A política de todos os oceanos

Não se podia esperar travessias menos amargas. Tudo está muito confuso, complexidades inesperadas.Há surpresas que atormentam. Não temos condições de votar pelos outros. Seria um caos. A política é uma escolha com objetividades precárias. Nem sempre a lucidez ganha espaço, os ressentimentos viajam pelos corações. A sociedade é território da diversidade. É lamentável que Dória faça seu sucesso. Mas como explicar tudo isso? Construímos suposições, imaginamos utopias, o mundo gira numa velocidade tonta, não somos senhores de nada que garanta certezas definidas. As simpatias não estão fora do mundo.

Não se esqueça que a mercadoria é símbolo de uma competição que não cessa. Não analisamos com profundidade o que nos configura. Entramos na lógica dominante, invejamos, ambicionamos, o capitalismo possui fascínio. Não pense que a razão salva e a fé traz retrocessos. As religiões e os partidos políticos se parecem. Jogam com os sonhos, prometem perdões, mas vestem fantasias, dançam sinfonias medonhas. Não estranhe as coligações, nem os acordos. Tudo se toca, onde todos torcem por cargos e querem privilégios.Poucos abrem os olhos, buscam um sonho que não existe, de outra época e de outros sentimentos,

A história sempre mostra que a linha reta é uma ilusão. Há geometrias renovadoras ou retornos inesperados, Os mistérios não se acabaram. Os deuses talvez sejam fantasmas. As assombrações assustam, os navios se desgovernam, porém muitos esperam brilhar e fazer negócios, O valor de troca predomina e arrasta imaginações. Quem ousa compreender os acasos e decifrar que há também programações escravizantes? Sempre acho que a servidão voluntária não se foi, A responsabilidade se entrelaça com as carências e as teorias se fixam nos discursos da arrogância acadêmica,

Há ressacas para uns e farras para outros. Grana circulando com rapidez e experiências reanimadas. Os ruídos abafam as críticas, a mídia exalta os vencedores e Temer mantém seu cotidiano. Difícil decifrar o enigma das perdas, se os demônios gostam de festas e frequentam ambientes de disputas. Quem sabe o que significa as siglas dos partido? Dizem que são socialistas, modernos.Estão numa emboscada bem articulada. O compromisso se congela na vida pessoal e o coletivo se fragmenta. Cortam-se laços tradicionais, reinventam-se práticas. As loucuras não cabem no consultório de Freud. As ruas tornam-se lugares de festejos estranhos. Amanhã poderá ser ontem. Assim é o tempo,

A política virou uma casa de câmbio. As profecias existem, a barbárie não é um devaneio e os desafetos correm soltos criando as vinganças,O futuro não é uma página aberta e é preciso ter cuidado. Representar a vontade os outros é um risco. Falta autonomia, quando se entra nas aventuras do mercado, O juízo final é sempre lembrado. No entanto, o mundo não se assanha sem os nosso desejos, O abismo é fundo e escuro. As portas não permanecem todas trancadas.Ficar na admiração ou na raiva, considerar a soberania da mesquinhez traz medo ou apatia. O movimento sobrevive, transforma seu ritmo. Somos nós que compomos as músicas e sabemos a força das dissonâncias. A indiferença é pecado original contemporâneo.

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