A fragmentação sedimenta ruínas

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Quando todas as instituições gritam e noticiam desesperos; é a preparação para o vulcão explodir. Busca-se uma razão soberana que  massacre  qualquer diálogo. Morrem as possibilidade de pensar a cultura como conversas, reflexões, apostar nos sonhos, no convívio afetivo. Ouve-se o deboche. Há  uma sucessão de ruídos assustadores.As palavras se chocam porque mergulham no vazio. São respostas a perguntas estranhas feitas para acumular confusões. O Brasil parece  estar com pontes distraídas ou destruídas. Queriam soluções, mas não previram os fracassos. Querem superar desastres brincando com a comunicação. O apodrecimento cria consternações e sustos constantes. Nada supera o que já foi posto.

Nega-se que o capitalismo passa por um sufoco imenso. As reformas visam, no entanto, livrá-lo do pior. Custam fortunas as instabilidades do mercado. Não é à toa que as acusações se espalham. Esquecem vestígios obscuros do passado. Há corrupções na lata do lixo, porém  o oportunismo comanda as ações. A briga de poder atinge o judiciário de togas desgastadas.Governa seus próprios erros? Teme os militares ou se apaixona pelas imagens da Tv? Moro detesta Gilmar, que detesta Raquel, que detesta Lula….E assim vai, com fantasias e máscaras desbotadas, com raivas cheias de cosméticos saturados, especulações…

Somos animais que cultivam a sociabilidade. Ela não  garante o sossego, pois muda com a história. Se antes o discurso da razão prometia liberdades, hoje a tecnologia das rede sociais mostra a perplexidade dos ataques pessoais e a força do individualismo. A sociabilidade não firma o afeto, nem a solidariedade. A sua estrada possui curvas e não estimula éticas. Há emboscadas, lágrimas fabricadas, horizontes nublados. O futuro  existirá não se sabe como. Talvez, uma sociedade cercada de controles, com minorias ditando normas, derrubando  rebeldias. As instituições  sacodem fumaças tóxicas.  Nem a imaginação respira com paciência.

A história tem muitas definições. Não é,apenas, o olhar do passado, nem o estudo dos arquivos repletos de poeiras. Ela constrói possibilidades, sorte e azares. É também lugar de desesperos e de profecias que nos condenam. Portanto, as incertezas se agitam, para que as instituições se renovem ou evitem a celebração de ruínas. O ritmo da história não se liberta de agonias, convive com suspeitas, se envolve com desejos de paz. Não subestime a força da incompletude, nem as artimanhas das arrogâncias. As possibilidades inquietam uns, para apaziguar outros. São ambiguidades, parceiras de tantos pesadelos, que testemunham ruir das utopias.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …”a sociabilidade não firma o afeto, nem a solidariedade”, nossas ações são artificiais, agimos buscando o olhar e o julgamento de um outro determinado. Vivemos tempos de uma hiper sociabilidade proporcionadas pelas redes sociais e pelo avanço tecnológico. E nela, a história documentada e registrada, muitas vezes, é ignorada e simplesmente reescrita sem nenhum compromisso técnico e/ou verdadeiro. Tudo parece encenado e artificial, o ponto positivo é que ainda podemos pensar e criticar esta ordem social que nos cerca, ainda há horizontes para vivenciarmos e aplicarmos as boas teorias da perspectiva cultural histórica, buscando uma socialidade mais afetiva e mais solidária, já que ela anda ausente em grandes momentos da nossa existência, compartilhada na aldeia globalizada em que estamos inseridos. É preciso lembrar e não esquecer de que as práticas e os discursos de ódio e de indiferença não são doenças, mas sim práticas historicamente localizadas que mudam no tempo e no espaço, nada é estático e tudo é dinâmico…

 

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