A politica tem (des)continuidades e (des)confianças

A perplexidade faz parte da política. Ela apresenta-se em situações que apontam mudanças de comportamentos e quebra de pactos. Dilma assumiu o governo, com muita gente desconfiando que haveria uma continuidade indiscutível das ações do ex-presidente Lula. Ela não nega admiração pelos feitos anteriores, mas procura firmar sua autonomia. Esqueceram que cada um tem um estilo. Vale a amizade, porém a submissão é condenável. As diferenças devem ser destacadas, mesmo que haja coincidências em projetos e concepções de mundo. Na política, tudo isso causa transtornos ou derruba expectativas.

No Brasil, não é incomum os acordos que levam aos desmantelos oficiais. As denúncias mostram cinismos e descontroles. A punição demora ou nem aparece. As incertezas  produzem perdas, transformam as notícias em enredos de novela. A confusão desfaz esperanças. Os escândalos desmontam Ministérios, desviam planejamentos e ameaçam a ética. Eles se sucedem. Sempre surgem personagens que não se comprometem com o cargo. Querem o leito dos privilégios. As surpresas perturbam quem apostava no ostracismo definitivo de alguns. Observe a trajetória de Collor. Ele, agora, é senador da República. Coloca-se na base de apoio da situação.

As negligências não são acidentais. Compõem a trama das aventuras dos sonegadores e oportunistas. O dinheiro público avoluma-se-se nos bolsos de quem deveria cuidar das demandas coletivas. Por isso, faltam hospitais, mais segurança no trânsito, escolas, saneamentos… Fala-se no aumento do poder de consumo e na organização da nova classe média. Houve conquistas. No entanto, as desigualdades permanecem atingindo a maioria. Não adianta euforias, discursos salvacionistas, quando as lacunas não se complementam, mas se mascaram. O que é mesmo fundamental para a sociedade? Acumular cartões de créditos?

Dilma trabalhou nos governos de Lula. Não entrou em territórios estranhos na missão atual. Mostrou-se solidária com as diretrizes do passado. Elogia Lula. Nada aconteceu que desabonasse a amizade dos dois. Como sempre, as fofocas especulam. Não poderia ser diferente. As conversas estimulam conspirações e trazem novidades para boca do vulcão. As redes sociais encarregam-se de movimentar as notícias. Não desaparecem as declarações ambíguas e o baile de máscaras faz a festa de certos grupos. O desengano não habita o sentimento de todos.  Há quem não jogue fora a consciência e respire a dignidade.

A gestão de Dilma segue e impressiona pelo seu combate sistemático à corrupção. Continua com popularidade e recebe congratulações pelas suas atitudes. Até seus opositores manifestam-se de forma solidária. Mas a calmaria é um sonho. Ela foi eleita num amplo quadro de alianças. Há um variedade imensa de disputas de prejudica a unidade em momentos críticos. O Congresso Nacional se sacode com conflitos, acordos de bastidores, propostas de CPI. Busca não se descuidar de seus fios de manobra . Os princípios republicanos são, muitas vezes, desprezados. O individualismo consolida-se, quando existem ameaças de punição. Os ruídos se espalham e as polêmicas não cessam. As incertezas deixam a atmosfera carregada. É preciso saber até onde o caminho vai ser alargado. Profecia não merece crédito. As relações de poder escorregam e as reações contraditórias incomodam uma possível estabilidade.

Share

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>