A difícil convivência

Cada um com suas questões. Somos diferentes,embora não vivamos sem o afeto dos outros. A história caminha nessa complexidade que não tem fim. Há muitas lendas sobre as nossas origens. Muitos elegem deuses, criam fanatismos, tornam-se escravos da fé. Isso não elimina as incertezas. O mundo está repleto de dúvidas, de ruínas, de desencontros. Houve épocas plenas de utopias, de esperanças, de sonhos gigantescos. No entanto, muitas expectativas sucumbiram. Firmou-se um economia baseada nas competições e com ressentimentos vestindo as mais diversas políticas.

A violência, então, ressuscita preconceitos, desfaz liberdades e promove milicianos. Nos Estados Unidos, os tiroteios são comuns. Não adianta exaltar armas, buscar obscuridades, mostrar saudades de fascismos. Tudo isso produz tensões e escondem descontroles. As invenções culturais sofrem, ficam, restritas a consumos, não mergulham nas identidades mágicas, nem se inquietam com memória. As apatias são comuns e os governos se desenganam com projetos mesquinhos que aprofundam a pobreza. O reino da fragmentação se amplia.

A história tem suas crises, conviveu com muitas guerras e colonizações. Mas, hoje, a multiplicidade de desacertos acelera desesperos e distopias. Poucos usufruem de riquezas, muitos se viram num cotidiano destruidor. As contradições sempre existiram, porém a globalização as tornou mais complexas. O que representa o sistema político chinês? O que querem os totalitarismos que surgem na América do Sul? Como anda a ecologia? Por que tantos extermínios? Quem perpetua as imagens das vinganças?

A perplexidade se acede. Esperava-se progressos científicos, pactos de paz, condenação de racismos. Os labirintos cresceram, as armadilhas se sofisticaram e os muros estão altos. O medo percorre comunidades punidas com disputas de grupos para definir quem rouba mais. Portanto, a sociabilidade não se afirma de forma solidária. As brechas diminuem e a história procura reinvenções. Não se sabe o ponto final, apenas que resta caminhar e não ser dominado por tanto desencantos.Conviver é um desafio que assusta e precisa de reflexão e ânimo.

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