A busca dos valores e os desencontros

Faz tempo que se anuncia que o mundo ocidental se desencontra. Com a crise  de crenças religiosas e o crescimento dos saberes científicos, tudo ficou muito confuso. A globalização arrastou dúvidas, criou nomes esquisitos para a concepção de progresso.Quem esperava que a China incorporasse tantos princípios do capitalismo? Portanto, as culturas se aproximam, comunicam costumes, mas as contradições continuam acesas e os conflitos se espalham. A diplomacia é um grande cenário de negócios e de cinismos. A paz é desejada e não cumprida.

Torna-se difícil reforçar o coletivo quando se dissolve a economia e o desemprego ganha espaço. A discussão é imensa e a desigualdade não se vai. Alguém se abastece de grana e outros nem sabem que futuro terão. Há manobras que disfarçam, suavizam, enganam. A felicidade se coisifica e o sentimento é tema de novelas. Não há apego ou cuidado, porém estratégias de competição sofisticadas. Ampliam-se ilusões que possuem preços no mercado, com vitrine luxuosas e privadas.

Uma sociedade sem valores não existe, nem tampouco a ausência de conflitos é possível. A questão maior é que as minorias mantêm o controle e soltam pedagogias que apenas reproduzem técnicas e recusam reflexões. A propaganda assume didáticas, configura comportamentos, admite-se com modelo de vida. Produz a concentração de recursos, não sem discursos especializados. Os sinais de ruínas estão em toda parte, transformam-se em atrações turísticas ou velharias insignificantes.

Há pouco tempo para refletir. Nem conheço meu vizinho. No elevador, o silêncio é brutal. A pressa quer garantir bons lucros, risos fáceis, bailes de confraternização que se apresentam nas colunas sociais. A corrida cansa, distrai momentos, no entanto enche o mundo de incertezas. Há quem se julga dono de paraísos, pouco liga para os outros cotidianos. A história desenha suas trilhas, não vence os paradoxos, termina inventando máquinas para afugentar as frustrações.

A imaginação é múltipla, nos salva de algumas amarguras. A arte sublima, veste fantasias, garante espetáculos. Tudo tem seu preço, sua alegria, sua decepção. As orações puxam energias. Para onde elas vão, não sei? A religião e a política entrelaçam crenças. Encantam-se com as astúcias do poder. Existe com redefinir tudo ou vivermos quantificando os fragmentos? Quem será o primeiro a testemunhar que fecharam as saídas e desmantelaram os valores? O feitiço traça suas tecnologias, sem dúvida.

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