-se os ditos terríveis  de quem descuida da educação, permanecem horrores que pareciam extintos.

Alguns sentem que o balança das mercadorias, o jogo do aumento dos dólares, a manipulação dos dados oficiais atormentam e impedem qualquer clareza. Nota-se uma raiva, uma emoção vingativa, a repercussão perturbada de reflexões que dissecam  o sistema e se assustam Será que as instituições aguentam o utilitarismo azeitado para forçar o empobrecimento? Sobram dúvidas e medos. Há muita gente morando nas calçadas, muitos hospitais sem leitos, muitas omissões criminosas. Sacudir a culpa para o outro destrói e inibe as reações. Há quem curta não se comprometer e promover ruídos vazios. O espelho comprime a imagem.

 

As palavras soltas e a reflexão esvaziada

 

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Jair e seus parceiros gostam de falar sem controle, além de curtir a rede social. Sentem-se poderosos. Não economizam as críticas aos esquerdismos e lançam ideias para salvação da sociedade. São profetas ou se julgam senhores de  verdades absolutas? Muitos os denunciam como um delírio, uma loucura de entusiasmados pelos  ares de Brasília. Não sei. Penso que há estratégias para provocar transtornos. Não querem silêncios, mas ruídos que inquietem e incomodem os mais lúcidos. Não deixam de tumultuar, disfarçando suas intenções. Confundem, com intenções nada ingênuas, para minar resistências e desafios..

Não esqueça que as afirmações de Jair encontram ecos no mundo. Há quem o considere um conservador astucioso, porém há admiradores que fortalecem seus ressentimentos. Isso é ambíguo e preocupante. Ele teve milhões de  eleitores, possui intelectuais que o tratam de forma solene. A questão é complexa, pois a sociedade não consegue reler suas utopias. Cria-se uma messianismo danoso e rústico. A imaginação perde seu espaços. Jair não se limita a anular reflexões revolucionárias do passado.Ele insiste que vai livrar todos do mal, se infiltra em orações, se dá bem com pastores bem cotados, elege a sabedoria tonta de seus filhos.

Se as idiotices giram, ocupam lugares, é porque existe que as ouça. Sinal de alerta. Fora do Brasil surgem figuras que ressuscitam fascismos, degradam as críticas iluministas, sonegam qualquer projeto de socialização. O capitalismo se reforça. Os apagamentos não são neutros e invadem a opinião pública.Querem banir reflexões que desconfiem dos preconceitos e produzam criatividade. Jair promove a apatia com máscaras de humor. Não se engane com o riso fácil. Ele traz perversões, consolida o tosco, dilacera o cuidado, desmonta com cinismo.

A travessia histórica não é linear. Os desencontros são arquitetados, as contradições não se vão, as vaidades se ampliam, Não há como fugir dos contrapontos. Se a coragem se move, há quem cultive a covardia e o servilismo. Não há história sem ambiguidades, sem vontades conflitantes. Jair e sua turma reproduzem dizeres e alicerçam projetos políticos. Representam minorias privilegiadas. Conseguem  adeptos. Combatê-los é fundamental, para que a solidariedade não morra. Não é fácil. Outros projetos devem ser discutidos. O pesadelo merece ser destruído urgentemente. O abismo é surpreendente e forma inutilidades perfumadas com perversões.

Incertezas contemporâneas:o lixo e o luxo se completam

 

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Muita gente enxerga um mundo desenhado por uma sucessão de ruínas. Uma rápida olhada nos jornais ou mesmo nas redes sociais mostra que há pessimismo exaustivo e pesadelo nas expectativas. As análises frequentes observam o momento tenso e incerto. Fatigam como nunca. Há disputas armadas  e invejas opressivas O que parecia ser o caminho da salvação tornou-se um lugar de cinismo feroz e desnutridos sentimentos. As religiões procuram lugares de poder privilegiados, não se envergonham de dividir os horrores. Francisco não é bem visto por defensores dos autoritarismos. Existem deboches constantes que esvaziam a crítica e confundem a clareza nas opções. Portanto. simulam-se interesses e soltam-se balões de ensaio. Infantiliza-se cada ato, para fragmentar o compromisso.

