A história move ideias: as mulheres na inquietação

 

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Fala-se de tudo. Contam-se muitas histórias. Os homens aparecem promotores de grandes movimentos. Eles parecem ter o domínio da história. Aliás, deus é um substantivo masculino. Não é à toa. As mudanças, geralmente, querem trazer certas rupturas. A palavra revolução ganha espaço na modernidade. Um conceito que inquietou, trouxe salvacionismos, não deixou de sacudir utopias. Mas os tempos passam, a cultura se reinventa. Reforçam-se necessidades de pensar comportamentos, diluir machismos, respirar outros perfumes.

As lutas se multiplicam. Não bastam armas. É preciso afeto, discutir mesmices, duvidar de soberanias. Complexidades surgem de forma diferente do século XIX. A cidadania se amplia, a sexualidade coloca questões, Marcuse retoma Eros,Simone quebra verdades tradicionais. Isso sacode o mundo. As mulheres não desistem de agitar a política. Vivemos um período em que arriscar é fundamental. Descentralizar as ordens sociais, criar possibilidades de diálogos, amassar discursos opressores.

Bolsonaro quer desfazer conquistas. Merece ser combatido. Ele destila vinganças, brinca com ameaças. As mulheres marcam posição, denunciam. Mais um movimento que reúne pessoas para transcender o lugar comum das políticas. As contaminações são grandes, porém a clareza não deve fugir de tudo. O simbolismo do protesto fere os apáticos e conformados. Se há um sonho, não se deve punir quem sonha. A vida pede sensibilidade e não apenas gritos de partidos ou lideranças messiânicas.

Portanto, vamos adiante, sem desconsiderar a memória, atiçando desejos. A mudez pode punir quem se afasta do inconformismo e adota práticas fascistas sem compreender os danos que causam. As curvas da história são perigosas. Adotar a linearidade é não sentir os abalos. Não há rupturas velozes. Os ritmos dançam conformes os interesses e a sociedade capitalista é cruel. Olhe o passado. Imagine. Busque entender as diferenças. Não despreze quem critica e fortalece a socialização. Não apague sua imagem no espelho.

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6 Comments »

 
  • cláudio ferrario disse:

    massa, meu amigo. tuas inquietações sempre pertinentes porque, tal e qual a luta das mulheres, nos inspira avançar. um espelho diante de outro espelho é o infinito dialético?

  • jailson disse:

    Não há retorno. As mulheres não vo(l)tarão. E isso nos anima e inspira!

  • Vamos ajudar na luta
    abs

  • É isso. Juntam-se energias.
    abs

  • Rivelynno da Costa Lins disse:

    …bom, nesse momento eu estou como professor da rede estadual do ensino fundamental II, do 6ºao 9º ano, nas coleções dos livros de história, a palavra mulher já começa a aparecer com mais frequência ao lado da palavra homem. Antes a palavra homem era soberana e ela representava homens e mulheres, isso vem mudando, é importante dar visibilidade a singularidade da categoria mulher, numa perspectiva de direitos e igualdade em relação ao homem. Acho este pleito eleitoral assustador, temos um candidato que enaltece a subalternidade dos corpos femininos e tem uma plateia que o apoia, mas há as práticas de resistência. Sobre o vivenciar os efeitos dos discursos dos candidatos, ressalto que quando entro numa sala de aula e pergunto em que quem os educandos irão votar, o nome do Bolsonaro é muito frequente, junto com ele a ideia do porte de armas. Achei muito engraçado quando um aluno homossexual com trejeitos afeminados afirmou que já havia escolhido a arma que quer comprar e ela custava em torno de R$ 1.500,00, eu realmente não consegui distinguir se a fala do mesmo era uma simples brincadeira ou era uma fala de seriedade. E nesse ponto, eu poderia dizer que é apenas um garoto de periferia que mora numa grande comunidade chamada Roda de Fogo, sem acesso a uma boa educação e serviços públicos de qualidade, contudo o candidato Bolsonaro também hipnotiza uma grande parcela da classe média e com escolaridade, são pessoas que acreditam que matar pobres e bandidos acabará com a criminalidade, entupir cadeias de pessoas seria a solução. Eu apenas lamento ver o número de pessoas que pensam assim das mais diversas matizes sociais e econômicas, eu tenho medo, é um ano eleitoral muito atípico, Todavia, eu ainda posso revelar o meu voto, é um voto triplex, é um voto LulaHaddadManuela e que vença o bom senso, o respeito a democracia, a dignidade da pessoa humana e os direitos humanos como um todo, o meu corpo, o meu sentir ainda exala fragmentos de esperança…

  • Rivelyno
    Sem inquietação a coisa se desfaz. Temos que dizê–la. O mumdo tem muitas vozes. Somos uma delas.
    abs
    antonio

 

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