A crise é dona do mundo e dos seus dramas?

Crise é uma palavra presente no cotidiano.Seu uso é contínuo. Em todas as situações, quando as tensões e os desacertos acontecem, ela aparece para definir os impasses e suas profundidades. Lembra tensão, momentos de transtorno ou dificuldade de fazer escolhas. Não se localiza, apenas, nos grandes espaços da política. Ela se espalha pelas atividades humanas. Não esquece as paixões. Perturba as vacilações dos sentimentos. Ganha significados quase universais.

O certo é que não podemos fugir do seu cerco. Somos marcados pela incompletude. Inventamos utopias, matemáticas, tecnologias, artes, mas lidamos com muitas lacunas. As insatisfações aparecem e a perplexidade não sossega. O mundo possui muitos caminhos, alguns planos e verdes, outros cheios de pedras e de vulcões. Tem razão Guimarães Rosa, quando afirma que viver é perigoso. Negar a crise não a faz diluir, nem tampouco traz a vida para seu eixo de equilíbrio.

Vejamos o agora. O Náutico se encontra metido em derrotas e inquietações enormes. Não consegue vitórias, seus jogadores reclamam dos salários e seus dirigentes parecem não se entender. Antes, era o Sport que mergulhava em águas turvas. As coisas se inverteram, num fechar de olhos. A velocidade desmonta reações e agrava as angústias. O Leão da Ilha busca ir para série A e enfrenta o Náutico no próximo sábado. Como se trata de um jogo, tudo pode suceder. Quem sabe se o Timbu não ressuscita?

Há jogadores que adormecem no sucesso. O caso de Ronaldinho é típico. Surgiu como um craque excepcional. As manchetes esportivas elogiavam suas partidas e seus gols maravilhosos. Foi para a Europa. Firmou contratos milionários, porém seu talento é misterioso. As controvérsias se acendem, quando se cogita em convocá-lo para seleção brasileira. Está no Milan. É chegado a cultivar uma apatia repentina.

Na política, a França vive turbulências. A maioria não aceita as propostas de Sarkozy. Protestam nas ruas. Milhões de pessoas revelam seus descontentamentos. As negociações devem ser articuladas, pois o país está no pique de uma crise profunda. Nos Estados Unidos, também, nem tudo são flores. Obama encontra resistências. Já não há aquela admiração pelo presidente e suas reformas. As desconfianças crescem e a popularidade diminui.

E nossa campanha eleitoral?  Houve renovação na forma de se apresentar dos candidatos? Há projetos delineados com cuidado ou valem as armadilhas? As acusacões transbordam as margens dos discursos. Tudo é motivo para polêmicas. A vigilância tem o tamanho dos boatos. Não custa aprender. Ausentar-se não é a solução, porém exaltar o baixo nível é um suicídio. A política envolve-se com a complexidade do poder. Nela, a incompletude compõe suas sinfonias mais trágicas.

Pensar numa sociedade ideal, silenciosa, sem mal-estar, talvez seja um sonho incessante. Encostar a cabeça no travesseiro, embalado pela a coerência e a paz, é desejo de quem se desfaz das invejas. Mas as contradições nos  invadem e a pedagogia da disputa impera. A crise instala-se no leito e se cobre com o lençol, como soberana absoluta. E nós voamos nos traços de Van Gogh.  Na  sua (re)invenção das cores, respiramos sem utopias.

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