A dor da perda: a memória do nazismo

Li Afogados e Sobreviventes, livro do polêmico e corajoso Primo Levi. Analisa, sente, descreve o poder assassino das ações nazistas. O holocausto foi uma queda para se entusiasmava com a civilização ocidental. Quem duvidava da perversão se machucou. Hitler manipulou com uma esperteza incrível seus adeptos.Eram muitos e não inocentes. Aceitaram crimes dantescos, colaboraram para exterminar pessoas, misturaram ódios com discursos científicos. Levi não poupa, mas também não desfila ressentimentos. As perdas não devem se esquecidas. O nazismo celebrava agressividade, atormentava com uma crueldade inusitada.

O livro de Levi é indispensável. Ajuda-nos a compreender culturas e desnudar mentiras. O progresso não aconteceu como se esperava e admitiam os otimistas.. Os totalitarismos trouxeram vinganças, sacramentaram passados bélicos, acederam racismos. Os mandamentos de Hitler seduziram e empurraram desejos imperialistas. Puniu e puniu-se. Suas lembranças tocam na sensibilidade solidária, porém há quem levante o valor de tortura e defenda as opressões programadas. É preciso não exaltar o autoritarismo, nem rasgar sonhos. O mundo é vasto se o diálogo se amplia e a violência não agonie e amedronte cotidianamente.

As palavras de Hitler não se foram de vez.Acumulam fazeres históricos, traz fugas, travessias que pareciam impossíveis. Consolidam complexidades. Hitler conviveu com parceiros históricos. O lado obscuro já era denunciando no paraíso, nas lendas mais antigas, nos mitos pioneiros.Caim matou Abel. O império romano trucidou culturas. Faz tempo. Pinochet agrediu sentimentos e festejou assassinatos. Não faz muito tempo. Há quem comemore desperdícios e ataque os valores que anunciam liberdade. O lixo da covardia ainda permanece na sociedade como tatuagens que escondem culpas e desenham armadilhas.

Navegar pelas invenções culturais é um grande desafio. Os quadros de Picasso, os romances de Kundera, as bombas atômicas, as rebeldias dos anos 1960. Tudo atinge cores inesperadas e acasos que colocam sempre questões e incertezas. Para onde vamos? Quem se banha nas águas do capitalismo? Quem brinca de costurar ameaças? Quem planeja golpes? Quem adormece com as hienas? O sossego lembra um mundo pacificado. Primo Levi não se omitiu, nem seguiu os oportunismos e as máscaras. Talvez, haja escassez de coragem numa sociedade mergulhada no consumo. Quem se livra dos naufrágios das dignidades e pede passagem para expulsar da história as desigualdades e os que cultivam as tormentas?. Sobreviver é uma luta de escolhas e fantasias.

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2 Comments »

 
  • Daniel Silva disse:

    Os autoritarismos seduzem os que também querem um pouco de poder. Lembro de Foucault. Falta autonomia para quem se rende a líderes insanos. É preciso ouvir Belchior, mas, insistimos na anti-poesia gospel. Nietzsche afirmou a morte de Deus. Os homens o ressuscitaram como o Deus vingativo do Antigo Testamento.

  • Daniel

    Que instabilidade!Queda de valores e confusão de sentimento, mas vamos segundo
    abs
    antonio

 

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