A aldeia global da desconfiança

 

A velocidade nos sacode cotidianamente. Quase não há tempo para refletir ou curtir sentimentos. Somos intimados a correr em buscar de sucessos ou de prestígios. Sobra pouco para observamos as ações dos outros. Há fechamento nas ondas do individualismo e dificuldade de abraçar valores. No século XIX, Nietzsche fez críticas ao mundo ocidental. Muitos falaram em decadência, falta de perspectiva. outros apostavam que a ciência traria grandes transformações O conhecimento aparecia como luz com poder de ressuscitar ordens e restaurar harmonias.

É difícil prever. O enredo da história não tem donos. Vai sendo escrito nos acasos, apesar dos discursos solenes de exaltação ao planejamento. Continuamos convivendo com guerras e agressões. Há até índices para medir a quantidade de corrupção. As revoluções terminaram consolidando poderes autoritários e centralizadores. Não é à toa que desânimos se espalham, mesmo que certas utopias permaneçam acesas. A sociedade de massas se alargou e os valores se misturam com os pragmatismos cínicos.

Confiar em quem? Tudo é um cenários de representações ambíguas? São os meios de comunicação que produzem  os hábitos? Será que é possível compreender a dimensão de certos conflitos quando os argumentos embalam os interesses? Os sentimentos sofrem com as incertezas. Se alguém estimula um comportamento solidário, há sempre quem suspeite de vaidades ou arrogâncias disfarçadas. Nem mesmo as proximidades seguram a confiança. Tudo lembra um produto, algo feito nos bastidores para acrescentar lucros e simular bondades.

Não custar lembrar certas situações.Recentemente, a Copa do Mundo entrelaçou culturas. A Alemanha foi a vencedora e consegui admiradores inesperados. Enfrentou a Argentina na final e contou com uma forte torcida. Muitos brasileiros soltaram fogos, fizeram celebrações, se deslumbraram com os germânicos. Uma surpresas para quem voltasse no tempo. Não faltaram, no entanto, controvérsias, discussões  nas redes sociais, apelos aos sentimentos sul-americanos. Armou-se um outro jogo, onde os espelhos destacavam imagens e a mídia atuava com frequência.

O alemães partem rumo às comemorações. O futebol entusiasma como nunca. Tornou-se um esporte dos espetáculos sofisticado tecnologicamente. Na festa, os jogadores alemães encenaram gestos que provocaram a ira dos argentinos. A desconfiança soltou-se. Aquele simpatia generosa transformou-se, para muitos, num lance  de hipocrisia cruel. A polêmica trouxe acirradas disputas sobre as ingenuidades ou sobre a manipulações que a sociedade ampara e reproduz. O exemplo não é ação incomum, mas anuncia que os preconceitos não se foram. Daí, surgem os impasses.

Muitos não percebem que a questão dos valores é profunda,mesmo nos atos, aparentemente, pequenos.Ela nos visita, pois as relações sociais não abandonaram as máscaras. Quem possui a verdade ou acredita em valores solidários quando a competição é o eixo  de convivência cotidiana? As desconfianças se somam às ações de violência. Crescem as tensões. Retomam-se conflitos, com uso de armas devastadoras. Na Palestina, prossegue o massacre, apesar dos protestos. Não fica por aí. A queda de um avião trouxe sinais que a Rússia continua agindo e as discórdias ampliam pessimismos. As dúvidas firmam instabilidades na aldeia global, soltam ruídos assustadores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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