A política, o futebol e o Superman: os entrelaçamentos

O ano de 2010 foi anunciado com muitas ansiedades. Era o ano da Copa de 2010 e das eleições para presidente do Brasil, só para lembrar algumas coisas. Lula continuava sua trajetória, mas as mudanças estavam por suceder. Restava esperar e a vida prometia, com suas andanças múltiplas.

Veio a Copa. A seleção manteve-se nas mãos de Dunga. Poucas surpresas na convocação. Brigas, teimosias, decepções. A equipe brasileira não chegou perto do título. Configuram-se transformações. Nada de querer o imediato. O planejamento se estrutura, longe das contradições anteriores, mas a seleção já ganhou o primeiro jogo, causando boa imprensão.

A perda da Copa mexe, sempre, com o público que gosta de futebol. Mas o Brasileirão traz outras histórias. Termina o passado sendo repensado. Teremos que nos preparar para 2014. A conquista não saiu da agenda e não desaprendemos a jogar.

O futebol está aprisionado pelas artimanhas do capitalismo. Tornou-se um investimento de muitos milhões. Os clubes ficam, sem campo de ação, para cuidar de seus elencos. Acabam sendo atiçados pelo mercado. Há jogadores que seguem, ainda, adolescentes para fazer sua formação na Europa.

Com todas as dificuldades, surgem novos craques e a emoção não desaparece. O futebol possui um espaço destacado na cultura, por isso deve ser melhor cuidado. Há os que o consideram uma alienação que distorce os fazeres da cidadania. Não podemos silenciar os insatisfeitos. Vale o debate.

A política e o futebol dialogam. Muitos clubes faliram por serem mal dirigidos. Houve interesses claros de fazê-los uma fábrica de votos. O clientelismo desmancha a autonomia das pessoas. Nos anos eleitorais, a  política não se cansa de fazer menção ao futebol e atrair seus seguidores.

Exemplos desfilam por aí. Romário tenta sua vaga na política partidária. Ninguém desconfia da sua popularidade. Será que vai realizar o seu sonho? Pode ser, porém as eleições são também um jogo. A zebra corre solta nos seus territórios.

Problemas sérios afetam a maioria da população. Ela se diverte, trabalha, protege suas famílias, sofre com os desajustes das gestões públicas. A situação poderia ser outra, se mais investimentos garantissem educação e saúde, com qualidade.

O voto é disputado. Os candidatos não se afastam das promessas. O atual presidente goza de prestígio, sem igual, junto aos cidadãos. Cabe lutar para que a política ganhe força e anime o país. A lucidez e compromisso compõem esta luta.

Não é tarefa para nenhum Superman modificar o cotidiano das desigualdades. A solidariedade firma os entrelaçamentos das virtudes. A vida não se resume às aventuras dos ídolos fabulosos. A política cresce, quando dá resposta à vontade coletiva e refaz a dignidade  social.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>