A história cabe na solidão?

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Muitos rejeitam pensar na solidão. Acham perda de tempo. As relações sociais permanecem agitadas e a solidão poder abrir espaço para consolidar desacertos. No entanto, as multidões caminham, fazem suas rebeldias ou se massificam no vazio e a sociedade se multiplica nas suas agonias. Estar só é uma forma de escutar, de fugir de ruídos apenas perturbadores. A solidão não é negação do outro, mas um encontro com  certos silêncios e imagens que nos ajudam a estender a esperteza dos nossos olhares. É preciso não desprezar quietudes, se ausentar dos tumultos e fechar portas incômodas. Nada é para sempre e tudo convive com o triz.

A solidão anuncia  perdas. É inegável. Sempre há tropeços, nem tudo ganha equilíbrio. As desconfianças circulam na história, pois ela rege os encontros dos tempos.  É impossível se livrar das perdas. Somos inacabados. A cultura existe para tentar estimular o fôlego e sentir que o movimento não é linear.A solidão se distrai com as histórias recentes, porém não se afasta da memória. Há lembranças agarradas no coração e corpos fragilizados pelo sofrimento. A solidão não significa o fim do diálogo com o  mundo. Ela o aprofunda, mesmo quando a escuridão invade todas as brechas.

A sociedade navega no consumo. Há sempre um objeto que se transforma em mercadoria. O desejo nos atiça, daí as suspeições e as felicidades que parecem inexistentes. Por isso, há  cansaço.  Retirar-se dos desencontros para buscar compreendê-los é uma travessia árdua. A distância no traz recordações repentinas, mas assanha possibilidades de ultrapassar vazios antigos. Tudo sem uma lucidez transparente. A história se faz no meio de uma explosão de questões impertinentes.

Se os barulhos entram na intimidade, a solidão se balança como uma esfinge secular. Não adianta se jogar nos passeios públicos, calar e festejar as euforias superficiais. Não há como escapar das geometrias do tempo, nem torná-las um desenho único. As contradições permanecem, mudam suas cores, sem expulsar angústias  vindas de algum paraíso perdido. Portanto, as divagações, muitas vezes, nos divertem, porém outros momentos nos empurram para beira dos abismos. A solidão desfia trevas. Temê-la é um suicídio existencial.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    … somos parte e somos todo, fazemos parte do mundo e não somos todo, somos indivíduod e não somos parte. Nossos corpos, nossas existências são marcadas por subjetividades, fragmentos que nos constituem ao longo da vida. E com isso, é necessário administrar e refletir sobre afetos, sentimentos e emoções que nos tomam e nos formam ao longo da história como produtos de um universo cultural inacabado. E a prática da meditação, do desapego, do isolamento seja por escolha, seja por imposição devem ser encarada como ritos de passagem da nossa existência, ver as positividades e as negatividades do estado de solidão nos habilita a enxergar partes da nossa vida diante de um todo em constante formação…

 

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