A corrupção está na gaveta fechada do armário?

Continuam as notícias de corrupção atraindo leitores dos jornais. Não faltam desvios de verbas, ONGs repletas de projetos ilusórios, políticos interessado sem propinas. Não só no Brasil. Berlusconi se despede do governo italiano. Conseguiu pular cercos e agora destila lamentações. Comporta-se como uma vítima de adversários sem escrúpulos. Portanto, há inúmeras  sujeiras que ameaçam qualquer sonho de ética. As relações sociais se desfiam, pois os limites da confiança são atacados, com cinismo desmesurado. Não custa lembrar que a corrupção não é invenção da modernidade, mas que ela se sofistica com as tecnologias que surgem.

As redes sociais se agitam, passeatas promovem turbulências nas avenidas , minorias se organizam  disposição. Tudo isso persiste e deve ganhar mais espaço. O deslocamento das insatisfações é fundamental. Gente na rua provoca sensibilidades. É preciso ampliar o foco. A corrupção não reside, nos ministérios, ou nas armações das alianças políticas. Muitas perguntas merecem atenção, fora das machentes batidas da imprensa, em busca de sensacionalismo. No mundo do pragmatismo, as modas causam confusão. Onde estão os projetos políticos que enfrentem as dificuldades coletivas mais urgentes? E o cuidado com as banalizações que colocam de lado problemas antigos de gestão da Republica?

A grana atrai e corrói. Enchem contas bancárias. Incentiva as drogas, mobilizam comércios clandestinos, aprofundam individualismos. As carências da sociedade brasileira são incomensuráveis. Elas se localizam em lugares cruciais para firmar as sociabilidades e pensar a articulação de vontades políticas solitárias? De que maneira as propagandas também não contribuem para agravar as situações e atiçar formas sutis de corrupção? A competição não é um campo de vaidades e de arrogâncias que não escolhem princípios, mas motivam agressividades e negócios escusos?

A corrupção quebra pactos sociais ou rompe com as fronteiras e mistura o público com o privado? Parecem argumentos superados, de um tempo político onde as ideias ainda fluíam. Não nos enganemos com os exageros do aqui e agora. A memória dos exemplos passados pode trazer reflexões. Se as passeatas contra a corrupção ajudam no desmanche dos desmantelos, elas não devem se resumir a encontros sociais orientados por palavras de ordens que não toquem no caos da saúde pública ou na desigualdade que veste a maioria do cotidiano da população. O conteúdo está entrelaçado com a forma, isolar reivindicações enfraquece quem as comanda.A discussão é aguda, não contempla, somente, reuniões para chorar mágoas e queimar políticos.

Entender como o sistema funcionar, suas articulações e astúcias, educa. Nas ações sociais, pedagogias são construídas. Elas instituem comportamentos, quando ultrapassam o olhar da mídia e não adormecem nas belas tardes do domingo. Num mundo que se estreita não é permitido esquecer que há inúmeros arranhões globais e tremores de terra que não ficam, apenas, nas regiões físicas. Há disputas que necessitam de esclarecimentos e cuidado crítico. Observe as manobras feitas com objetivos de monopolizar os lucros com os impostos e o petróleo.Esse dinheiro  está sendo aplicado, em nome de legalidades constituídas? Desconfie. A corrupção mostra o vazio, a falta de reflexão coletiva no mundo das gavetas burocráticas.

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2 Comments »

 
  • Emanoel Cunha disse:

    É, a história da humanidade é construída através de diversos motivos que implicam nas relações sociais que o homem cria a a partir das políticas que são por ele instituídas e instauradas. No entanto, é preciso desenhar os paralelos refletidos e manifestados na organização de seus paradigmas culturais, ideológicos e conflitivas. Isso colocando em evidência os discernimentos característicos atribuídos nos seus vazios e urgências analisados nas suas práticas de se pensar de arquitetar e estruturar a sociedade.

    Emanoel Cunha
    Abs,

  • Emanoel

    A história não é uma linha reta. Vive seus contrapontos.
    abs

    antonio

 

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