A palavra, a magia, o poeta

Não sei quem fez o mundo.É um mistério. Muitos acasos, teorias científicas, deuses galantes, demônios espertos. Sou um animal que aprecio o lúdico e o encanto. O mundo possui muita magia, mas perversões imensas. As religiões não se cansam de inventar milagres.Há sacerdotes curadores e comerciantes. O cinismo mora em alguns templos. Nem todos se inquietam com as desigualdades.Desmoralizam a generosidade. No entanto, existem os profetas ingênuos e os fugitivos da tristeza. A mistura nos traz perplexidade e pede aos malabarismos dos conceitos ajuda imediata.

Critico os astuciosos que afirmam apresentar saídas perfeitas. Prefiro os mágicos, as acrobacias, os mensageiros dos vagalumes. Jamais acreditei no absoluto, adormeço pensando nos poemas apaixonados de Neruda. Os poetas possuem uma sabedoria que lê a alma. Não me acanho com seus sonhos.O mundo está aí, com desvios, curvas, ruídos. Vivemos. Há desafetos e o amor é uma encontro embriagante.Portanto, a complexidade fica nas esquinas e as perguntas se escondem nas gavetas. Não há muito o que apagar, nem limpe o tempo com suas dores.

Imagino a beleza dos mágicos no circo. Como gostava! Um espetáculo maior que a invenção do mundo. Assusta, dá frio na barriga, solta emoções especiais. Imagino que o circo é a grande invenção humana. A síntese do profano, o riso do sagrado. Então, me desgarro das metafísicas e observo a ousadia dos trapezistas. O voo que se desenha em minutos. Lembra a paixão do beija-flor pela rosa vermelha. Merece a vibração do poeta que não esquece que há pedras no meio do caminho.Nascemos, morremos e a historia não desiste do movimento das verdades e das mentiras. Talvez, o mundo tenha sido dito, por alguém com poderes indecifráveis, artesão de palavras.

Quem tatua suas aventuras no seu próprio corpo? Nada como sacudir ilusões, desejar sossego, desmanchar escravidões. Não conheço o eixo das coisas, nem entro nas fantasias do pecado original. Adão e Eva são desafiantes. Compõem uma tragédia sem igual. A questão é não aprisionar as palavras. Converse sozinho, invente uma princesa, chame os três porquinhos. Nunca brincou? Cuidado com as mesquinharias e não abandone as máscaras coloridas. Desconfie das tensões e não se banhe nos pântanos. Por detrás da porta, existe uma vassoura. Quer abraçá-la? Ou opta por entregá-la à bruxa que perseguia Branca de Neve?

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