A política: fazeres, desfazeres, perplexidades

Não se sabe qual o caminho que a história seguirá. Há muitas especulações, estudos, teorias, previsões tecnológicas. No entanto, não  se pode esquecer das mudanças que surgem inesperadamente . Querer uma história determinada e controlada é criar expectativas desgastantes. Na sociedade atual, as marcas das multiplicidades são muitas. Conflitos continuam mostrando as diferenças sociais, religiosas, culturais e deixam tensões permanentes. Buscamos solidariedades, mas há quem incentive a competição, promovendo autoritarismos. Portanto, a transparência é complexa.

Visualizando as incertezas, temos condições de evitar alguns enganos. A sociedade se organiza com regras, tradições, jogos de poder. Não existe consensos absolutos e as lutas políticas fazem da construção cotidiana um lugar de aprendizagens. Há perdas constantes de referências que dificultam escolher valores e definir como o coletivo governará suas ações. A política enfrenta crises radicais, aprofundadas pela prevalência de práticas capitalistas que exaltam méritos e marginalizam a grande maioria.

As instituições que serviam como base da convivência social sentem falta de fôlego. O que deve sistematizar os programas dos partidos políticos? Qual significado das eleições? Com fica a memória das experiências socialistas? Como reagir aos desmandos que rompem as possibilidades de redefinir os afetos? Surgem inúmeras perguntas e a dificuldade de respondê-las se agrava. A agonia é visível e intimida. Não é à toa que cresce o número de depressões e a droga se espalha como um negócio  cínico e avassalador.

O tempo histórico não tira férias. As lutas não se recolhem. Elas querem afirmar alternativas, acabar com os discursos tecnocratas, não naufragar na acumulação de bens descartáveis. Luxo e lixo se confundem. É importante que o silêncio não forme um império e a apatia apague as inquietações. É preciso que se componham ruídos e sinfonias dissonantes. Tudo isso acompanha o cotidiano. As repetições mostram que a sociedade necessita de imaginar outros lugares, outras relações, outros ânimos.

A dificuldade de definir os valores corta diálogos e amedronta responsabilidades. Quando se observa o tempo histórico a perplexidade  se apresenta. Estamos contaminados, ainda, pela famosa ideologia do progresso. Ela sufoca memórias. Como contemplar o ir e vir da convivência?  Será que as  permanência merecem debates? O novo qualifica o quê? Elas não são a consagração de uma poder que detesta contrapontos e se recusa a discutir sua soberania? As utopias não acendem desejos e modificam a inércia?

Enfrentando armadilhas simples e sofisticadas seguimos saindo e entrando em labirintos. As sociedades não renunciam fácil as suas ordens dominantes. Não há unicamente violência e pressão. Quem controla sabe que a sedução do consumo tem atrativos. Usa e abusa de conceitos de felicidade. Faz da política uma concorrência onde os meios de comunicação ajudam a concretizar os produtos que abalam os desejos. A neutralidade nunca existiu e muitos têm, pelos menos, que rascunhar suas escolhas. O tempo não descansa, o mundo gira e desloca sentimentos e frustrações.

 

 

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