As complexas relações das diferenças e das novidades

Não há como ficar quieto. A sociedade armou-se de tantos meios de comunicação que as informações circulam sem parar. Fica difícil distinguir o que é o antigo, o que é moderno. O negócio é veloz, veste-se com o encanto da novidade. Como a memória encontra-se em situação desfavorável, tudo gira numa confusão profunda. O deslocamento move heterogeneidades imensas. Estamos, porém, numa sociedade de massas, repleta de objetos acumulados. Muitas diferenças, mas fica uma desconfiança de que os disfarces existem e falsificam o esforço da crítica. Os meios de comunicação têm força autoritária, pois balançam mercados e instigam desejos.

Num mundo de números gigantescos, as regras, sem cerimônias, se transformam. A quantidade de informações não é, apenas, uma concentração de anúncios de produtos para consumo. Ela também sacode a política. Nas eleições juntam-se partidos com siglas estranhas, exaltando a democracia e o socialismo. Antigos inimigos refazem alianças com comemorações públicas. Quem se sente excluído perde o caminho do privilégio e pergunta se o pesadelo é maior que o sonho. Por isso, as regras mudam de lugares e de tempos. De repente, sorrisos aparecem, onde antes havia rancor. Compreender tantos malabarismos causa dores de cabeça. Vem a dúvida fatal: votar em quem?

A lógica do capital garante os suspiros das grandes empresas. Ela precisa de movimento. No entanto, a lógica econômica não está longe dos sentimentos, das manifestações culturais, dos pactos políticos. A sociedade perde-se em criações de fronteiras. Ela observa a inutilidade do ritmo de alguns que tentam o diálogo e a transparência. Tinha razão Marx quando descreveu as aventuras do capitalismo. Muita coisa se redefiniu, porém o fetiche da mercadoria arrasa resistências e distrai rebeldias. É preciso não esquecer as subjetividades. Não somos seres de contabilidades objetivas. Temos interiores, segredos, saudades, medos. As leituras dos danos do capitalismo devem ser mais amplas, para além da miséria visível.

As mudanças sociais são acompanhadas por buscas e fugas. As teorias se renovam, o cotidiano exige atitudes, mas quem domina não deixa de firmar seu lugar. Não usa, somente, a força e a intimidação. A sofisticação é angustiante. O volume de informações apressa a necessidade de compreender o que se passa na vida. Além de tudo, as hierarquias aliciam, desmancham utopias. A luta permanece, porque as controvérsias não se vão, apesar do poder de sedução de quem vence e engana. Os totalitarismos oprimiram, foram violentos. Há, contudo, combates, dissidências, contrapontos. A história é a possibilidades e não o ponto final.

Hoje, a complexidade social se aprofunda. Mas as sociedades aumentaram suas dissonâncias com o crescimento das culturas. Mesmo que os governos fechem suas portas para a democracia, mesmo que os conformismos se alarguem, nem todos olhos adormecem. As diferenças sobrevivem. Se os meios de comunicação contribuem para consolidar ilusões, eles não possuem seus espaços todos ocupados pelas tradições, nem tampouco as novidades representam reviravoltas. Entender os significados das diferenças é fundamental, para desfiar as máscaras que impedem a crítica e o inconformismo. A razão cínica mora onde a quantidade prevalece e amedronta.

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2 Comments »

 
  • Peixoto disse:

    Caro Professor,saberia me informar se a bibliografia pedida em cada linhas do Mestrado em História da UFPE, muda a cada ano? a cada edital? Ou se,pelo o menos há sempre uma relação sempre recorrente?
    Pois,se a cada ano, a bibliografia muda, isso não dificulta a vida dos candidatos,especialmente de fora? Por favor,me responda. Meu e-mail: seupeixoto@gmail.com.br

  • Peixoto

    Há mudanças. É bom você ligar para a pós. O fone é 81-21268292.
    abs
    antonio

 

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