A busca de saídas e entradas na política

 

A imaginação não pode ser descartada. Repetir o passado sem reflexão é melancólico. É preciso, portanto, buscar caminhos, movimentar a história. O Brasil passa por crises contínuas. O governo se encastelou, ameaça, sente-se soberano. A justiça tem vacilos. Não é  sem razão que a perplexidade cria raízes. Muitas passeatas, paralisações, discursos, análises, ocupações. Encontrar saídas para pular o cerco traz sonhos e atiça os apáticos.A insatisfação existe, a mídia tenta escondê-la, as redes sociais visitam polêmicas e a confusão se amplia. Mas será que estamos condenados aos desmandos e aos cinismos? Ou o exagero comanda a onda de notícias?

A mobilização estudantil ganha espaço. É inédita pela sua perspectiva e organização. Não dá para enquadrá-la em teorias. No entanto, não custa observá-la, elogiar sua busca de renovação, compreender o entusiasmo, sem deixar de visualizar limites e construir diálogos. Articular a luta é fundamental. Há experiências do passado que não devem ser esquecidas. A história não vive do momento, seu tempo se estende, não se esconde das aprendizagens. O cuidado com as lições apaga os autoritarismos e as hierarquias. A década de 1960 surpreendeu e desmanchou verdades esclerosadas, assanhou o desejo e trouxe o Deus que dança para o mundo. Houve magias. Surgiram saídas.

O presentismo é, muitas vezes, raso. Há debates que voltam, há quem suspeite das opressões do capitalismo. Nada é radicalmente novo, mas as ousadias se inquietam e apontam para coragens que estavam silenciadas. Há quem tenha medo, afirma que se faz bagunça, teme a desordem geral. A história não é o oceano de calmarias perpétuas. Se não há turbulência não se encontra o mapa do labirinto. O escorregão faz parte. Quem sossega fecha todas as janelas e arruma o velório. Não despreze os disfarces de quem se mostra magoado e especialista em democracia. As intolerâncias são comuns em época instáveis. “O penso logo, existo” pertence a uma outra época, expressa carências passadas.Lembro-me, novamente, dos encantos de maio de 1968 em Paris.

Sinto que a política se perde, hoje, nas suas tramas e esvazia princípios. Com entender a sociabilidade e criticar o individualismo? É preciso que a imaginação se erga, que se pense nas cores, na multiplicidade. O riso de Temer tem uma aridez incrível, desbota, fascina jornalistas sem critérios, construtores de fofocas. Não sei para que  tanta alegria ou se aquilo é cena de um espetáculo repleto de assombrações. Não custar conhecer o que os estudantes escreveram em 1968  numa tentativa de derrubar tradições e burocracias mesquinhas. Foi tudo rápido, mas os vestígios são valiosos. É fundamental ultrapassar o ” Fora Temer”, desfazer divergências divulgadoras de desconfianças. O espaço das invenções está aberto dentro de labirintos. Não podemos fechá-los.

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