A política e o jogo: tensões e resultados

O Brasileirão faz parceria com o momento histórico da campanha eleitoral. Há muitas semelhanças. Denúncias, promessas, sortes, multidões. A política não deixa de ser um jogo. Não lhe faltam estratégias e nem malabarismos. Quem é o mais sincero nas suas ambições? Quem será o campeão nos votos e na pontuação da tabela? O pior é que o passado retorna com seus vícios. Urnas eletrônicas, uso da internet, especialistas milionários, mas a confusão entre o antigo e moderno é incomensurável.

A  ansiedade veste-se de muitos hábitos. O resultado é o que interessa. O pragmatismo corre solto, não é uso exclusivo das elucubrações econômicas. A ética sofre de doenças incuráveis. Vacila entre uma consulta a Freud ou a um pedido de revisão das teorias de Darwin. Tudo lembra peças de lego. Arme seu brinquedo, explosivo ou ameaçador. O gol de mão pode salvar seu time da desclassificação. Não sossegue.

A imprensa amplia seus espaços para veicular os escândalos. As plateias se renovam, na sua sede pelas novidades. Escolha: pedofilias, corrupções, pontos de droga. O papa está sendo vaiado na Inglaterra. A Igreja Católica passa por apuros. Lamenta-se a existência de preconceitos ou o descuido na projeção dos compromissos. Há notícias de toda ordem. Os eleitores e os torcedores confundem-se nas suas escolhas ou nas suas polêmicas.

Mas há também as indiferenças. É o individualismo ou a apatia o mal do século?  Quem sabe a mania de visitar shoppings centers, em  domingos ensolarados, domine o espetáculo geral? A preguiça do corpo e da mente está perplexa em frente aos programas de TV. Passione geral. Ninguém arrisca medir o tamanho do descrédito. Os partidos e os clubes parecem presos a interesses de difícil transparência. Por isso, a bola rola e procura sempre o êxito, com lucros.

Tiririca, João Paulo, Marina, Aécio, Romário, Sérgio Cabral são candidatos com trajetórias de vida que, muitas vezes, se chocam nas suas travessias. Uma mínima reflexão anunciaria perfis desiguais e desejos diferentes. Nem precisa criar tribunais de julgamento. Por outro lado, o Náutico despenca, o Sport cresce, Dorival Júnior se chateia, Adílson Batista sorri e os árbritos cometem seus enganos costumeiros.

Variações contínuas. Aceleração do consumo até das fofocas. Muita gente nem sabe que a estreia d’ A Sagração da Primavera de Stravinsky foi um tumulto, pelas ousadias da composição. Depois, transformou-se num exemplo para a música contemporânea. O público lê as notícias, sem modelos definidos de recepção. Diverte-se, incomoda-se, conversa, culpabiliza-se.

O mundo não, apenas, gira. Ele agita corações, refaz trilhas, cuida de inventar-se. A certeza é artigo de segunda necessidade. O absurdo e a distração são encantos do mundo do jogo e da política. Na esquina, o sinal está quebrado. Fixou-se no amarelo. Não há conserto. Suas luzes estão sem brilhos. Os automóveis buzinam. Querem justificar suas existências vadias e, contraditoriamente, complexas. O sol aquece as friezas do dia.

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