A afetividade diluída, as ruínas mascaradas

 

Os escritos sobre a afetividade estão presentes nos debates contemporâneos. Apesar da mesquinhez e do consumismo, há quem se preocupe com a fragmentação das sociabilidades. Há muita obscuridade e o incentivo ao individualismo corta laços afetivos. A atmosfera de desconfiança cria tensões. O outro parece um inimigo sempre pronto a nos golpear. Andamos pelo mundo como estranhos, embora estejamos cercados dos meios de comunicação. Dispensamos abraços e saudações. Corremos para celebrar as virtualidades. O sorriso é fabricado para afirmar ingenuidades soltas. Somos atores de dramas que nos impõem.

Nem todos escorregam nas manipulações. Seria o fim dos tempos e a morte da história. No entanto, o que predomina deve ser ressaltado. Bauman não está confuso quando teoriza sobre a extensão do amor líquido. Estamos próximos, com a ajuda dos celulares e computadores, sem expressar cuidado com outro. A tecnologia coloca suas armadilhas e a razão administra controles. Quem esperava iluminações libertadoras se frustra cotidianamente. É o conflito que interrompe o desejo da solidariedade. Ele entra como uma mercadoria de valor especial no mercado.

Os cinismos são comuns. Os programas de TV abusam de uma frágil diversidade para mostrar as ilusões  do mundo. Enganam e cultivam as obediências. As imagens nos envolvem com força. Inventam hábitos que produzem apatias e um sossego traiçoeiro. Quem não vê que o divertimento é um jogo complexo que risca a dúvida e arquiteta estratégias de dominação? O medo do não ou de ser rebelde deixa a maioria encurralada. A modernidade instrumentalizou o conhecimento, evitando provocar a permanência das ambiguidades. Não faltam simulações de generosidades.

Os anarquismos condenam a opressão do Estado e seus instrumentos de persuasão. Poder concentrado estigmatiza, desenha preconceitos, prepara territórios de insegurança. Mas o Estado está também desencontrando. O governo da aldeia global se estabelece com articulações que esvaziam a ética e trituram memórias. Perdem-se referências e histórias ganham fantasias que não se cansam de naturalizá-as. As perguntas se repetem, as respostas se diluem. Se a afetividades se esconde, como resolver as dissidências ou negociar os conflitos? A máscara é afirmação de uma possível identidade? A velocidade nos leva para incerteza quase absoluta.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>