A cultura da exclusão e da violência: solidões

Quem acreditou que a história caminharia para bons encontros e celebrações coletivas, ficou sem embarcar no último navio. Pensou que a esperança salvaria tudo e a sociedade iria consagrar antigas utopias. Não se lembrou das teorias de Marx denunciando as contradições, nem das críticas de Nietzsche aos valores ocidentais. Esqueceu que os frankfurtianos conseguiram assinalar controles que evitam rebeldias. E Freud que não deixou de lado o inconsciente e ressaltou a força da pulsão de morte? Civilização ou barbárie? Estava fragmentada a fantasia da ordem e do progresso e acesos prenúncios de ideias totalitárias, opressivas e egocêntricas. Outros pensadores também não se fixaram em profecias otimistas. Basta ler Rousseau, Schopenhauer e os românticos mais radicais. O desgosto tem seus adeptos, nem tudo é festa de amigo secreto. O sonho foge, não é eterno e o pesadelo se impõe em momentos incertos.

Ler as teorias e as interpretações da história é incômodo. no sentindo de promoverem inquietações e inseguranças. no entanto, a sensibilidade aponta caminhos. Não precisa altas reflexões. Quando vemos as instituições desabaram ou o cotidiano se tornar uma aventura o desânimo se fixa. Instalam-se  desgovernos contínuos. Quebra-se a solidariedade e reforça-se a competição. Não é uma questão apenas de acumulação de riqueza. As vaidades não cedem, nem também as arrogâncias opressoras. Espaços abertos para exercer práticas de exclusão, sem remorsos e com intensidade. Fica quase impossível o revide, pois o monopólio da violência garante a supremacia da minoria. As religiões e as utopias se desmancham e o valor de troca se infiltra rapidamente. O mercado é sinônimo do Capitão América

Não se trata de algo localizado, com registros em regiões pobres. O tráfico de drogas, a manipulação dos preconceitos, a homofobia nas ruas, as propagandas, a política do cinismo estão soltas. Há quem defenda que o capitalismo acendeu a criatividade se adapta com eficiência os desejo humanos. Desconfio sempre dessas afirmações, sempre acompanhadas de estatísticas divulgadas insistentemente. Não faltam consultores articulados com a mídia e os oligopólios. Os intelectuais continuam. Justificam manobras, discutem conceitos, sentem-se produtores de verdades. Firmam-se, alguns, ao lado dos dominantes e, às vezes, apagam suas próprias memórias. Se as tensões se estendem, os ressentimentos não deixam de gritar. Não custa reler Cem Anos de Solidão e sonhar com Macondo. Gabriel continua por aqui.Os arcanjos não abandonam missões.

Cria-se uma lógica para estabelecer pedagogias, totalmente, adversas às possibilidades de superação da nossa incompletude. A luta não é apenas por lugares no poder. A subserviência existe e estrutura salários. Tudo isso requer planejamentos nada inocentes. Reinventam-se fascismos disfarçados. Os mais frágeis são envolvidos. Não é sem razão que as violências mesquinhas transformam-se em  escândalos globais. As notícias ganham pela insistência. Não estamos no meio de novidades, porém é preciso estar atento. Há um ritmo. Nem tudo acontece, ao mesmo tempo. Há acasos e estratégias detalhistas. As instituições minadas são sinais de uma sociedade descarnada. Fertilizam o medo , a loucura dos deuses.Não apague os encantos de Octavio Paz. Não se canse de reafirmar que o homem é uma metáfora de si mesmo.

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