A Grécia e a Europa: as astúcias das memórias

Quem coloniza não está livre de viver a desigualdade e se sentir perdido no labirinto. A história não se cansa de produzir instabilidades e o tempo não tem programação fixa. Os anos passam, os séculos atravessam caminhos imensos e a intensidade da cultura produz profecias e crenças. A Europa já foi senhora do mundo, inventou ciências, mostrou força de exércitos assassinos, fingindo ser parceira portadora de verdades indiscutíveis. Impunha-se com o perfume, muitas vezes, sedutor e embriagante, com rótulo que mascarava arrogâncias.

Os deslocamentos das políticas não cessam e moram nas curvas do tempo. Não existe um comportamento que se torne eterno e sacralize valores. Há sempre quedas e descontroles. Quem se configura com as linhas do progresso pode mergulhar em abismos. Hoje, muitos países europeus se encontram com o medo do desgoverno. Confundem-se, sofrem, perdem o orgulho, mendigam. Buscam salvações no sufoco de dívidas imensas. O desemprego gera pessimismo e rebeldia, os preconceitos assumem cores de violências contínuas.

A Grécia tenta criar alternativas, fugir da ortodoxia liberal, respirar socializações, fortalecer ousadias. Quem desconhece a memória e nega as travessias gregas desde os mitos e tragédia? Quem apaga os ensinamentos de Sófocles, Aristóteles, Platão, Homero?  Será que os modernos riscam os feitos culturais da antiguidade grega querendo firmar os absurdos do capitalismo?  É difícil pensar o coletivo num mundo inundado pelo individualismo. Os sofistas trouxeram críticas que nos ajudam a decifrar os desencontros atuais. Quem se lembra? Quem se esgotou com imaginações de ficções científicas?

Apesar dos acasos, as histórias possuem suas conexões. Ficar preso no presente, sacudir fora a memória, é um suicídio devastador. Se não se inventam armadilhas para se desfazer de tantas explorações, quem acredita que os deuses têm compromissos com a inocência e desejam exterminar os demônios? O debate sobre os territórios do bem e do mal prossegue. Prometeu desafiou paternidades e regras. Será que os desafios se fragilizaram? A Grécia contempla uma solidão melancólica? A aldeia global se ressente de conversas, destila frustrações e descasos com suas histórias.

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