A poeira do caos

A poeira vermelha do caos enche os olhos de lágrimas,

o mundo permanece indefinido como um deserto.

Não meça a culpa, nem estranhe as utopias enfermas,

a ilusão corre com uma razão desfeita e melancólica.

Cada aventura do tempo é desenho de curvas antigas,

o futuro não existe quando o sentido se fragmenta.

Sei do amor a incerteza que apresenta pálida,

a história que não conta perdões, mas desprazeres.

Nem pense no peso cruel das bombas atômicas,

nem acredite nos anjos sem cores e apressados.

Há inconscientes transtornados nas falas de Édipo,

não acene para esfinges, corte a verdade anêmica.

A poeira do caos se pinta com o vermelhos desbotados,

amedronta as flores dos jardins decadentes.

Testemunho, com a escrita, o reino da incerteza cristalizado.

 

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