Fascismo: a travessia do cinismo e da violência

 

Quem inventa notícia, inventa história. Não se trata de debater sobre a verdade e a mentira. Elas estão submersas numa escuridão profunda. A sociedade luta, muda de lado, sente saudades de Marx, mas se lembra de Hitler. A violência não se vai, pois encontra abrigo na Turquia, na Síria, na França, no Brasil… A violência está no mundo ou é do mundo?  Existem dúvidas que incomodam e dilaceram quem almeja o paraíso Tudo está envolvido numa multiplicidade imensa. As dores aparecem no corpo como vulcões, a melancolia chama poetas mortos por assombrações passageiras. A noticia é o espelho da sociedade do espetáculo.

É difícil se anunciar que fazemos a história, que nossa ações demolem preconceitos do passado, que a política nos aproxima da astúcia criativa. A questão é o disfarce, não deixar que o movimento cesse. Se tudo se transformou em mercadoria, o caos está dentro do abismo, porém não esquece de passear pelos jardins, de aparecer no namoro curtido nos bancos da praça. Não se mede nada. Inventa-se: revoluções, golpes, naufrágios, justiças. Existe uma esquizofrenia que destrona a sensatez. A vida é veloz, derruba tradições com uma ferocidade incrível. O cansaço é modificado pela compra e venda de suspeitos.Quem lucra,  quem queima a certidão do orgulho?

Um dia se nasce, outro dia se morre. Os deuses se sentem estúpidos, em tempo de desenhar o sagrado e compartilhar orações. É importante se localizar. A travessia é feita de pedra ou estamos no meio de uma deserto? As multidões buscam mitos, desmentem reflexões, se jogam em crenças mercantis, contam as distâncias que nutrem pesadelos. Não para de olhar e observar o que está surgindo ou se arruinando. O cinismo é produtor de máscaras, nem ousa se deitar no divã de Freud, nem tampouco leu os romances de Kundera. O cínico não se reconhece, brinca com seu condutor. Não admite julgamentos,  cola-se na violência que oculta.

Quando se representa o presente como lugar de refugiados, há quem se atormente e amplie sua indignação. O pecado ainda assusta e os sacerdotes desaprenderam a pedir perdão. Tudo pelo avesso, até os significados das palavras. Em que épocas estamos, porque o vermelho é perigoso e o azul traz a paciência? Os saberes servem para enganar o tempo. Não adianta fugir, recuperar as teorias. arrastar-se com um torturado sem futuro. O desejo de viver esforça-se para cobrir as estrelas, nem adivinhar o fim do universo. Estamos solitários,  desfeitos pelas contradições  e encurralados pela violências. Os tiroteios acontecem nas ruas como aventuras de ficções.

Recorremos as fantasias dos desesperos. Inventam-se fascismos, democracias, utopias. O fascismo desfaz solidariedade, estimula competição, consagra a agressividade. Não dispensa a ordem e progresso. Contagia quem guarda ressentimentos e se enquadram na melancolia do tédio. Hoje, conta com dizeres sensacionalistas da mídia, Abraça-se com a tecnologia, com o discurso de uma arquitetura estranha. Mas há quem se convença e espere a salvação do mundo no movimento da ruína e da desconfiança.Desmonta-se a cultura em nome de uma soberania que encobre o perdão.

 

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