A praça , a vida, a dança

Há um desenho na esquina com cores vermelhas,

é um anúncio anônimo de quem se esqueceu d0 mundo.

Sentados nos bancos, há sonhos de esfomeados que desconhecem o amanhã.

Os cães, perfumados, acompanham seus donos e medem afetos especiais,

como se a vida se transformasse sem observar a imagem do que se foi,

como se os afetos buscassem um sossego poderoso e inusitado.

A praça parece uma vitrine, uma síntese do mundo, um lugar sem definição,

uma imagem tardia que não apaga as incertezas do cotidiano.

As suas cartografias revelam o que as hipocrisias escondem e escravizam.

As dores do mundo cabem num quarto ou num pesadelo insperado,

mas os fogos de artifício querem silenciá-las e legitimar qualquer espetáculo,

os minutos são contados como se fossem perdões apagados pelas fugas.

A brincadeira se desmoronou no grande circo da partida e do acaso,

quem acreditou no juízo final despediu-se do mundo no suicídio da desilusão.

A vida ritma uma dança envolvida pelo desejo de imortalidade.

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