A política está no cotidiano

Não precisa celebrar projetos salvadores, nem afirmar que o mundo se arrumará quando certos partidos estiverem no poder. Há muita farsa no jogo das notícias e muito entusiasmo em possuir privilégios. Os cenários das relações sociais tendem a ganhar uma obscuridade e um cinismo abrangente. É claro que há delírios, sinto que as doenças mascaram situações precários e consolida lideranças que fazem da mentira seu alimento maior.

Não faltam discursos, nem fanatismos. As redes sociais convocam para assistir pronunciamentos, atiçam intrigas, as acusações fecham instituições, porém as tensões não cessam e as armadilhas crescem. A política não sobrevive por causa dos partidos. Eles agonizam, estimulam escândalos, se afirmam como condutores. A multiplicação dos enganos deixa vestígios de frustrações.

A politica dever ser articulada no cotidiano e não nas abstrações das teorias. Quem está próximo merece cuidado. Para que insistir nos planejamentos feitos para burlar os inocentes? Se os milicianos se apossam dos núcleos de poder a guerra civil se aguça? Quem pensa que a sociedade respira e consegue se livra das poluições? Quem não observa que o dualismo persiste e transforma a luta do bem contra o mal numa encenação frequente?

Se a política elege figuras fixadas pelas concentrações de riqueza e os preconceitos racistas o caos seguirá sendo companhia de todos. Para além das grandes instituições, existe o dia que busca o amanhã e se cansa de escutar homens e mulheres com vestes escuras e comprometidos com as minorias. Não abaixe a cabeça, nem sacuda fora a dignidade. O messias é sempre perigoso e gosta de gritar para fortalecer ilusões.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …qual as narrativas que causam união e a direção ao entendimento único? Quem conduz as multidões a se guiarem na direção única, no pensamento único, na prática única? Nos tempos histórico de longa duração, aprendemos nas aulinhas de história da educação básica que as primeiras civilizações surgiram, Egito e Mesopotâmia, no Oriente, e Grécia e Roma, no Ocidente. Quem fazia o poder político prosperar e organizar essas primeiras sociedades, estes primeiros Estados? Essas grandes estruturas sociais uniam-se em torno de grandes líderes ligados a religião, com seus dogmas inquestionáveis, os indivíduos seguiam seus mestres. E hoje, somos também frutos da influência de ordens sociais do passado, as descontinuidade tentaram criar um Estado-Nacao laico, mas vivemos hoje uma volta arrebetadora das relações de poder guiada por grandes líderes evangélicos e a pauta dos costumes unem multidões como nenhuma outra é capaz de fazer. A política se uniu a religião e o debate racional das pautas parece sepultado. A incerteza da nova ordem social que vem sendo testada é imensa, ninguém consegue prevê nada sobre as incertezas do futuro e dos indivíduos guiados por pastores sedentos de poder a qualquer custo. E os novos líderes políticos construídos na ética e no bem comum precisam decodificar um meio de driblar a influência religiosa na vida cotidiana das pessoas e seus danos imensuráveis, como nos mostram as narrativas históricas do passado…

 

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