A lua curiosa e o avião estrelado de Obama

Lula não foi ao almoço em homenagem a Obama. Um convite disputado por muitos. As especulações ganharam lugares especiais, nas conversas políticas. O que se passa pela cabeça do ex-presidente e seus assessores? Quem adivinha? Talvez, um surto de vaidade, para não dividir a atenção com outras figuras. Quem sabe um recolhimento, uma necessidade de fugir das badalações. Muitos escreveram sobre o tema. Dilma não se manifestou. Seguiu com os negócios e os encontros diplomáticos. Lula já foi festejado e saiu do governo consagrado. O mundo mudou e a atmosfera promete dificuldades. É preciso serenidade.

Ninguém sossega. A complexidade tumultuou as análises. A sociedade internacional vive traumas contínuos. 2011 assusta os mais otimistas. Obama observa os descontroles e age. Os Estados Unidos buscam firmeza, no combate aos avanços econômicos da China. Não querem perder a força da sua hegemonia política. O seu presidente sabe que a America Latina tem seu  suas misérias e seus charmes. Não pode desprezá-la. A concorrência capitalista exige aliados. As crises não cessam e criam tensões sociais. Os norte-americanos necessitam rever suas estratégias. Para complicar, Obama não conta com a simpatia política desejada. O seu fôlego não aumentou  para se distanciar dos sufocos mais extremos.

A guerra, na Líbia, é outro transtorno. Decifrar Kadafi é  um incômodo. Antes amigo, hoje condenado pelos europeus, inimigo número 1 da democracia. Virou um ditador abominável, com 41 anos de poder. O mundo divide-se, fragmenta-se, aparecem heróis com promessas de solidariedade e o Santa Cruz tenta recuperar-se dos fracassos anteriores. Lamentar a violência e a falta de comunhão são orações cotidianas. Dá um cansaço, porém é impossível manter o silêncio. As armas sofisticadas invadem territórios, o crime desorganiza convivências saudáveis e as salas de cinema possuem cheiro de pipoca. Pós-modernidade é mistura, combinado de sorvetes de vários sabores.

A sociedade tem aumentado os remendos dos seus mantos, para esconder suas vergonhas. Os ruídos, na esquina, não são  protestos contra a  falta de segurança. É mais um carro que transformou a moto e seu guia, em pedaços. O pragmatismo ensina a driblar a ética e jogar na loteria, sem agonia, nem bom senso. Os dias passam. A relação custo/benefício é o poema dos objetivos. Não há tempo para permanências críticas. O mundo é composto por peças de Lego, com desenhos desiguais e ansiedades velozes. Portanto, se segure. O parque infantil não é espaço de inocentes, mas, de bares, com muita bebida, como nos aniversários de criança. O avesso vale e não se desespere.

Obama viaja. Espera aquietar seus adversários. Sente-se como um trapezista de um circo grandioso. Procura cultivar comportamentos leves, no entanto está num cargo pesado. Não pode suspirar, nem bater uma bola com Ronaldinho. Vive cercado de proteção policial, com uma agenda informatizada, nos detalhes. Nada de tapetes mágicos, nem diversões arriscadas. Administra muitas estrelas e voa num avião, de ficção científica. Nem lua o avista, quando se transforma, magicamente, em objeto não identificável. O descuido pode, para ele, simbolizar tragédia. A gravação indevida de um sigilo, um ato imperdoável. Obama pede passagem, como o porta-estandarte da Mangueira.

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7 Comments »

 
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  • Kbção disse:

    Há quem diga que derrubar Kadafi seja mais fácil do que levar o Santinha à terceira divisão…

  • Kbção

    O Santa merece outros olhares.
    abraços
    antonio paulo

  • Christiane Nogueira disse:

    A concorrência capitalista não só exige aliados, como também está a todo tempo se resignificando. E, para isso, apropria-se de tudo que julga ser necessário à manutenção do sistema, inclusive do chamado trabalho imaterial. Dentro desse campo de trabalho está o intelectual “específico” de Foucault, que tanto pode servir ao sistema, o realimentando, como pode feri-lo de morte, sendo contrário aos seus interesses. No entanto, considerando o velho discurso kantiano e hobbesiano, o progresso carece de conflitos e o homem, uma vez que é movido pelos desejos, pelas paixões, está em constante busca da tão sonhada glória, que, juntamente com a competição e a desconfiança, compõe os três pilares da discórdia humana, alimentando a máquina capitalista.
    Nesse contexto, fica difícil para qualquer sociedade (ou Chefe de Estado) esconder suas vergonhas e suas mazelas, por maior que sejam os remendos de seus mantos. A vida se banalizou. O errado passou a ser o certo. Os avanços tecnológicos e a “mass media” contribuíram (e contribuem) sobremaneira para o pragmatismo da vida. Esta, por sua vez, tornou-se um simulacro do real. E a ética… Alguém se lembra dela? Ou do seu significado?

  • Monique disse:

    Em meio a tantos acontecimentos e jogos de interesses..governos…intenções “invisíveis”…a lua, durante essa semana, presenteou o Recife com seu espetáculo místico, encantador e deslumbrante!

  • Monique

    Nossa sensibilidade aponta para o mundo e vê o que lhe atrai. Isso é bom.
    abraço
    antonio paulo

  • Cristiane

    Governar é muito difícil. O jogo é grande e o individualismo permanece. O mundo tem muitas armadilhas. Você fez um boa análise.
    um abraço
    antonio paulo

 

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