A depressão e as festas virtuais: o balanço da desconfiança

Estamos envolvidos por notícias assustadoras. Não sabemos se vai aparecer alguma luz. Denúncias se multiplicam,  golpes com identidades renovadoras se afirmam. O debate é mesmo inquietante. Portanto, os ânimos assustam, pois há comportamentos fascistas e corruptos soltos ditando normas. Tudo é confuso, os julgamentos vacilam e a sociedade vive desmanche de instituições. Mas fechamos os olhos para outros problemas que se espelham pelo mundo e arruínam valores. Já assistiram aos documentários que mostram crianças sendo treinadas para entrar nas guerras? Já pensaram nas repercussões das disputas religiosas e dos terrorismos que se propagam pelo mundo? Elas não se fixam , apenas, nos chamados países pequenos. Observem as pressões imperialistas.

Numa situação de tantos dissabores, há questões que intimidam e corroem as sociabilidades. O movimento de intranquilidade não cessa, se aprofunda, desnorteia. Não é sem razão que os afetos se decompõem. Há dados espantosos. Existem 11 milhões de pessoas que sofrem de depressão no Brasil. Um número que mostra a perplexidade que arrasta coragem e configura medos. As indústrias farmacêuticas ganham fortunas com a venda de remédios para controlar os dramas individuais. A forma de sistematizar as convivências não prometem salvações, porém cavam abismos, celebram as explorações e o descartável.O desamparo não é algo passageiro. Em quem confiar se as suspeitas marcam o convívio? A fragmentação é indecifrável?

O capitalismo não perde tempo. A política não se afasta da economia. As grandes corporações a financiam. O desencontro geral, diminui esperança, oprime planos de libertar-se das pressões. Essa forte desconfiança, que concentra poderes, monopoliza riqueza, desequilibra. As pessoas buscam fugas. Não se escutam. Fantasiam inimigos, surgem heróis alimentando discursos de ódio. Apesar das inúmeras teorias, das campanhas educacionais, dos espetáculos, há algo de podre que atormenta e se reverte contra as convicções de que as saídas podem ser vistas, que o que existe é um incompetência nas gestões administrativas.Freud anunciava, em suas obras, as tensões permanentes. A expectativa de que a história amplia mudanças possui muitas ambiguidades. Os balanços se movimentam atraindo suspenses anônimos.Enquanto não se sepultar a ideia positivista de progresso, ficaremos nos enganando e submissos aos anseios da grana.

É  espantosos como negam o social e procuram individualizar os problemas. Somos animais sociais, não devemos esconder as necessidades artificiais manipuladas cotidianamente, as comunicações virtuais semeando ilusões, as vitrines comemorando a chegada das novidades. Como desejar que a sociedade se renove, respire, se a melancolia transformou-se numa epidemia? Se há as viroses que destroçam os corpos e deixa dúvidas nos serviços de saúde pública, as emoções e os afetos também são atingidos radicalmente. O que esperar, se o tilintar da moeda dá ordens? A casa não se abre se a chave é falsa e a dança é macabra no interior dos seus quartos.Não é na calça desbotada que mora a felicidade. A festa não deixa de acontecer, mas ela curta e virtual, refugia.

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2 Comments »

 
  • Barbara Melo disse:

    Ótimo texto!! Uma reflexão muito pertinente! Ver o todo influenciar o uno e vice-versa, e perceber que individualizamos a maioria dos sintomas sociais. Isolados, os seres humanos arcam com toda a culpa, sentindo-se cada vez mais incapazes quando na verdade somos um reflexo de tudo que está à nossa volta. Vemos como a <a href="http://negociomulher.com/&quot; ansiedade se tornou o “mal do século” não às custas de defeitos de nascença, e sim às causas de uma sociedade cada vez mais voltada ao consumo, como se as coisas pudessem substituir o afeto e as relações humanas. Por isso devemos incentivar a troca de pensamentos que acordem zumbis!! Parabéns.

  • Bárbara

    Agradeço. Concordo com seus comentários. A interligação é sempre visível. Ela deve ser ressaltada.
    abs
    amtono

 

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