A farsa cotidiana da história sem rumos

Os embrulhos são abertos com rituais escandalosos. Trazem novidades ou repetem as farsas de sempre? Tudo se parece com um cenário de um teatro gigantesco cheio de atores ambiciosos e individualistas. Não dá para distinguir se é permitido ter ética ou se a farsa recorre aos domínios da hipocrisia. Delatar e denunciar, confundir e amedrontar. As sociabilidades estão minadas por desconfianças As instituições jogam sem adotar regras visíveis. As história se sucedem, agradam a mídia, criam sensacionalismos. As encruzilhadas se formam com sombras ou luzes?

As atitudes dos juízes se chocam. Quem está com a verdade? Existem algum partido que mereça ser escutado pelas ideias que defende? Quem está livre das manipulações? A polícia federal faz uma devassa. Investiga. Alimenta dúvidas. Há recuos. Colocam suspenses que lembram filmes de detetives. Será possível esclarecer tanta complexidade, deslocar tantas teias de poderes descentralizados? Fico sem resposta. Busco ânimo, visito o passado, revejo teorias. Qual é a porta da saída ou a indeterminação é parteira da história?

Não se fixe apenas no Brasil. Dê uma olhada no mundo globalizado. A Europa vive agonias. As gerações não se entendem, disputam lugares, temem que a economia se desmanche. Nos Estados Unidos, as eleições se aproximam com tensões inesperadas. Há uma volta de práticas fascistas, de discursos populistas, o sepultamento vagaroso mais eficaz de anseios democráticos. Os espelhos mostram rostos cansados de tantos pesadelos. A esperteza ganha posições, mostra o pragmatismo, a falta de motivação para sair da sociedade do espetáculo. Qual a fronteira que distingue a tragédia da brincadeira?

As embarcações partem de cais anônimos. Os refugiados estão em toda parte, pois as moradias nuas se multiplicaram sem preocupações com a estabilidade. Todos querem sobreviver. Sob a lógica do capital é a grana que se mexe e invade as especulações das bolsas, assanha o dólar, destrói fortunas, renova as artimanhas. No mundo onde os valores pintam máscaras coloridas, não é incomum o eco da reflexão famosa: “Tudo que é sólido desmancha no ar. ” Quem escuta o silêncio sabe que o desengano pode não ter fim. O jogo consagra também o empate. Messi desiste, a Islândia se supera, a cartomante descreve o futuro.Será que existe ponto final?

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