A cidadania pede passagem no jogo das eleições

Domingo é dia de eleições. O famoso jogo das urnas que incomoda muita gente. Algumas certezas, dúvidas imensas cercam os ambientes de votação. Infelizmente, a cidadania não é vivida, no cotidiano, com força e decisão. As campanhas eleitorais ganham importância magistral, porque a política se esquece de cuidar dos seus deveres fundamentais. Criam-se as expectativas de novas opções e a esperança nunca morre de vez.

Pouco sabemos dos objetivos dos candidatos principais. A política, como tudo, tornou-se um espetáculo, onde o cuidado com o charme e a aparência podem definir trajetórias. Brasil continua com carências visíveis. Há medidas paliativas, aumento do consumo, superficialidade nos debates. Os partidos querem espaços de poder, cargos, não se lançam, em polêmicas, sobre as crises ou a violência articulada com a miséria de muita gente.

A questão é ganhar o campeonato, não perder pontos e assegurar vantagens em cada detalhe. As bandeiras da modernidade desfiam, como também as utopias que almejavam refazer o paraíso. O mundo atônito, se sente quase sem referências. A quantidade fascina os indivíduos. Contam os cartões de crédito e planejam suas compras. A ida aos super-mercados transformou-se num passeio de final de semana. O feriado e o descanso se desfiguram, diante das astúcias das mercadorias.

O jogo é o espelho ou a realidade ? Quando Neymar exige atenção é apenas um gesto infantil ou ele traduz os princípios da sociedade em que vive? Quando Zico sai do Flamengo, mostra insatisfações passageiras ou percebe que o futebol está numa negociação sem fim? Sempre as perguntas e não devemos abandoná-las. A cidadania resiste no inconformismo. As desigualdades não desaparecem com as badaladas políticas de inclusão. As intenções dominantes de amenizar os confitos são evidentes.

A mulplicidade de cores, de ruídos de buzina, de construções meteóricas não significa a chegada de um novo tempo. Tudo é transitório, instável, efêmero, como os resultados do Brasileirão e as derrubadas dos técnicos. Lá está Roberto Fernandes no Náutico com um discurso de redenção. Gallo partiu, para onde ninguém sabe. Por sua vez, os candidatos não formam suas plataformas, preferem ter a ajuda de estrategistas. As campanhas são milionárias. Liberdade, igualdada e fraternidade sumiram do corre-corre e ocupam, com sossego, os livros.

Chico Buarque, num dos seus belos versos, diz que amanhã vai ser outro dia. Vamos torcer para a consagração das profecias otimistas. Ele falava de um tempo onde o autoritarismo e a censura imperavam. Era dureza a censura  organizada com eficiência. A história é a construção da possibilidade. O absoluto submerge diante das sinuosidades do mundo. O risco e a aventura compõem a vida.

Como tudo pede regime de urgência, segunda-feira a sociedade se encontrará com um outro humor. O futebol também não para. Muitas partidas, lutas para não curtir a amargura da desclassificação. Novidades não faltam. O São Paulo expressa vontade de contratar outro técnico. No Arrudas, as eleições prometem ânimo, apesar das ruínas. Enfim, as informações não permitem foco único. A dispersão é uma constante ameaça à consolidação da cidadania.

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