A política inquieta e as travessias tensas

 

O diálogo ajuda a esclarecer. Nem sempre, temos pontos em comuns, mas é preciso que as palavras se movam. Não podemos silenciar e cultivar, apenas, ressentimentos. Não há sociedade onde não existam dissonâncias. Muita gente, muitas tradições, muitos valores que promovem escolhas diferentes. Isso não deve significar uma contínua tensão. A troca de argumentos é saudável. Escutar é uma arte, agita sabedorias, entrelaça pessoas. As sociabilidades não podem viver de suspensões e armadilhas programadas. Tudo isso alicerça fronteiras e aprofunda desconfianças.

Na campanha eleitoral, as denúncias ganham destaque. Há investigações pessoais, desprezos, raivas. Falta debate para estimular reflexões e pensar que a história é a construção da possibilidade. Fechar a porta é esconder a luz e privilegiar as sombras. Não há política sem escolhas, sem buscas, porém isso não significa colecionar inimigos. Na medida que a confusão se acirra, o cerco da emoção se  concretiza de forma negativa.

Mas  qual é a medida que aproxima e não favorece descontinuidades na convivência? Não estamos, aqui, celebrando neutralidade, nem apatias. Não observamos os cenários com frieza e indiferença. Os envolvimentos existem. Eles evitam omissões no momento de visualizar saídas e atenuar contradições. Ânimos descontrolados desfazem paciências e revelam que as carências mostram afetos desgovernados. Parece que vivemos numa luta voltada para o resultado vingativo, para a quantidade, para nos livrar dos outros. O território da corrupção se amplia em todos os níveis e acelera cinismos.

Não estou firmando descompromisso ou ocultando opções. Voto em Dilma, reconheço que muita coisa necessita ir adiante e há vazios que não podem permanecer. A política não é isenta de paixão, no entanto é importante lembrar que há coletividade, memória, oportunidades para refazer e retomar caminhos. Numa sociedade marcada pelas desigualdades é fundamental que se procure diluir esquemas individualistas. A violência cresce. Não apenas as agressões físicas. Os preconceitos se acendem, o social se fragiliza. Perdemos não só utopias. Elegemos o critério da acumulação de mercadorias para compreender a história.

Não deixar que a ética desapareça é um trabalho difícil, quando o mundo do consumo nos enche de ofertas sedutoras. Muita gente delira com os cartões de credito e as tramas para encontrar facilidades de enriquecimento. Alguns falam na força das gestões, nas administrações fracassadas, como se não houvesse outras questões em jogo. Os valores ou a discussão sobre os valores termina ido para o lixo. Talvez, a política peça , com urgência, redefinições, para não se deixar anular pelos ruídos da mídia e da novidades destruidoras.  Repensá-la traz força para a cidadania.

 

PS: Volto a postar no dia 29 de 10

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