A dança das opiniões: desconfortos

 

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A sociedade organiza julgamentos. Existem juízes, mas ele se cuida. Possui suas opiniões, não deixa de assimilar certas mudanças. Nessas fases de instabilidade, aparecem as memórias escondidas ou gente que já foi comunista, cristão, liberal e vai seguindo uma dança esquisita. Santifica-se. O oportunismo é algo presente no jogo dos interesses. Aplaudem Moro, sem censuras, porém se sentem bem junto de quem tem cargos. Procura curtir privilégios com sutileza. Mostra que acusou o capitalismo, que foi perseguido com o golpe de 1964. Quer salvar o que resta. No entanto, continua administrando suas ambiguidades com servidores e plateias articuladas. Espertezas.

São os caminhos da história. O ontem sobrevive e para alguns é preciso fantasiá-lo. Buscar equilíbrios generosos ou mergulhar nas neuroses cotidianas? A sociedade acolhe fragmentos, admite cinismos, imagina que haverá salvações. O moralismo é agudo, religioso, avassalador. Vamos punir os culpados, todos os culpados, sem cultivar ressentimentos. Não sejamos tolos. Não há capitalismo sem descontrole e desigualdade social. Há um silêncio em torno disso. Ainda celebram a democracia brasileira. Quando ela existiu? Sempre houve minorias concentradas nas granas.

O PT preparou um discurso de transformações, ousou chegar ao poder, teve atitudes combativas. Misturou-se com outras  forças políticas e tropeçou com alianças nada saudáveis. Frustrou uma grande maioria. Lula se tornou um alvo especial. O problema é amplo e não mora num único lugar. Não se muda com sorrisos falsificados, desprezando a educação e intimidando as rebeldias. Há um caminho longo que não pode sacudir fora a reflexão, nem se abastecer com o messianismo. Se o coletivo não deseja ultrapassar a ordem da minoria fica difícil. Ela se sente carente de auxílios menosprezando a grande maioria marginalizada.

Não faltam debates teóricos. Há quem se aproveite para se firmar como guru. Mas a violência não é  apenas numérica. Ela tem seu simbolismo. Nossas opiniões expressam  medos e  desistências, ninguém se solta no vazio só pára agradar amigos. Um dia desafio, hoje estou de joelhos. A incompletude humana fortalece a complexidade. Ela atravessa uma sociedade cheia de tecnologias que ajudam também a mentir. As utopias apontam soluções, porém o desconforto incomoda. Ao olhar o passado, não custa observar que a memória se faz com lembranças e esquecimentos. A fantasia não se rasga à toa.  O engano bate na porta dos covarde e dos profetas.

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