A morte da ética ou a doença social?

As regras existem para colocar limites e buscar organizar a convivência. O império do individualismo quebra a sociabilidade e provoca violências angustiantes. Parece que é impossível construir um mundo sem desconfianças. A contemporaneidade trouxe mudanças nos valores e tentou fixar promessas de futuros. O século XIX se encheu de utopias socialistas e de críticas aos desfavores capitalistas. Cobrava-se um ética que ultrapasasse a exploração e facilitasse a solidariedade. As tensões continuaram e as fantasias vestiram outras cores, porém os privilégios apagaram possibilidade governos que formulassem leis e reflexões coletivas para benefício das maiorias.

As revoluções modernas possuíam, de início, propostas que entusiasmavam os oprimidos. A revolução francesa terminou sendo festejada pela burguesia, as rebeldias nas fábricas não minaram o capitalismo e os totalitarismos se fizeram presentes em todo século XX. Colonizações impediram que a liberdade cultural se expandisse e se pensasse em inventar democracias e no desmonte de teorias eurocêntricas. Muitos estudiosos justificaram o racismo, os preconceitos dizimaram as ilusões anarquistas e sociedade foi e é consumida por intrigas.

A ética existe e dialoga com os desencontros. No entanto, a prática estimula o engano, prepara armadilhas, manipula quem se inquieta diante das jogadas mesquinhas da política. A complexidade não se vai. Ora as religiões avançam e se misturam com as ambições, ora se exalta a vinda de messias e se elege os escolhidos por deus. As farsas estão no palco e a plateia de treinados aplaude.É difícil aprender a pedagogia da responsabilidade. A mudez aumenta o silêncio das apatias. Crescem a censura e o medo de divulgar ruídos e denúncias.

A doença social mostra que as pessoas se incomodam e, ao mesmo tempo, se punem assumindo desânimos. Há uma fatalidade? Mesmo que as permanências desenganem e lembrem o passado tenebroso, por que o espetáculo de horrores não pode interrompido? O tempo apressado das redes sociais, as novidades das imagens , o suspense constante adoece. Nem sempre, registra o aumentos das depressões, das ansiedades, das coisificaçoes trazidas pelos mercados. Não é sem razão que se julga e os juízes não deixam de sacudir fora o equilíbrio. O apocalipse não é fim da história. Ele costura o cotidiano e sacrifica corpos sem remorsos.

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