A história se parte e se cola

 

 

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Não há como chegar a uma conclusão. Se vou a Grécia de Aristóteles, observo o uso da escravidão. Quem analisa o século XX encontra uma sequência de violências traumatizantes. Cresce o uso de disfarce, para que a grana circule favorecendo a minoria. Os estudantes protestam em 1968, os Beatles sacodem os costumes musicais, mas os Estados Unidos não deixam de seguir sua rota imperialista. No Brasil, Getúlio namora com os fascistas e os militares gostam de golpes. A democracia mora no discurso de alguns como uma grande fantasia. É a geleia geral, secular e intrigante..

A história não para. Hoje, a confusão é maior. Aumentam as divergências, retomam-se práticas autoritárias, gasta-se a ética. Não há confiança. Tudo ganha a forma de espetáculo. A televisão mostra ministros enlouquecidos. Será que não existe um fingimento cruel? As pontes se partem ou tudo um cenário construídos para atormentar os ingênuos? Um apagão de referências que trucida as utopias e nos faz acreditar que o amanhã está congestionado. A festa nunca é celebrada.

O presidente do Peru renunciou, os escândalos tomam conta de governos europeus, a copa do mundo promete ser uma imensa lavagem de dinheiro. Não  Neymar busca aumentar sua renda e Trump não despreza a mídia. Não faltam acusações, no entanto as portas estão fechadas. A história se constrói com pedaços colados, debates acadêmicos, medo da miséria, disputas por territórios. Não faltam refugiados, nem gritos fascista renegando as diferenças. Os arquivos do Facebook bordam segredos preciosos e fico pensando na esquina da minha rua.

Fica impossível não evitar a pressa. A reflexão, então, se fragmenta. Os jovem se sentem desfigurados. Derrubam as tradições, querem e não sabem o que querem, pintam espelhos. A cultura possui uma diversidade veloz. A memória não consegue sustentar lembranças. Há quem se vista de saberes superiores, mas não conhecem Freud, nunca viram uma filme de Visconti, detestam costurar as permanências,se divertem comendo batatas fritas. Entregam-se ao imediato. Colam as partes da história. O quebra-cabeça multiplica suas peças. A novela da 9 é agora uma sessão do Supremo. Que surpresa! Tudo parece um telegrama. Será que Deus desistiu do juízo final?

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