A depressão solta-se no século XXI

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Li um livro que me impressionou: “Os deuses das pequenas coisas”. Não vou dizer quem escreveu. Procure e sinta-se contemplado. Mas como desprezamos os detalhes! Queremos tudo imenso. Somos ambiciosos, jogamos no time dos monopolistas. Compreender a complexidade é algo interminável. Não há como abraçar a totalidade. Estamos acompanhados de pequenas coisas, com minúcias. Imagine pensar o universo? Então, o olhar cuidadoso para o cuidadoso, para a toalha que ficou no quarto, a faca que caiu no chão, o amigo que perdeu a carteira. Sugiro metáforas, sem espalhar teorias acadêmicas.

A depressão é a doença do século e pensamos na vacinação da gripe. As pessoas apáticas, com preguiça de perguntar, não conseguem ânimo para cair de casa. O mundo caiu numa epidemia invisível. Na apologia do sucesso, exigimos mágicas, somos escravos dos luxos e vaidades. Esquecemos os limites. De repente, bate um incapacidade insperada. O emocional se desconhece, não estimula converse, consolida estranhezas. Os fantasmas aparecem e as monotonias avançam nos corpos. A solidão não se vai. A agonia se instala. As vitrines do fracasso ganham espaço. Freud e Lacan se balançam nos seus túmulos.

A sociedade está, coletivamente, enferma. O narcisismo é cruel, a massificação nos cala. Não existem companheiros? Somos parceiros de grandiosidades? As farmácias se enchem de remédios com tarjas pretas. Há uma em cada esquina. Será que isso é normal ou os valores forma detonados? Acontece que temos que trabalhar todos os expedientes. Qual é o tempo do afeto? Para que serve olhar as cores, sentar no banco da praça? Contamos o que será o futuro. E a nossa história onde se localiza? A frieza dos ambientes não depende das máquinas, porém lembram energias pessoais. Os compradores querem salvar suas almas. Sonham com milagres.

Não se espante. As tecnologias andam velozes, os problemas aumentam, os deuses também se lamentam. Vivemos arrastados por diagnósticos numéricos. Louvamos o desempenho. Perdemos a vontade de gritar rebeldias, nos escondemos em quartos sombrios, contemplamos paisagens de concreto, pálidas e improdutivas. Não precisa desesperos, mas compreender que as histórias dependem de  inquietudes e não de torturas mentais. Não adianta acumular, nem considerar que a competição é chave da vida. Para que tantos objetos? Os deuses das pequenas coisas se multiplicam. Você é onipotente ou deixou seu lexotan na mesa do bar? Não fique frio, deixe o sangue circular.

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