A insegurança invadiu o cotidiano. As verdades são fugazes ou mesmo produtos da contabilidade do mercado. Instáveis e pálidas.A busca é por incentivos materiais. Quem se engana?Que registra a coisificação ou a destruição dos afetos? A legitimidade está suja de dizeres curtos e rasos, dançando seus ritmos monótonos. Não é exagero.Há quem curta violências, estimule preconceitos, queira sufocar as maiorias. As ideias revolucionárias se sentem adoecidas. A lógica do capital agiganta a concentração de riqueza e anula a reflexão de quem duvida. Isso alicia, desmonta, açoita quem se abraça com a solidadriedade.

O futuro se balança. Ele sempre foi lugar de incertezas. O pragmatismo fechou a porta para o sonho e abriu o espaço para o utilitarismo. Ser um animal social encantado com o infortúnio do outro é dantesco. Sobram minorias lutando para denunciar e desnaturalizar violências assombrosas. Será que a exploração cabe apenas nos países marcados pela desigualdade? Quem domina escolhe suas vítimas e não se cansa de bordar máscaras para aumentar sua invisibilidade assassina. Não é à toa que vestimentas da insensatez se espalhem como modas para ações macabras. O lixo e o luxo estão em cada esquina e não cessam de costurar seus disfarces.

Quando Nietzsche anunciou a morte de Deus, a cultura ocidental ganhou uma nudez polêmica. Certos paradigmas caíram nos pântanos mais tenebrosos. As guerras,os fascismos, as bombas atômicas, os imperialismos deixaram uma suspeição permanente.Quem se beneficia? Quem trama? Quem se esconde? As incertezas povoam a sociedade acompanhadas de perversidades que empurram para o abismo. Não se faz um silêncio absoluto, porém a perplexidade se multiplica. O mundo das incertezas difere do mundo das utopias. Os deuses não conseguem teatralizar o juízo final. Sem a invenção de novas brechas continuaremos atormentados pelas travessuras das culpas e massacrados pelas incertezas.Escraviza-se com sofisticação e tecnologia acesa para o apocalipse.

A fragmentação desfaz a solidariedade

 

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Multiplicaram-se as culturas. As diferenças não cederam nem trouxeram possibilidades de trocas mais profundas.Há disputas frequentes, com violências doentias. Não se cura a inveja, tampouco se cuida de olhar os outros e verificar o aumento das suas necessidades. Não há negar que tecnologias ajudam a reinventar espaços e cortejar afetos. Mas as crueldades e os desprezos permanecem, apesar de todas as teorias salvadoras do mundo que teima em acumular lixos. A natureza mostra reações destruidoras, o terrorismo salta os territórios de calmarias, o narcisismo  quebra saídas e expande religiões cobertas de vinganças.

Parece que a história está abusando de contrariar as sociabilidades. Por isso, o canto das utopias se desmancham. Lembro-me de Rousseau com seu romantismo. Acreditava que os homem nascia bom e a sociedade  o corrompia. Via o avesso, mas nutria sonhos.Hoje, o desgoverno avança. A aridez seca, amplia desertos, fortalece trocas de espertezas indignas.É importante consultar memórias e não cair em armadilhas. Há continuidades. Insiste-se com tiranias, as celebrações fascistas não desapareceram e escravização  não está  morta. Celebra-se a escassez ousadias,

A história convive com permanências. Cultivar a ideologia do progresso é um engano tolo e assassino. Constrói vitrines que, apenas, iludem e empurram a sociedade de festividades fugazes. As relações de poder incentivam os privilégios. Exercitam manipulações, inquietam, desconfortam. Portanto, é preciso não menosprezar a complexidade. Os valores se fragmentam buscando consolidar as hierarquias. Elas  favorecem monopólios, se valem de deboches e retomam acontecimentos do passado para revisitá-los de forma cruel. O oportunismo acompanha os desejo de sepultar as rebeldias. As censuras voltam como assombrações contínuas.

Não esqueça das invisibilidades, do que se esconde, dos discursos populistas, do controle constante. As redes sociais espalham notícias com rapidez, facilitam as comunicações, são válvulas de escape. No entanto, nem tudo ajuda a procurar quem atiça a luta e denuncia o cinismo das elites. A ambiguidade exige olhos abertos para se enxergar os abismos, se livrar das imagens falsificadas. A história não é a negação da carência ou um projeto  para iluminar o mundo. Desde as suas lendas mais tradicionais, ela profetiza descontroles e impossibilidades. Qual é mesmo a novidade na atual desmontagem das ordens e dos afetos aconchegantes?