A corda bamba insistente de Ronaldinho, o viajante

Ronaldinho não perde seu sorriso indefinido. Indecifrável, mesmo quando parece explicitar momentos de alegria. Ficam dúvidas. O prodígio que não andou todo extenso caminho, mas que caiu em ciladas cruéis. Não é um jogador comum. Sobram, contudo, indecisões. Há, muitas vezes, uma sonolência distraída no seu estar-no-campo. No entanto, é viva a memória das suas jogadas em clubes europeus. Não conseguiu consagrações animadoras na seleção brasileira. Sempre faltavam  algumas deslumbres, as assombrações dominavam as expectativas. Ronaldinho pretendia um reinado absoluto e a imprensa torcia por isso. As manchetes tinham vacilações. Ronaldinho seguia com seu sorriso e seu corpo amante da ginga e do pagode. Quem acredita nos desvios dos destinos e nas pedras que impedem a passagem pelo meio do caminho?

Voltou ao futebol brasileiro, cercado de negociações obscuras e tensas. Assis, seu empresário e irmão, que o diga. A roda-gigante não acelerava. Ronaldinho encontrou-se no Flamengo. Nada mais simpática que a cidade do Rio de Janeiro, maravilhosa para descortinar sucessos. Agora, reconstruir os alicerces, desfazer-se da poeira das ruínas e mergulhar nas celebrações da grana. Um oportunidade para afugentar medos, vestir a camisa da seleção e ganhar o entusiasmo do país do futebol. Era o desenho ideal , mas apatia da forma do rosto não revelava audácia, nem a coragem. O ocaso traçava os riscos da fama, torta e aflita. o perfume da traição se insere nos espantos da badalação. Se Ronaldinho não concretizava seus planos mais atraentes, imagine os desacertos acelerado do Flamengo.

 O lugar do sonho se nublava. Não se podem negar as glórias e a torcida apaixonada, vivendo o esporte como uma relgião especial. Os últimos anos, na Gávea, têm sido conturbados. Muitas dívidas, brigas internas, jogadas políticas, projetos megalomaníocos deixam as multidões desorientadas ou iludidas. Ronaldinho entrou, nesse labirinto, e se fixou nas suas encruzilhadas. Quem sabe não surgiria uma redenção, um paraíso entrelaçado com as visões do passado avassalador. A corda bamba não se arrumou. Sacoleja, com insistência. Idas e vindas, promessas fantásticas, fofocas frequentes, aflições desviando as estratégias de acumulação da grana. Muita conversa, pouca sinceridade, agitações emocionais condenando a inexistência de talento e o excesso das noites de pagode.

 A sorte não acompanha a trajetória atual do crack, antes celebrado como gênio. Ela não cultiva entusiasmo. Como se esperasse que o acaso desfizesse os atropelos e os beija-flores encantassem os jardins escondidos. O circuito da badalação possui muitas perversões. Destrói e desengana, desmanchando o circo no meio do espetáculo. Ronaldinho parece não escuta, com atenção, as batidas do coração. Move-se como um reflexo de mundo que exalta a mercadoria e elege a mídia como modelo de uma felicidade gratificada. Ele é um exemplo. Pense que, no meio da maior as astúcias, as vaidades terminam arruinando certezas. A sociedade do consumo fragmenta ingenuidades e questiona quem pensou se estabelecer com os toques do malabarismo, desatento às emboscadas nunca ausentes das celebrações.

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