A política vacila: armas, palavras, desenganos

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Voltou-se a falar na morte das ideologias. Muitos desconhecem o conceito, mas se tornou um charme traçar seus males e destroçar seus possíveis significados. Um percurso globalizado e ativo que não se restringe aos fatos brasileiros. Bolsonaro assume com ruídos que alimentam delírios de Frota e fogo nas relações internacionais. Isso era esperado. Sai do exército para entrar na história. Entusiasmou-se Não esqueça de suas peripécias  e desfazeres anteriores. Ganhou idolatrias e está emocionado. Ele faz parte de algum movimento secreto ou é o combate às ideologias consagradas pelas esquerdas? Não está só. Seus fãs acreditam em mudanças milagrosas. Sorriem e debocham. Seus inimigos se irritam, desacreditam, salientam as tolices.As dúvidas circulam com desmontes e petulâncias.

Há várias maneiras de se definir ideologia. A multiplicidade não está exilada. Uns afirmam que apenas a burguesia possui um discurso ideológico, pois ela omite as desgraças que traz com o capitalismo. Quer saber mais? Dê uma lida nos escritos de Marx ou mesmo em muitos artigos de Marilena Chauí. Gramsci, porém, entende a ideologia como uma concepção de mundo. Todos convivem com valores, tradições, projetos. Não há cabeça que não tenha imaginação. É claro que existem sofisticações, controvérsias acadêmicas, discussões raivosas. Uma sociedade sem especulações, desejos, raivas talvez nunca apareça.

O marxismo tem sofrido derrotas. Consegue ultrapassá-las ou  perde adeptos? Quem só ler manuais fica fora das animações mais recentes. Há quem não conheça Eagleton ou quem fique parado nas afirmações stalinistas. E os que deixaram as reflexões socialistas e estão amando o liberalismo? Observe ao seu redor. Veja quem se reserva a não mostrar o que pensa e elogia a neutralidade. Muitos se arrependeram e  prometem se livrar de todos os pecados políticos. Nunca tantos ressentimentos surgiram ou frustrações se fizeram presentes. As vaidades desfilam com as vestes da humildade. Uma olhada nas redes sociais nos traz vitrines coloridas. As culpas sempre ocupam lugares e um atiçamento nostálgico de perdas que se propunham a libertar o mundo.

Retomo as possibilidades de sonhar. Lembro-me da solidariedade, Quando ela poderá abrir espaços? O difícil é dividir. O mundo se transformará com a lógica capitalista? Com a concentração de riqueza e de poder a violência não se vai. As manipulações continuam sendo vendidas. Somos animais sociais, no entanto o afeto não é permanente. Derrubamos os outros, produzimos bombas, cultivamos ódios e preconceitos. As utopias existem, balançam futuros.  Estranhezas pintam quadros de terror ou de salvações? E as contradições dentro das histórias dos vencidos?  Quem foi que mais atacou o anarquismo no século passado? Por que as religiões se seguram na política? Será que viveremos sem crenças? Já ouviu os conselhos dos consultores que profetizam sobre seu futuro?

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