A história não se acanha e o tempo não para

 

 

Adianta sempre repetir que a história é construção. Não é homogênea, está cheia de ruínas, vive desencontros e surpreende. Acontecem coisas que nos deixam tristes e outras que nos chamam para a alegria. É difícil se equilibrar, ouvir ruídos inoportunos, observar mudanças superficiais, assistir aos golpes dos azares articulados. Desistir e achar que o mundo está maluco é cair no abismo. Existe muito delírio, não podemos apagar as disputas, mas temos escolhas e a história não fica inerte. Ela não possui donos, embora haja vencidos e vencedores. Portanto, não há razão para multiplicar raivas. O importante é saber agir e desmontar aquilo que incomoda. A inquietude movimenta e mostra que a apatia tem semelhanças com a morte.

O Brasil passa por divisões cruciais. Não há um renovação política, nem a queda de tradições e a ampliação da cidadania. Há incômodos e busca de garantir lugares. Acendem-se preconceitos, as panelas se agitam, os fogos pipocam, cantam o Hino Nacional. Penso de outras maneira. Passa-me uma melancolia, revisito o passado, sinto a memória inquieta. Espero que as revelações sobre as corrupções continuem, porém não consigo acreditar em Renan, Aécio, Cunha , Temer e outros. Não se trata do Céu e do Inferno. O cinismo não se localiza em um único lugar. A confusão mostrou agonias generalizadas, os partidos todos perplexos, os acordos invalidando qualquer sentimento democrático.

Todos procuram defender o caminho da modernidade. Ninguém  quer compromissos com  autoritarismo. É o que dizem, mesmo os que não sabem o que é democracia, perdidos na política por ambições e cargos. É um exagero desejar uma sociedade uniforme. Já temos muitas massificações. Não custa, porém, estimular a crítica e a dignidade. O deboche traz diminuição dos valores, tece rede frágeis de afetos e amizades.Isso é o que nos derruba. Celebrações que poderão ser lamentadas, solidões que buscam na ironia, no êxitos dos outros a salvação para seus desencantos. A polícia está ruas distribuindo violência com uma fúria incrível. Tudo é visível e articulado.

A história não se interrompe. Não sei quando vai terminar, nem se há Deus  atento para os malabarismos do tempo. Quem é eterno curte privilégios. Assim vamos tomando conta das construções possíveis. Saltos, terremotos, risos, descontroles, Romário, Fernando Coelho, Picasso, Kundera, Nara Leão, Dilma, Janaína, Gilmar, Pelé, Galeguinho do Coque, Gabeira, Cartola,,,, É  infinita a nomenclatura, como as formas, as cores e a vontade de poder levitar, espalhar abraços. Mas a incompletude nos acompanha. A simpatia não é comprada. Há magias que nos acordam e nos animam. Até quando as perguntas serão maiores do que as respostas? Saudações democráticas… as sombras e as luzes assustam quando não distinguimos os fantasmas.

 

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

1 Comment »

 
  • leila disse:

    E no meio de toda essa “ruína e bagunça política e social” ficamos prisioneiros e reféns de uma cúpula burguesa e autoritária. Como diz a canção de Renato Russo “que país é esse?”

 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>