A cultura e a ruína

Exercer o poder central é sempre um desafio. Quem pretende calar as rebeldias pode cair sem sentir que a queda está próxima. A história é longa, passa por travessias inesperadas, sobrevive aos desencontros mais ferozes, porém convive com disputas e as polarizações se ampliam.Quem controla o poder sente que há muitos ruídos. Procura meios de construir saídas e não deixar seus aliados desamparados. A luta política não cessa, tem cores confusas, desilude, inquieta.Esperar que, uma dia, ela se encerre é um sonho pouco provável.

Vamos seguindo. Há manifestações de ódio, houve genocídios gigantescos, há sentimentos de destruição e ruínas que poluem paisagens alternativas. Compreender como animais sociais manifestam suas intenções nefastas desfaz expectativas que os labirintos se desfarão. Crescem os caminhos nada lineares e as sofisticações tecnológicos ajudam a agitar negatividades e preparar armadilhas. Diante de tantas contradições, há suspiros de desesperos e medos. A sociedade se fecha, para alguns, que buscam solidões cercados de prédios por todos os lados. Como fazer, como contemplar, como curtir o perfume do sossego?

Os gregos escreveram tragédias e aprenderam a nomear limites. O ser humano inventa a cultura, mas não abandona práticas que desmontam afetos e nos empurram para abismos. Existem milhares de estranhamentos. Os mitos narram possibilidades, multiplicam fantasias, revelam a persistência das dores. As especulações gregas não se foram. Apolo chama atenção de Nietzsche, Freud não nega a importância de Édipo, as modas exploram a arte clássica. Os gregos conversavam, queriam resolver impasses, não superaram, contudo, as relações de escravidão. Navegaram em ambiguidades radicais.

A sociedade não fechou as portas da reflexão, muda metodologias, arruínam lembranças do passado, instituem teorias e ameaçam a sobrevivência da sociabilidade solidariedade. Os suspenses assustam, pois desequilíbrios ocupam corações e as guerras invadem as mínima aventuras cotidianas. Não é fácil sair de perplexidades, refletir que o lixo contamina incessantemente pesadelo mais cruel. Os desencontros firmam temores. A cultura ganha espaços angustiante e apagam nostalgias de paraísos. Por que as agonias permanecem tão ofensivas? A ruína é companheira da cultura? E nós somos inventores de nós mesmos?

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