A difícil situação dos goleiros: os arcanjos esquecidos

Diziam que onde os goleiros pisavam, não nascia grama. Era o anúncio da maldição. Os atacantes são os escolhidos pelos deuses da bola. Quando bem sucedidos ganham milhões. O goleiro convive com a fatalidade. Se falha, derruba resultados e fortalece traumas. A condenação é rápida. O futebol não preserva o princípio do equilíbrio. Faz parte do universo da paixão.

Estou, nos caminhos das lembranças, comungando com conversas da memória. Conhecendo algumas histórias dos goleiros, me vem, de imediato, a de Barbosa. Quem não já ouviu falar da famosa derrota de 1950? Trauma nacional  só desfeito com  a vitória de 1958. O Brasil perdeu a Copa. Barbosa, goleiro respeitado, terminou ficando com o peso maior do desastre. Uma injustiça e uma pergunta: por que o ataque não foi mais efetivo?

Gilmar (foto) merece, sempre, estar no altar dos grandes arqueiros. Tinha uma calma excepcional. Engolia seu frangos, sem alardes. Nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio. Esteve com a seleção  nos Mundiais de 1958 e 1962. Acampanhou craques inesquecíveis, como Pelé, Didi, Zito e tantos outros. Conseguiu firmar uma liderança nos títulos conquistados.

Muitos passaram pela seleção. Manga e Castilho tiveram seus momentos, mas não tão festejados. Manga fazia defesas espetaculares, porém não mantinha a segurança esperada em muitas ocasiões. Jogou em vários clubes. Foi ídolo no Botafogo e sobre ele existem muitas histórias intessantes, como as contadas sobre  Garrincha. Castilho consagrou-se no Fluminense. Era corajoso nas suas intervenções. Na seleção, não teve muito espaço.

O atual técnico Leão também passou pelo escrete. Era visto como bom goleiro, porém sempre polêmico nas relações pessoais. Nos clubes, por onde atuava, as intrigas não eram poucas. Leão chegou a ser treinador da seleção nacional, sem êxito. Sua demissão  o deixou magoado e trouxe prejuízos para sua carreira. Já Dida, discreto nas suas atitudes, apareceu bem e se afastou da seleção, sem traumas.

Rogério Ceni continua ídolo do São Paulo. Além de ser festejado, como verdadeiro paredão, cobra faltas com maestria. Tem décadas como goleiro do tricolor. Comentam que vai permanecer como dirigente. Ceni possui prestígio, recebe elogios da imprensa, no entanto não é assíduo, nas convocações da CBF. Sente-se injustiçado, embora não toque muito no assunto.

Por aqui, assisti a muitos confrontos, onde os goleiros me chamaram a atenção. Não esqueço de Valdemar que marcou época no Náutico. Seguro e elástico. Detinho, do Santa, me impressionava pela vibração e malabarismo dos voos. Salvou a Cobra Coral de muitas derrotas. Seu lugar, na minha memória, é especial, embora não negue as boas partidas de Gilberto, outra figura importante do futebol pernambucano.

Não sejamos, apenas, envolvidos pelo passado.É imprescindível ressaltar o  agora. Quem não se emociona com a agilidade de Magrão? Quantos resultados ele garantiu para o Sport? Sua simplificadade e profissionalismo são exemplares. Seria incorreto não enaltecer, também, a boa forma de Glédson. O Timbu está bem protegido com suas performances. Enfim, os goleiro são os arcanjos de qualquer equipe. É estranho que não lhes rendam mais homenagens. O esquecimento apaga momentos de brilho do futebol.

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2 Comments »

 
  • Paulo Azevedo disse:

    Não podemos esquecer do mítico Lara, o imortal tricolor. Eternizado no hino do Grêmio Foot-ball Porto Alegrense, diz a lenda, teria morrido em campo após defender um pênalti, num GreNal em 1935. Na verdade, o craque que por 15 anos representou o lado azul do Rio Grande, estava Tuberculoso e saiu de campo direto para o hospital, após ter jogado 45 minutos no sacrifício. Morreu cerca de 15 dias depois.

  • Paulo

    Com certeza , há vários que merecem destaques. Fui apenas na minha memória. Quem se lembra ou conhece outros goleiros, o espaço está aberto.
    abs
    antonio rezende

 

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