Poder, Simulação, Controle, Violência

 

Conta-se que tudo surgiu com o pecado original. Houve um descuido de Adão e Eva punido pela força da divindade. Fala-se em perdão, mas parece que o perdão tem espaço restrito . Basta observar a história para registrar que o conflito está presente em todas as épocas. Não são, apenas, as grandes guerras ou as ambições dos colonialismos devastadores. A agressividade tem moradia na história, não acontece como uma surpresa orquestrada pelos demônios. As sociedades constroem suas ordens. Elas consolidam censuras e exaltam certas verdades. Os donos do poder se especializam em montar armadilhas. Os exemplos são muitos próximos, sacodem a cidade, arquitetam feudos.

Estamos na contemporaneidade. A modernização merece destaque. Todos se apresentam modernos ou buscam conversas simuladas que prestigiam os famosos avanços desenvolvimentistas. No entanto, continuam as diferenças  e as explorações, os preconceitos não se vão. As diferenças não estimulam diálogos, simulam pactos para obscurecer interesses. Raramente, firmam-se aprendizagens. Há uma permanência de ressentimentos e saberes que defendem desigualdades. Nada de calmaria, de afetos para envolver o mundo com sossego. O drama tem muitos enredos, como evidencia o que acontece no Estelita.

Não é exagero se afirmar que o canto do progresso necessita de suspeitas intensas. A história não é, contudo, um destino inabalável. Continuam a competição e o individualismo alicerçados no consumo. Ele seduz os grupos sociais. Ter é a palavra de ordem. Tudo isso gera disputas e nunca solidariedades. As mudanças tecnológicas obtiveram espaços crescentes. Mas é inegável que elas entraram também na dança da concentração de riquezas, mesmo que agilizem processos e transformem tradições seculares.A complexidade da história está presente e não adianta simplificar suas aventuras.

Muitos elegeram o império da razão para justificar êxitos. As ambiguidades nos deixam. porém, perplexos e a ciência não afastou comportamentos que poderiam ser anulados e redefinidos. Há uma instabilidade que se espalha. Temos dissidências religiosas marcadas por vinganças, xingamentos feitos gratuitamente, racismos ainda persistentes e apropriações de lugares para sedimentar mercados.O outro, aquele que está junto de nós, é, muitas vezes, a imagem do mistério. É difícil que os sentimentos fluam quando as desconfianças não se fragilizam.A violência se estende e expressa desprezo pelo coletivo.

Há sofisticações na forma de agredir, há técnicas que acirram controvérsias. Os meios de comunicação criam fronteiras, dormem, com exceções, nos braços dos patrocinadores.  A história não possui linhas retas, curte curvas e abismos, inventa e desinventa. As tensões concretizam pesadelos. Sentimos que o pragmatismo sem limites busca firmar ambições. Muitos que governam não exercitam a conversa, preferem a urgência da repressão com cinismos elevados, pouco compreendem do que significa arranhar a cidadania. Querem cargos e privilégios, vitrines com espelhos vorazes.

 

 

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2 Comments »

 
  • Romana Mesnard disse:

    Chegar a verdade com a reflexão desses últimos acontecimentos que diz respeito a nossa vida social torna mais clara a violência se preservada na sofística política.Ela quer persuadir, a sofística. Mas estamos atentos.

  • Romana
    É importante não se descuidar. Há muitas emboscadas.
    abs
    antonio

 

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