A inútil geometria escondida

A escassez da criatura adormece a imagem que nunca

está pronta,

desanda a vida desbotada pela incerteza.

A palavra escolhida se desencanta da saudade que desconhecia.

Fica inútil a geometria escondida nas retas impecáveis dos monumentos

da barbárie, nunca denunciada pela vastidão dos prantos ressignificados.

O silêncio oprime a dor e o riso,

não descansa as mãos escravas das

histórias descontadas, nem deixa a tristeza arrumar seu canto.

Cada segredo é como um mito recriado num poema acidental.

Poderia fechar a gramática, distrair a razão, sentir a mentira da lei

da gravidade,

desenhar a gravidez para um outro tempo, desfeito pelo

perdão da memória.

Quem disse que o esquecimento é o início de tudo, o primordial tempero

da argila divina?

Deus fez o mundo porque desprezou tantos mundos soltos noutros

cosmos invisíveis.

Na embriaguez do esquecimento arquitetou seu derradeiro espelho,

na esperança trôpega de uma eternidade vadia.

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