A armadura da tristeza: nada será como antes

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A vida não é uma porta aberta. Temos que fazer peripécias para conseguir enganar suas armaduras. A multiplicidade de situações exige criatividade. A cultura responde e tenta ultrapassar limites. Mas a sociedade não deixa de conviver com as frustrações. A questão não é, apenas, a finitude. O mundo é um territória que adota uma complexidade que nos atormenta. Tudo acontece velozmente. As virtualidades distanciam gerações, corta empatias, torna o próximo estranho. Não se deixa de produzir teorias. O lado da sensibilidade está duramente afetado pela lógica do capitalismo.Ela é cruel e nos enche de ambições. No fim, dormimos com pesadelos.

Marx refletiu, com arte, sobre as astúcias do valor de troca. O mercado delira, joga com abstrações, precisa de bruxas. Lembro-me das histórias infantis, do espelho da rainha perversa. Os sete anões salvaram Branca de Neve, o príncipe amou a Bela Adormecida e Lobo fez estragos em Chapeuzinho Vermelho. São histórias que possuem versões. Tudo depende de interpretar o que significa os símbolos. Quem era o escravo no Brasil do século XVII, quem eram os trabalhadores nas fábricas inglesas do século XIX? O capitalismo não se montou sem ilusões. A modernidade apresentou-se iluminada, prometeu revoluções, ensaiou democracias. Agoniza.

Hoje, olhamos os medos fazerem pactos com a solidão, os amores despedaçados pelas urgências, os esconderijos sendo ocupados pelo desespero. Existem regras, ordens, lutas, eliminações. A fragmentação do mundo gera impedimentos, porém surgem cientistas que prometem transformar o corpo humanos e vencer a morte. São tantas as questões. as sombras derrubando as luzes, que o conhecimento namora com uma dimensão lúdica. Será que não é preciso reinventar os circos, mudar os palcos das academias com saberes mais leves?

Não sou muito vidrado nas máquinas. tenho, porém, minhas admirações. Gosto de caminhar e de conversar com meus sentimentos. Sei que existe rivotril, que uma noite de sono traz sossego. Sei também também que há desencontros, que a beleza se confunde com a tristeza, que minhas angústia podem ser caluniadas pelas invejas. A cultura não se constrói sem armaduras. Cada rosto desenha uma expressão. Somos decifradores. Somos senhores de alguma coisa. Não há como se desfazer das falas, nem jogar os dados para algum lugar no lixo do acaso. A porta fechada chama para atos de coragem, mesmo que custe lágrimas. A tristeza é uma parceira, tem poesia.

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