A arte, a pressa, o equilíbrio, a cultura

 

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Descobrir as medidas é sempre difícil. Não sei qual seria a medida certa para cada instante, quando ele revela impaciência ou descontrole. Definir equilíbrio talvez fosse uma saída. Mas como envolvê-lo com palavras que esclareçam sua forma? Falam na possibilidade da harmonia. Não há inferno , nem paraíso, apenas fantasias para facilitar a compreensão das culpas. Desde os primórdios que se procura a harmonia. Alguns decretam fórmulas. Há uma magia celebrada: não buscar os extremos e enganar os radicalismos.

Não faltam reflexões e não há como viver sem reflexões. Se a tristeza aparece, pede recolhimento, desconfia dos ruídos, então inventamos algumas acrobacias para se mover no silêncio. A vida é complexa, porque há muitas aberturas, o imaginário social desafia conceitos determinados. No entanto, no mundo que se veste de novidades só cabem pressas. Se a rapidez assume a direção do tempo o que sobra para reflexão? Elas são passageiras, justificam  comportamentos sem muita convicção, flutuam sem direção.

As nossas escritas organizam gramáticas, conceitos, metafísicas, tribunais de julgamento. Cada um estimula o que sua sensibilidade mais anima. As palavras também se aventuram pelos caminhos da harmonia e não desprezam a ilusão do equilíbrio. Qual o texto  que me esconde o segredo precioso do meu equilíbrio? Procuro  resposta, mas não encontro. Jogo tudo numa conversa interiorizada. Sinto descompassos, pois as sintonias são raridades. Portanto, a dissonância é soberana e indiferente.

Quando a palavra se solta no papel sinto que as incertezas pedem cores. Por isso que a cultura é uma quantidade incomensurável  de invenções. Não há controle que aprisione o desejo numa ordem permanente. Apesar das criatividades ou artimanhas, as faltas mostram que a história é povoada de absurdos. Seus territórios não se conformam com cartografias que garantam a exatidão. A argila que nos moldou é especial, sua fabricação é misteriosa.

Tente desenhar o tamanho da tristeza ou o espaço que ocupa a saudade e observe as vacilações. Dizem que a arte alimenta e traz a dimensão da transcendência. Sem arte, os labirintos nos levariam a loucuras infinitas. Então, a arte toca no equilíbrio, nos chama para superar as incompletudes. As estéticas são históricas. Quem admira a obra de Picasso? Quem escuta  Piazzolla com emoção? Como nos situamos na arte  do nosso tempo ou a consideramos estranha? Para mim, arte está na vida, movendo-se sem sossego.

Avistamos muitos fragmentos que compõem a sociedade. Eles possuem identidades, nunca fixas. Sinto que a harmonia poderia conciliar as interioridades que exigem pressa. No entanto, a sua permanência é uma viagem que conversa com a cultura. Ela diz do tempo, das suas situações, das suas marcas. Quem nos vestígios do ontem mais distante encontra a agonia que me incomoda no momento?. Posso também me lançar no futuro. Quem sabe rascunharia uma gramática mínima para atiçar uma pressa que impressionaria o absurdo?

 

 

 

 

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