A melancolia do zero

A MELANCOLIA DO ZERO

Pegue o passaporte da viagem e escolha o desenho da fantasia.
Não se entregue ao psicodélico, nem a droga que matou Hendrix.
Não tome uma carona para Woodstook e relembre maio de 1968,
esqueça um pouco da folia e ressuscite as utopias possíveis.
Sinta que canhões assustavam crianças no Vietnam e permanecem na
Síria.
Há muita gente na beira do abismo e refugiados são expulsos de Paris.
Arraste o significado do tempo, assista a um concerto do Pink Floyd.
Siga o som que derruba os muros e atemoriza os acadêmicos do Sucupira.
A viagem é instável como uma História sem fim e uma repressão ensaiada.
As linguagens são múltiplas como os sonhos de bebedeira anônima.
Segure o passaporte com as duas mãos, lembre-se de Stalin e Franco,
aposte que o presente se vinga do passado e grite sem medo.
Pare na sombra de uma árvore que não tem perfume,
e não se desgaste com as memórias da primeira comunhão.
Feche os olhos que a música é a arte da vida e ritma o medo.
Dance com os deuses embriagados pelas invenções tardias,
conte sua história rápido antes que se vá de si mesmo.
O eterno retorno é brincadeira das astúcias de Nietzsche
protegidas pelas cinzas coloridas de um vulcão de Pompéia.
Recorde os mitos de origem, contemple uma porta
entreaberta no labirinto que forma o paraíso.
Não entre, o pecado original é delação premiada,
a culpa é curva, a serpente é branca e a maçã tem a poeira
amarga de um inferno que sacaneou a vida.
Suspeite que o poema é uma fuga e História , a melancolia do zero.

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