A fama está em cada esquina da vida moderna

     

A sociedade elege seus ídolos. Precisa de realizar seus sonhos.Os modelos servem para alimentar fantasias. Mesmo as ditas relações tradicionais exigem transcendências, para além das questões religiosas e divinas. Os mitos estão presentes, em todos os períodos. Não encerram suas aventuras, apenas mudaram suas vestimentas. Hércules representa força e astúcias. Édipo luta contra o destino. Júpiter mostra seu comando, com suas vinganças. 

No mundo contemporâneo, o espetáculo assume lugar de destaque. Os heróis não desistiram de glorificar seus atos. Eles estão nas guerras, nas rebeldias, nas greves, nos confrontos das crenças. Mas a fama não fica restrita ao grandioso. A coragem torna, momentos do cotidiano, cenários especiais. Alguém salvou uma criança de afogamento ou evitou que um assalto se consumasse. Outros distribuíram parte, de seus prêmios lotéricos , em comunidades carentes.

Tudo se agiganta. Cabe a mídia decifrar os códigos do sucesso. Não se deve esquecer a velocidade que acompanha as construções do imaginário do nosso tempo. As aparências, suspeitas de constantes consagrações, provocam ressignificações. A novidade chama outros desenhos, ambiciona rapidez nas trocas e lucro nos negócios. O espetáculo pode ser gratuito, mas há as exuberâncias que os meios de comunicação configuram. Na esquina da sua rua , acontecem relações inesperadas ou atos surpreendentes. Não os compare com as performances de Los Hermanos ou os filmes norte-americanos.

Tudo tem seu preço e seus interesses. Afinal, o capitalismo continua assanhado, acordando formas e arquitetando produtos. São jogos, bem elaborados, com a juda das teorias científicas e das técnicas sofisticadas. Não é exagero lembrar a carreira meteórica do menino Neymar. Quantas notícias foram fabricadas ou quantos julgamentos se consolidaram sobre as trilhas seguidas pelo craque santista? Mascarou-se de anjo ou de demônio, suas brincadeiras ganharam censuras, porém sua fama concretizou-se. Até quando, não sabemos?

No mundo do descartável, espera-se cada dia com certa ansiedade. Eis que Neymar encontra-se com ex-professor Dorival Júnior. Oportunidade ímpar para as câmeras, instante sublime do perdão fotografado e distribuído, sem censuras. O jogador redime-se das suas travessuras e Dorival mostra a largueza do coração. A imprensa festeja, com páginas de jornais cheias de detalhes sobre os suspiros de cada um. A fama transformou o abraço, num drama épico, solene e, ao mesmo tempo, alegre.

É o cerco que estamos submetidos, pelo poder do indidualismo e das tecnologias globalizantes. Não adianta se aquietar. As notícias atravessam desertos e oceanos. As subjetividades vivem em trapézios, mesmo que não frequentam circos. A autonomia se fragilizou diante da multiplicação dos desejos. Corre-se e não se conhece  a chegada. O pior: parte-se de imediato, sem roteiro definido.

Neymar fez dois gols, dificultando, mais ainda, a trajetória do Atlético, clube do mestre Dorival. O espetáculo não podia parar. Quando o apito do árbitro determina, a bola rola e o talento se move. O perdão está firmado, cada um busca navegar no seu barco. O ano se finda e o Brasileirão não desculpa quem não vence suas disputas. A hora da consagração se avizinha. Haverá outras circunstâncias, para que os protagonistas do afeto renovem suas boas ações.

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2 Comments »

 
  • betinha disse:

    A fama é muito dificíl de ser administrada, o ser humano vive a procura de tal, porem, quem alcança não esta preparado para aproveita-lá, falta humildade, virtude pouco praticada e de grande importancia para nos simples mortais, passageiros temporários do planeta terra.Tenho muita compaixão de valores efemeros que hoje são tão importantes não é culpa do capitalismo somente é culpa de nos mesmo que não nos colocamos no lugar do outro, não sabemos que para cada conquista surge uma obrigação.Hoje tudo que é feito em qualque area é o máximo,o govenante controi escolas é obrigação,o jogador faz um gol é obrigação, assim por diante, esquece-se do compromisso

  • Betinha

    A fama vira um jogo e quebra a ética de muita gente. A solidariedade fica em segundo plano. É preciso não esquecer os compromissos.
    bjo
    antonio paulo

 

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