A escrita é a casa e o muro é o limite?

 

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Talvez, não morasse fora de mim. Sinto que o corpo olha o mundo de muitas maneiras. Não há nada definitivo. O calendário da morte e do paraíso não nos pertence. Gosto de nomear e acredito que as palavras possuem magias. Mesmo que a tecnologia enlouqueça, não vejo o fim da palavra. O mundo não está cansado dos seus significados. Ele os acumula. Não esqueça que vivemos num capitalismo sem freios. O que me estremece é que a lógica dominante sufoca com sua hierarquia de poder. Falta fôlego quando corpo se despede e a terra é ferida.

O muro não está só no Pink Flloyd. Ninguém passa por dentro do muro, mas as palavras sobem e o atravessam . Ele é um limite. Não jogue no lixo, o ato de transgredir. Observe os textos de Hannah Arendt e não deixe de lado a declaração de amor que cada palavra traz. Dizer que ela é uma cientista política é muito pouco. Ela via que a solidão podia se tornar totalitária e invadir nossa casa. Os tiranos são solitários. Estão dentro de um eu feroz, se apegam aos fascismos, riscam o outro com brutalidade.

Não renegue seu instante de falar, porém construa invenções, não fique estático ouvindo o apito do guarda. Escreva nas paredes, no chão da praia, no guardanapo de um bar, no gozo do anjo desconhecido. Lembre-se de Picasso. As geometrias possuem uma estética, às vezes, surpreendente. Pergunte: a arte viveria sem a surpresa? Portanto, sacuda os números e dance um tango de Piazzola como se naufragasse nos mares avermelhados  The Beatles não morreram. O que mora na imaginação não está ausente da vida. Cante Yesterday e provoque o bandido da luz azul. Ele está atrás das nuvens brancas.

Não interessa o que exite. Camus questionou, Sartre agitou, Simone desafiou. abalaram as tradições e o mesquinho,A história não é a linha reta, nem  se restringe a mudez de um pesadelo sem nome. Não se fatigue. Pinte com a palavra, ame com a palavra, viaje com a palavra, adormeça com a palavra, fuja com a palavra. Quanto mais escritas povoarem o mundo mais afetos multiplicarão seu desejo. A fragmentação é uma leitura do mundo. As conquistas de Zeus eram humanas, os deuses contemporâneos adoram indulgências. O muro é o limite quando a palavra se esconde. Ele pode, no entanto, proteger a casa desabitada,

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