A grana tumultua e desmonta a força dos clubes

Ninguém é ingênuo no mundo da bola. Todos sabem que manobras existem em todos os sentidos. Lamentações são feitas, pelos mais apaixonados. As torcidas padecem. São as primeiras vítimas. Pensam em disputas valorizadas pelo amor ao time. Gritam pelas suas cores. Vão aos estádios fervendo de emoção. Consagram ídolos. Ganham o dia com a vitória e uma grande ressaca com as derrotas. No entanto, os desmantelos dos jogadores têm mexido com muita gente.

Há reviravoltas impressionantes. Partidas sensacionais são acompanhadas, em seguida, por desastres surpreendentes. O jogo é escorregadio, mas os abalos deixam a desconfiança se estender. Sente-se uma falta de motivação, que age como uma epidemia. Os times despontam, ensaiam aventuras gratificantes, depois ficam lutando para não fugir do último lugar. Os atrasos salarias recebem comentários negativos e muitos jogadores transferem-se para outros clubes.

O polêmico Luxemburgo está, agora, no Flamengo. O seu coração bate mais alto. O rubro-negro merece, para ele, uma atenção especial. Promete mudanças, perspectivas diferentes e renovar. Mostra-se triste com os vícios que derrubam o entusiamo dos atletas. Não poupa palavras. Considera que os empresários dominam o pedaço do futebol, com uma presença desestruturante. São vistos como os donos informais do poder.

O que Luxa afirma não é novidade. As notícias correm e assinalam o valor da grana. O capitalismo não sobrevive sem negócios. Alguém desacredita nessa sede de lucros e de interesses? Deconhecer o vaivém do mundo só traz frustrações. Achar que aquelas camisas repletas de anúncios são inocentes, apenas ornamentos sem significados maiores, é fugir da realidade da luta, para acumular dividendos. Até nas eleições o capital entra com todo fôlego, o canto das mercadorias se torna sedutor, quando a ética deveria ser  soberana nos projetos  de cada candidato.

O desejo esvazia as reflexões. A morte da crítica é um perigo. Fica o império da fofoca, da futilidade sem preço, dos rótulos sem conteúdo. A contemporaneidade descarta tradições, mas faz valer sua ambições individualistas. Não pode fugir das travessuras do reino dos cartões de créditos ou das astúcias das crises fabricadas.Salvar a economia pela exarcebação do consumo é uma ameça. No futebol, o craque que surge, recebe contratos milionários e se sente poderoso, sem, nem ainda, ter tirado as fraldas.

Muito bom  que o  debate se espalhe. A transparência promove o esclarecimento. Os esconderijos evitam maior liberdade de informação. Os desencontros são propositais e as situações dos clubes revelam precariedade profunda. Amedrontam-se diante da pressões, pois suas administrações não se tocam com as armadilhas. Querem festas imediatas, mesmo que os escândalos tomem conta das manchentes, dias depois.

Sempre insistimos. Não adianta olhar a sociedade, como fragmentos soltos.Isso favorece a concentração de vaidades e de espertezas. Futebol, política, invenções, desenvolvimento, tudo  tem seus lados de convivência. Não há uma soltura ou uma irresponsabilidade enganada. Quando tecemos o manto que encobre os atos sociais, com um pequeno esforço, vemos como suas linhas são íntimas. Denunciar é uma saída. Mostrar como os negócios se costuram ativa a lucidez e o coletivo.

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