A ligação no BBB

 

 

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Todo ano o espetáculo invade casas, mentes, sonhos. Não há como deixar de lado. A população gosta de saber da vida privada. Os boatos circulam, pois a sociedade não consegue superar seus vazios. Portanto, o negócio é viver a vida dos outros, soltar-se de si e tentar consagrar afetos alheios. Torna-se uma necessidade. A televisão fatura, as leituras são abandonadas e a espionagem sentimental se propaga. Quem ganha, quem vai para o paredão, quem brinca de amar? O sossego é coisa inexistente.

Mesmo que a política ferva, não custa sair do cotidiano tenso, para observar os anseios dos dramas BBB.  Isso acontece nos berços da globalização. Não é o Brasil, apenas, que alimenta o olhar curioso. Talvez, aqui, a torcida seja mais organizada. É um alívio, para muitos,  a garantia de que a aventura do outro tem estilo que cabe nas suas neuroses. Quem assiste se foca em desprezos, prazeres, futuros. É um intervalo na mediocridade do dia, no trabalho sem graça, nas aulas repetitivas, nos namoros perdidos.

A sociedade não perde suas caminhadas de consumo. Se tudo virou mercadoria, os sentimentos conseguem suas vitrines. Deixa Aécio no Supremo, ele se resolve, tem bons amigos, está cansado, sem o charme dos atores do BBB. A  disputa política é repleta de misturas e partidos sem expressão. Os deputados pensam nas eleições, não querem reformas, muitos deles são estimuladas pelas grandes empresas. Não esqueça que a democracia está no céu,

A história é uma campo de pecado segundo dizem as religiões. O BBB traz uma transcendência especial, reúne dispersões, ajudar a saborear cervejas e cortar insônias. O divertimento não abandona a vida. O pior é que eles trazem raras sabedorias, idiotizam, provocam delírios. O tempo passa, as estratégias de persuasão se renovam. as aflições consolidam hábitos. Há um relógio que dispara desejos. Nem percebemos que a programação possui interesses e jogam om os corações. Traz assuntos para as redes sociais e notícias para os jornais.

A vida não deve ser um calvário. Basta os desacertos dos governos, os crimes encomendados, a saúde arruinado. O que temo é a escassez progressiva de reflexão. Há uma falta de vontade que corta até as saídas de casa. O que se deve buscar? Por que tantas cores e excesso de melancolias? Muita gente recusa sorrir, constrói um mundo artificial. A comunicação é mínima, apesar de tantos celulares. A rede do absurdo está estendida sem metafísica. O corpo nu não saber o que pedir, prefere se fixar no espelhos da imagens noturnas. o final é sempre desmontante.

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2 Comments »

 
  • Rivelynno disse:

    …e aqui estamos, vivendo uma vida ou algumas vidas artificiais que não são a nossa, aquela que não é real parece sempre mais interessante. E assim, “A rede do absurdo está estendida sem metafísica. O corpo nu não sabe o que pedir prefere se fixar no espelho das imagens noturnas. O final é sempre cortante.” “Se tudo virou mercadoria, os sentimentos conseguem suas vitrines”, todavia se pode pagar mais, se pode ter afetividades mais coloridas para serem postadas nas redes sociais, pois “O divertimento não abandona a vida. O pior é que eles trazem raras sabedorias, idiotizam e provocam delírios”. Estamos no mundo e as reflexões filosóficas de outros tempos se perderam, tudo parece gerar um começo com novidades sem entusiasmos, a ignorância ganha força e ocupa posições de poder no judiciário, no executivo e no legislativo. E nesse labirinto da existência humana, alguns ainda esperam ou tentam encontrar uma saída…

  • Ryvelino

    Grato.
    grande abraço

 

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