A política é um negócio?

 

A moeda de troca não se cansa de circular. As denúncias de corrupção enchem jornais. Parece um samba de uma nota só. Mas a corrupção corre o mundo, não é coisa que reside exclusivamente no Brasil. A política se desmoraliza, torna-se um mercado de jogos perigosos. Ganha quem é esperto ou tem um cinismo aprimorado. Não faltam enganos, armadilhas, ilusões. Tudo se mistura, com a perplexidade geral. Ninguém quer ser condenado, todos prometem que são inocentes, precisam de perdão e não de julgamentos. O pragmatismo tem muitas faces.

Será que se naturalizou a denúncia ou o capitalismo abriu espaços para exercitar o uso indevido dos recursos públicos? Há quem não acredite que o paraíso está perdido. No entanto, fazer política com astúcias e acusações mútuas, sem se preocupar com o coletivo é fragilizar a própria construção da história. Quando a desconfiança se espalha, o outro passar ser objeto e a cidadania adoece. Pergunta-se, duvida-se, perde-se. Será que as utopias estão mesmo em estado de coma?

Lembro-me dos sofistas e seu relativismo cortante, de Rousseau com seu contrato social, de Marx analisando a exploração e a desigualdade, de Nietzsche dinamitando os valores ocidentais. Os intelectuais vigiavam o mundo, previam progressos, exaltavam a ciência. As guerras mundiais frustraram e a bomba atômica complicou o anúncio da esperança. A sociedade de consumo se concretizou. O comércio de armas é ativo e se destrói crenças, mas os preconceitos assanham disputas contínuas.

A política entrou numa caverna que não tem fim e pouco se imagina sobre as possibilidades de saídas. Os negócios atiçam ambições e hipocrisias. Os partido se firmam como instituições arrecadadoras de grana para garantir cargos. Quem pode adivinhar reviravoltas, se livrar de tantas máscaras? A política sonhada deveria administrar conflitos, se comprometer com a igualdade, reafirmar os desejo de mudanças. A carga é pesada, não há descanso para reflexão. A novidade vende notícias e disfarça culpas.

Olhar o passado ensina. Não é a salvação. As ideias existem, as virtudes visitaram culturas, o mundo não é apenas lugar de tormentos. No entanto, a crítica acompanha a autonomia. A perfeição é um espelho inesprado. As lacunas fazem parte do humano. É preciso não naufragar de vez. Há mares mais calmos, nem todos admiram a facilidade do roubo de gravata e terno. A sociedade se reinventa, o fôlego não está morto, as contradições permanecem. Resta observas que pequenas luzes ajudam a distinguir sombras.

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3 Comments »

 
  • DIÓGENES disse:

    A política é um grande negócio! Quem sabe criar estratégias para obter o controle sobre determinado momento vai conseguir atrair aliados e criar relações que na maioria das vezes se mostra reciproca. É um intenso jogo pelo poder cuja finalidade é manipular e ampliar o numero de adeptos. Esse jogo é incessante e sempre se dará ao longo da história.

  • Anuska Salsa disse:

    As dificuldades de acesso a essa gama de “facilidades” e de irreverências que aparecem todos os dias, me proporcionou um ar melhor de respirar e oxigenar minhas idéias. Não lutaria hoje , de forma alguma , por melhores condições financeiras. Hoje,o que verdadeiramente importa pra mim é o simples, o gratuito,o fora dos padrões de beleza e de qualidade,o que não possui código de barras… Mas, com um único impasse: sou apaixonada por pessoas, preciso delas, mas o mundo é muito vaidoso para olhar as nossas necessidades íntimas.

  • Anuska
    A multiplicidade gera uma certa confusão. O que escolher? É uma pergunta. Quem escolher? E assim vai. A complexidade é um desafio.
    abs
    antonio

 

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