A grana ornamenta as armas e agita o mundo

 

A violência não se esgota na forma como a sociedade se organiza para a exploração. Havia esperança de que as mudanças trazidas pela modernidade estimulassem sociabilidades generosas e desativassem conflitos. Nem tudo está perdido, mas as desigualdades correm soltas. O medo é permanente e se intromete pelos centros urbanos. Há perigos que se expandem ameaçando as relações e desfazendo os afetos. As utopias perdem fôlego. A desconfiança alimenta tensões que estão espalhadas. Os lugares de conflitos apresentam uma multiplicidade surpreendente. O capitalismo não se cansa de criar formas de fazer a grana circular.

As guerras continuam e  o uso de armas poderosas provoca genocídios, justifica crenças e governos autoritários. Na Síria, faz tempo, que não há paz e os negócios da diplomacia fortalecem cinismos. Os Estados Unidos exercitam seu desejo de atiçar divergências, lembram comportamentos recentes. O mercado de armas movimenta-se. Ele assegura lucros extraordinários. Não é toa que os cenários de violência ganham sofisticadas ações. O terreno da dubiedade ritma as conversas entre as nações. A Rússia vacila e simula,, também não abandona as suas ambições. As soluções parecem um jogo de xadrez interminável. E Dilma se atormenta com as espionagens de Obama, seu parceiro de conversações.

As reuniões se sucedem. O circo se articula com a ajuda da mídia. As notícias confundem, contudo compõem expectativas, perturbam, montam versões contraditórias. As pessoas morrem, a contabilidade é fria e as religiões traçam justificativas cercadas pelo fanatismo. A famosa globalização aproxima e desfaz culturas. Na velocidade pós-moderna, a vida perde a trilha da solidariedade. A história parece contemplar destinos e confirmar fatalidades. Como, então, construir possibilidades, não transformar as diferenças em certezas de agressividade? Os poderosos cumprem rituais e não se cansam de inventar armadilhas.

A insegurança e a dúvida invadem o mundo. Há um pesadelo que não se desmancha, empurrando os sonhos para o abismo. Naturalizam-se descasos, com se houvesse como intimidar o fetiche da mercadoria. Muita uniformidade na ornamentação das vitrines consagram aventuras que não revelam magias, mas arquitetam tragédias. Freud abalou-se com a Primeira Guerra Mundial, reviu conceitos e sentimentos. As teorias surgem cheias de cantos de liberdade e terminam despedaçadas. As articulações de poder mudam, superficialmente, como se a política se completasse com estratégias de espetáculos vazios, garantindo o individualismo e o privilégio das hierarquias. Os silêncios disfarçam ruídos nas tramas mais escondidas.

Não se trata de afirmar que os labirintos estão abertas para a vivência do terror. Não custa, contudo, observar e denunciar. Muitas vezes, a insensibilidade ocupa-se da maioria. As dominações sabem distrair, são sutis, divulgam salvações. A crítica sacode o desejo, recorda outros tempos, tira a história de linearidade. Não cabe promover julgamentos definitivos. A memória descobre afetos, dialoga com o que parecia perdido. O presente não é único, nem esquisito. Movimenta-se, arrasta mantos do passado, não despreza manipulações. Os mantos escondem perdas e indicam contrapontos. É preciso lê-los com paciência e sem ingenuidade. Há responsabilidades e covardias, ilusões e juízos finais. As vestes da história parecem farrapos descoloridos.

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